O problema da crise hídrica, ou “só dá valor quando perde”

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Ontem fui jantar e estava passando Fantástico na TV. Acabei assistindo por osmose.  Eu só vi um pedaço, e no pedaço que eu vi estava passando uma matéria sobre a questão da água, o problema da falta de água no planeta. Uma cena em particular me tocou, que foi uma mulher africana, duma tribo perdida no meio do continente, que disse: “Eu não sei qual é o gosto da água limpa, porque nunca bebi água limpa na minha vida”.

Ela não sabe nem que água não tem gosto.

agua suja O problema da crise hídrica, ou só dá valor quando perde
Uma grande parcela da população do mundo bebe água suja.

Não preciso ficar aqui falando o que você já sabe, que o nosso planeta tem muita água, mas só uma pequena parte dela é potável. Isso passa todo santo dia na Tv e as campanhas de conscientização do consumo já estão até enchendo o saco. Mesmo com todos os avisos, ameaças e até terrorismo envolvendo o problema da água, os reservatórios vão se esvaindo.

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Graças à estiagem épica, muitos dos reservatórios secaram.

Falta de água é um problema grave. Profetas pós-modernos anunciam aos quatro ventos que a água será o novo petróleo e que o mundo passará sede em pouco tempo. As cidades crescem muito, o consumo de recursos do planeta aumenta vertiginosamente e há poucas alternativas para lidar com a questão. As mudanças climáticas, sejam elas causadas pelo homem ou pelo ciclo solar, são um fato e este fato, claro afeta o sistema complexo que controla o balanço hidrográfico do planeta. Basta uma simples mudança nas correntes marítimas para a Terra virar uma bola de gelo, ou um deserto.

O clima na Terra, como sabem os especialistas nunca foi estável. Nunca. Never. Noch Nie. Mai.

Vivemos num planeta em permanente modificação climática, mas nós humanos, temos vidas muito curtas para perceber isso. Já as montanhas e essa simples pedra que pode estar debaixo do seu pé, já testemunharam florestas virarem desertos, oceanos secarem, pântanos virarem geleiras e sabe-se lá o que mais…

Nós gostaríamos que tudo na natureza fosse mais estável do que na verdade é. Mas a natureza é um ciclo e a própria existência do nosso planeta é parte desse ciclo e em um certo momento, chegará a vez dele ele ser engolido pelo sol quando nossa estrela virar uma gigante vermelha,  e toda a vida que a Terra teve será esquecida, volatizada, desaparecendo para sempre no cosmos.

Gigante engole exoplaneta 3 O problema da crise hídrica, ou só dá valor quando perde

Se até lá não tivermos dado no pé daqui, só a sonda Voyager e outras sondas espaciais que vagam no vácuo escuro fora do sistema solar serão testemunhas silenciosas de que um dia nós existimos. E nem elas durarão para sempre. Poderão ser estilhaçadas por meteoritos ou poderão ser atraídas pela gravidade de algum planeta, ou corpo espacial e se resumirão a frangalhos espalhados na escuridão.

Mas antes que nós desapareçamos do cosmos, temos que lidar com as contingências e limitações dessa prisão que chamamos de lar. Se a água se tornar tão escassa ao ponto de haver guerras pelo controle dela, estaremos antecipando em muito os prognósticos de que vamos nos destruir antes de conseguir escapar deste planeta e seu destino inexorável.

Qual a única alternativa a que podemos recorrer diante da escassez da água?

Essa pergunta é respondível de maneiras diversas, dependendo de quem responde. Um índio dirá que é preciso fazer a dança da chuva. Um político Brasileiro dirá que precisa da ajuda de entidades sobrenaturais como a Fundação Cacique Cobra Coral. Um religioso do meio oeste dos EUA dirá que é preciso a intervenção divina de Deus. Um pastor neopentecostal dirá que isso é uma provação que Deus impõe para escolher seu rebanho e que nada disso está ocorrendo por acaso. Muitos dirão que é a ira divina dando sinais de esgotamento. E há os que poderão pensar que a seca é um sinal da Terra, tentando se comunicar com os humanos, dizendo que “basta”.

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Cada pessoa dará o contorno e a moldura que seu repertório mental permitir a um fato como a estiagem prolongada. Mas com quem realmente podemos contar? Embora eu não tenha nada contra as pessoas fazerem novenas, procissões, ebós, dança da chuva e toda sorte de xamanismo para fazer com que chova, penso que nossas melhores apostas seriam na ciência.

A ciência é a forma pelo qual podemos encontrar saídas nós mesmos, sem deixar de lado, é claro, um apelo às divindades. Mas largar a responsa só no colo do seu santo de preferência é sacanagem.

O que eu mais vejo na Tv são os programas dizendo que as pessoas devem economizar.  Há, de fato, uma pressão fabulosa sobre os usuários domésticos. Da Ana Maria Braga ao Fantástico, parece um uníssono, dizendo que a culpa é nossa. É do nosso banho, é da nossa piscina, fomos nós que lavamos o carro e molhamos a calçada. É da roupa limpa e nossa mania de limpeza. Foi isso que acabou com a água e é por isso que nós temos que nos foder levando multas e recebendo aumento nas contas.

Seria triste se não fosse o fato trágico que tudo isso é mentira. 

É difícil você abrir um jornal e não achar a frase mais batida dos últimos meses: ” O vilão do consumo de água é o chuveiro, seguido da descarga e da máquina de lavar”.

Gente, isso é conversa fiada de jornalista burro que só repete o que leu. Claro que numa casa, esses são os pontos de maior consumo da água, que aliás, você PAGA por ela. Devemos sim ter um consumo responsável não apenas da água mas de todos os outros recursos, e isso era algo para ser o norte não de um país mas da humanidade. Mas efetivamente, esqueça seu chuveiro, não coloque o boné de culpado que querem te impor, por pura comodidade.

Os verdadeiros vilões do consumo de água são: A agricultura e as indústrias. Olha este gráfico:

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Pra quem mora em cidade é meio inconcebível compreender como a agricultura pode consumir tanta água. Nosso amigo leitor Wagner Bragante, é Agrônomo e explica como exportamos água indiretamente ao exportarmos soja para fazer ração para animais no resto do mundo:

