O colecionador de cabeças

Aqui está uma coisa que não se vê todo dia. Um homem posando com sua coleção de cabeças decepadas.
Horatio Gordon Robley é o sujeito todo pimpão na foto, diante de sua suntuosa coleção de mokomokai, as cabeças dos os chefes Maori preservados, mostrando suas incríveis tatuagens faciais, em 1895. A demanda européia pelas cabeças mumificadas de guerreiros Maori tatuadas teve um bum na década de 1820. Acho que as pessoas curtiam este estranho tipo de “decoração”.

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A razão pelo qual as pessoas dessa época não se importavam em ostentar nas paredes de suas casas abastadas cabeças humanas cortadas é que os europeus do período se consideravam muito acima dos “selvagens” que eram encarados muito mais como animais do que como pessoas. Nem preciso falar que os caras também achavam que os animais só serviam para ser mortos e adornar paredes.

A percepção de que “estavam acima de todo o resto da criação” persistiu por muitos anos. Chega a ser nauseante a ideia de que em pleno ano (não tão distante) de 1958, num Zoológico da Bélgica, crianças negras ficavam em jaulas, apresentadas ao público como uma curiosidade da África Selvagem. Eles eram alimentados pelos visitantes brancos com bananas, como se fossem macacos.

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De volta às cabeças decepadas, a foto da parede não consegue mostrar em detalhes, mas eu achei algumas:

 

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As cabeças decepadas dos Maori tornaram-se objetos de valor no comércio durante a guerra dos Mosquetes, no início do século 19.

As tatuagens faciais Moko eram tradicionais na cultura maori até cerca de meados do século 19, quando o seu uso começou a desaparecer, embora tenha havido uma espécie de revival do final do século 20. Na cultura pré-europeia a tatuagem dos M?ori denotava um status social elevado. Apenas os homens tinham o moko facial completo, embora as mulheres de alguma importância social muitas vezes tinham moko em seus lábios e queixo.

O Moko marcava o rito de passagem e demonstrava a posição na hierarquia social. Principalmente, funcionavam como um indicador dos eventos significativos em suas vidas. Cada moko era único e dava informações sobre a pontuação do pessoa, tribo, linhagem, ocupação e outras informações relevantes. Os Moko eram caros, e para obter um moko elaborado, somente os chefes e os membros mais altos na hierarquia do grupo, como os guerreiros conseguiam pagar. Além disso, a arte do moko era secreta, e permanecia como um tesouro que passava de pai para filho, cercado de um estrito tabu e protocolo.
Quando alguém com moko morria, muitas vezes, a cabeça era decepada e preservada, porque o Moco era o bem mais valioso deles. O cérebro e os olhos eram removidos, e todos os orifícios do crânio cuidadosamente lacrados com fibras de linho e goma. A cabeça era então, cozidas no vapor de um forno antes de ser defumada numa fogueira e depois disso ela era deixada no sol por vários dias. Ao final de um certo período, ela era hidratada com óleo da gordura de tubarão.

Tais cabeças preservadas, mokomokai, seriam mantidos por suas famílias em caixas incrivelmente ornadas com detalhes intrincados, e só saíam das caixas para cerimônias sagradas.

Os chefes inimigos mortos em combate nas guerras das tribos locais também eram preservados por respeito. Estes mokomokai, eram considerados troféus de guerra, e costumavam ser exibidos no Marae e zomba. No entanto, eles também foram importantes nas negociações diplomáticas entre tribos em guerra, com o retorno e troca dos mokomokai funcionando como um importante símbolo e condição essencial para a paz.

Na foto que deu origem a este post, o Major-General Horatio Gordon Robley posa com as cabeças de líderes diversos. Esse cara era um oficial do exército britânico e também um artista que serviu na Nova Zelândia durante as guerras territoriais da Nova Zelândia em 1860. Ele estava interessado em etnologia e ficou fascinado pela arte da tatuagem. O cara era um ilustrador talentoso e escreveu o texto clássico sobre o tema do moko, chamado “Moko ou tatuagem Maori”, que foi publicado em 1896, impressionando muitos conterrâneos. Depois que ele voltou para a Inglaterra, Robley construiu uma notável colecção de 35 a 40 cabeças mokomokai que mais tarde ele ofereceu à venda para o governo da Nova Zelândia. Quando a oferta foi recusada, a maior parte da coleção foi vendida para o Museu Americano de História Natural.

Mais recentemente, tem havido uma campanha para repatriar para a Nova Zelândia centenas de mokomokai hoje expostas como curiosidades bizarras em museus e coleções particulares em todo o mundo, seja para ser devolvidos a seus parentes ou para o Museu da Nova Zelândia para o armazenamento e não exibição.

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3 comentários em “O colecionador de cabeças”

  1. Imundo, seboso, revoltante!! Em 1958 CRIANÇAS eram tratadas dessa forma apenas devido a cor da pele e pela região que veio?

    Nossa… Sou homossexual e sei o quanto o ser humano pensa m3rd4 sobre si apenas por ter ma “qualidade” sobre os outros.

    Revoltante!!

  2. que lindas as artes deles, tatuagens lindas e, acima de tudo, quanto conhecimento! triste que ainda subestimamos as culturas, ao invés de aprendermos com o melhor de cada uma. tomara que consigam efetivar essa campanha… o desrespeito as tradições e as crenças eram absurdos, como disse um chefe inca (não lembro agora), quando se mata a religião, se dizima um povo. muito triste essa total falta de respeito, pois isso não envolvia apenas o presente mas toda a história de um povo, seus conhecimentos e as suas essências! e muito da nossa humanidade, nossa vida na terra, nosso sentido de estar aqui (se há um) :/

  3. Putz, coisa assustadora… Mas de certa forma fica menos mórbido sabendo que não era um troféu de guerra. Pelo contrário, tinha muito respeito envolvido. Claro que isso era jogado pela janela quando ingleses saíam por aí arrematando dúzias dos negócios pra fazer de bibelô. Esses ingleses são loucos, como se aquelas casas velhas deles não tivessem assombrações suficientes, os caras ainda fazem importação…
    E o lance das crianças renderia outro post. Gumpice extrema, parece coisa dos Simpsons.

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