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Um dia ele acordou e algo estava estranho. Seu cabelo havia crescido de uma hora para outra. Não, calma aí. O cabelo não cresceu de fato. Mas apenas uma franja que eu julgaria escrota brotou bem em cima da testa dele, caindo nos olhos.
Quando Maurício correu para o banheiro viu estupefato que no meio da mecha superdesenvolvida estavam fios de cabelo azul. Não, nada de cabelos brancos ou descoloridos de parafina da praia, mas AZUL! Pintados!
Como alguém vai dormir e acorda com a porra do cabelo azul? - Ele se perguntou.
Mas logo em seguida começou a se olhar de perfil e viu que se sentia estranhamente bonito. Até que é um cabelo que está na moda. FEz pose de intelectual para o espelho e viu que ficava bem com aquele cabelo. Começou a gostar daquele cabelo. Mas sentiu falta de alguma coisa para marcar mais o rosto. Pegou o lápis preto da mãe dele e delineou os olhos. Adorou o resulttado. Gostou tanto que quase não conteve uma vontade de chorar de felicidade.
Foi quando Maurício se deu conta de que também estava magro. Até ir dormir na noite anterior, ele era um daqueles carinhas malhados pegadores de garotas na academia. Seu esporte era religião e sua religião era o bar. Saía com os amigos todas as sextas para beber e olhar as belezas naturais ( bundas) na noite carioca.
Mas ali estava ele agora, magricelo. Quase aidético.
Novamente ele tentou se controlar para não derramar lágrimas ao ver seu esqueleto surgindo sob a pele.
Decidiu que aquele não era mesmo o seu dia. Ele precisava sair, precisava de ar.
VEstiu as roupas que estavam sobre o cabideiro. Nada combinava com nada. Parecia até um alienígena cego perdido num brechó. Mas como ele se sentia bem usando aquelas roupas!
Aliás, de quem eram aquelas roupas? Afinal, ele nunca tinha visto aquilo antes. Elas surgiram tal qual o cabelo azul e a palidez magra de seu corpo.
Maurício havia ido dormir como sempre de cuecão e camiseta e acordou com uma camisa baby look num corpo magrelo e com uma cueca contendo um bichinho de desenho animado ( do alto de sua masculinidade, Maurício evitava reconhecer a figura, mas eu conto: Era um ursinho carinhoso!)
Ele pensou em tirar aquela cuequinha escrota, mas já que ia ficar dentro das calças rasgadas mesmo, que problema teria? E acabou deixando.
Além do mais era maneiro porque era desenho animado. E ele curtia coisas retrô.
Quando Maurício chegou até a porta do elevador e foi apertar o botão, viu que seus dedos estavam com as unhas pintadas.
Isso foi a gota d´água!
Maurício chorou. Sofreu.
Quando o elevador chegou após um tempo que pareceu uma eternidade, havia um homem dentro. Um homem com cara de mau. Era um homem velho, talvez um ex-delegado ou coronel. Talvez o síndico.
O homem com cara de mau falou:
- Bom dia! - e ficou ali parado esperando resposta.
Já percebeu que homens com cara de mau adoram dar bom dia?
Pois é. Adoram. Mas o homem da cara de mau ficou ali olhando fixo pro Maurício que estava tentando disfarçar suas lágrimas jogando o cabelo na testa. Desde sempre ele olhava todos nos olhos, mas naquele dia não conseguiu. Só olhava de esgueia, como um cachorro que sabe ter feito alguma merda. Mas o velho não parou de encarar. Isso começou a incomodar Maurício, que acabou rompendo finalmente o silêncio:
- Bom tchía titio. - E tão logo falou arrregalou os olhos assutado. Aquele não era o jeito dele de falar. Um jeito estranho, arrastado, meio doido ( miguxo). E aquela voz escrota? Fina como o de uma bicholete das montanhas felizes.
O velho estava com os olhos mais arrregalados ainda. Nunca em mais de vinte anos vivendo naquele condomínio havia visto um ser tão escroto. Seu espanto ganhou ares de ódio, mas o elevador chegou no térreo antes que pudesse esboçar alguma reação.
Maurício percebendo que o bicho ia pegar, saiu rapidinho correndo com seus tênis all star de cano longo preto, todos rabiscados com trechinhos de musicas do Embrace.
Quando ganhou a rua ele se sentiu mais livre.
Andou alguns metros e percebeu que não via direito as coisas. Talvez por ter chorado.
Enfiou a mão no casaquinho de crochê que faria o Agustinho da Grande família morrer de inveja e viu que ali estava uns óculos fininhos desses de vovó ler historinhas para os netinhos, mas com lentes amarelas.
Maurício não consegiu conter a emoção e novamente quase chorou.
- Que lindoooo. Um charme! - disse ele para si mesmo, colocando os óculos da vovó.
Da calça pendia uma correndinha que se ligava às chaves no bolso de trás da calça rasgadinha, passando por cima de um cinto cheio desses penduricalhos babacas de metal.
Maurício vinha passando pela calçada quando um sujeito numa bicicletta gritou:
- EMO BICHA!
- Bobo! Feio! cara de Mamão!!! - Foi o que Maurício conseguiu gritar com a voz esganiçada. Se sentiu ofendido. Se sentiu rotulado, se sentiu um produto marcado como se tivesse defeito de fabricação. O que estava havendo com ele? Por que o mundo era tão cruel?
E então Maurício chorou.
Mas então ele ouviu uma música que vinha da esquina. Era uma música “batuta”.
Pelos primeiros acordes, viu que era uma música do Good Charlotte e não aguentou de vontade de cantar juntinho. Correu para a loja de discos.
Maurício não curtia muito essas coisas de discos, mas desde aquela manhã teve vontade de doar seus cds e recomprar todos os discos de vinil que pudesse.
Mas seria impossível já as bandas que ele adora praticamente não tem discos em vinil. Maurício pensou nisso e sentiu-se triste.
Por que o mundo é assim? Por que os cds com seu brilho maldoso aniquilaram a beleza da imperfeição negra dos vinis?
Então Maurício chorou.
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6 Comentaram sobre “O dia em que Maurício acordou EMO”
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February 4th, 2007 at 11:06 pm
Se reclamar do final é porque é emo!
February 5th, 2007 at 12:05 am
muitooo massa
asashashuashuashasasa
foda foda foda
February 6th, 2007 at 8:32 pm
esse texto eh seu Philipe?
senti q ele(o texto) eh meio emo
vlw MIGUXO
February 7th, 2007 at 9:45 am
O texto é meu sim. Foi um sacrifício me sintonizar no estilo EMO pra escrever essa merda. Tanto que eu detestei.
February 7th, 2007 at 2:01 pm
HAUIHAIUAHIUAHIUA
Hilário
May 9th, 2008 at 7:57 pm
essa ea estoria mais linda do mundo adorei deve ser pq eu e o mauricio somos da mesma tribo