Sou engenheiro agrônomo, vivo no estado de MT há quase dez anos e acompanho de perto a realidade da produção de commodities agrícolas, em especial soja e milho. A respeito de uma coisa, sempre fiquei intrigado: para que irrigar em larga escala? Uma das conclusões que cheguei foi que há uma principal razão por trás de tanta água jogada fora: GANÂNCIA. Agora, porquê “água jogada fora”, se ela está sendo utilizada para irrigação? Explico: O principal sistema de irrigação de grandes culturas (soja, milho, cana-de-açúcar) é o de aspersão, notadamente o sistema de pivô central (nunca viu um? Aqui vai o link: http://www.agro.ufg.br/up/68/o/09_aula_Pivo.pdf). Acontece que esses estão entre os sistemas de irrigação MENOS EFICIENTES DO PLANETA. Um exemplo: aqui na região onde resido são comuns sistemas de pivô central com área superior a 100 ha cada um. Para simplificar os cálculos, adotemos 100 hectares (ha) de área. Como cada ha tem 10.000 metros quadrados, a área na qual um pivô desse tamanho irá aspergir água é de 1.000.000,00 de metros quadrados! Agora vem a parte boa: é normal em situações de estresse hídrico um pivô aspergir uma lâmina de 10 mm de água num único ciclo de operações (o que é isso? Simples: sistemas de aspersão tentam imitar a chuva, aspergindo água na área total de seu alcance, algo como um regador de jardim em grande escala) . Uma lâmina de 10 mm de água (seja de chuva ou de irrigação por aspersão) corresponde a exatos 10 litros de água por metro quadrado. Ou seja, para uma volta do sistema, numa área de 100 ha, você jogou 10.000.000 de litros d´água!!! Isso mesmo: DEZ MILHÕES DE LITROS DE ÁGUA, NUM ÚNICO PIVÔ, NUM ÚNICO DIA DE OPERAÇÃO. Façam as contas: o consumo de 110 litros/dia de água por habitante é um valor muito bom, segundo a ONU, atendendo as necessidades de consumo e higiene pessoal. Então essa água (que vai em boa parte para irrigar soja – você come soja?), num único pivô, numa única “regada”, num único dia de operações, é suficiente para abastecer uma cidade com quase 10.000 habitantes (9090 para ser exato)… Agora, imagine só que a área irrigada por pivô central no Brasil ronda os 1.000.000 de ha (UM MILHÃO DE HECTARES, dados do IBGE). Sacou o tamanho do problema?

 

 

Um percentual significativo, que não aparece neste gráfico, mas que não pode ser desprezado é a perda de água pela infraestrutura de distribuição deficiente, e esse detalhe faz uma bela diferença.

Mas solucionar isso esbarra no principal problema desse país: Custa caro.

A gente, que tem dinheiro para coisas pirotecnicas como prefeituras fazendo disco-porto para discos voadores, obras de portos em Cuba, aeroportos na Venezuela e perdoamos dívidas de ditadores africanos, não temos grana para resolver os nosso problemas mais graves que estão matando o Brasil.

Segundo um cálculo feito pela consultoria GO Associados, a pedido da International Finance Corporation (IFC), instituição de financiamento do Banco Mundial voltada ao setor privado, o Brasil precisaria investir R$ 18,5 bilhões até 2025 em infraestrutura de saneamento para que as perdas de água caiam em 50%, situação que colocaria o país no mesmo nível verificado em nações mais desenvolvidas.
Hoje, a ineficiência operacional das concessionárias de saneamento resulta em uma perda média de água de 40%, chegando em alguns casos a 80%.
Em concessionárias com melhor desempenho, como a Sabesp, de São Paulo, esse índice cai para menos de 30%.
Segundo o estudo, seria necessário um investimento anual de R$ 1,088 bilhão para que as perdas do país cheguem à média mundial, que é de 20%. Trata-se de um valor elevado para o setor, dada a falta de recursos da maioria dessas empresas, quase a totalidade controlada pelo Estado.

É curiosa a questão da falta de grana, uma vez que as grandes empresas, costumam ter esquisitos acordos com a esfera pública para captações com preços simbólicos da água dos mananciais, coisa de 01 centavo por milhar de litro. Não precisa nem ser muito esperto para perceber que tem algo errado aí. Qualquer burro percebe.

A comparação da precificação da água com os valores aplicados atualmente na França mostra o descalabro chamado Brasil: os agricultores franceses pagam 300 vezes mais que nós pela água que irriga os campos, enquanto a indústria dá 14 vezes mais e as empresas de saneamento, três vezes mais.  A França investe quase 13 bilhões de dólares em infraestrutura hídrica, enquanto nós investimos ridículos 3 bilhões, de acordo com o último relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD).

O seu uso e o meu, são usos domésticos da água. Descartando a variável da perda de água cara, limpa, tratada, potável para a natureza, esse consumo representa ridículos 8% do volume total de água potável disponível. Aí vem o jornalzinho querer dizer que ta faltando água porque você toma banho de mais de sete minutos. Claro, é mais fácil te convencer que a culpa é sua, porque se aumentar sua conta, você vai pagar, e essa grana, pulverizada entre você, seu vizinho, o vizinho do vizinho do seu vizinho, entra bonito na conta das companhias de abastecimento. Já brigar com a Indústria é MUITO mais difícil. E com a agricultura é ainda mais.

Em vez de tentar fechar a gastança onde ela é maior, o que acontece é que o sistema de “a corrente sempre arrebenta no elo mais fraco” se torna uma verdade. Há uma pressão política para não reduzir o consumo de água na agricultura, pois isso produzira desabastecimento de alimentos, e a crise hídrica impactaria diretamente na inflação, que já anda assustadora (parabéns aos envolvidos) e também na indústria, que provavelmente impactaria em demissões, férias coletivas e redução na produção, impactando diretamente na economia.

Assim, foder a dona Maria, que precisa lavar a louça e tomar banho, vira algo mais fácil.

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Em vez das pessoas focarem na resolução dos problemas, diante da crise, o que vemos é o tradicional jogo de empurra somado com a estratégia de escapar dos apertos usando o gerador de lero-lero político de sempre, de tirar de si a responsabilidade, e de preferência depositando a culpa no opositor político.

Se você fosse como o homem da Musica do Raul Seixas, “Eu nasci ha dez mil anos atrás”, teria visto muitas coisas interessantes, como Cristo ser crucificado e o amor nascer e ser assassinado, e as bruxas pegando fogo pra pagarem seus pecados. Mas você também teria visto que os romanos, há mais de dois mil anos atrás, conseguiram feitos de engenharia impressionantes para solucionar sua escassez de água.

Veja, os caras não tinham laser nem satélites, nem máquinas controladas por computador, perfuratrizes, tatuzões nem nada assim. Mas com todas as dificuldades, a primeira megalópole do mundo tinha água. Eles captavam água de muito, muito distante e levavam para Roma através de espetaculares aquedutos, (alguns que estão funcionando atá hoje).

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Os romanos, até Constantino,  acreditavam em muitos deuses mas não depositavam nas costas de uma divindade a solução dos problemas de água do império. Estranhamente, hoje, em plena era dos aceleradores de partículas, teletransporte, invisibilidade e carros que dirigem sozinhos, no Brasil quando falta água o governante diz que temos que apelar para São Pedro fazer a parte dele.

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Mais que somente uma confissão de incompetência gerencial de quem diz uma coisa dessas, o problema da falta d´água de São Paulo, e da crise hídrica no Rio e outros estados, é reflexo cristalino da falta de infraestrutura que assola este país não é de hoje, e ela se dá em todos os segmentos. Estradas são péssimas, portos são uma piada, aeroportos são vergonhosos, o correio não funciona, instituições são golpistas, policiais fogem dos bandidos,  a energia não é estável, e falta até em hospital…  Podemos fazer toda sorte de conjecturas tentando tirar dos governantes a parcela de responsabilidade que lhes cabe de direito, tentando usar argumentos pífios como a “crise” ou os interesses perversos da “elite branca”, “Illuminatis”, “Maçons” ou seja lá que idiotice for, mas nada vai mudar o fato de que vivemos no país do improviso, onde as soluções melhores são as que resolvem hoje para dar merda amanhã, e assim justificar mais gastos, mais propina, mais licitações fraudadas, mais pressão para o político que se vende como uma solução mágica, para um público que chafurda na ignorância eleger.

