O resgate dos Beagles e os testes com animais

Na madrugada de hoje, uma operação de salvamento aconteceu.
Segundo a notícia publicada no G1, dezenas de ativistas invadiram o laboratório do instituto Royal e levaram animais do complexo. A notícia da invasão foi primeiro divulgada nas redes sociais, e posteriormente confirmada pela Guarda Municipal da cidade e a Polícia Militar (PM) da região. A manifestação foi motivada por suspeitas de maus-tratos aos bichos no local.

Os manifestantes acusam o laboratório de maltratar animais como cães da raça beagle, (supostamente escolhida por serem animais amorosos) ratos e coelhos usados em testes laboratoriais de produtos cosméticos e farmacêuticos. Os ativistas afirmaram nas redes sociais que a empresa pretendia sacrificar os animais, dando sumiço neles. A companhia teria até tentado uma estratpégia para gerar desinformação e assim ganhar tempo para um suposto extermínio em massa dos animais.

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Ao Bom Dia São Paulo, o instituto Royal afirmou que “realiza todos os testes com animais dentro das normas e exigências da Anvisa” e que a retirada dos animais do prédio prejudica o trabalho que vinha sendo realizado. Segundo o laboratório, que classificou a invasão como ato de terrorismo, a ação dos ativistas vai contra o incentivo a pesquisas no país.

Manifestantes disseram que o laboratório tinha mais de 200 animais no local.

A Guarda Municipal da cidade informou que o protesto reuniu 120 pessoas, e que a maior parte invadiu o complexo após quebrar um portão da instituição, por volta de 2h. A corporação confirmou que muitos ativistas levaram em seus carros os animais do laboratório.
A ação lembra muito uma ação ativista que ocorreu na Itália no ano passado.
Na ocasião, mais de mil pessoas participaram de uma enorme manifestação contra a empresa Green Hill, um criadouro multinacional que “fabrica” animais para testes em laboratórios ao redor do mundo.”

Beagles são resgatados na Italia
Beagles são resgatados na Italia

No resgate italiano, os manifestantes se reuniram com cartazes que continham dizeres de protesto contra a vivissecção. Os manifestantes italianos partiram de uma praça na região de Montichiari, na Itália, rumo ao criadouro de cães Green Hill. A organização lucra, todos os anos, com a criação de 2.500 cães da raça beagle que são vendidos para serem explorados em cruéis experimentos. Dado o volume de pessoas, nem a polícia nem os Carabioneiros (uma das forças armadas e de segurança da Itália) puderam impedir a ação do grupo. Após vencerem um cordão policial, os protestantes pularam o muro do local para chegar às jaulas onde estavam os dóceis animais.

A alegria e a satisfação dos ativistas se mostrou no momento em que o primeiro cão resgatado lhes foi mostrado: eles aplaudiam e gritavam. Após esse, dezenas de beagles foram surgindo nos braços de seus salvadores. E, enquanto uns resgatavam os animais, outros ajudavam a passá-los por cima do muro.

Outro caso similar, também com beagles aconteceu na Espanha.

Neste caso, um grupo de 72 cães foram resgatados após a falência de um laboratório em Barcelona. A maioria dos animais eram utilizados em testes de medicamentos e cosméticos, e nunca havia saído da jaula. Os cachorros foram libertados depois que a fundadora do Projeto Liberdade para os Beagles, Shannon Keith, viu as mensagens colocadas no Facebook por um funcionário do laboratório e por um ativista espanhol que havia sido contatado por ele.

“Eles diziam que o laboratório iria fechar e que mataria os cães se ninguém se comprometesse a cuidar deles. Eu entrei em contato e disse: ‘Nós nos comprometemos”, contou Keith à BBC Brasil.

O projeto é parte da ONG americana Educação da Mídia para o Resgate de Animais (ARME, na sigla em inglês).

Quando você resgata um pobre animal que estava preso para ser usado em pesquisas nem sempre indolores, dá uma satisfação enorme. Mas este é um tema delicado.

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Há quem pense que o ser humano não tem o direito de usar NENHUM animal que seja em pesquisas. Eu compreendo quem pense assim, como compreendo as pessoas que fazem uma opção de vida por não comer nada animal, alguns não apenas carne como derivados. Penso que isso é uma outra compreensão do universo, das relações entre os seres viventes.
Nossa história de espécie é das mais sangrentas que se conhece. Mas quando a gente tá lá no leito de morte, vendo que a nossa hora está chegando, a gente agradece de ter o remedinho que pode nos salvar. Foda-se se foi testado em animais. E se foi, o ratinho, o macaquinho ou o coelhinho são uma parte dos que nos salvaram, a quem devemos ser gratos.

Por outro lado, entendo que a compreensão dos direitos dos animais é uma mudança muito veloz na compreensão do mundo para uma espécie (a nossa) que realmente acredita que é a “última bolacha do pacote” aqui no terceiro planeta do Sistema Solar.

Por nossa natureza egocêntrica, muitos de nós acreditamos realmente que nós somos “feitos à imagem e semelhança do Criador” e que todo o resto das coisas vivas estão aqui para nosso desfrute, nosso bel prazer, para o uso que nós bem entendermos. Não é de espantar que durante décadas persistiu o debate científico sobre se os índios tinham alma ou eles eram bichos que pareciam gente.

Ver e pensar isso, hoje, parece até piada. Mas naquela época isso era uma discussão científica mesmo, com defensores e argumentos dos dois lados, e até brigas. Quando Darwin apareceu com sua teoria da Evolução das Espécies então, o que teve de gente ficando puta só de imaginar o ser humano sendo colocado sob uma mesma lei que governa as espécies animais, foi um assombro.
Afinal, nós devemos ser melhores, pois nós somos capazes de raciocinar. Né?

Pois é, né?

Bom, é inegável que alguns de nossa espécie são realmente capazes de raciocinar e é por isso que nossa espécie se chama Homo Sapiens. O Sapiens vem daí. Durante séculos, imaginamos que animais não pensam. E até hoje persiste o debate se algumas espécies de animais são capazes de sofrer.

Você percebe que é o mesmo mecanismo imperando através das décadas? É difícil para o ser humano aceitar a ferida narcísica que não é o centro do universo, que tudo não está aqui por nossa causa e para nós, que nós não somos os mais importantes e que seres que consideramos inferiores, tem ou deveriam ter seus direitos.
Leva muito tempo para que uma sociedade mude e evolua sua opinião sobre alguma coisa. Adicione mais tempo quando essa percepção envolver: 1- Dinheiro, 2- O repensar de seu lugar no mundo.

Os animais precisam ter direitos, e me parece extremamente primitivo o mundo quando penso que ainda fazemos coisas que os romanos faziam, como torturar animais para extrair seu fígado doente (como no caso do foie gras) o patê de fígado de ganso, que é delicioso, eu adoro, mas veja, é uma sacanagem com o animal.

Os romanos faziam coisas legais, como o concreto, pontes, castelos… Mas eles também crucificavam gente! Eles jogavam gente para o leão comer e se divertiam de ver isso.

Ainda somos primitivos assim? Eu digo: Somos!
Por isso, apesar de gostar, eu não como. Não por idealismo ou ativismo. Não sinto mais prazer desde que vi como era feito. Sem prazer, a coisa perde o sentido. Comecei, gradualmente a perceber o quanto sacaneamos animais por motivos babacas.

Me diga sinceramente, qual a necessidade de hoje, em pleno século XXI, quando já mandamos sondas robôs lá em Marte, de fazer casaco de pele de esquilo.

É idiota.

É completamente sem noção pegar trocentos esquilos para fazer uma roupa de frio que será usada do jeito inverso, com a pale para fora, de modo que estamos usando a pele de animais silvestres mortos para APARECER.

Isso vale para chinchilas, coelhos, lebres, raposas, filhotinhos de focas… Tem um post sobre isso aqui onde eu mostro o que é um casaco de pele, porque vendo na loja, pensamos numa unidade. Um casaco de pele. Mas cada um casaco de pele são dezenas centenas de mortes que nós vamos financiar, pagando uma nota preta, para bancar de bonito por aí.

Isso é estúpido. A gente nem sequer come esses bichos. Eles tem a pele arrancada (com eles vivos) e são jogados em montes para agonizar até a morte. Isso é o que fazemos. Isso é o que financiamos em busca da nossa “moda”.

