As lições que Chaves nos ensinou e que não foram aprendidas

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O meu amigo Eden do blog Um Passinho a Frente escreveu com muita propriedade sobre os exageros que alguns programas de Tv cometem na franca e desesperada corrida em busca de audiência.

Eden estava falando sobre o programa pânico na Tv e seus respectivos exageros. Eu concordo com ele quando diz que o humor de massa desce a ladeira quando busca atingir o povão.

O que me parece é que muitos programas de tv agem como crianças levadas, na tentativa desesperada de obter a atenção dos pais. Muitas vezes, no desespero que deve ser a produção de um programa humorístico com periodicidade  semanal e diretamente dependente das taxas de audiência para sua própria sobrevivência, a escassez de boas ideias pode levar a enormes, monstruosos equívocos, ou mesmo, ao franco assassinato do bom gosto.

Foi engraçado o Eden tocar neste assunto, porque era uma coisa que eu já havia comentado com minha intrépida primeira dama. Os programas de Humor estão perdendo a linha, se descontrolando no spin off da audiência.

O pânico é apenas um desses programas, mas o que dizer daquele quadro do CQC onde um dos apresentadores se faz passar por um argentino e desliga a Tv de um restaurante bem nos momentos decisivos da partida?

Isso é engraçado? Isso me faz rir? Não.

Talvez isso possa fazer rir a alguém, e certamente faz, pois tem gosto para tudo, mas o que eu vejo ali são Brasileiros tentando fazer jus a fama de babaca que nossa nação já tem no mundo. Confesso que vendo aquilo rolar, a minha vontade foi de meter a porrada naquele brasileiro, que se acha tão importante e engraçado que pode brincar de produzir aflição, produzir raiva e frustração à pessoas de outra nação.

Isso deveria ser um crime federal. Não é porque brasileiros disputam com os argentinos em  certos campos como em segmentos econômicos e esportivos que eu vou ter que achar graça de alguém daqui viajar trocentos quilômetros para zoar com a cara dos outros lá no país deles.

O Pânico na Tv não quis ficar atrás e enviou uma “equipe” para fazer gracinhas.

E que gracinhas: -Entrar vestido de Pelé numa loja de souvenires do país e sair quebrando tudo que vê pela frente, depois fugir. Jogar um manequim de uma escada. Jogar um alimento recém frito, super quente, nas calças do sósia do Maradona – provocando queimaduras numa pessoa que estava tentando ganhar sua vida honestamente. Jogar super bonder no vaso sanitário de um restaurante para colar o traseiro de alguém escolhido aleatoriamente. Fazer um “despacho” com centenas de fezes caninas na porta da casa do Maradona e sair correndo, entre outras babaquices.

O argumento que fundamenta as ações desse “humor”?

“Maradona é babaca. Então seremos babacas também”.

E eu? E o espectador? Nós somos obrigados a ver babaquice? E ao ver, nós nos tornamos babacas de tabela? Nós financiamos a babaquice com nossa audiência, do mesmo modo que financiamos o estelionato generalizado com o nosso voto.

Então tudo o que temos é um mar de babaquice que reina supremo na Tv brasileira.

A um incauto poderia ocorrer que “este é o tipo de humor moderno”. Seria o “humor que dá certo”.

Por exemplo, o Pânico tem um quadro em que uma moça simplesmente finge que vai entrevistar alguém e arrota no meio da entrevista. Não sei quanto a vocês mas acho este quadro uma perda de tempo tão grande que me intriga como aquilo ainda está no ar. Qual é a graça de um arroto, minha gente? Está claro pra mim que este quadro só existe porque é uma forma de encher linguiça. Mas eu posso estar errado, e o quadro pode fazer um grande sucesso.

Em algumas situações, eu me vi sentindo vergonha das abordagens agressivas feitas a celebridades. É preciso ser agressivo para fazer rir?

Com o tipo de humor que existe hoje na Tv brasileira, eu me pego pensando em como Chaves, um programa que foi gravado nos anos 60 pode continuar moderno. Chaves é uma lição que muitas pessoas nunca pararam para tentar entender. Mesmo com o absurdo sucesso que ele faz em todos esses quase trinta anos de exibição ininterrupta na Tv, um dos maiores “cases” de sucesso em termos de programa televisivo, nunca houve um único programa que se igualasse em seu feito, o que é algo sobrenatural considerando o potencial que o Brasil tem de imitar, copiar e tirar proveito do que dá certo.

