Mariposa imperial

Eu tinha ido comprar umas frutas para o Davi quando me deparei com uma coisa estranha numa pilastra. Eu vi de longe, já que era bem difícil de não notar aquilo. A princípio, eu achei que uma criança tivesse (veja só minha ideia) colado uma banana na pilastra.

-“Mas o que diabos esta banana está fazendo ali?” – Pensei.

Mas quando cheguei mais perto, me impressionei. Não era uma banana, mas duas mariposas, e copulando!

copula

Corri pra buscar a câmera. Eu nunca tinha visto mariposas copulando, ainda mais amarelas. Um dos meus passatempos preferidos é fotografar insetos, de modo que eu passo muito tempo no meio do mato em busca de um clique legal. Em todo este tempo nos jardins do meu condomínio, Jardim Botânico e outros lugares “bichentos”, eu nunca tinha visto este tipo de mariposa.

Então, após um tempo de pesquisa, descobri quem eram as ilustres visitantes. Bota ilustre nisso!

mariposas

 

A Mariposa Imperial (eacles imperialis) é um membro Nearctic da família Saturniidae e subfamília Ceratocampinae.
As Mariposas Imperiais (e suas respectivas variações regionais e subespécies) variam do México ao Canadá e das Montanhas Rochosas à costa atlântica.

Note a bela decoração na ponta das patas.

detalhe da perna

 

Subspecie E.

Encontrei um registro da mariposa imperial  no Brasil,  onde um ambientalista registrou desde o acasalamento como a reprodução em uma pequena cidade de Rio Claro-  SP.  O registro do cara foi feito em novembro de 2009 com temperaturas acima de 40 graus, o que intrigou o ambientalista. Curiosamente eu também encontrei elas no meio do “canguru perneta”.  E sem saber, já tinha me deparado com elas muito antes. Certo dia, me deparei no jardim com o que eu pensei ser uma taturana preta monstrenga, que mais parecia um ser do pesadelo. Saca só:

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Mas era só uma lagarta. A lagarta da mariposa imperial come ininterruptamente 24 horas durante 1 mês e 11 dias onde depois se enterra e transforma-se em pupa.

A vida deste bicho é bem curiosa.

A Mariposa Imperial (Eacles imperialis) quando acasala, nos permite notar que o  macho é bem menor que a fêmea e até cabe embaixo de suas asas. A femêa após apenas 24 horas do seu amadurecimento atrai o macho para cópula. O acasalamento dura cerca de 6 horas. Após este período, o macho dá no pé, largando a femêa,  que permanecerá no local por cerca de 24 horas. Ela vai então depoistar seus cerca de 50 ovos ou um pouco mais. A fêmea já nasce pronta para cruzar, apenas dependendo do esperma do macho para fertilização dos ovos.

mariposa

Este incrível animal vem se reduzindo rapidamente no mundo, e talvez venha a ser extinta algum dia.  Razões para o declínio são claros, o aquecimento global, poluição e desmatamento somado ao uso indiscriminado do agrotóxico.

Aqui está um detalhe da asa:

detalhe da asa
O ciclo de vida da Mariposa Imperial do desenvolvimento de ovo a pupa, produz  apenas uma ninhada por ano. Os adultos emergem antes do sol nascer e vão catar um companheiro depois da meia-noite do dia seguinte. Nesta ocasião elas fazem a festa dos morcegos. 

As fêmeas põem ovos no crepúsculo isoladamente ou em grupos de 2-5 em ambas as faces das folhas das plantas hospedeiras. Os ovos eclodem em cerca de 2 semanas, e as lagartas se alimentam solitárias.

sexo

Ovo

Os ovos são colocados na face inferior das folhas em grupos de 2 a 5. Eles levam cerca de duas semanas para eclodir. Um dia antes de eclodir, o ovo se transforma de amarelo a um branco leitoso translúcido.

A Larva

Após a eclosão, as lagartas tendem a vagar antes de começar comer vorazmente. O primeiro ínstar geralmente dura apenas alguns dias. No final de cada estágio, uma pequena quantidade de fios de seda é gerada na veia principal de uma folha. A lagarta, em seguida, agarra a seda com o seus claspers anais e patas falsas e começa a muda. Ela primeiro se torna dormente e sofre apolysis, depois de um dia a mais ou menos, sofre ecdise .
A lagarta emerge do seu exoesqueleto velho, incha, e endurece a sua entrada no estádio seguinte. Esta espécie, por vezes, come o exoesqueleto velho, já que é uma fonte de proteínas.

Semelhante a muitas outras lagartas Saturniidae, a mariposa imperial tem cinco ínstares. Até o terceiro ínstar, a variação entre as lagartas podem ser observados. No final do estágio 5, a lagarta vai deixar a árvore e começar as viagens pelo chão,  em busca de uma área de solo macio  em que ela poderá se enterrar em fase de pupa.