Os problemas que enfrentamos não são setoriais. São sistêmicos. A falta de água aqui, impacta na inflação lá, que vai impactar na demissão acolá, e isso influi na violência e assim vai.

Diante da Roma de dois mil anos atrás, somos uma vergonha. É um erro pensar que naquele tempo, lá atrás as coisas eram mais fáceis porque havia menos gente. Roma era um colosso. uma megalópole MONSTRA. No ano 200 a cidade alcançou 1 milhão de habitantes e sua densidade demográfica atingiu 66 mil pessoas por km2 (hoje, a cidade mais apertada do mundo é Mumbai, na Índia, com pouco mais de 29 mil pessoas por km quadrado).

Há dois mil anos atrás, Roma já mostrava que a solução para seus problemas estava na tecnologia. E isso deveria ser uma lição para nós. Mas é verdade que Roma não tinha os grandes vilões do consumo, (não, não é o chuveiro) as indústrias.

Apesar do consumo industrial e do campo serem os maiores, não vejo grandes estudos ou projetos, ou mesmo alternativas para tentar reduzir a crise hídrica, mesmo que numa pequena parcela, dessas demandas colossais de água.

É ridículo que estejamos dependentes de fatores climáticos para sobreviver com toda tecnologia que dispomos. Os períodos de estiagem são cíclicos.

Mas nossos governos incompetentes darão o problema por terminado assim que chova e os reservatórios se encham novamente. Meu pai sempre diz que:

“Não pode uma metrópole com várias cidades satélites e 20 milhões de habitantes ficarem à mercê do clima. Falta engenharia! Duas opções:

1) Dessalinizar a água do Atlântico, uma solução cara,

2) Bombear água a 400km de distância do rio Paraná que recebe parte da água da Amazônia, uma fonte perene enquanto perdurar pelo menos 60% das florestas. Funcionaria como um extintor de incêndio, caso chova regularmente na Região Sudeste, não é preciso acionar o sistema. Porém, ninguém morre de sede por falta de Engenharia.”

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Parece um mar, mas é só o Rio Paraná

 

O rio Paraná em alguns trechos chega a 60 km de largura, mas as cabeças pensantes do governo, preferem desviar as águas do Paraíba do Sul, em detrimento de todo o Estado do Rio de Janeiro e da própria capital, Rio de Janeiro.

São Paulo é uma cidade que cometeu a burrice de concretar os seus rios, Tamanduateí, Tietê e Pinheiros entre outros. Hoje, quando chove na capital paulista, tudo se alaga porque a cidade está impermeabilizada pelo asfalto.

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Você sabia que ao lado da Rua 25 de Março havia um porto? Veja o documentário no Youtube para entender o que os paulistas fizeram com suas águas:

Minha duvida é a gestão dessa crise. Até que ponto os políticos começarão a jogar com o problema da escassez de água como uma peça em seu tabuleiro de interesses, como se faz há décadas com a seca nordestina que é uma máquina perversa de angariar votos.

Isso é o que poderá acontecer se todo o problema de falta dágua for considerado uma responsabilidade dos nossos irresponsáveis governos.  Se a gestão governamental que “não fode e nem sai de cima”, permitisse, talvez a solução para o problema estivesse na iniciativa privada.

 

Há hoje, muitas soluções factíveis para geração de água pura. Um exemplo é a máquina (você viu primeiro aqui, em 2011,  lembra?) que torna o ar em água e que um brasileiro espertão (um clássico) diz que ele “inventou” sendo que o negócio já vende lá na Austrália desde antes de eu nascer.

Hoje, há protótipos que são mistos de usinas eólicas que usam o próprio vento para alimentar a máquina que vai captar a água dispersa no ar e convertê-la em água potável. Essa poderia ser uma ótima solução passiva, para as demandas de água no campo, onde o cara tem espaço, vento, e precisa de influxo água constante.

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A tecnologia está fazendo sua parte, principalmente no que diz respeito às modernas técnicas de dessalinização.

Hoje, muitos países como Espanha, alguns dos Emirados Árabes e Israel, utilizam dessalinizadores, que são máquinas filtradores da água salgada do mar, retirando o sal e transformando-a em água doce. O processo, que é caro, já está em vias de se popularizar. Engenheiros da Lockheed descobriram um dessalinizador superpotente que muito em breve será disponibilizado para o mercado, sendo 99% mais barato que os dessalinizadores atuais, por conta de uma membrana filtradora superforte e com porosidade em nível nanométrico.

É interessante observar como os problemas de falta de água podem ser solucionados pela ciência. Isso mostra o quanto os centros de pesquisa são importantes para um país. Infelizmente, o Brasil não parece muito interessado em investir em pesquisas, optando por apelar para divindades como o Cacique Cobra Coral ou São Pedro, nos momentos de aperto.

Outro aspecto interessante que podemos especular, não só na crise hídrica, como na questão energética, é sobre a má vontade velada que existe em permitir soluções que liberem a população da dependência dos serviços de energia e água. Afinal, se você produz sua própria energia, as empresas que vivem disso vão perder dinheiro. Com o abastecimento de água é o mesmo. Imagina se a maquina que faz água do ar se popularize como um forno microondas, por exemplo. Toda casa podendo fazer sua água… Você acha que a Sabesp vai gostar disso aí?

Hoje, a desculpa esfarrapada deles é que pagamos por água e esgoto. Sendo que infelizmente, os dados mostram que essa é,outra falácia para nos engrupir e pegar nosso amado dindim. Não é raro aparecer reclamações alegando que não cabe a utilização da leitura dos hidrômetros para esse fim porque nem toda a água adquirida pelo consumidor retorna à rede de esgotos.

Entre as instituições que respondem pelo saneamento básico no Brasil, a tarifação das operações de coleta e tratamento de esgotos vem sendo calculada, em geral, como um percentual do consumo de água realizado por cada usuário. Esse procedimento, embora seja alvo de diversas críticas quanto à sua legalidade, tem se mostrado, às prestadoras desses serviços, um parâmetro indireto capaz de identificar, com razoável confiança, o grau de utilização diferenciada que cada usuário faz da rede de esgotos.

Essa medida tem sido adotada porque, diferentemente da fácil leitura do consumo de água que os hidrômetros possibilitam realizar, existe uma grande dificuldade técnica de se fazer a mensuração do fluxo de resíduos lançados no sistema de esgoto. É para superar essa dificuldade que se lança mão da utilização da leitura dos hidrômetros como uma medida indireta para calcular, também, o uso individual dos serviços de coleta de esgoto. fonte

Isso significa que para a empresa de águas, tudo que entra de água na sua casa vai sair pelo esgoto, o que claro, não é verdade, mas o mundo não é perfeito, foda-se. Colocar outro hidrômetro no esgoto ninguém quer, né? É mais fácil tochar no rabo do consumidor a conta, como sempre se fez.