Me desculpe se eu ofendo alguém ao dizer isso, mas eu considero o Brasil e sua televisão como verdadeiras  “ervas daninhas culturais”.  E isso não é apenas uma crítica, mas também, sob uma torta visão de mundo, um elogio, na medida em que ervas daninhas são avançados organismos em termos evolutivos.

Mas por mais avançada que seja uma erva daninha, ela mata o que está em volta, e se replica aos milhares, até que pereça, vitimada da sua própria existência.

A Tv brasileira é assim. Ela desce a ladeira correndo e ao chegar no fundo do poço, desce pelo alçapão. “Para baixo e além!”

Chaves, Chapolim e os demais programas criados pelo grupo de Roberto Bolanos funciona  sem precisar apelar. É a típica situação da “panela velha que faz comida boa”. É intrigante como com tanta tecnologia disponível hoje, não se obtém algo como Bolanos conseguiu no passado. O que mais passou perto do humor infantil e simples de Chaves foi os Trapalhões, ainda assim, numa outra época, onde piadas envolvendo chamar o Mussum de “macaco” e “urubu” eram engraçadas.

Uma das grandes lições que Chaves nos ensinou é que o humor não precisa ser no aqui-agora para ser engraçado. É uma lição importante, que foi demonstrada na prática por muitos grandes professores, a começar por Charles Chaplin, Laurel & Hardy e também o Mazzaropi.

Chaves e Chapolim nos ensinaram que bordões podem ser engraçados, mas há um grau tênue entre o humor baseado na repetição e o uso disso como fórmula. Coisa que Zina e seu “Ronaldo” não souberam aproveitar, e que o Pânico continua a errar com a dança do “Ah, muleque!”.

Chaves nos ensinou que muitas vezes o humor não depende de gritos, palhaçadas ou piadinhas de duplo sentido, algo que os redatores do Casseta & Planeta nunca entenderam. Rowan Atkinson, o Mr. Bean é uma prova viva que o bom humor pode ser situacional, não dependendo de arrotos, ou gritos, ou pegadinhas com pessoas que tentam trabalhar.

Uma pessoa que olha de fora e compara nosso humor com o humor estrangeiro, como o do Monthy Pyton poderia pensar que nosso senso de humor é “peculiar”. Ou “estranho”. Escrachado, simplório e raso, entre muitos adjetivos potenciais…

E é. Muitas vezes, o público não tem os pré-requisitos intelectuais necessários para compreender a sutileza ou a complexidade de certas piadas. Ou explorando um lado mais científico-filosófico da questão, eu poderia argumentar que as piadas obedecem um complexo código linguístico que se baseia na questão da linguagem. Sabemos que a linguagem afeta de maneira complexa a interpretação do mundo. E é exatamente por isso que muitos psicanalistas resolvem estudar alemão antes de se dedicarem ao estudo aprofundado da psicanálise. E também é por isso que alguns dos melhores programadores e matemáticos do mundo são indianos. Daí que, sob este aspecto, comparar o humor de um país com o do outro soaria como comparar “alhos a bugalhos”.
Do ponto de vista da linguística aplicada ao humor, não há melhor nem pior, do mesmo modo que não há nação superior nem nação inferior, e nem raças ou mudos diferentes.
Aos que vêem o mundo dividido em tipos classes e raças, faço questão de situar o que é o Brasil. E a melhor maneira de fazer isso é dizendo o que efetivamente não somos, nunca fomos e dramaticamente, pelo menos pra mim, provavelmente nunca seremos: Um país sério.

O Brasil sempre foi colônia. E nos comportamos com colônia a despeito de todo o milagre econômico, dos índices e da política externa que banca de maioral. O comportamento de colonizado se dá em todos os setores por aqui. Raramente se inventa alguma coisa e quando acontece, há sempre uma grande chace de ser apenas um aperfeiçoamento de algo que já existe fora.

