->
Até que um dia, eu estava de carro e por mera distração atropelei o amor. Achei que era o fim, que o amor havia morrido. Desci do carro e vi o amor dar seu último suspiro.
O amor fechou os olhos e caiu para trás em meio aquela poça de sangue.
Eu voltei para o carro e pensava se ligaria ou não para os bombeiros. Enquanto isso, o amor jazia ali no chão. Me senti um assassino. Um assassino sem amor.
Eu pensei cá com meus botões: “Se o amor não acreditava em mim, por que eu vou comunicar aos bombeiros que o amor morreu?”
Além do mais, seria muito estranho aquilo. Dei ré no carro e passei sobre o corpo sem vida do amor.
Deixei-o no canto da rua, naquela encruzilhada escura. Enquanto eu dirigia, sentia uma ponta de arrependimento por ter passado por cima do amor. Ter deixado o amor para trás.
Eu pensei que havia acabado. Que o amor já era. Que não haveria mais amor no mundo.
Mas um dia, escutei um barulho na janela. Eu acordei pensando que era um ladrão. Andei com cuidado até a cozinha e acendi a luz. Ali estava o amor, com a geladeira aberta e minhas garrafas de cerveja na mão.
Eu me assustei. Achei que era um fantasma.
O amor sorriu e me abraçou. Ele estava de volta.
Naquele dia, descobri que o amor era imortal.
Desde então, toda vez que o encontro o amor, eu atiro nele.
Mas o amor é incansável. Ele sempre volta.
O amor voltou e eu pensei que ele era o mesmo. Mas ao matar o amor, eu havia morrido. Pensando que aquele era o mesmo amor, eu me iludia de que eu ainda era o mesmo.
Talvez aquele até fosse o mesmo amor, mas eu jamais seria o mesmo.
16 Comentaram sobre “Eu e o amor”
dê sua opinião
Seu comentário pode ser apagado ou moderado se:







September 16th, 2008 at 3:02 am
show!
Quisera eu ter 1/3 do seu talento. Parabéns mais uma vez, Philipe!
September 16th, 2008 at 6:54 am
Gostei do trecho final do texto.Bem legal.
September 16th, 2008 at 9:11 am
Criativo!
September 16th, 2008 at 9:37 am
Caramba…
mto bom. Digno de ser lido e lido novamente.
Parabens!
September 16th, 2008 at 9:50 am
Só não gostei do último paragrafo. Mas adorei a parte de vc atirar no amor sempre que ele volta hahahaha
Seu desamado!
September 16th, 2008 at 10:45 am
show de bola…..acho q vou pegar meu carro e dá uns atropelamentos no amor.
eu sei .eu entendi a msesagem..mas ficou meio triste a historinha.
September 16th, 2008 at 12:14 pm
Eu fiz essa num post do orkut que era para a galera falar sobre o amor. Aí colei aqui.
September 16th, 2008 at 1:21 pm
Também achei que deu uma perdida mais pro final, mas mesmo assim ficou uma das melhores coisas sobre o Amor que eu já li.
Não perdeu a magia de quando as pessoas costumam escrever sobre o amor e ao mesmo tempo não ficou aquela coisa melosa que geralmente fica.
Sensacional…
September 16th, 2008 at 1:35 pm
Estou impressionada…
September 16th, 2008 at 1:56 pm
Caraca Philipe, você é muito talentoso. Adorei o texto.
September 16th, 2008 at 4:05 pm
Bem legal… Curte Pato Fu?? me lembrou muito a música música “Um ponto oito”
September 17th, 2008 at 10:38 am
ç.ç…
*quase chorei…*
mas foi por que rejeitaram o meu amor…ç.ç
*estou triste mesmo*
O que você escreveu é lindo, adorei!
September 17th, 2008 at 11:56 am
Jeny é como o amor, ela sempre volta, hahahaha.
September 17th, 2008 at 9:26 pm
Excelente!
Escrevi um post semelhante no meu blog, mas sobre a esperança.
Valeu pela inspiração!
October 25th, 2008 at 1:50 am
oown meu DEEEEUUS…
eu acho q eu já li esse post, mas só agora vim comentar…
mandei pra duas amigas minhas.
a mari já leu alguns dos teus posts, a manu vai ler agora
é invejável teu talento ^^
parabéeens
October 25th, 2008 at 4:59 pm
Poxa, muito obrigado por falar do Mundo Gump para suas amigas. Isso é muito importante. Valeu mesmo.