Isso é um único casaco dele pele
Isso é um único casaco dele pele

Na natureza, um animal mata o outro para comer. Se ele não mata, morre de fome e sua carcaça vai alimentar outros animais e adubará o solo. Nós e nossa perversão das leis naturais matamos porque achamos bonita a pele do bicho. Isso é de um primitivismo quase ancestral, ocorrendo na era do átomo, na era do teletransporte! E defendido por pessoas com dinheiro e instrução.

Veja o caso dos animais usados como cobaias. Eu tenho pena. É triste. Só quem tem uma pedra no peito não sofre ao imaginar que tiramos um filhote de macaco de sua mãe e damos injeções nele e depois o matamos.
Mas há uma diferença entre um animal que morre ara salvar a vida de outros animais, e até outras pessoas e animais que morrem por razões fúteis.

O uso de cobaias, ao meu ver, é um mal necessário. Mas digo isso com restrições, porque muitas vezes nem acho que seja realmente necessário. Acho que ocorrem abusos.
Mas o fato de haver abusos, não deve justificar a extinção dos testes em cobaias animais como pleiteiam muitos ativistas dos direitos dos animais.

Penso que nós neste planeta estamos inseridos numa eterna luta contra o meio. E o meio envolve virus, bactérias e doenças. É uma guerra permanente. Nossos aliados por uma vida melhor são os animais, que são criados para servirem de cobaias para testes de medicamentos e tratamentos que pode ajudar até a espécie deles mesmos. Acho uma certa hipocrisia dos que dizem que são contra todo e qualquer teste em cobaias, e assim que têm uma dor, correm para tomar remédio.

Não vejo o ser humano como naturalmente mau ou bom. E nem vejo os animais assim. Somos parte de um ecossistema complexo e interdependente. Há muitas doenças que nós compartilhamos com os animais, e pesquisas medicas podem beneficiar geral.

Espero que no futuro, com a evolução da genética (área científica em que muito nos ajudaram os animais e até vegetais) o uso indiscriminado de animais de testes se reduza a patamares mais aceitáveis. Os modelos computacionais também são nossos aliados nessa busca por uma utilização menos cruel dessas vidas.

Nem sempre testes em animais podem ser evitados, gente. É triste, é horrível, mas eles morrem por uma causa nobre, o avanço da nossa tecnologia. às vezes, uma única cobaia de testes pode fazer a diferença entre compreender o mecanismo biológico de uma doença que poderá tirar milhões de vidas.

Mas há uma diferença marcante na maneira e no protocolo de respeito para com esta vida, que é sacrificada para salvar outras. Muitos laboratórios tratam os animais como se fossem lixo. E isso é terrível.
Acho difícil quantificar uma vida. Seja ela animal ou humana. E é justamente por isso que sou a favor de testes com animais que salvem vidas. Mas reconheço que tem testes que são pura babaquice que vão matar ou sacrificar ou torturar o animal atoa.

Me preocupa um pouco essa onda de “vamos invadir o laboratório e salvar os bichinhos”. Sim, também tenho pena dos bichinhos, mas uma vez dentro do laboratório, se você não sabe o que estão testando nele, tirar o bicho de lá pode ter consequências na linha do filme “Os 12 macacos” (se você nunca viu, veja que é foda). Dá um bom mote para o apocalipse zumbi.

Além de ter impacto negativo em varias pesquisas, que vão ter que recomeçar, esse tipo de atitude resolve a vida da cobaia que está lá, mas não impede o laboratório de comprar novas cobaias e começar tudo de novo, só que gastando mais grana com segurança patrimonial.

Por outro lado, atitudes assim chamam a atenção para a causa das cobaias. São como símbolos de que cada dia mais e mais pessoas vêem na crueldade contra animais algo a ser combatido. Mas não é uma pedreira pequena a se enfrentar.
Diariamente, milhões de peixes e animais marinhos são mortos em pesca de arrasto na costa Brasileira e pelo mundo afora. A pesca de arrasto arrasa completamente os ecossistemas. Uma parcela muito significativa de tudo que é pescado vira LIXO! Sim, o bicho é retirado do mar, onde ele fará falta na cadeia alimentar para virar detrito e apodrecer no lixo.

Absurdos 60% dos peixes pescados no mundo vão parar no lixo. São muitas as razões: pescam com sistemas de arrasto que pega tudo que tiver no caminho. Assim vão cardumes de valor comercial, mas vão também muitos cardumes que não tem valor comercial.

Esses, morrem e são descartados. A falta de infraestrutura pesqueira e portuária faz a carga estragar e fica impropria para consumo, perda da qualidade do pescado na estocagem e transporte, falta de conhecimento técnico em geral, ganância… Peixes feridos ou machucados no processo são descartados porque não tem “beleza” e não serão vendáveis. Eles são descartados para que outro peixe “bonito” ocupe seu lugar. Animais abaixo de certo tamanho são descartados.

A pesca produz as maiores matanças e o maior desperdício
A pesca produz as maiores matanças e o maior desperdício

Desses 40% que se considera que foram APROVEITADOS, só 30% do peixe é realmente aproveitado, pois pelo que apurei, o resto, segue para o lixo. São cabeças, barbatanas e partes muitas vezes não valiosas do peixe. Um bom exemplo é o da pesca de tubarões para extração da barbatana dorsal, que é cortada e o animal descartado. Um bicho INTEIRO vai pro lixo por uma mísera barbatana.

A isso você junta lagostas, siris, camarão… O grosso de tudo que é pescado vai pro lixo. Algo surreal para uma espécie que tem 1 em cada 6 indivíduos dela marcado pela desnutrição.

Note que nós enquanto espécie matamos MUITO , mas MUUUUITO mais do que parece, e por razões estúpidas.

Há também outra seara, os que alegam que quem come churrasco não tem moral para defender um animal. E isso é uma discussão que dá ponto para manga. De fato, diariamente milhões de animais morrem para o consumo humano. Mas eu vejo na morte animal para o consumo pelo menos uma razão, que se não é das mais nobres, pelo menos não é das menos nobres. Tem morte animal bem pior.

Gente, o ser humano já levou espécies inteiras quase à extinção porque considerava o bicho “feio”! Há espécies de símios de Madagascar que quase sumiram do mapa porque são feios e o povo acha que são demônios, é o caso do Aye-aye. Outras sumiram do planeta porque as achávamos “burras”.

Ele quase foi extinto porque é feio.
Ele quase foi extinto porque é feio.

As fazendas de criação confinada de porcos, frangos e bois me lembram as cenas de campos de concentração.

É um campo de concentração onde comemos os presos no final.
É um campo de concentração onde comemos os presos no final.

Experiências com humanos

Falando neles, no período da II Guerra Mundial, houve um grande avanço da medicina, porque (eu sei que é horrível dizer isso) havia um volume GIGANTE de cobaias humanas disponíveis para testes, os mais diversos. Ao mesmo tempo era um período onde não existia sequer a discussão ética sobre a cobaia e direitos humanos eram para humanos e (lembra da discussão da alma dos índios alguns parágrafos acima? Veja como a história se repete!) os judeus eram considerados seres humanos de segunda classe.

Essas crianças eram submetidas a frio mortal. Essas partes escuras são carne necrosada.
Essas crianças eram submetidas a frio mortal. Essas partes escuras são carne necrosada pelo frio.

Muitos desses testes feitos pelos nazistas envolviam coisas que fariam torturadores chorar. Gêmeos eram vivisseccionados e costurados para ver se viveriam… Gêmeos eram separados em quartos distantes. Um era bem tratado e o outro sofria todo tipo de violência imaginável, para ver se o irmão do bem-bom iria demonstrar algum desprazer… Crianças nuas eram colocados em frigoríficos para medir quanto tempo levavam para morrer. Outras levavam choques, pauladas, queimaduras de água quente, para ver quanto tempo elas iriam agonizar. Foi nesta época que vários conhecimentos sobre a capacidade de humana de aguentar baixas temperaturas foram compreendidas. Ao custo de uma horrenda e nauseabunda serie de testes que estão mais próximos do que consideramos o inferno do que ciência propriamente dita.

É assustador pensar que o ser humano fazia isso com sua própria espécie.
É assustador pensar que o ser humano fazia isso com sua própria espécie.

Pessoas eram inoculadas com toda sorte imaginável de bactérias, para compreender como se daria a morte por septicemia. E você acha que tinha anestesia? Não tinha.
Basicamente, as experiências médicas nazistas eram imorais, e muitas foram realizadas durante o Terceiro Reich. Os pesquisadores e historiadores deste tempo tenebroso da nossa espécie dividem as experiências com humanos em três grandes categorias.