A coisa fica bem mais típica de um país de canalhas, quando a companhia de abastecimento sabe que ao reduzir a pressão, entra ar na tubulação e que ao ser religada, a pressão no cano empurra o ar que VAI SER CONTABILIZADO NAS CASAS COMO CONSUMO DE ÁGUA E (POR TABELA) ESGOTO!

Existem válvulas que eliminam o ar que é “vendido como água”, mas isso é algo que cabe ao dono da casa comprar e que por si só já constitui uma safadeza, pois deveria ser obrigação da companhia de águas instalar SEMPRE esse dispositivo. Hoje, o mote é: “Se você não te defender, eu vou te roubar!”

Segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico (SNIS), do Ministério das Cidades, cobra-se pelo que não existe. A coleta de esgoto chega a todos os domicílios apenas em cinco das cem maiores cidades brasileiras: Belo Horizonte, Santos, Jundiaí, Franca e Piracicaba. Já o tratamento de esgoto não chega a todos os domicílios em nenhuma das 100 maiores cidades do Brasil.

Os dados mostram que 54% da população brasileira não possui coleta de esgoto e que só 38% do esgoto é tratado, embora a coleta e tratamento (muitas vezes inexistente) seja cobrada nas contas de quem recebe água, cerca de 80% das casas do país.

É um negocinho bem safado, hein? Não é interessante permitir que o Brasileiro seja livre do sistemão, do esquemão milionário. O bom é manter o povo pagando, sentindo-se como o vilão da falta dágua, para justificar que se aumenta as tarifas “para doer no bolso”, enquanto os grandes industriais, aqueles que financiam churrascão regado na casa de praia dos poderosos (se eu falar levo processo) recebem liberação para captar água com precinho simbólico. Nenhuma novidade aqui. Pelo menos nisso nós copiamos com fidedignidade a Roma antiga. Em Roma tudo funcionava na base do propinoduto e os políticos enriqueciam nas costas do povo. Isso aí nada mudou em 2000 anos!

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58 comentários em “O problema da crise hídrica, ou “só dá valor quando perde””

  1. Eu acho (vejam bem, é puro palpite) que um dos problemas é o monopólio dos serviços de distribuição, seja ele público ou privado. Esse texto do Leandro Narloch para aquela “revista golpista” demonstra essa abordagem: http://veja.abril.com.br/blog/cacador-de-mitos/2015/01/30/por-que-falta-agua-e-sobra-petroleo-a-resposta-e-uma-unica-palavra/
    Claro que existem muitos outros fatores envolvidos…

  2. Ei, Philipe, dê uma olhada nessa bomba que explodiu na Ucrânia ontem: https://www.youtube.com/watch?v=KP2uK62AXok, poderia me dizer se é falso?
    Aqui também : http://www.liveleak.com/view?i=9a2_1423433645

      • Não sei se ele é maluco, mas é o que parece sim. Agora, na parte militar sempre tenho a impressão (e acho) que a Rússia está jogando com estratégia umas 3 jogadas à frente dos outros países… Coisas que a gente só percebe depois de uns 2 anos.
        O mesmo tanto que os EUA entendem de marketing político do país deles.

  3. Se tanta tecnologia não serve para resolver certos problemas, outra por outro lado sobra em eficiência. É o caso das imagens de satélite que agora este ano o governo resolveu usar para atualizar as áreas construidas (pelo menos da galera de baixa renda), que antes não eram declaradas ou nem se fazxia nessessário até porque a migração é muito frequente o que dificulta muito mais a confirmação dessas medidas pelos proprietários e construtores. Agora o município manda para voce uma foto de satélite dizendo que a área constriuida detectada é maior que a área declarada e dá as novas medidas. se voce não concordar vai ter que contratar os serviços de um engenheiro para emitir um novo certificado, ou seja, vai ter que parar uma nota preta para poder se safar de pagar algums reais à mais no seu imposto. Moral da história… o molho sai mais caro que o peixe e quem leva mais uma vez é o pobre.

    • Moral da história II: quando é pra beneficiar o governo e foder os contribuintes, sobram eficiência e tecnologia de ponta.
      Philipe, parabéns por mais um ótimo texto! E cada dia mais nojo desse país. Realmente não sei aonde vamos parar.

  4. mais um texto fantástico, confesso que nunca tinha parado para pensar o quanto de água que a industria utiliza (na agricultura é mais óbvia esta quantidade). Mas achei estranho a população ser responsável só 8%, é um número bem baixo. Em relação ao desperdício das concessionárias de água, este sim eu já sabia que beirava os 50%, isto sim é um grande falta de responsabilidade e de !!
    Outra coisa que não sabia era de como é cobrado o gasto com esgoto, eu sempre achei que era um valor fixo por residência e nunca imaginava que era relacionado a quantidade de água utilizada. (vivendo e aprendendo).

    Quero aproveitar e dar uma prova (mais uma) que água no Brasil não é levada a sério: Você sabia que existem Municípios onde a água não é cobrada ??? Aqui mesmo no interior do estado do Rio eu conheço um Município assim. A população recebe água e não paga NADA (também não existe coleta de esgoto, todas as residências utilizam fossa como sistema de esgoto). E Esta cidade é MUITO conhecida pelas atrações turísticas. Imagina no problemão que isto vai se tornar daqui há mais alguns anos. E esta questão é tão séria que nenhum Prefeito que passa pela Cidade tem a coragem de começar a cobrar, porque ele saber que se o fizer, esta será a sua “morte” política.

    obs: Nesta Cidade é a própria Prefeitura que fornece este serviço, o chamado “serviço autônomo”

  5. Será que preciso dizer que este sistema, onde a Prefeitura banca o sistema de fornecimento de água sem cobrar dos usuários, é um sistema sempre deficitário ? A Prefeitura tira o dinheiro de outros Projetos para colocar na água e assim o tempo vai passando, e a maioria da população nunca aprende o real custo (social e econômico) da água.

  6. Philipe!

    Boa tarde! Como de costume, excelente texto. Os problemas sistêmicos no Brasil só se alterarão quando se alterar a cultura da nação. Infelizmente para alguns aspectos, cultura seja talvez a coisa mais difícil de ser transformada na espécie humana (Jung explica?)! Lendo “A cidade antiga”, de Fustel de Coulanges (quer ler também? Aqui vai o link: http://bibliotecadigital.puc-campinas.edu.br/services/e-books/Fustel%20de%20Coulanges-1.pdf), escrito lá nos idos do Séc XIX mas ainda referência no assunto, nos damos conta que costumes tão comuns a nós, como o uso do termo “lar” e a noiva casar de branco, entre outros, atravessou civilizações e milênios de história, chegando até os dias de hoje… Como então mudar a civilização brasileira, se aspectos nefastos como a procrastinação, a corrupção, as escolhas pela sexualidade sem controle e pela ignorância declarada (e desejada), estão tão arraigadas em nosso cerne cultural que os que tentam se opor são tachados de babacas e escrotos? Ao ler esse fim de semana, não me recordo se na Folha ou no Estadão, que, a despeito do colapso hídrico, econômico, moral e ético “como nunca antes na história desse país” (sim, colapso e não crise – fica aí a sementinha para que pesquisem a diferença entre um e e outro) mais de 200 MIL PESSOAS se reuniram para “PULAR CARNAVAL EM BLOCOS NAS RUAS DE SÃO PAULO”, senti mais uma vez que a diminuição dos problemas desse país está longe demais… Talvez não venha nunca.