Na televisão não é diferente. A Tv brasileira evoluiu a partir do radio. Ela é um radio com uma sofisticação a mais. Sempre fomos colônia, primeiro dos portugueses, depois dos ingleses, depois dos Americanos e talvez um dia seremos colônia dos Chineses. Enquanto o oriente tem uma cultura milenar, nós somos os caçulinhas do mundo.
Faz apenas um século que isso aqui era tudo selva. O Brasil é o resultado de índios na idade da pedra, africanos na idade do bronze e uma colonização exploratória feita pela nação mais atrasada da Europa Ocidental à época.

Há uma crença difundida entre cozinheiro que diz que com bons ingredientes é possível fazer uma má comida. Mas com maus ingredientes, é impossível fazer uma boa comida.
Não me cabe fazer juízo de valor se a mistura de índios negros e europeus dá um bom caldo ou não. É obvio que a miscigenação traz consigo bons aspectos e maus. Algumas características de cada um desses grupos étnicos são amplificadas, para o bem e para o mal, como nos mostraram Roberto DaMatta e Gilberto Freyre.

Voltando ao humor, considerando que cada povo tem sua fórmula, isso se reflete nos processos sociais e o humor é um deles. Porém, há algo que poderíamos observar que é o grau de agressividade implícito no nosso humor. O humor brasileiro, sempre se pautou por um tom agressivo nas piadas e nas situações. Isso pode ser visto como um mecanismo do modelo pastelão, onde torta na cara é algo corriqueiro, e alguém sendo perseguido por outro com porrete soa engraçado. Mas nossa violência transcende a forma estilística.

No Chaves mesmo, temos uma recorrente exibição da violência de adultos contra crianças, de crianças contra crianças e de adultos contra adultos. Mas é uma violência fake, de tal modo que ao atingir alguém com um soco, soa um barulho de martelada num extintor de incêndio. No Pânico, os quadros de humor violento são basados em cenas de chutes acrobáticos feitos por dublês. São pessoas reais virando cambalhotas no ar e despencando de ribanceiras. São pessoas pulando em piscinas de agulhas. Enquanto a produção mexicana da década de 60 fazia questão de inserir a piada no contexto ficcional, o Pânico busca a todo custo obter o mais alto grau de realismo, fazendo o espectador acreditar que  aquilo é real.

Isso não é novidade. O Programa Pânico na Tv  tem em suas fontes de referência ninguém menos que o lendário Andy Kaufman. Exímio especialista de criar situações em que o público não conseguia compreender o que era script e o que era realidade, Kaufman ficou famoso por suas performances. Algumas literalmente copiadas pelo pânico numa clara demonstração da lei máxima da Tv brasileira, onde “nada se cria, tudo se copia”.

Então surge a coisa do humor da enganação: Legendários com entrevistas com evangélicos fakes, pré-aprovados pela emissora dos bispos, Impostor invadindo ambientes onde “não teria sido convidado”, personagens como o “Alfinete”, que se passam por pobres, quando não o são, são demitidos quando não o são e graças a isso, ficam bêbados sem de fato estarem.

O humor da enganação é tão antigo quanto as manjadas pegadinhas armadas do Mallandro.

Não sei se isso ameniza ou piora a situação do quadro do Impostor. No fim das contas, tudo se resume a um cara mostrando às pessoas que a lei de Gerson pode e deve ser aplicada.

Talvez o conceito do Impostor tenha surgido do caso real do verdadeiro impostor, Marcelo Nascimento Rocha, um cara que enganou o próprio colunista social televisivo Amaury Jr, se fazendo passar pelo dono da companhia aérea Gol. A diferença é que no mundo real, quem faz isso comete crime e vai pra cadeia.

O impostor ensina ao povo que usando a lábia e as artimanhas, é possível entrar de penetra nas festas e eventos restritos, até mesmo se aproximar do presidente da república, expondo a segurança pífia que cerca o mais alto cargo da nação. Dada a aula de malandragem, eu espero que este quadro também seja “humor da enganação”.

Um mecanismo comum em todos aqueles que criticam a baixa qualidade da Tv é atribuir o jogo de culpa ao povão. No fim, tudo resulta na mesma fórmula: Fala-se mal do programa, da emissora, cita-se os piores vexames e colocamos a culpa no povo, que vê. Afinal, a culpa só pode ser de quem paga a conta.