Experiências militares

Essas tinham por finalidade facilitar a sobrevivência dos militares do Eixo. Em Dachau, médicos da força aérea alemã e da Instituição Experimental Alemã da Aviação realizaram experimentos sobre reações à alta altitude, usando câmaras de baixa pressurização, para determinar a altitude máxima da qual as equipes de aeronaves danificadas poderiam saltar de pára-quedas, em segurança. Os cientistas alemães também realizaram experiências de congelamento, utilizando os prisioneiros como cobaias para descobrir um método eficaz de tratamento para a hipotermia. Também os utilizaram para testar vários métodos de transformação da água marinha em água potável. Os testes também envolviam pessoas que bebiam água do mar o dia todo até morrer. A ideia era ver quanta água do mar dava pra beber sem levar à morte.

 

Testes de medicamentos

As experiências dessa categoria tinham o objetivo de desenvolver e testar medicamentos, bem como métodos de tratamento para ferimentos e enfermidades que os militares e a equipe de ocupação alemã encontravam no campo. Elas foram levadas à cabo em vários lugares, mas principalmente em campos de concentração, como os de Sachsenhausen, Dachau, Natzweiler, Buchenwald e Neuengamme. Lá os cientistas testaram agentes imunizantes e soros para prevenir e tratar doenças contagiosas como a malária, o tifo, a tuberculose, a febre tifóide, a febre amarela e a hepatite infecciosa, inoculando os prisioneiros com tais doenças. O campo de Ravensbrueck foi o local de experiências cruéis (pense em algo que horrorizaria o próprio capeta e é o que rolava lá) com enxertos ósseos, e onde testaram a eficácia de um novo medicamento desenvolvido, a sulfa (sulfanilamida), às custas de incontaveis vidas dos prisioneiros. As sessões de testes produziam verdadeiras montanhas de corpos.

Em Natzweiler e Sachsenhausen, os prisioneiros foram sujeitos aos perigosos gases fosgênio e mostarda, com o objetivo de testar possíveis antídotos. Crianças eram queimadas com gás mostarda para ver qual o percentual de queimaduras que levaria à morte.

 

Experimentos raciais

Elas buscavam aprofundar os princípios raciais e ideológicos da visão de mundo nazista. Claro que nem preciso dizer que dessas, as mais infames foram as experiências feitas por Josef Mengele, em Auschwitz, que utilizou gêmeos, crianças e adultos, de forma inumana. Ele era o famoso “doutor morte”. Mengele também coordenou experiências sorológicas em ciganos, tal como fez Werner Fischer, em Sachsenhausen, para determinar como as diferentes “raças” resistiam às diversas doenças contagiosas. As pesquisas desenvolvidas por August Hirt, na Universidade de Strasbourg, tentaram confirmar a pretensa inferioridade racial judaica, inclusive foram muitos os que forjaram relatórios para justificar as praticas eugênicas nazistas.

Fora essas, tinha em curso experiências de esterilização, realizadas principalmente em Auschwitz e Ravensbrueck. Lá, os” cientistas” testaram diversos métodos, com o objetivo de desenvolver um procedimento eficaz e barato de esterilização em massa de judeus, ciganos, e outros grupos considerados inferiores e geneticamente indesejáveis pelos nazistas.

Uma das inúmeras valas comuns nazistas, repletas de cadáveres
Uma das inúmeras valas comuns nazistas, repletas de cadáveres

Se você chegou até aqui achando que as experiências sinistras com seres humanos são coisa vergonhosa do nosso passado, enterradas nos livros de História, é aí que eu te dou más notícias. Isso ainda acontece, até hoje!

Pra você ter uma ideia, só em 1997, o Bill Clinton pediu desculpas a uma comunidade do Alabama, que foi alvo de testes médicos no que se chamou de experimento de Tuskegee.

Eram 400 homens doentes, todos negros. Mas, para os cientistas que os observavam, eles valiam apenas como cobaias de laboratório. Os pesquisadores sabiam qual era a doença deles. Depois de algum tempo, sabiam até como curá-las. Apesar disso, negavam-se a dar o tratamento. Apenas registravam metodicamente a piora nas condições de saúde dos doentes. E os homens morriam, um a um.
A pesquisa com 400 portadores de sífilis foi feita em Tuskegee, Alabama, Estados Unidos. Terminou em 1972, com uma denúncia da própria comunidade científica, depois de se arrastar por quatro décadas. A penicilina era indicada como tratamento básico para a sífilis desde 1943.

O caso mostra como experimentos podem ser cruéis, seja com animais, seja com humanos.

Hoje a parada já tá bem mais “civilizada”, o que não significa que deslizes não ocorram, mas são mais raros. Foi graças a revelação dos horríveis arquivos nazistas que surgiu, em 1947, o Código de Nuremberg. Ele veio após o julgamento dos criminosos de guerra – 27 médicos entre eles –, na cidade alemã de mesmo nome.

O Código foi um primeiro passo para tornar as pesquisas científicas com cobaias mais justas. Ele determinou princípios valiosos, vigentes até hoje: os testes só podem usar voluntários, devem ser feitos primeiro com animais e têm de parar se prejudicarem um único paciente.

Eu me pergunto é: Se essas leis internacionais como o Código de Nuremberg e a Declaração de Helsinki dizem que qualquer experimentação com humanos em pesquisa científica requer o pleno consentimento do indivíduo, e uma vez que os animais não podem “consentir” em ser usados, mas, como eles fogem da dor e do sofrimento na natureza, podemos inferir que eles evitariam situações em que são submetidos a elas. Por que não estender aos animais, ainda que por empatia, o mesmo princípio que protege os humanos?

Somos melhores, é isso? Somos mais fodões? E em última análise: Será que não somos mais animais?

Meu pensamento é que se nós pensamos, temos condição de nos reunir, se projetamos nosso futuro, se nos organizamos, deveríamos ter o dever de zelar por seres que não conseguem fazer isso, e não usar a falta dessas características dos animais para dizer que é por isso que podemos usá-los como bem entender. A ideia não é dizer que os animais devem ser iguais a nós moralmente, até porque não são. As leis internacionais pelo menos estenderam os direitos mínimos às cobaias humanas.

Hoje esses direitos até parecem óbvios, mas foram solenemente ignorados muitas vezes, mesmo depois da derrota nazista, como no episódio de Tuskegee. Ao que parece, a história de testes com cobaias, mesmo depois do código não é nada bonita. Dos anos 1930 aos 60, houve de tudo um pouco: vírus da hepatite inoculado em crianças deficientes mentais, câncer provocado em idosos, cirurgias cardíacas feitas em pessoas saudáveis. Tudo em nome da ciência.

Só nos EUA, o anestesista Henry Beecher documentou cerca de 80 abusos do tipo. Beecher era professor da Universidade Harvard, e morreu em 1976. Ele ficou famoso em 66, quando trouxe à público um estudo com 22 dessas pesquisas. Seu material chocou o mundo, trazendo as verdades que eram cuidadosamente varridas para debaixo do tapete. Em 64, o codigo de Nuremberg, gerou a Declaração de Helsinque, que lista os direitos do sujeito de pesquisa (o nome atual para “cobaia humana”). A declaração orienta as pesquisas e lista direitos e deveres de pacientes, e médicos.

Hoje em dia, até chegar na pesquisa humana, os testes de medicamentos passam por uma série de etapas. E infelizmente, uma delas envolve sim teste em cobaias de laboratório, principalmente ratos e porcos. Elas são usadas porque se reproduzem e se desenvolvem muito rapidamente, e seu organismo é muito parecido com o nosso. Há quem veja nisso crueldade, mas eu vejo um mal necessário. Nem sempre o remédio mata a cobaia.
O fato é que durante séculos a utilização de animais como cobaias foi um grande trunfo para pesquisadores, fisiologistas e outros estudiosos auxiliando na compreensão dos mecanismos de doenças e desenvolvimento de vacinas. A vacina contra a raiva, por exemplo, que foi desenvolvida por Louis Pauster em 1885 e já salvou milhões de vidas, e continuará salvando, foi desenvolvida por ele após a utilização sucessiva de diversas cobaias.

Foi sacanagem com a cobaia? Foi. Mas isso evitou muito mais mortes.