    • Quanto mais a opressão ao longo do ano, mais explosivo e esfuziante se torna o carnaval, já que ele é uma válvula de escape e que muitos sustentam, é o ladrão da pressão social, nos mantendo sempre obedientes e cordatos para levar no rabo o resto do ano.

  7. Faltou falar que uma parte significativa da água vai para a pecuária (oi, friboi), e grande parte disso é exportado. Ou seja, estamos exportando água, alguém está ficando muito rico, e enquanto isso em todos os canais temos que assistir sobre o consumo consciente. Cadê o consumo consciente da Friboi?

      • Sera mesmo?
        Um boi fornece em torno de 270 kg de carne. Ele teria de ingerir mais de 4 milhoes de litros de agua durante sua vida, que geralmente nao chega aos 4 anos, no pasto. Sao quase 3 mil litros de agua/dia, no melhor cenário. E isso sem descontar o que ele mija, expira e defeca.
        Muito cuidado ao usar conta de ecofanatico. Uma hora levam em conta o gado confinado comendo soja irrigada, outra dizem que o problema mesmo é o desmatamento para pastos..enfim..

  8. Philipe, seu comentário está alinhado com o meu, que já estou de saco cheio desse terrorismo de merda que estão fazendo com a água.
    Ora, diziam que fevereiro estaria seco, já choveu em SP mais do que a média nos últimos anos. Todo paulista sabe que as águas de março fecham o verão. Março vem aí e as margens das represas de São Paulo estão tomadas por habitação irregular erguida de forma precária no último semestre, assim, quando as águas de março elevarem o nível das represas, um monte de gente que não tem nada, vai perder tudo!
    Outra coisa, o Rio Pinheiros é artificial e tem o curso determinado artificialmente entre a bilings e o Tietê, podendo ser invertido pela usina elevatória.
    O principal que vc esqueceu de analisar: Esse terrorismo todo com a água e a crise de energia servirão em um futuro bem próximo como desculpa para justificar o crescimento zero da economia do país.
    Um exemplo disso é a tal Guarapiranga. Tá baixo mesmo o nível, porém, a água ia acabar, acharam um volume morto, depois acharam um segundo volume morto, depois um terceiro. Que porra é essa, acaba ou não? Queria que minha conta no banco tivesse esse tal volume morto inacabável. Estão escondendo o ouro e digo, não é o picolé de chuchu não, a ordem vem da ANA, vem do governo federal.

  9. Dubai e israel mandam abraços
    aqui no rio saiu noticia de de um conjunto de prédios da barra que abaixou conta de agua de 35mil para 14mil pegando agua chuva e reusando a agua
    não entendo como pessoas acham normal pagar 35mil em água ou indivíduos que pagam mais de 500 reais só de água
    gastando de 2 a 5mil da para por sistema que pega agua chuva e reutiliza e esse gasto é uma vez na vida
    e onde moro aqui tem gente que não tem caixa dagua, quando vir racionamento… vai tomar
    ja to bolando esquema para pegar agua chuva e e agua dos ar condicionados

    • Pegar água da chuva é uma excelente ideia, mas já existe um movimento das empresas de tratamento e distribuição para tentar sobretaxar quem pegar água da chuva, alegando que embora reduza seu consumo de água, aumenta seu esgoto (que na maioria dos casos, como eu disse nem tratado é)

  10. Bem… esta lenga-lenga ecologista está enchendo o saco. Há uns 10 anos houve uma grande seca um Curitiba e a SANEPAR – cia estadual de águas – pediu para todos economizarem água, etc, etc, etc. Uma ONG denunciou que uma fábrica da Coca-Cola e outra da Ambev gastavam juntas mais do que todas as residências da capital. Sabe o que aconteceu? Foram processados os caras da ONG. A questão é sempre esta: o capital é privilegiado e o cidadão que se foda. Eu faço minha parte, não esbanjo mas não sou paranoico de mijar no banho que nem um idiota de um apresentador da radio tupi do rio sugeriu como medida de economia para economizar em uma descarga da patente nem vou diminuir meu sacrossanto banho que é uma terapia além de um ritual de limpeza repetido até 4 vezes por dia.
    A questão é que as empresas públicas de abastecimento e saneamento não deveriam dar lucro e este foi um dos motivos do mega pepino lá de Sampa. O picolé de chuchu preferiu, junto com a camarilha tucana, sugar a SABESP até a última gota – literalmente – para que os acionistas engordassem seus lucros. Há anos não é feita uma obra significativa no sistema de captação, armazenamento e distribuição de águas e tratamento de esgotos. Cada vez que chove por lá transborda merda pelos bueiros e não fica uma gota d’água nos reservatórios. E isto é velho, acontece há décadas, me lembro desde quando cursava a universidade lá. Daí querem a água do Paraíba do sul criando um problema para o estado do Rio. Usaram da força da máfia política e jurídica e ganharam no tapetão e as obras de transposição do rio já estão incluídas no PAC. Outra merda. E sabe por que estas merdas e outras tantas vão acontecendo às arrobas por este país afora? Porque nossa classe política é ridiculamente burra, idiota, ignorante, muar. E o povo que elege estas bestas-feras é mais burro ainda porque se curva diante destas coisas como se fossem autoridades enquanto eles são nossos empregados, estão lá para nos representar. Empregado ruim se manda embora, se troca. Deveria haver a mesma prerrogativa para com estes energúmenos que só sangram o erário e depois jogam a conta no nosso colo com a maior cara-de-pau.

  11. Enquanto isso aqui no Canadá, mais especificamente na provincia do Québec, somente no inicio de 2014 o uso da água começou a ser faturado às industrias. Até então era grátis !! Para o consumidor doméstico ainda continua sendo gratuita. Paga-se apenas a energia elétrica (mesma companhia que fornece água) que, diga-se de passagem, é 10 vezes mais barata que no Brasil !!

  12. Um ponto que faltou informar ali sobre a agricultura é que, apesr de consumir tanta água, a vasta maioria dessa água não vai pra mesa do brasileiro em forma de comida. Vai pra produtos de exportação pra serem transformadas em ração animal.

    Pois é, 70% de consumo de água, e mais da metade disso vai ser comida por vacas e porcos europeus. O que fornece alimento mesmo, na grande maioria, não é o agronegócio (pra estes só vale a pena plantar soja), mas a agricultura familiar, e pequenas propriedades.

  13. Kra, mas qual a porcentagem de água tratada vai pra agricultura e pra indústria? Creio que o consumo humano representa uma parcela maior de consumo de água tratada. E o grande problema não é a falta de água no Brasil. É a falta de água nos reservatórios das grandes cidades. Tem reservatório que a galera puxa água pra irrigar plantações mas isso em alguns lugares é proibido. A indústria nem sempre usa água da rede. Ela mesmo capta água de alguma forma. Um simples lava-jato não usa água da rede. A maioria tem poços artesiano.