Esquecemos do simples fato de que a Televisão brasileira ainda não é interativa o suficiente para que o povo modifique a programação ao seu gosto. Querendo ou não, a caixa mágica que anestesia o brasileiro só permite duas opções de interatividade: Desligar ou mudar de canal.
Então a culpa é do povo? Em parte sim, mas não completamente.

Aqui está mais uma lição que Chaves nos ensina: Como aquilo faz sucesso, e faz sucesso sem apelar a mulheres peladas como o Pânico na Tv  e o Zorra Total ou a violência gratuita, como o Pânico ou piadas de duplo sentido como o Casseta e Planeta, tem alguma coisa de valor ali.

Veja, se o sentido da existência de algo na Tv aberta é sua taxa de audiência, então não seria só criar algum humor sem depender de mecanismos viciados e explorados até o talo para garantir a audiência?

Não estou dizendo que Chaves é a maravilha da natureza. Longe disso. Certamente muitas pessoas não gostam do tipo de humor pueril e antiquado de Roberto Bolanos, embora gostando ou não temos todos que reconhecer o mérito de algo da década de 60 ficar mais de 30 anos no ar sendo exibido diariamente. Penso que o desafio é encontrar algo que divirta sem causar constrangimento ao telespectador.

Atualmente tenho me divertido bastante com um programa de humor da Band chamado “É tudo Improviso”. O programa onde atores e candidatos da audiência elaboram situações humorísticas em um (suposto, porque o programa é gravado) tempo real, também é uma cópia deslavada (inicialmente com os mesmos atores) do “Quinta categoria da MTV”, que por sua vez é uma copia deslavada do programa americano  do Drew Carey, chamado “Whose line is it anyway” que ficou no ar por quase uma década. Mas a invenção também não é deles. A comedia de improviso, é uma matéria tradicional do teatro americano e canadense, que desembarcou por aqui à reboque do modismo do stand up comedy.

No fim das contas, as árvores genealógicas dos programas de Tv são o que menos importa se eles forem efetivos. O problema maior não é se um  programa é original ou não, mas como a fórmula é explorada pela companhia, e ao que ele se propõe.

A principal lição que Chaves nos ensinou é que é possível criar humor sem apelação. Mas para isso, é necessário querer. E é importante que a televisão deixe de seu autista – autocentrada, e com uma enorme tendência à repetição. Chaves nos ensinou que é possível ter esperança de uma tv melhor, desde que nãos nos misturemos com esta gentalha.

-Gentalha, gentalha!

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58 comentários em “As lições que Chaves nos ensinou e que não foram aprendidas”

  1. É realmente triste o que acontece com o programa Panico, que quando surgiu foi tão elogiado, e ralmente no começo era de um humor muito inteligente. Mas virou babaquice e eu não assisto há anos.Eu tb não assisto mais o Chaves e Mr. Bean, mas reconheço a inteligência destes senhores estrangeiros, e o talento em reconhecer as situações hilárias de coisas simples, do cotidiano comm a qualquer cidadão em qualquer país. é deste tipo de humor que falta ao Brasil. Mazaropi foi um ícone para sua época, mas apesar de falar uma linguagem inadequada para hoje (politicamente correta e católica demais) mas primava pela inteligência e a simplicidade. Qualquer pessoa se reconheceria pagando algum mico alguma vez na vida, eum uma das situações cotidianas mostrada por ele. Pena que programas como o do Jô passam tão tarde, e a Globo enfia o Zorra no horário que caberia muito bem o talk show do Jô Soares. Pena também que o povão não se interesse por outras coisas mais interessantes.

    • Realmente,concordei com o que você disse sobre o panico.
      Antes,era tudo novidade,os quadros eram bem mais engraçados (lembro até hoje de como era engraçado os quadros “vesgo e silvio”)mesmo havendo os quadros “apelativos” como a hora da morte e o homem-aranha-gay.
      Mais de uns tempos pra cá,tudo mudou (tudo mesmo). agora,eles só querem saber de putaria,as merdas das brigas no octógono,etc..
      quem que quer assistir um programa “de humor” onde só se ve putaria,brigas e um bando de quadros masoquistas ?????

      e só contradizendo uma coisa escrita no post,não foi o CQC que fez o quadro em que cortavam os fios nos jogos da copa.Era um quadro de 2006 do panico que chamava alguma coisa do tipo “o ataque do motumbo”,algo assim,em que o cara ia nos grandes lugares e na hora de algo decisivo,ele cortava os fios 🙂

      falows

  2. Uma longa e profunda critica das situações atuais. já q eu lí todo o texto gostaria de fazer colocar um argumento de apoio falando sobro o povo brasileiro e seu nivel de percpção antroposocial.