Graças à nossa tecnologia, hoje existem outras técnicas que se não podem substituir completamente o uso de cobaias, mas podem, pelo menos, diminuí-las. Métodos como softwares que simulam as reações, modelos matemáticos, vídeos, cobaias de plástico e experiências in vitro tentam resolver o problema, mas não creio que extinguirão sua necessidade completamente. Há muitas instituições que aboliram seu uso.
Mas é inegável também que o ativismo pelo direito dos animais tem algum efeito numa mudança de paradigma.
A UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) foi uma das que aboliu o uso de cobaias em salas de aula no final de 2007.
Já a USP (Universidade de São Paulo) e outras instituições, como o Butantan e Fiocruz, mantêm até hoje seus biotérios (como são chamados os locais para criação e manipulação de cobaias) com o fim de garantir cobaias para pesquisas.

No Rio de Janeiro e em Florianópolis foram criados projetos de lei com o intuito de tentar proibir o uso de cobaias em suas jurisdições. O de Florianópolis está em tramitação há 13 anos e o do Rio de Janeiro já foi votado, aprovado, mas depois foi anulado pelo então prefeito César Maia.

Por enquanto os grupos de defesa dos animais utilizam a lei de crimes ambientais (Lei 9.605) para defender sua causa:

“Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.
§ 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.”

Enquanto aqui a discussão ainda rola (e parece que ainda vai rolar por muitos anos) há quem pleiteie direitos iguais para humanos e certos animais. É o caso do Steven Wise, professor de direito dos animais da Universidade de Harvard, defende que algumas espécies deveriam possuir os mesmos direitos à integridade e liberdade física que os humanos. Para ele, cães, grandes primatas, golfinhos, elefantes e papagaios africanos deveriam ser equiparados, em status, ao homem.

Há inclusive um pesquisador chamado Ray Greek que é autor do livro “Ciência das Espécies: Por que Experimentos com Animais Prejudicam os Humanos”,(ainda sem edição no Brasil). Ele diz que o uso de animais em pesquisas é prejudicial às pesquisas!

É uma hipótese meio estranha, mas ele explica:

Testar em animais não nos dá informações sobre o que irá acontecer em humanos. Assim, você pode testar uma droga em um macaco, por exemplo, e talvez ele não sofra nenhum efeito colateral. Depois disso, o remédio é dado a seres humanos que podem morrer por causa dessa droga. Em alguns casos, macacos tomam um remédio que resultam em efeitos colaterais horríveis, mas são inofensivos em seres humanos. O meu argumento é que não interessa o que determinado remédio faz em camundongos, cães ou macacos, ele pode causar reações completamente diferentes em humanos. Então, os testes em animais não possuem valor preditivo. E se eles não têm valor preditivo, cientificamente falando, não faz sentido realizá-los.

Com relação a remédios testados em animais, ele diz que “As estatísticas sobre o assunto são diretas. Inclusive, muitos cientistas que experimentam com animais admitiram que eles não têm nenhum valor preditivo para humanos. Outros disseram que o valor preditivo é igual a uma disputa de cara ou coroa. A ciência médica exige um valor que seja de pelo menos 90%. […] Muitos remédios que temos hoje foram testados em animais, falharam nos testes, mas as empresas decidiram comercializar assim mesmo e o remédio foi um sucesso. Então, a noção de que os remédios funcionam por causa de testes com animais é uma falácia. ”

Ray Greek nos diz uma coisa estarrecedora, que se for verdade joga uma garrafa de álcool na fogueira. Segundo ele, o que está por trás do uso de animais e cobaias de laboratório (nos EUA) é o dinheiro, não o conhecimento. Segundo ele, o porque de não abandonar o modelo animal é que:

…O trabalho deles depende disso. Nos Estados Unidos, a maior parte da pesquisa médica é financiada pelo Instituto Nacional de Saúde (NIH). O orçamento do NIH gira em torno de 30 bilhões de dólares por ano. Mais ou menos a metade disso é entregue a pesquisadores que realizam experimentos com animais. Eles têm centenas de comitês e cada comitê decide para onde vai o dinheiro. Nos últimos 40 anos, 50% desse dinheiro vai, anualmente, para pesquisa com animais. Isso acontece porque as próprias pessoas que decidem para onde o dinheiro vai, os cientistas que formam esses comitês, realizam pesquisas com animais. O que temos é um sistema muito corrupto que está preocupado em garantir o dinheiro de pesquisadores versus um sistema que está preocupado em encontrar curas para doenças e novos remédios.

Greek diz que a maioria das drogas é descoberta utilizando computadores ou por meio da natureza. As drogas não são descobertas utilizando animais.
Elas são testadas em animais depois que são descobertas. A opinião dele é que os animais morrem atoa. As drogas deveriam ser testadas em computadores, depois em tecido humano e daí sim, em seres humanos. Empresas farmacêuticas já admitiram que essa será a forma de testar remédios no futuro. Algumas empresas já admitiram inúmeras vezes em literatura científica que os animais não são preditivos para humanos. O prejuízo, segundo ele, é monumental. “As empresas já perderam muito dinheiro porque cancelaram o desenvolvimento de remédios por causa de efeitos adversos em animais e que não necessariamente ocorreriam em seres humanos. Foram bilhões de dólares perdidos ao não desenvolver drogas que poderiam ter dado certo” -diz.

Talvez Greek esteja certo. A história tem pelo menos um bom exemplo de como a ciência pode se iludir com testes em animais.

A talidomida foi tesada com sucesso em animais e deu defeito genético em humanos.
A talidomida foi testada com sucesso em animais e deu defeito genético em humanos.

Em 1957, a Talidomida chegou ao mercado. A substância, sedativa e anti-inflamatória, havia sido exaustivamente testada em cobaias. O remédio foi testado em cobaias animais e passou. Quando chegou no ser humano, deu merda! E não foi pouca! As mulheres grávidas, que tiveram a droga prescrita para enjoo matinal, tiveram bebês deformados, com uma condição chamada focomielia, que impede a formação de braços e pernas. Mas por que deu certo com bichos e não com gente?
Os roedores metabolizavam a droga de forma diferente de humanos, por isso não acusaram problemas.

É um caso emblemático.

De acordo com um relatório do Conselho das Organizações Internacionais de Ciências Médicas, de 2005, mais de 130 produtos farmacêuticos foram retirados do mercado mundial nos últimos 40 anos por motivo de segurança. Um terço nos dois primeiros anos de comercialização e 50% em até cinco anos. Os principais motivos apontados pelo órgão ligado à Organização Mundial de Saúde são as reações adversas causadas pelos medicamentos.

Se os medicamentos são testados em animais e se os testes realmente funcionassem, isso não deveria ocorrer, tão comumente, certo? Quem explica o porque é o Greek:

Não me interessa se somos suficientemente semelhantes aos animais para fazer testes neles ou não. A minha interpretação é científica. E a ciência diz que não somos. Na minha experiência clínica isso é verdade porque não conseguimos prever nem quais serão os efeitos de um remédio no seu irmão, realizando testes em você. Algumas drogas que você pode tomar, seu irmão não pode, por exemplo. Contudo, eu não sou contra todo tipo de experimento com animais. É possível recorrer aos animais para utilização de algumas partes. Por exemplo, podemos utilizar a válvula cardíaca de um porco para substituir a de seres humanos. Além disso, é possível cultivar vírus, insulina, mas isso não é pesquisa. O fracasso está em utilizar modelos animais para prever o que irá acontecer com um ser humano. Um ótimo exemplo disso é a Aids. Os animais não desenvolvem essa doença, de jeito nenhum. Eles sofrem de doenças parecidas com a Aids, mas por causa de vírus completamente diferentes. E os sintomas são muito diferentes dos manifestados em pacientes aidéticos. Por isso, não há correlação.

Sabemos que animais morrem diariamente em prol do avanço científico, seja ele afetado mais ou menos pelos interesses financeiros. Muita coisa que se sabe hoje advém de pesquisas anteriores com animais. Se as ciências direcionarem-se para avanços de modo a evitar os testes com animais, creio que seja vantajoso para ambas as espécies. Me parece que o futuro caminha para um mundo com um uso cada vez menor de animais para este fim. Mas eu reconheço que no presente, eles ainda são necessários para continuar a salvar vidas. O que não parece estar nem perto de uma solução é o uso indiscriminado dos animais para finalidades inúteis, como no caso dos casacos de pele.

Outro exemplo que trago para o debate é o uso dos animais silvestres para a “Tradicional medicina chinesa”. Vamos ser francos:

Hoje levamos espécies à extinção para um chinês ficar de pau duro!

Eles dizem que isso é pelo bem da "Medicina". E aí?
Eles dizem que isso é pelo bem da “Medicina”. E aí?

Outro exemplo é a bile do urso.