    • Neto, industrias sim tem meios próprios de captação, porém, lava jatos dizem que têm poços artesianos, mas a grande maioria não tem. Um poço artesiano custa em média uns R$ 30K em épocas normais, depois do “terrorismo aguado”, estão custando entre R$50k e $60k. Duvido que alguém invista essa grana para um lava jato.

      • Aqui onde eu moro um poço artesiano custa em média de 7 mil a 10 mil reais. E falo de lava-jato pois na minha rua tem 2. E já conversei com um dono de um dos lava-jatos. Ele próprio me falou que é um absurdo ver pessoas lavando carro com água tratada. Na minha cidade, Vitória da Conquista – Bahia, já passamos por racionamento de água nos anos de 2012 e 2013. Hoje os reservatórios estão cheios e não precisamos mais disso pois o governo do Estado, via empresa de água e saneamento, interviu com o racionamento. Eram 2 dias com água e 3 dias sem. Todo bairro tinha seu calendário de quando caía água. Mas a grande causa do desabastecimento aqui e em todos os lugares do país é a falta de investimento pra diminuir as perdas e na ampliação e criação de novos reservatórios. Não é falta de chuva ou algo do tipo. Água tem demais no Brasil. Em São Paulo quando os reservatórios chegaram a 10% já era pra ter começado o racionamento. Mas o PSDB aí quis ganhar a eleição né. Detalhe: Nem o governo e nem a prefeitura deixaram de ser vitoriosos aqui por causa do racionamento.

  14. Excelente texto.
    Parece que á cada dia que passa esse maldito governo brasileiro inventa algo para nos colocar como culpados das merdas que eles mesmos fazem;
    Cheguei á conclusão que nesse país só vale á pena ser bandido mesmo.

  15. Vamos as questões:
    Primeiro: água virou problema “nacional” quando começou a faltar na torneira dos paulistanos,

    Segundo: Incompetência administrativa, a culpa disso é dos governos do PSDB, que administram SP a mais de 20 anos e não resolvem o problema! (cito partido, porque tem um povo que adora culpar a Dilma por tudo, nesse caso Não pode falar nada!)

    Terceiro: A mídia vagabunda (tá blindando o governo paulista do problema!) e bate muito na tecla de que o consumidor das cidades deve economizar água… tudo uma falácia sem fim, culpando quem não tem culpa, conforme o próprio gráfico apresentado, o foco de economia tem que ser na atividade agrícola e sabe como? revisão de licenças ambientais e outorgas de uso de água em todo o estado de SP (como fazer? se vira, vcs não são a locomotiva do país?)

    Quarto lugar: Nós brasileiros, tínhamos um código florestal de 1965 que previa a escassez de água, e como todos sabemos, nunca foi cumprido! nascentes, riachos e rios foram intensamente degradados nos últimos 40 anos com intenso vigor!

    Quinto: Vamos dar os parabéns a todo brasileiro, pois conseguimos acabar com água em tempo recorde, menos de 500 anos! e por fim, sempre é a mesma merda, votamos errado, aceitamos tudo calado e não sabemos agir frente a problemas de longo prazo!

    • Firmino, vamos aos fatos:

      Culpar partido, seja PSDB, PT, quem for, é inútil. Duvido mesmo que se fosse o PT, ou qualquer outro partido no governo do estado de SP, a situação seria diferente para melhor. Quer um exemplo? A tão falada transposição das águas do rio São Francisco, entre outras ciclópicas promessas do governo federal nos últimos 12 anos, deu em nada… e lembro a ti que o curral eleitoral do PT é o N e NE, então porque a seca ainda mata lá? Concordo quando dizes que a situação se tornou “problema nacional” quando atingiu o SE, não deveria ser assim. Não é de agora que o despeito com a coisa pública acontece em nosso país, atingindo sempre os menos favorecidos com impacto muito maior. Mas vamos nos atentar a alguns aspectos, deixando a orientação político partidária de lado por uns instantes: a situação não pode ser encarada da maneira simplista que você propõe em sua exposição. A coisa é muito mais embaixo… Faltou, sim, empenho do governo estadual paulista em se antecipar ao colapso. Faltou também empenho do governo federal! Aliás, obras do porte para abastecer 20 milhões de habitantes tem que ser feitas com o aval e auxílio do governo federal. Então, de quem é a culpa? Talvez seja do mesmo grupo de políticos e empreiteiros que durante décadas vem se mancomunando e se perpetuando no poder. Esqueça a ideologia de palanque: a situação de desagregação e corrupção na escala atual beneficia a todos os partidos, e só a eles. A educação de péssima qualidade que nos é oferecida nas escolas públicas é aquela que o PSDB, o PT, o PMDB, entre outros, desejam. Os serviços públicos podres são o que os nossos governantes propõe ao povo, seja do PSDB, do PT, do PPR. Não há diferenças, salvo alguma política populista ou outra. E atente-se: seja do PT, do PMDB do PR ou qualquer outro (desde que esteja nas altas rodas do partido, claro), políticos e seus filhos vão estudar em escola particular, vão se tratar num Albert Einstein da vida, ter jatinho, comer camarão e caviar. Metrô? Ônibus lotado? Nem pensar, que isso é coisa de pobre. E pobreza, meu caro, não tem partido.

      • Quando levantei a questão partidária, foi para dizer, que existe uma grande maioria nas redes sociais e nas ruas, que vivem descendo o “pau” no PT por tudo, abro parêntese para dizer: não sou PT, não voto em PT, por questões de más administrações em minha cidade, o que coloquei ali é que as pessoas de um modo geral, precisam se atentar que a culpa não é só do PT neste caso, dai a ironia! Ou seja, se todos acusam o PT, vamos acusar o PSDB também ué? por que não?… porque a mídia não desce o pau no governo paulista? …

  16. Philipe, tem uma entrevista do presidente da Sabesp falando que o bem, Água, é vendido muito barato, etc. Agora, de janeiro de 2015…
    Estou começando a achar que eles, os acionistas e cúpula, acabaram de ver uma nova oportunidade de ganhar mais dinheiro com isso, achando uma pertinente justificativa e forçando aumentos significativos de até 300% na conta de água (pode anotar aí) como justificativa de controle de demanda…
    Parece conspiração, mas não é. Eles estão até achando bom e se beneficiando disso.
    Quando a chuva vier a conta não abaixa mais…
    E os acionistas de fora continuam rindo à toa…
    Que beleza que é privatizar… Depois não investem em infra-estrutura, pois está na verdade é preocupação única (atenção, e quando MUITO) da própria esfera do Estado. Iniciativa privada no Brasil (quiça em qq lugar do mundo) não faz infra-estrutura e nem vai fazer na prática…
    E eles ainda encontram uma ótima oportunidade (com a seca) para subir ainda mais o lucro deles…

    • O interesse em capitalizar em cima da crise é óbvio. Minha duvida será se eles vão aumentar para o consumidor doméstico e comercial de pequeno porte apenas (o mais provavel) ou pra todos.