    Nós, infelizmente, vivemos em uma nação onde limitações intelectuais são frequentes, onde a preguisa é maior q a vontade de evoluir e onde a estagnação é algo terrivelmente comum. Um povo q malha seus “herois” se não vencerem a “guerra”, um povo q não incentiva nada mas sabe cobrar (e muito bem), e acima de tudo, um povo q em sua ensensia se diz feliz, mesmo sem escola, sem dinheiro e sem comida, ou seja, um povo q por preguisa de pensar, aceita os pensamentos de outros, e toma como principios.

    não posso deixar de mensionar o caso q mais me indignou recentemente. Brasil e sua derrote na “copa guerra”: Acho q minha opinião não é muito compartilhada, mas sinceramente eu gostei muito do jogo em q o brasil foi eliminado. achei um jogo bonito de se ver, sua historia mostrou q não existem favoritos, ensinou ao time uma lição q jamais teriam aprendido se não passassem por isso. Falipe Melo, esta tendo uma chance unica de se conhecer e reconhecer sua caracteristica agresiva em meio de campo. Infelizmente algumas das melhores lições q aprendemos são as mais dolorosas. mas olhando por um outro angulo, o q é a dor se não algo q te deixa mais forte.

    comparando nossa derrota com a dos nossos visinhos argentinos a nossa foi algo honroso, mas mesmo o povo malhou o time, acharam um pivo para o fracasso e julgaram, mesmo nunca tendo estado naquela situação. enqnto os hermanos perderam de 4, foram muito mais humanos q os brasileiros na hr de receber seu time devolta. receberam como herois, mesmo com o fracasso.

    pensemos dessa forma, nosso time precisa vencer por medo da torcida, enqnto o dele vence pra honrar o amor q sua patria deposita.

    para nós falta algo q transende qlqer jogo, qlqer guerra e qlqr programa ruim de tv, para nós falta amor proprio.

    Philipi desculpe o longo texto, mas eu achei q seria interessante mensionar isso tbm!

    um abraço!

  3. É, meu amigo. O grandessíssimo problema do povo brasileiro é só um: FALTA DE EDUCAÇÃO!

    E não a “falta de educação” só de não saber se portar em determinadas situações, e sim de não terem sido educados satisfatoriamente.

    Por exemplo, eu garanto que muuuuuuuita gente não vai sequer ler seu texto, só porque é grande e com alguma complexidade linguística.

    A nossa falta de educação se refere principalmente à falta de cultura, de conhecimento básico.

    Isso nós não temos, por isso não entendemos e por isso aceitamos tudo que nos empurram goela abaixo.

    Infelizmente.

  4. Falou tudo Philipi.
    Chaves já chegou até´bater o Jornal Nacional em audiência. Hoje em dia é dificil encontrar um humor que nãõ tenha que apelar para o sensualismo. Não que eu não gosto, mas acaba sendo algo forçado. Fora que fique dificil deixar crianças assistirem esse tipo de coisa.

  5. Concordo com o Felipe, o problema principal é a falta de educação e informação. E esse problema não é só com a TV aberta, o conteúdo da TV fechada também é muito limitado e os valores cobrados pelas assinaturas são caríssimos. Quando paro pra assistir TV ou é para ver algum filme ou algum canal cientifico (Discovery, History,etc), que em alguns momentos exibem documentarios interessantes. A TV Cultura também exibe alguns concertos e apresentações solo que costumo assistir.

    Philipe, falando nesse assunto, já não está na hora de uma TV Gump ? Dá até pra conquistar um espaço na TV aberta, seria ótimo um programa de debate que tivesse como tópico principal questões como essa. Pena que talvez o programa só fosse exibido no horário do Telecurso 2000. :/

    • O Celso, um amigo meu está em negociação com a rede NGT para um programa na tv aberta do Mundo Gump. Estamos esbarrando nos altos custos de publicidade. Mas ele ainda não jogou a toalha. Quem sabe um dia desses não rola o Mundo Gump na Tv? Seria bem legal.