Em fazendas por toda a China, aproximadamente 10 mil ursos – principalmente ursos-lua, mas também ursos malaios e pardos – vivem suas vidas inteiras em jaulas minúsculas chamadas “crush cages”, nas quais mal podem se mover, e são cruelmente explorados para extração de sua bile.

A vesícula biliar do urso é “ordenhada” dolorosamente todos os dias através de cateteres especialmente instalados. A bile dos ursos é usada em 123 tipos diferentes de medicamentos chineses, especialmente para doenças do fígado de humanos.

Porra, fala sério. Não é escroto? O chinês inventa de comer morcego, rato, cobra, sapo vivo e depois que essa porra toda fode o fígado dele, ele toma bile do urso que não tem nada a ver com o pato!

Eles tiram a bile desse cara pra fazer remédio. Você acha certo?
Eles tiram a bile desse cara pra fazer remédio. Você acha certo?

Então, minha opinião é que estamos caminhando para uma evolução no que tange o respeito aos animais. Mas reconheço seu uso para o avanço dos medicamentos, embora ache muito coerente a postura do Dr. Greek.

Voltando aos beagles, penso que seu resgate tem mais efeito simbólico do que pratico, pois a empresa comprará novos cães. Mas por sua vez, ela traz a atenção para esta discussão que não pode ser deixada de lado, afinal somos todos seres vivos, apesar de todo o mal que causamos ao planeta.

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45 comentários em “O resgate dos Beagles e os testes com animais”

  1. Valeu muito bom o seu texto, na minha opinião deveriam testar em prisioneiros tipo estupradores, psicopatas etc, o perigo é que tem muita gente inocente presa, no final eu acho que tudo isso é uma puta sacanagem.

  2. Não sei dizer se os remédios testados em animais vão direto para os humanos, pois exstem clinicas que pagam para testar medicamentos em humanos, e quanto mais perigosos os efeitos colaterais maior é a quantidade de dinheiro. Belo texto, eu concordo com você Philipe, temos de progredir para mudar esse cenário, mas atualmente é um mal necessário (Infelizmente). Comer animais e seus derivados é um outro assunto bem complicado, você pretende fazer um texto sobre isso também, ou não?

  3. Muito bom o texto, bem abrangente.Fico impressionada com o quanto o ser humano é escroto,o caso do casaco de pele é simplesmente absurdo! Sou vegetariana a 3 anos porque acho extremamente cruel o modo como os animais são criados e abatidos.Acho que apesar de ser necessário usar animais como cobaias em testes de medicamento (medicamentos, não cosméticos) é inaceitável não haver um órgão que fiscalize rigorosamente esse uso.E o que é pior é que tem muita gente adotando um discursos em defesa dos animais sendo fecha os olhos para a forma grotesca como eles são tratados seja para o consumo humano, pesquisas, tráficos, caça por diversão, etc.Minha intenção não é fazer todo mundo parar de comer carne não, mas acho que as pessoas deveriam parar para pensar que há coisas bastante desnecessárias e cruéis como é o caso dos “baby bifes”.Um pouco de consciência não faz mal a ninguém.

  4. Cara, muito bom pra caralho o texto. Uma verdadeira delicia pra quem gosta de ler. Abrangeu diversos pontos onde os animais tem participação e relação com o ser humano, partindo do ponto sobre as pesquisas dos animais. Relacionou as antigas pesquisas nazistas que, não me lembro bem, até um tempo atrás estavam pensando se utilizariam ou não os dados coletados por elas.

    Particularmente, e a principio, sou da opinião que os animais deveriam ter os mesmos direitos que os seres humanos. Me pergunto o que é tortura e pesquisa em um local onde um animal pode ter ácido pingado nos olhos para saber os resultados desse ato.

    Enfim, é um assunto muito complexo, mas que não pode ser esquecido em ser debatido.

    Novamente, parabéns pelos últimos textos. E pela forma que responde aos comentários, mesmo quando sua opinião é contrária a de quem comentou. Afinal, não estamos aqui para que os outros concordem com tudo que pensamos.

    Seus textos geram bons debates, e ninguém precisou enfiar um simbolo religioso em um orifício anal ou queimar um simbolo feminino aprisionador.

    • Fico feliz que goste, Paulo. Creio que muitas vezes, o desenrolar dos comentarios é a grande estrela. Até pq não sou o dono da verdade e muitas vezes eu aprendo mais com o que escrevem aqui do que pesquisando para o post.

  5. Mais uma vez um ótimo post, na verdade devo parabenizar pela velocidade e enorme qualidade dos últimos artigos lançados. São longos, informativos e com ideias longe do padrão e do que é fácil ser encontrado por ai, da pra ver o foco e pesquisa integrados na criação do texto. Parabéns 🙂

  6. Quando se trata de alimentação somos tão primários quanto qualquer outra espécie animal do planeta: nos alimentamos de outras espécies e teremos o fim menos nobre de todos pois serviremos de alimento para os vermes. Mas quando a coisa envereda para o lado comercial e não o da sobrevivência então tudo muda de figura. Desperdícios alimentares em nome de leis de mercado, matanças de bichos para utilização de seus tecidos em objetos de luxo, criar animais silvícolas como forma de prazer extravagante são exemplo da imbecilidade e da falta de dignidade do ser humano. Também usar animais como cobaias é desumano e já está provado que os níveis de acerto das pesquisas não ultrapassam os 60%. Depois seres humanos voluntários servem de cobaias seguras para as fases finais de teste. Eu pergunto: por que usar animais até chegar à fase dos 60% de acerto? Já não estaria na hora de a sociedade largar mão de tanta hipocrisia e dar uma finalidade mais útil às centenas de prisioneiros irrecuperáveis que encalham os sistemas carcerários do planeta e que em alguns lugares só servem de entulho humano e em outros gastam o dinheiro do Estado em arrastados e caríssimos processos de execução? Sou a favor de usar estupradores, assassinos, tarados, traficantes, enfim, a escória irrecuperável como cobaia. Isso baratearia e adiantaria as pesquisas, faria justiça às espécies animais sacrificadas que em nada são beneficiadas com as experiências científicas e ainda daria a chance de resgatar algum tipo de dignidade dos cobaias humanos, não deixando que entrem para a história como seres que passaram pelo mundo sem dignificar em nada a sua própria espécie.

  7. Sou a favor da pena de morte ( e acho que no Brasil devia existir) com um sistema rigoroso de investigação para nenhum erro ser cometido e sinceramente, eu acho que deveriam usar aqueles caras que tão no corredor da morte pra esses testes…. Os caras vão morrer e se tão com pena de morte provavelmente a cagada que fizeram não foi pouca. Tenho muito mais dó dos animais que não podem nem se defender do que das pessoas que podem fazer todo tipo de mal sem nem sentir remorso na maioria das vezes.

    • O problema é que nosso sistema judiciário é extremamente falho. Só pobres seriam executados. Os corruptos do colarinho branco ficariam impunes, porque contratariam escritórios como o do Márcio Tomaz Bastos para defendê-los.

  8. A realidade é que ninguém invade um laboratório para salvar um rato. Antigamente, o cachorro comia o que sobrava dos pratos, das panelas, e estav tudo certo. Hoje, muita, muita gente gasta com um cão, mais do que muita, muita gente, tem pra cuidar da família durante o mês inteiro. Então a minha opinião sobre isso é: enquanto as pessoas forem tão hipócritas a ponto de sair de casa, e fazer por um cão o que ela nunca fez por um humano, estaremos vivendo numa sociedade ruim, com ou sem testes de laboratórios. Numa rápida pesquisa, vi que em 2011, foram registrados 57 mil casos de picada de escorpião, somente no estado de S.P. Vamos parar de usar o cavalo para nos fornecer os soros necessários? Eu acho também muito esquisito, os animais serem “maltratados” no cativeiro. Por uma questão de lógica, eles serão mais facilmente manipulados, fornecerão melhores resultados, se estiverem razoavelmente bem tratados, alimentados e descansados. Mas é claro que muitos testes acabarão com esses animais de uma forma lamentável, e o Phillipe abordou bem isso. Um mal necessário, mas acredito serem raros casos de abusos, sadismo. Fotos em necrotério, animais esquartejados na geladeira… Bem, isso tenho aqui na minha casa, uma fraldinha, uma picanha, uma paletinha de porco, e uma linguica ( porco e boi moídos, misturados ). Quanto ao sr. Greek, se a metade do dinheiro vai pra quem faz pesquisa com animais, logicamente é porque de maneira geral a comunidade científica acredita serem necessários, senão destinariam todo o dinheiro para pesquisas sem animais, e sobraria mais lucro, porque esses animais precisam ser comprados, alimentados, abrigados, e descartados. E tudo isso custa muito dinheiro. Eu posso estar enganado, claro, mas geralmente a indústria, a iniciativa privada, o capitalismo animal, com o perdão do trocadilho, não gostam de desperdiçar dinheiro… Parabéns Phillipe, por postar uma matéria, que muitos sites não tem coragem, porque hoje, ser contra a corrente, e enfrentar esses bem vacinados e proteicamente bem alimentados militantes, é tarefa difícil, que poucos encaram. Então parabéns por ponderar e expor com clareza. Devemos respeito a quem nos propicia qualidade de vida, e esses animais com certeza nos permitiram muitos anos a mais.. Abcs.