  17. Na cidade em que eu nasci, o serviço de água (so água naquele tempo, esgoto era incumbencia dos moradores ou usavam a famigerada “FOSSA!)era prestada por um empresário da grana e que podia canalizer á águas para as residencias que queisessem pagar por isso. Ganhou muito dinheiro sendo conhecido o seu legado até hoje por aquelas bandas.Isso perdurou algum tempo até que o governo de olho nessa fatia de recursos disponíveis resolveu decretar que o servico passaria a ser exercido pelo estado e Fundou a “SANEPAR” para administrar o sistema de abastecimento de água e esgoto, Além de ser um servico doravante OBRIGATÓRIO, né? e ASSIM ACABOU COM O REINADO DO CABOCLO.

  18. Parabéns pelo texto Philipe!
    Gostei que você mencionou bastante a ciência e tecnologia, realmente como sempre ela solucionam todos os problemas que o próprio homem cria.
    Quanto teve problema de fome a milhares de anos atrás criou a agricultura que não deixou de ser uma tecnologia para epoca. Assim como criação de escrita, Eras de Ferro e de Bronze.
    Há muito tempo atrás quando a expectativa de vida beirava as casas dos 40, não era um ser divino
    que ‘puxava as pessoas para o céu’, era inúmeros problemas como doenças que matavam as pessoas. Hoje a países com taxa média de quase 80 anos.
    Acredito que, como o Brasil é um país atrasado em uma série de fatores, quando países desenvolvidos resolverem definitivamente o problema da água, estaremos lá, ironicamente, com o nosso jeitinho fazendo o que fazemos melhor: dar um jeito e deixando para o amanhã.

  19. Philipe, boa tarde!

    Sou engenheiro agrônomo, vivo no estado de MT há quase dez anos e acompanho de perto a realidade da produção de commodities agrícolas, em especial soja e milho. A respeito de uma coisa, sempre fiquei intrigado: para que irrigar em larga escala? Uma das conclusões que cheguei foi que há uma principal razão por trás de tanta água jogada fora: GANÂNCIA. Agora, porquê “água jogada fora”, se ela está sendo utilizada para irrigação? Explico:
    O principal sistema de irrigação de grandes culturas (soja, milho, cana-de-açúcar) é o de aspersão, notadamente o sistema de pivô central (nunca viu um? Aqui vai o link: http://www.agro.ufg.br/up/68/o/09_aula_Pivo.pdf). Acontece que esses estão entre os sistemas de irrigação MENOS EFICIENTES DO PLANETA. Um exemplo: aqui na região onde resido são comuns sistemas de pivô central com área superior a 100 ha cada um. Para simplificar os cálculos, adotemos 100 hectares (ha) de área. Como cada ha tem 10.000 metros quadrados, a área na qual um pivô desse tamanho irá aspergir água é de 1.000.000,00 de metros quadrados! Agora vem a parte boa: é normal em situações de estresse hídrico um pivô aspergir uma lâmina de 10 mm de água num único ciclo de operações (o que é isso? Simples: sistemas de aspersão tentam imitar a chuva, aspergindo água na área total de seu alcance, algo como um regador de jardim em grande escala) . Uma lâmina de 10 mm de água (seja de chuva ou de irrigação por aspersão) corresponde a exatos 10 litros de água por metro quadrado. Ou seja, para uma volta do sistema, numa área de 100 ha, você jogou 10.000.000 de litros d´água!!! Isso mesmo: DEZ MILHÕES DE LITROS DE ÁGUA, NUM ÚNICO PIVÔ, NUM ÚNICO DIA DE OPERAÇÃO. Façam as contas: o consumo de 110 litros/dia de água por habitante é um valor muito bom, segundo a ONU, atendendo as necessidades de consumo e higiene pessoal. Então essa água (que vai em boa parte para irrigar soja – você come soja?), num único pivô, numa única “regada”, num único dia de operações, é suficiente para abastecer uma cidade com quase 10.000 habitantes (9090 para ser exato)… Agora, imagine só que a área irrigada por pivô central no Brasil ronda os 1.000.000 de ha (UM MILHÃO DE HECTARES, dados do IBGE). Sacou o tamanho do problema?

      • Philipe!

        É uma honra poder contribuir contigo para a divulgação de fatos que ajudem a tirar um pouco a neblina dos olhos das pessoas. Grato! Pode contar comigo para o que der e vier!

        • Llendo teu comentário tive algumas dúvidas.
          1- no meu parco conhecimento de agronomia, excesso de agua faz mal as plantas não especializadas em solos encharcados. Se não houvesse necessidade de irrigação ou oportunidade para isso, o agronegócio nao faria. Onde errei?
          2- assim como numa chuva, a irrigação deve propiciar coisas boas para a natureza, como melhor umidade do ar e é claro que grande parte dessa agua vai evaporar retornando ao ciclo natural, certo?
          3- estando a terra umida pela irrigacao, chovendo a agua tende a ir mais para o rio, repondo uma parte do tirado, não?
          4- qual é a fonte de água utilizada e qual o impacto? O rio esta chegando seco ao mar?
          Abraço e se passar por aqui de novo e tiver tempo de esclarecer, agradeço.

          • Opa! Agora foi! srrrs

            Olá Everson:
            Questionamentos interessantes os seus, os quais me fizeram pensar que você considera que seus conhecimentos sobre agronomia não sejam tão parcos assim. Escondendo o jogo? rsrrsrs… Mas vamos lá! Antes, deixo claro que, para não deixar o texto muito travado, todas as fontes estarão no final do mesmo e as considerações obedecem à mesma ordem dos questionamentos.

          • 1) Necessidade e oportunidade são conceitos completamente diferentes e esse seu comentário parte do pressuposto que as entidades envolvidas na produção agrícola obedeçam estritamente à conceitos e decisões técnicas, o que infelizmente não ocorre. Veja, em regiões de baixíssima pluviosidade como o semi-árido nordestino (cuja geologia, que apresenta grandes escudos cristalinos – regiões de solos rasos e afloramentos rochosos, cerca de 70% da área – aliada à fatores topográficos e a proximidade da linha do Equador), a irrigação se faz NECESSÁRIA PARA A MANUTENÇÃO DA VIDA HUMANA EM SOCIEDADE. Já em regiões situadas nos biomas cerrado e amazônia, com pluviosidade anual entre 1200 e 1800 mm, a irrigação se faz OPORTUNA PARA SE MAXIMIZAREM PRODUTIVIDADES E LUCROS, salvo raras exceções (pergunta: onde se apresentam menores áreas irrigadas? Onde ela se faz mais necessária ou onde ela é mais oportuna? Acertou quem disse semi-árido nordestino… Curioso, não?). Lembro ao colega que o agronegócio em larga escala é controlado por poucos conglomerados agroindustriais que ditam os rumos da agricultura em nosso país e que farão uso oportunista dos recursos (visando lucros cada vez maiores), independente de serem necessários ou não. Um outro exemplo onde esse raciocínio pode ser aplicado é a questão da derrubada da mata ciliar. É desnecessário o desmate, mas se houver oportunidade, ele será feito. Para conhecer os efeitos que a retirada da mata ciliar promove, dou o exemplo de Coxim, MS. Os rios Coxim e Taquari, que banham a cidade e são importantes afluentes do pantanal, num passado não muito distante eram profundos e piscosos. Hoje, atravessam-se os mesmos a pé devido ao assoreamento e muitas espécies de peixe já não podem ser encontradas…

          • 2) Não. A irrigação altera a umidade do ar apenas pontualmente, sobre a cultura que está sendo irrigada. Quanto ao retorno da água ao ciclo natural, lembremos que depois de evaporar, sabe-se lá onde vai cair de novo no solo! As correntes atmosféricas podem transportar a umidade por milhares de quilômetros, ou seja, água evaporada é água perdida para efeito de consideração… Só passa a ser contabilizada quando retorna ao solo. Aliás, esse raciocínio: “ora, depois de lançada volta ao ciclo então não há problema” é muito simplista. Carbono lançado na atmosfera pela queima de combustíveis fósseis, esgoto despejado nos rios, átomos quebrados numa explosão nuclear, tudo isso volta ao ciclo natural… Mas há consequências para cada um!