  6. Vejo esse caras fazendo o humor deles e penso comigo: “tá ai uma coisa que eu não gostaria de fazer pra viver, que vergonha”.
    E o triste é que eles fazem força para se tornarem cada vez mais estúpidos e ignorantes, com medo de que o zé-manezinho perca a identificação que tem com eles. Escondem que são jovens bem nascidos, provavelmente com um elevado nível de educação, mas que se estupidificam para conseguir audiência.

    Perdem oportunidade de fazer algo de relevante, algo que sobreviva ao tempo, como o fez Bolanos…

    PS:
    Philipe, você podia falar mais da ligação entre a língua Hindi e a matemática e a programação? Se tiver um link sobre isso ai eu ficaria grato se me mandasse, achei interessante.

    Abraço!

  7. Acredito no humor brasileiro, temos exemplos de grandes comediantes , o problema (acredito eu) esta nos contratos com as emissoras, que
    impõem como cada comediante deve atuar, e como agente sabe que ninguém rasga dinheiro, eles se submetem a esse tipo de atuação.

    Pra deixar claro…concordo com tudo que voce escreveu e sou um dos que sempre assiste chaves quando possível, só gostaria de frisar que acho que produzimos comediantes talentosos mas que não tem o devido espaço e a devida motivação pra desenvolverem esse dom, afinal de contas se eu posso ganhar dinheiro sem fazer nada apenas atuando ao lado de de uma boazuda desnecessariamente semi-nua, porque eu vou gastar cerebelo formulando uma situação cômica ?

  8. Valeu Philipe, “matô a pau”. É pra isso, isso, isso, que nós precisamos nos informar e saber tomar melhores decisões, até mesmo pra ligar a TV.

  9. Esses dias vi uma entrevista do grande Chico Anísio, em que ele criticava os atuais programas de humor (Zorra Total, A praça é nossa e até certo ponto, o Pânico), dizendo que é tudo herança da ditadura, quando não se podia fazer humor inteligente.

    Piada autorizada pelos censores era mulher subindo a saia ou os atores trocando bofetadas… e assim foi por décadas, não é? Esperar o quê?

  10. huhuahuahua So de pensar em chaves eu nao consigo nao rir, o humor do chaves e chapolim é tao “simples” que esta ai ate hoje, isso da assunto pra manga, da pra fazer uma monografia sobre isso, provavelmente ja ate fizeram, eu sei que a questao aqui nao é essa, mas so pra lembrar um dos maiores humoristas de todos os tempos, Chaplin, tenho ate minhas duvidas se bolaños nao fez alguma referencia com o nome dele. Mesmo que vcs nao tenham visto ou ate alguns aqui por serem jovens provavelmente nem conhecam, mas Chaplin consegui fazer rir SEM SOM algum, por anos ele fez seus programas monocromáticos e apenas com algumas legendas, se alguem quiser conferir isso que estou falando, veja TEMPOS MODERNOS ou entao EM BUSCA DO OURO, se nao me engando acho q esses dois ainda seguem sem audio, pq depois de um tempo com a evolucao ele comecou a realizar seus filmes com audio, mesmo que precarios. Resumindo, sou fã dos que conseguem me fazer rir sem apelar pra baixaras, humor com simplicidade. Otimo post Philipe. Fiz ate um post sobre isso essa semana, se alguem quiser conferir é so chegar.

  11. Excelente seu texto, cara. A última palhaçada do Pânico foi tentar arrotar na cara da Laura Cardoso, atriz, uma senhora de 82 anos. Se esse povo recebe críticas, contra-ataca alegando perseguição. Parecem fotógrafos de revista de fofoca e apresentadores de programas afins: o que fazem é lixo, mas quando são criticados, dizem que “estão fazendo seu trabalho de informar a população”.
    Longa vida ao Chaves!!

  12. Só para corrigir: o Chaves começou em 1971 no México, então é anos 70, e o “Whose Line Is It Anyway?” é uma versão de um programa inglês que, quando a versão americana apresentada pelo Drew Carey estreou, já estava em sua nona temporada.