  9. Se eu não me engano a talidomida deu merda porque não foi testada em primatas e em cães (mais um motivo para pesquisas com animais)…
    e sobre estes ativistas eles possivelmente fizeram uma grande cagada tirando os animais assim do laboratório, muito provavelmente os animais não estariam sofrendo mals tratos (ate porque o minimo stress sofrido pelo animal pode alterar os resultados dos estudos), e uma empresa que GANHA dinheiro com isso seria seria burra de se alto prejudicar… Este tipo de ativismo burro que me da medo, utilizar animais é um mal necessário e quando se discuti métodos alternativos como utilizar cultura de células, o mesmo ativismo burro não aprova cultura de células porque elas vieram de um embrião…

  10. Ia me esquecendo.. Na hora de desenvolver os remédios para os beagles, qual seria a recomendaçao do Dr. Geeks? Testar em humanos? Não…Testar nos beagles. Lá se vão mais testes… Isso faz parte da idiotificação da sociedade. Deixar de protestar na maior pizza da história da humanidade, o mensalão, que não teve nenhum protesto depois que foi anulado, pra movimentar aqui e acolá, saltando de um assunto pro outro, pro povo esquecer o que realmente importa. Que ano que vem tem eleição, e precisa estar tudo muito bem esquecidinho.

    • Ele diz que não é contra os testes em animais. Ele só acha, como cientista, que o modelo de testes de animais não atende aos escopos de pesquisa e são um reflexo persistente de métodos antiquados de desenvolvimento de pesquisa. Claro que se o medicamento é remedio para cachorro, pela ótica dele seria testada em cachorros, e não em macacos.
      O mensalão não foi anulado, cara. Só foram aceitos os embargos infringentes, que poderão ser negados e tudo continua de onde parou. Na verdade os embargos só servem para atrasar a prisão dos mensaleiros. É manobra juridica, mas que não invalida o julgamento.

      • Oi Phillipe. Eu estava sendo irônico, sei que a opinião do Dr. Geeks é testar de acordo com a espécie. Quanto ao mensalão, também sei que não foi anulado, pela letra da lei. Mas é o que eu sinto, como brasileiro. Que nenhum dos graúdos passará um dia sequer na cadeia. Tomara que eu esteja errado…

        • É que sem entonação é foda, nunca sei ao certo se a pessoa ta sendo irônica. Fico parecendo minha mulher, que nunca sabe se as pessoas estão zoando ou falando barbaridades.

  11. É uma verdade absoluta a atenção que se volta pro assunto e a repercussão que esse evento teve!

    Um exemplo disso :

    300.000 “likes”…. em menos de 24Hrs…..

    https://www.facebook.com/adoteumanimalresgatadodoinstitutoroyal

    A curva de crescimento inicial da página entrou pro top 20 de todas as paginas do face! Muito foda….

    http://www.quintly.com/facebook-live-statistics/adoteumanimalresgatadodoinstitutoroyal

    Quanto ao assunto em si, concordo com o Evandro…..

    Tah cheio de presidio super lotado por aí…..
    estupradores, homicidas e ladrões/sequestradores, bota tudo pra virar cobaia…. e depois que a experiência terminar, cumpram a rotina: “sacríficio” !!!! Tenho mais respeito por um roedor….
    Quanto à questão da possibilidade da inocência, comecem com os que forem pegos em flagrante… simples assim!

    • É… Eu concordo em parte. Mas legalmente seria proibido fazer isso com presos.
      Tipo o que daria para fazer é algo que ja defendi aqui em outros posts, criar a “pena de vida”. A pena de vida é o seguinte: O bandido ganha redução de pena para cada órgão que ele doar. Doou fígado, ganha menos tantos dias de prisão. Doou rim, menos tantos… è direito do preso optar por doar ou não seu órgão.
      Já presos por crime hediondo, deviam automaticamente ser enquadrados em pena de vida, que iria: Remover arbitrariamente um rim, um pulmão, uma parte do fígado, quantidades periodicas de sangue, e as duas corneas + um percentual de pele, que seriam enviadas para doação. Pense nas vantagens diretas e indiretas disso: Redução da fila do transplante. O bandido se torna muito mais fragil sem os olhos, sem um rim… isso reduz sua capacidade de reincidir no crime. Como que o cara vai conseguir fugir de policia com um pulmão só? No fim, ele repara a sociedade diretamente por algo de ruim que cometeu. Ele pode ter matado alguém, mas umas partes dele vão ser usadas para salvar vidas.

  12. Olha, eu como farmacêutica, não aguento mais ver tanto bafafá por esse assunto, as pessoas tem uma dorzinha e já quer medicamento… Acredito que os testes com animais seja necessário sim, é claro que não é algo que me agrade, mas penso ser melhor do que testes diretamente em humanos, acho que é possivel eliminar e minimizar riscos, claro que nem tudo pode ser comparado humano x animal, mas duvido que entre esses ativistas não tenha alguém da familia que não tenha precisado de um medicamento que foi possível graças à esses testes.
    Tem muito mais como vc disse sobre os alimentos, casacos, experiência militar, etc. O povo é ignorante e hipócrita ao meu ver…

  13. Fala, muito bom o texto. Só para informar, não sei se foi um erro ou vc só nao especificou, a segunda foto que você colocou sobre as atrocidades em humanos, de uma criança em uma cama, você atribui aos nazistas. Mas nao é, essa foto é de Lizzie van Zyl, uma menina africander de 9 anos que foi morta num campo de concentração na africa do sul por volta de 1900. Não lembro direito parece que era uma guerra entre ingleses e africanders. Não é implicância, mas é pra mostrar que a situação é muito pior… as barbaries acontecem em todos os lugares…. até no Brasil…
    Você poderia fazer um post sobre o Hospital Colônia em Barbacena MG, um hospital psiquiátrico que nos anos de funcionamento matou mais de 60.000 pessoas ditas loucas. abraços.. gosto muito do seu trabalho aqui.

  14. além do texto ser ótimo e elucidar diversas questões de uma maneira neutra, os comentários são igualmente bons.

    Sou leitora do mundo gump desde que ele era no blogspot, mas quase nunca comento. Apesar de sempre admirar e ler todo esse trabalho que você tem em escrever textos riquíssimos.

    Vou repassar para todas as pessoas que já tem uma opinião formada sobre o assunto.. Só para ver se as fazem abrir um pouco mais a cabeça para outras questões.

    Obrigada, Philipe!

  15. sempre acompanhei isso de proteção animal mas fui TERMINANTEMENTE CONTRA o que foi feito, totalmente irregular e ilegal. Não é assim que se muda as coisas. Seria mais útil eles elaborarem um projeto de lei de iniciativa popular e um órgão de fiscalização e trabalhassem nisso que invadir. Não é pichando o Cristo (no que isso ajuda eu não sei) como organizações que ganham milhões de dólares e não resolvem nada. Eu tento entrar para uma carreira pública, para talvez ajudar nisso. Enquanto esses foram resgatados, outros milhares de animais estão sofrendo por aí, e não mudar as leis sobre isso não resolve. Claro que acho que resgates pontuais devem ser feitos e ajudam, sim, mas que sejam dentro da lei. igual muitas organizações lá fora fazem, e evitando o estresse do bicho; isso faz com que, inclusive, a entidade mude a postura.
    De qualquer forma, o Brasil tem muitos avanços na proteção animal, mas isso ainda é necessário, ainda não completamos a transição do uso de animais na medicina (e eu tento evitar muita coisa de origem animal, inclusive remédios com cápsulas de gelatina, e isso é complicado). Pior é que essas tias devem usar creminho Natura!
    Quanto a usar presidiários, eu sou totalmente contra. São vários os motivos que levam pessoas a cometer crimes, e não simplesmente pura maldade. Hannibal disse que não somos nem racionais, nem emotivos, porque se fôssemos racionais usávamos eles, e se fôssemos emotivos, os matávamos. E, como Aristóteles dizia, a virtude é o equilíbrio. Um dia, fatalmente, você pode atropelar alguém, e não acho que deveriam usar seu rim. Mas a família e toda a comunidade do atropelado podem achar isso… o filho do Eike Batista ficaria oco pelo apelo público. Além da condenação da mídia. O problema de não resolvermos muitos crimes é que a sociedade tem preconceitos que não permitem, e que evitam que achemos soluções melhores, como investigar a fundo o que é a pedofilia,se tem alguma possível causa para isso. Li sobre uma psicóloga que trabalhava com isso falando como é difícil (em todos os termos) mas é uma forma de tentar evitar mais casos (ver se tem um possível fator em comum que desencadeia). Como no documentário do 174 (aliás, a menina que é psicóloga e foi refém tem uma compreensão incrível e sobrehumana sobre tudo), a Polícia, para nós, serve para jogar para baixo do tapete o que a sociedade acha feio. E é o que fazemos no sistema prisional, se pudéssemos, largávamos eles em uma vala comum e deixávamos apodrecer, vivendo uma falsa realidade…

