Noite com emoção

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Essa noite eu tava tão pregado que nem consegui ver televisão. Acabou aquele filme la do Tela Quente fui dormir. Eu tinha comido um panelão de angu e ja estava caindo pelas tabelas de cansaço. Felizmente o Davi estava dormindo bonitinho, coloquei ele no moisés e deitei.

Lá pelas tantas, não vi a hora (tive que tirar o relógio por causa do Davi), mas me parecia ser umas quatro da madruga, fui no banheiro dar um mijão.

Eu me lembro que estava fazendo xixi quando tive um calafrio. Uma sensação estranha. Fechei os olhos.

Eu tava na cama. Ouvi um trovão longe, e então escutei a Nivea falando… Ela parecia aflita, me chamando. Lembro que pensei em ignorar ela e continuar dormindo, mas podia ser pra fechar a janela por causa da chuva.

Aí eu abri os olhos e ela estava chorando, do meu lado, assustada, perguntava o que houve.

Eu não entendi nada, mas então olhei em volta e eu estava no chão do banheiro. Não estava na cama onde eu pensava.

-Você desmaiou! – Ela disse, e foi chorar na sala.

Sim, eu desmaiei fazendo xixi. Não sei como, caí para trás ao invés de cair pra frente e acertei as costas na porta de blindex que não sei dizer como que não explodiu. “Era o trovão”. A Nivea contou que tava dormindo tranquila quando acordou com a explosão. Ela levantou assustada e me viu caído no banheiro. Ela disse que achou que eu tinha tido um infarte. Que estava morto.

Coitada, que perrengue. Levantei meio zonzo e fui la na sala consolar ela.

Curiosamente, com todo o barulhão e gritaria, o Davi nem fez menção de acordar. Continuou ferradão no ronco.

Depois voltamos para o quarto e eu não conseguia mais dormir. Agora estou com uma dor nas costas do caramba. É a primeira vez que desmaio de verdade.  Teve pelo menos outras duas vezes que eu quase desmaiei, que foram bem ridículas.

Na segunda eu ainda era solteiro, tinha que fazer um daqueles exames de sangue “com tudo que tem direito”, e acabei perdendo a hora. Dormi demais e quando vi, o laboratório já estava quase na hora de fechar. Pra piorar eu estava sem dinheiro. Saí correndo desesperado, em jejum. Acho que corri uns dois km para chegar a tempo do laboratório não fechar. Deu certo. Fui o último da fila. Cheguei lá a Nivea (ainda namorada) estava puta da vida comigo, pelo atraso. Lembro que agradeci a Deus pela enorme quantidade de velhinhos em Icaraí…

Chegou minha vez tirei aquele montão de sangue lá e ignorei a sugestão da enfermeira de tomar o mini-cafezinho que tinha na salinha anexa à sala de coleta.

Voltei para casa.  No caminho comecei a ver as coisas meio e câmera lenta. As vozes das pessoas começaram a parecer que vinham de dentro de um armário. Quando notei que não tinha mais visão periférica e que só conseguia enxergar no centro da visão, percebi que aquele era o desmaio.

A sorte que a Nivea estava comigo, e abaixou minha cabeça. Fechei os olhos e fiz força para o sangue subir. Comecei a suar frio feito um condenado.
Quando o risco de cair na rua passou, fomos tomar um café numa padaria e levei meia hora de esculhambação por correr 2km em jejum, tirar sangue e não tomar o cafezinho do laboratório.   Depois daquilo passei a ter um mini trauminha de exame, o que me fez ficar uns cinco anos só fazendo exame em casa, deitado na cama vendo o desenho do Bob Esponja.

Mas ridícula mesmo foi a primeira vez que quase desmaiei. Eu contei esta situação vexaminosa para o Jô Soares quando fui lá. Foi na sauna de um motel em Três Rios. Nessa eu achei que ia morrer, meu. Uma morte digna de Dawin Awards, com meu amendoim defumado para deleite de todo o planeta Terra.

Bem, hoje eu posso dizer que desmaiar não é tão ruim quanto eu achava que era. O perigo mesmo de desmaiar no banheiro é meter a cara numa louça. Ou me explodir na porta de blindex. Se ela não tivesse aguentado a minha paulada a coisa teria sido grave. Eu teria caído para trás com os cacos, bateria a cabeça na parede do banheiro ou pior, no ressalto de mármore do piso.. E aí só Deus sabe no que ia dar.

Até agora não sei dizer as razões do desmaio. Vou fazer uma visita no cardiologista para ver se ainda está tudo bem (estava ótimo até o fim do ano passado). O que eu sei é que não eram 4 horas da manhã como eu pensava e só havia se passado duas horas da hora que me deitei. Talvez por comer muito e levantar depressa, tenha dado algum tilt aqui no sistema operacional.

Seja como for, fiquei feliz de ter desmaiado na minha casa, e não na rua, dirigindo, escalando ou fotografando na beira de precipício…

E você já desmaiou alguma vez?