    • POis é, Luis, mas eu creio que em 71 é a data que o programa entra no ar no mexico, não a data da criação do conceito. Segundo a Wikipedia, a idéia surgiu em 1969, depois que seu protagonista, Chaves, apareceu junto com outra personagem, a Chiquinha, em um curta-metragem durante outro programa de televisão popular no México (Los Super Genios de la Mesa Cuadrada; de sua própria autoria)
      Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/El_Chavo_del_Ocho

  13. Eles dão o que o povo quer, e estão cheios do dinheiro.

    Só existem porque tem um monte de brasileiros lá achando eles o máximo dos máximos.

    Este é o Brasil de sempre, e a tendência é só piorar, essa juventude que está aí e acha isso lindo, serão os adultos de amanhã, fazendo o Brasil.

    Quem ainda tem bom senso nem vê TV aberta, e se não tem dinheiro para tv-a-cabo que desligue a tv de vez.

    Se só tem merda para comer, então voce come merda? Claro que não, eu morro de fome mas não vou comer merda. TV aberta é isso, prefiro desligar a TV do que assistir aquela merda toda.

    E Chaves é um lixo também, é uma máquina de fazer mongolóide.

    • Pedro, eu creio que a Tv aberta é mito ampla e diversificada. Acho injusto alegar que tudo que passa na tv aberta é lixo. Até porque desconheço alguém que assiste a tudo que passa para alegar isso. É como diz o ditado: “Toda generalização é burra”.
      O problema é que tem que peneirar muito para encontrar algo que preste na Tv aberta.

  14. Bom, eu vejo o “Pânico” as vezes e consigo rir de alguma coisa. Mesmo resvalando para a escatologia e bizarrices diversas, tem coisas que não são o fim do mundo. No fim é um reflexo do momento. A questão de sermos colonizados por vocação é complicada, acho que os reais “colonizadores” são os que tem as rédeas do pais e não querem que o povo evolua, pois como está
    serve aos seus propósitos. Povo pensante e esclarecido não se deixaria colonizar. Então, alienar é praticamente programa de governo, vide o partido da situação, que criticou a tudo e a todos e em oito anos de governo não moveu uma palha no sentido de tirar as vendas e arreios do povo. Ao contrario, deu paliativos do tipo “bolsa-cachaça”, “auxilio-puteiro”, “vale-futebol” pra manter o povo na mesma. Dão peixe podre, mas não ensinam a pescar. Que venham os chineses… Ah, nunca vi e nunca verei Chaves e Chapolim. Sou do tempo de “Star Trek”, “Thunderbirds”, Vila Sésamo…

    Abraço a todos.

    • Mario, tem situações em que eu me pego pensando se não foi um mal negócio estudar, ler tanto jornal, investir em uma faculdade, viajar para o exterior, buscar amizades com pessoas esclarecidas, intelectuais. Por que? Porque quando você começa a enxergar de verdade o real estado das coisas, começa a ver como o seu país poderia ser e como ele é de verdade, isso é algo extremamente frustrante.
      Sabe quando as pessoas dizem que “A ignorância é uma bênção?”
      Pega qualquer pesquisa que dá pra ver isso. A base, o povo pobre e alienado, a massa de manobra, bate palmas, estão achando ótimo, pois pela primeira vez tem comida no prato. A classe intelectual, que sabe em que pé poderíamos estar, não está tão feliz.
      Eu não preciso ir muito longe para discorrer sobre a tendência do Brasil de agir como colônia. O próprio Maglev Cobra é um exemplo disso. Meu pai cansou desta porra de país e foi embora para a Espanha. Lá fora, estão dando mais valor ao Maglev do que aqui, onde ele foi inventado.
      O que vai acontecer? Eu acho que o Maglev vai ser implantado lá fora e vai vir pra cá como um produto importado, deixando os gringos ricos, custando o triplo ou o quádruplo, e aí será enfim bem recebido.

      Lamentavelmente este é o nosso país. O país onde micareta arrebanha milhões e protestos contra o aumento abusivo do imposto atrai três ou quatro gatos pingados. País onde políticos ficam famosos com lemas do tipo “Rouba mas faz” e todo mundo acha normal.