  16. Me causa um certo espanto ver pessoas que são contra testes em animais registrando tudo com seus iphones feitos com trabalho escravo. Essa história de testes em animais sempre gera muita polêmica, mas é impossível viver hje em dia e não usar nada que não tenha sido testado em animais. O medicamento que não foi testado agora, foi testado há 20, 30, 50 anos atrás, não tem escapatória, e mesmo as listas de empresas “confiáveis” que não testam seus produtos em animais, são hipócritas: essas empresas trabalham, na verdade, com substratos que já ão aprovados há anos porque foram anteriormente testados. Claro que o que você pode evitar, como faz o Philipe, são os produtos que são obtidos a custa de crueldade: o patê de foie gras, que é produto de uma doença de fígado; a sopa de barbatana de tubarão, que aproveita só 10% de um animal que pesa entre 80 e 150 quilos… A cobrança tem que ser pela bioética, pelo entendimento de que nao podemos abusar dos animais. E por abusar, deve ser entendido causar sofrimentos inúteis, o que muitas vezes envolve gente que se diz protetora dos animais: gostar de bichos muitas vezes é não ter nenhum em casa: eu trabalho o dia todo e moro em apartamento, imagina que crueldade seria eu ter um cão ou um gato confinado o dia todo sozinho apenas para ter o prazer de ter afagos de um animalzinho quando chegasse em casa – como eu gosto de bicho, não tenho nenhum, porque sei que não teria uma relação justa com um animal de estimação. Mas tem gente que acha que gostar de cachorro é ter 10, 20 animais numa casa, o que, a não ser que você seja rico e tenha condição de arcar com as despesas, vai cedo ou tarde redundar em bichos malcuidados, porque haja dinheiro para dar tratamento médico e alimentação adequada para eles. Somos uma espécie paradoxal, capaz das mais absurdas escrotices e das mais nobres atitudes, mas nesse caso, particularmente, é preciso por antes da emoção e do sentimentalismo a razão.

  17. Penso que um erro não justifica outro. Os ativistas dispunham dos meios legais e cabíveis para coibir os alegados abusos mas preferiram fazer “justiça com as próprias mãos”, invadindo e depredando propriedade particular. Além disso, a ação impediu que os órgãos competentes verificassem os abusos alegados, o que, no fim das contas, prejudica uma investigação apurada e a responsabilização do laboratório por eventuais excessos. Infelizmente, a atitude impensada apenas prejudicará os ativistas, tendo em vista que, provavelmente, o laboratório continuará com suas atividades, enquanto os participantes do “resgate” serão responsabilizados civil e criminalmente pela invasão e por eventuais danos causados.

  18. Curioso: policiais, para entrarem em determinado local, para prender um bandido ou apreenderem coisas ilícitas, precisam de autorização judicial e não podem chegar quebrando tudo… agora, “ativistas” (melhor seria: terroristas), imbuídos do melhor sentimento de preservação para com os animais, podem invadir à vontade, quebrar tudo, subtrair os animais da clínica (se não mudaram o código penal, é furto qualificado) etá tudo certo!!!

    E ainda cobrem os rostos com máscaras… mas porquê, se o gesto é tão “nobre”??? Deveriam mostar as caras e qum são, pois se o queestão fazendo é certo, não haverá punição alguma.

    Mas como sabem que estão errados, se aproveitam do manto do anonimato, para ficarem impunes! E tem quem ainda reclame de políticos e suas maracutaias. Verdade é que quse ninguém quer assumir responsabilidades. Só querem os quinze minutos de fama!

    Por fim, será que criarão, ou providenciarão um lar para tantos animais assim?

  19. Velho…esses dias eu li um texto descrevendo todos os experimentos com animais…coisa inumana, do tipo de raspar até a carne ficar em “carne viva” e depois passar remédios dermatológicos…
    Outro mesmo é jogar à altas velocidades macacos contra paredes, obviamente matando o dito-cujo para testar não sei o que! E isso é utilizado em larga escala nas “clínicas”! Na matéria não existia nenhuma explicação para isso, caso você encontre, poderia me explicar?

  20. Notícia fresquinha sobre o tema, no uol: olha como são os “ativistas” (ainda prefiro terroristas).
    http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2013/10/21/policia-investiga-acao-do-black-bloc-no-instituto-royal.htmhttp://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2013/10/21/policia-investiga-acao-do-black-bloc-no-instituto-royal.htm

  21. Oi. Gostei muito, bastante abrangente o texto! Embora eu tenha uma ou duas coisinhas pra questionar. Primeiro: o cara que é contra testes em animais e come churrasco está em uma situação igual ao cara que é contra e toma remedios quando está com dor, se um deles é hipócrita, o outro é também, se não é, nenhum dos dois é (estou dizendo isso porque em um determinado momento você criticou um, e depois criticou quem critica o outro).
    A outra coisa é que, embora eu concorde que quando um animal “serve” a uma causa cientifica, ou serve ao homem como alimento (ou mesmo aos outros animais, predadores), é algo “bom”, também é complicado simplesmente submeter um ser indefeso a qualquer sofrimento. Isso tira toda a nobreza da coisa, na minha opinião. Eu não gostaria de ser torturada e morta em prol do avanço tecnológico! E tenho certeza que você também não, e ninguém!
    Esta segunda coisinha eu disse por causa de alguns momentos em que você sugeriu coisas como “É triste, é horrível, mas eles morrem por uma causa nobre, o avanço da nossa tecnologia.”
    Olha, eu realmente tento me colocar no lugar e pensar, por exemplo: se eu vivesse em um planeta onde uma outra espécie “domina” a minha e todas as outras, por ser mais inteligente, e eu fosse alvo desses predadores para variados fins como alimentação, pesquisa, caprichos… eu preferiria que eles não fizessem, que pararem e me deixassem viver em paz. Mas eu estou ainda me colocando como ser pensante. Os animais não são seres pensantes, não possuem “saber”. Eles não vivem o tempo todo com medo de nós – o medo é situacional e leva a reações instintivas, e com a repetição de estimulos eles aprendem a fazer ou não fazer algo. Mas, ainda, deixando a questão de ser racional ou não de lado, mesmo eu na minha condição humana, penso que o sofrimento em uma situação de exploração pode ser de duas formas: psicologico, do “saber”, pensar, e físico. Se não houvesse nenhum desses dois sofrimentos, eu não acho que seria um problema pra mim qualquer situação, rs. Os animais não tem o primeiro sofrimento, e nós não temos o direito e infligir o segundo neles. NADA nos dá esse direito. onde quero chegar aqui é: se a pesquisa não envolver sofrimento do animal, sou a favor, se envolver, não sou. Assim como também não sou a favor de criar animais para consumo de forma “desumana”. Acho que os alimentos de origem animal fazem parte de nossa nutrição, como seres onívoros, mas precisamos muito repensar a forma como tratamos os animais que criamos para nos servir de alimento.
    Enfim… Só pra terminar, um último comentário: eu vi alguém lá em cima dizendo que deveria se usar assassinos e estupradores como cobaias… Discordo absolutamente disso! Acredito que o papel do ser humano no cuidado da segurança de todos é manter o perigo longe dos ameaçados, e não fazer justiça com as próprias mãos. É impossível saber o que é justo nessa história de “olho por olho, dente por dente”, porque é impossível quantificar sofrimento, então, na dúvida, deixa estar… Os direitos humanos se estendem a todos e independem da moral do sujeito, e isso é motivo de ser.