 

A fase adulta

Os adultos emergem do buraco, uma vez por ano para acasalar. Na parte norte do continente elas  tendem a emergir em meados do verão (junho-agosto), enquanto na metade sul tendem a surgir em momentos mais variados (abril-outubro).

Sua fase mais crítica é quando está acasalando, porque elas ficam nesse estado de dormência , bem vulneráveis aos predadores, em particular a pássaros e até  guaxinins. Como todos os Saturniidae, os adultos não se alimentam nunca! Suas peças bucais foram involuindo com o tempo.

Dimorfismo sexual

O dimorfismo sexual está presente nesta espécie, bem como em todas as Saturniidae. Os machos geralmente são menores e mostram maiores manchas de púrpura (quando tem). As fêmeas são geralmente maiores, e são mais amarelas. A antena do macho é fibrosa. As fêmeas tem um abdômen bem maior. As lagartas comem diversas plantas, mas apreciam muito o pinho e as goiabeiras no Brasil.

No fim das contas voltei para casa feliz com mais dois belos exemplares para a minha coleção de fotos de insetos. Não conhece? Aqui está.

fonte fonte fonte

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40 comentários em “Mariposa imperial”

  1. Porram, que animalzinho daora. Como assim não comem? Esse bicho na fase que voa não se alimenta? Quanto tempo vive assim? Acho muito massa como nosso cérebro tenta encaixar algo desconhecido num padrão conhecido imediatamente, por mais absurda que seja a hipótese na hora, foi o teu caso quando achou que eram bananas na parede coladas por crianças hahahahahaha. Sobre insetos desconhecidos, ao menos uma vez por ano me deparo com um e me pergunto se já foi catalogado, pois são muito extravagantes e os vejo em lugares inusitados.

  2. Oi Philipe! Mais ou menos em maio, minha mãe estava mexendo no jardim da casa dela e achou um casulo marrom-escuro meio enterrado no chão. Pensando que seria uma lição interessante, ela chamou o Abilio, meu filho (que tem um pouco mais tres anos mas na época tinha dois anos e oito meses) e mostrou “o casulinho” para ele explicando que dali sairia uma mariposa ou borboleta. Aí ela pegou o casulo e deixou num vaso de planta na janela da cozinha, embaixo do pé de begônias. Foi mais ou menos ums semana e meia depois que saiu dele EXATAMENTE a mesma espécie de mariposa que você fotografou, e pelo tamanho, era uma fêmea. Ela ficou um dia pousada no péde begônias e aí deu no pé, provavelmente para acasalar. A parte legal é que a gente pôde mostrar para o Abilio, pelo menos em parte, como funciona o ciclo da vida das mariposas e borboletas e criamos agora um defensor fervoroso dos casulos e lagartas, meu filho simplesmente não permite que ninguém mate uma simples lagarta na frente dele. “E uma borboleta” ele diz. Legal, né?. 🙂

  3. É triste ver que esses insetos estão desaparecendo. Outro dia mesmo comentei que nunca mais vi uma joaninha. Na minha infância, eu consegui encontrar várias nos jardins de casa.

  4. “O acasalamento dura cerca de 6 horas.”. Caraca, podemos dizer que o Philipe presenciou uma “transa embananda”… rsssss….
    Brincadeiras à parte, belas fotos. Informe os equipamentos usados (câmera, lentes, etc.).

  5. i ai Phill…da uma olhada no que esse maluco criou,achei muito gump isso…e meio transformers também.

    /watch?v=cNVslA7T2q8&list=PLYHoqTjX7zMp5uOOtiPBVAUhD3Pk9K8HP

  6. Espero que o National Geographic perca seu talento para que blog continue, hahaha, bem legal essas mariposas, engraçado que antes eu via tantas, agora mesmo aquelas “mais simples” famosas “bruxas” ,pretinhas, sumiram todas.

  7. Encontrei uma mariposa imperial ontem…07/01/2014 aqui em São Paulo…achei um "bicho estranho" e vim pesquisar…gostei da sua pesquisa sobre elas !!!

  8. Desculpe mas acredito que a mariposa seja Citheronia laocoon (Lepidoptera: Saturniidae). A Eacles imperialis é maior e a fêmea não tem as manchas marrons. 🙂

  9. Acabei de encontrar uma dessa desmaiada na calçada, deixei em uma caixinha, porque estou no trabalho, mas vou soltá-la em um local seguro na hora do almoço. Graças ao Blog identifiquei a espécie.

  10. Uma bateu na minha porta essa semana, muito linda. Meus filhos ficaram encantados. Tenho fotos mais consigo postar aqui . Se souberem de algum lugar onde eu possa postar a foto agradeço.

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