          • 3) Irrigação sobre terra úmida é tecnicamente desnecessária, economicamente contraproducente e deletéria ao meio ambiente. Essa ação promove o aumento do escoamento superficial e o incremento dos processos erosivos devido ao arraste de material sólido, provocando assoreamento e a eutrofização dos meios aquáticos (aumento muito rápido da disponibilidade de nutrientes em função do despejo de fertilizantes e/ou matéria orgânica num dado meio, promovendo um acelerado crescimento populacional de microrganismos e a redução da disponibilidade de oxigênio devido ao consumo excessivo do mesmo por essas populações. Animais maiores, como peixes, morrem nesse processo).

          • 4) Sim, rios estão secando. Municípios situados na foz do rio São Francisco estão sofrendo sérios problemas devido ao aumento da salinização das águas provocados pelo avanço do mar. Para que se tenha ideia, o volume médio de água retirada do Velho Chico para irrigação é de 170 metros cúbicos por segundo. Isso corresponde a inimagináveis 14 BILHÕES E 688 MILHÕES DE LITRO POR DIA. Aliado ao represamento irresponsável para geração de energia, o volume de água na foz caiu a ponto de permitir o avanço das águas do atlântico e sua subsequente mistura às águas do rio. Peixes de água salgada, como robalos, estão sendo pescados centenas de quilômetros rio acima. Um dos afluentes do São Francisco, o rio Verde Grande, outrora importante e perene, hoje passa seco uma boa parte do ano devido a uso de água em projetos de irrigação mal idealizados. Agora, talvez o exemplo mais extremo de como a irrigação mal planejada pode esgotar recursos hídricos é o caso do mar de Aral, situado entre o Uzbequistão e o Cazaquistão. Até algumas décadas atrás era o quarto maior lago interno do planeta, com mais 66.000 quilômetros quadrados de área. Hoje, apresenta sua área reduzida em mais de 60%, seu volume em mais de 80% e salinidade tão alta a ponto de se extinguirem quase completamente as espécies de peixe. Tudo isso porque os rios que o alimentavam foram desviados para irrigação…

          • Como se pode perceber, Everson, irrigação não é coisa tão simples quanto parece. Quando observamos os efeitos imediatos da mesma ela nos parece ser uma ótima solução para problemas pontuais, mas nos esquecemos da sustentabilidade dos sistemas naturais envolvidos. Além disso, devido à inexistência de políticas agrícolas consistentes em nossa nação, acaba-se em geral optando-se por sistemas de irrigação com baixíssima eficiência por serem proporcionalmente mais baratos. Espero ter esclarecido seus pontos. Abraço.

          • Como prometido, aqui vão as fontes:
            http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=necessidade
            http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=oportunidade
            http://www.fundaj.gov.br/index.php?option=com_content&id=659&Itemid=376
            http://www.cprm.gov.br/publique/media/Evento_Chuvas_Marcuzzo.pdf

          • Mais fontes:
            http://www.cprm.gov.br/publique/media/Evento_Chuvas_Marcuzzo.pdf
            http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-43662011000600009
            http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-69162006000100012

          • E mais essas:
            file:///D:/Downloads/Bastos_Analise%20climatologica.pdf
            http://www.fundaj.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=770&Itemid=376
            http://www.fundaj.gov.br/index.php?option=com_content&id=661&Itemid=376
            http://professormarciosantosgeo.blogspot.com.br/2013/10/o-rio-verde-grande-em-mg-esta-secando.html

          • Muito obrigado pelo tempo dispensado e pelas explicações, Wagner.
            Se a maior parte da agricultura for feita por multinacionais, parece-me lógico que esse equilíbrio não demora ser encontrado, afinal não vão querer secar a fonte dos ganhos, nem gastar com irrigação onde ela não é necessária. No fim, as empresas mais capacitadas terão maior lucro e assumirão as outras. É uma esperança.
            Quanto a agricultura familiar.. bem.. acho tudo muito bonito no papel, mas viver no campo é difícil e com medo fica pior ainda.
            Minha experiência com isso resume-se a um sítio que a família tem há pouco tempo, e encontra-se a venda, porque seguir a extensa legislação para se ter um funcionário é algo praticamente impossível. E também são poucas as pessoas que querem esse tipo de serviço.
            Abraço e obrigado.

  20. Vou te citar aqui por vc dizer exatamente o que eu disse sobre essa crise da agua.

    “O problema da falta d´água de São Paulo, e da crise hídrica no Rio e outros estados, é reflexo cristalino da falta de infraestrutura que assola este país não é de hoje, e ela se dá em todos os segmentos.”

    Nao há um setor onde nao impere a incompetencia nesse país.

    • Bem.. as opções eram : um industrial que faliu sua indústria e usa o cargo na FIESP para se promover e fazer propaganda antecipada e um ex – ministro da saúde que assinou como testemunha num contrato de compra de remédio com um laboratório ( só que não ) que terceirizou o serviço embolsando 200%.
      E o Alckmin, nesse cenário, vai vencer de lavada, pois quer queiram quer não, São Paulo é o melhor estado do país. Espero que melhore muito, porque tem espaço, e vivo aqui então será bom pra mim.
      Dados oficiais do Governo Federal.
      Chupa que é de uva.

  21. Finalmente um post falando a verdade sobre essa mazela. Não vi nenhuma reportagem da mídia mainstream que não repetisse a exaustão que a culpa da falta d’água é do consumo desenfreado. Não vi ou li nenhuma matéria falando de soluções. Cadê a tecnologia pra reaproveitar água, cadê a diversidade de alternativas que não seja termoelétrica, cadê infraestrutura? Países do oriente médio que vivem no deserto NUNCA vão sofrer de falta d’água, porque eles desenvolveram tecnologia pra isso. Já que não temos competência pra desenvolver, por que não importamos essa tecnologia? Dinheiro não falta.

    Mais uma vez no Brasil, botamos a culpa da dor de cabeça no fato de termos cabeça! Colocam no c* do povo, porque é muito mais fácil e simples do que tentar planejar infraestrutura ou ter competência pra resolver a raiz da questão. Ou vocês duvidam que alguma piscina da mansão de qualquer político desses vai faltar água? Que algum deles vai racionar? porra nenhuma.

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