    É isso aí! Abração, e parabéns de novo. Gostei demais!

    • Os cientistas têm motivos para o uso de animais. E existem outros cientistas que discordam. Leigos não sabem onde está a verdade, nem se as duas posições são verdadeiras, dependendo da situação, da pesquisa. Os cientistas que fazem uso, doutores que passaram décadas estudando, não precisariam dessa situação para maltratar animais, caso esse fosse o objetivo. Com isso, digo que a lógica nos mostra que na imensa maioria dos casos, são feitos os testes necessários, e apenas isso. Os animais sofrem e morrem no processo, em muitos desses testes. E qual é a alternativa? Salientando que, a troco de cuidar e dar mais algum tempo de vida a animais de estimação, testes com animais seriam necessários da mesma forma, é claro que em menor quantidade, mas por um motivo muito pior : dar melhor condição a um cão de estimação, às custas de um cão desconhecido. Eu tenho um filho. Se por acaso, algum motivo, algum malfeitor o tirasse de mim, e exigisse de resgate um cão, ou dez, ou duzentos e trinta e cinco mil cães, não faria diferença. Se eu tivesse todos esses cães, eu trocaria pelo meu filho, e eu estou pra ver um pai ou mãe que não faria exatamente a mesma coisa. O ser humano, usando energia elétrica, combustível, terras para produção de alimentos, áreas para cidades, etc., impacta de tal forma o ambiente, e cobra preço ambiental tão caro, que fazer questão de dispensar animais em testes, para ficar bem com a consciência, é hipocrisia tamanha que talvez não caiba na palavra. É o mesmo que vermos um assassino na tv, depois da chacina, dizer que se arrepende. Sinceramente, na minha opinião, é pouco cordeiro pra muito pecado. Discordo na parte do “uso nobre”. Pra mim, não existe uso mais nobre para um animal, que o proporcionado pela pesquisa. Ajuda a salvar milhões de vida, todo ano, de sua espécie e de outras, em muitos casos. Uso mais nobre, impossível. Mas é só minha opinião, e longe de mim querer ser o dono da verdade. Abraços.

  22. Voce tirou as palavras da minha boca quando disse que pode ser muito perigoso retirar (da forma como foram) animais dos laboratórios de teste e já que foram iniciados em algum processo. Realmente não podemos prever o pode acontecer e como, o que, quanto e de que já estão impregnados esses animais.

    Muitas pessoas morreram nas mãos dos “doutores mortes”, da época da guera, mas foi graças às crueldades deles é que conseguimos obter algum conhecimento sobre os parâmetros da suportabilidade humana no que diz respeito às várias situações de exposições, parâmetros esse que nos possibilitaram estabelecer métodos e indices à cerca de diversos tópicos nessa área.
    Será que esses ativistas não tomam nenhum remédio quando ficam doentes? Não comem nenhum tipo de carne ou derivado animal?
    Quem nunca pecou que atire a primenira pedra!
    Isso existriu e ainda vai existir por muito mais tempo.
    Usar prisioneiro que foram condenados à morte para testes? Vão morrer de qualquer jeito, não é mesmo? Mas já pensou que isso poderia se tornar um outro tipo de comércio? Me dê alguma “grana’ que eu condeno mais esse! E se fosse você no “PAREDÃO”, May?

  23. Há boatos que esse grupo, dos Beagles, estava na realidade a um ponto de descobrir a cura para o câncer. Por conta disso os desinteressados na pesquisa ,os que querem vender principalmente remédios, acharam a brecha dos Beagles pra arruinar a pesquisa e com isso destruir todo e qualquer tipo de prova. Se é verdade eu não sei, mas não duvido, pois não havendo a cura para o câncer a indústria farmacêutica só tem a ganhar. Enfim, eu simplesmente adoro o seu blog e acompanho já faz muito, muito tempo. E como sempre, a cada texto novo, me surpreendo com a sua facilidade de expressão. Dessa vez não foi diferente. Parabéns cara, parabéns mesmo. Saiba que você é muito admirado por mim.

  24. Tá aí um texto do caralho, que mostra que não é por que o blog tem um foco em fantasia, assuntos de outro mundo, trivialidades e coisa e tal, que isso toma o lugar de um raciocínio sério sobre coisas que afetam nosso cotidiano. Muito interessante esse ponto do cara de resultados diferirem de organismo pra organismo.
    Quanto à tal invasão, achei um teatrinho tão babaca da parte de alguns dos pretensos salvadores, que peguei uma certa birra dessa atitude deles. Também acho que testar cosmético em animal, seja o bicho que for, é uma fdptice sem tamanho. Futilidade babaca e insensível. E beagle é um cachorro fofo demais, corta o coração imaginar que dissecavam esses bichos ainda vivos. Agora, ter entrado lá e destruído trabalho de pesquisa de medicamentos de anos, é de uma infantilidade e uma burrice sem tamanho. E o sensacionalismo em cima também, uma apelação, mostrando cachorro congelado, órgãos em conserva, como se fosse a coisa mais abominável do mundo… Ninguém ali nunca tinha entrado num laboratório de anatomia não? É a mesma coisa que se encontraria no laboratório de uma faculdade de veterinária! Aquilo tudo pareceu desespero de quem chegou no lugar, viu que não tinha nada que provasse o tal “sofrimento desnecessário quando há alternativa viável”, e, na falta de um delito evidente, resolveu usar o apelo ao gore pra justificar a invasão criminosa.

    • É exatamente isso! aquilo ali foi um misto de boa intenção+sensacionalismo barato+apelação. Deu bons frutos, os jornais venderam, deu capa de revista, deu bafafá, a mídia se satisfez e agora, o mal de sempre: “tudo voltará a ser como era antes no quartel de Abrantes”.

  25. “Ainda somos primitivos assim? Eu digo: Somos!
    Por isso, apesar de gostar, eu não como. Não por idealismo ou ativismo. Não sinto mais prazer desde que vi como era feito. Sem prazer, a coisa perde o sentido. Comecei, gradualmente a perceber o quanto sacaneamos animais por motivos babacas.”

    Assino embaixo!! E infelizmente existem seres humanos que não entendem que esse tipo de experiência deve ser realizada com seres humanos. Tem um monte por aí que não presta. Ia resolver até o problema da superlotação nas cadeias. Mas nãããããããoooooooo, os “moralistas” de plantão e a comissão de direitos humanos jamais iria permitir tal abuso!!

    Na boa!! Eu não acredito em reencarnação! Também não duvido, quero deixar claro. Mas se existir, eu realmente espero que todo mundo receba o troco algum dia, e que aqueles que sofreram injustiças sejam recompensados. Infelizmente não acredito em Deus, e consequentemente fica difícil acreditar nisso também. Ao menos não acredito em um Deus como prega a religião, de um ser bondoso e onipresente. Que cada coisa que acontece aqui é por vontade de Deus. Se for, o dia que eu estiver de frente com ele vou realmente querer tirar algumas coisas a limpo. Não por mim, mas por tudo o que vi e sei que aconteceu aqui nesse planeta!! Mas enfim, acho que a religião se perde na vontade de Deus e no livre arbítrio. Um não coexiste com o outro. E ao ver e ler tudo o que está escrito aí em cima, é bem mais fácil de acreditar que estamos jogados aqui e estamos por nossa conta. E se rezar adiantasse… Me admira ver Judeus praticantes depois de sofrerem tantas barbaridades, tantos abusos.

    Bom… a imagem desse mundo pode ser vista de quatro maneiras. Podemos olhar pra nossa vidinha, reclamar dos problemas e ter uma felicidade de forma geral, ou não, contando com o estresse da vida cotidiana. Podemos passar também a vida olhando para aqueles que tem mais, não se satisfazer com coisas simples e se frustrar por não termos uma vida de luxo ao nosso redor. Podemos também ler matérias como esta e ver o quanto somos felizes com os nossos pequenos problemas, com as nossas frescuras e cairmos na real que muitas vezes reclamamos do “paraíso”.

    E, por último, podemos também ter sido pessoas extremamente doentes, Judeus em um campo de concentração (bem como qualquer outra situação semelhante) ou animais em laboratório. Aí sim, seria muito mais fácil não querer ter nascido!!

    Espero que um dia se fala justiça!!!

  26. Artigo fantástico!!!!
    Em uma dura realidade em que a simples existência, já corrompe o ser e a questão "os fins justificam os meios", é moeda de manipulação de interesses e vantagens pessoais, ler até o fim, é no mínimo essêncial!!!!

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