      • Não surpreende num país que trocou ferrovias por rodovias, que não explora uma costa de mais de oito mil quilometros e um estado que tem diversos municipios no entorno da Baía da Guanabara, propício ao transporte hidroviário não investir numa tecnolgia que vai ser realidade em cinco ou dez anos. Ao inves de sermos pioneiros e partirmos na frente, vamos aderir quando os carros, onibus e trens estiverem voando… Aí ó, o nosso fantástico governo progressista! Por essas e outras que eu joguei minha estrela vermelha no lixo. E vou votar nulo.

  15. Bem colocado.
    “Whose line is it anyway” é show pq rola uma quimica entre os atores.. as cópias brasileiras são fraquinhas, mas acho legal começar a investir no ‘stand-up’.
    Acho engraçado o Comédia MTV do Marcelo Adnet. Na mtv tinha joselito e compania, era tão tosco que era engraçado. Agora a equipe foi pra rede record e começaram o esquema apelativo, perdeu a graça..assim como o panico ainda contém uns segundos de risos.. em 2h! af :sly:

    Ao invés de começar na Tv Aberta pq não começa um canal no Youtube? 😎

    abs.

  16. Philipe, desculpe, mas dessa vez eu vou discordar completamente de você: dizer o que gostamos e as vezes criticar o que não gostamos não é legal, e creio que desta vez você escreveu muito mal.

    então o humor não pode ser ríspido, agressivo? Mas é isso que o povão quer, não é? então peço que assista se possível Family guy (ou uma família da pesada como se chama no Brasil) e veja o episódio numero 100, onde entrevista o que o público (no caso aqui, povão)acha: uma porcaria. Mas o programa é apelativo, como que é a “elite” pode ser quem goste do programa?

    Falando exclusivamente do Pânico: tem seus erros, principalmente no caso do Maradona nessa semana, realmente não foi engraçado, mas qual foi o programa que mostrou celebridades como mortais? como pessoas que brincam, discutem e brigam? qual programa faz o povo ser engraçado (queira ou não queira, o Charles Henriquepédia é um dos mais engraçados e isso se dá muito ao fato da sua ingênuidade, não por qualquer maldade ou baixaria como assim diz)? e lógico, a JUJU é tudo de bom!

    Do CQC: é um programa argentino e se você não sabe os argentinos também vieram para cá fazer a mesma coisa? Já no fato da política, precisa dizer que o CQC escancarou a vergonha que é nosso poder, principalmente do legislativo?

    Ah, e só pra lembrar, pq não citou Hermes & Renato também, dando enfase no Away de Petropolis? Mais um exemplo que absurdo sim é engraçado (você mesmo não cita a expressão “joseliticamente”?)

    É isso gente, principalmente o Philipe: Humor não tem regra e se regrado for, não é humor. Afinal o que há de errado rir? Se apela pra baixaria, qual baixaria tem a Grande Família? Afinal é um dos programas mais assistidos na Tv brasileira, num canal aberto, então quem vê é esse povo ai. Generalizar nunca é legal.

    dá próxima vez faça um texto contra apenas o legendários e zorra total que terá meu incondicional apoio. Mas dessa vez, bem, quem é brasileiro não desiste nunca e sei que você pode fazer melhor.

    • Cara eu acho muito complicado voce querer comparar um desenho animado com um programa de tv feito com atores. O desenho animado, principalmente no caso do family guy, pode usarse do absurdo comico, por nao ser nada real podem abusar da liberdade poetica, como e o caso do mesmo, onde de tempos em tempos aparecem coisas completamente absurdas.
      Quando voce tenta repassar o mesmo para o mundo real, isso pode se tornar uma coisa muito perigosa, onde num desenho animado e divertido matar a um personagem Kenny em todos os episodios, isso nao e o mesmo em um mundo real, sao duas midias muito distintas.
      Eu acho q o grande problema nao e nem o fato de ser engracado ou nao, mas sim o quao baixo tem de ser para fazer-se rir, acho q programas como o panico estao se passando e muito, pelo menos ja era assim quando eu vivia ai.
      Achei o texto muito bom philipe, mas poderia ter mencionado que ainda existem coisas boas, como o grande familia ( pelo menos era ) que tem muita coisa parecida com o proprio chaves, uma especie de caricatura de uma sociedade, onde nos identificamos (a nos, ou a conhecidos) nos personajems e isso nos faz rir sem ter de apelar muito.
      abs

    • Calmaí, Paulo. Antes de responder deixa eu entender o primeiro parágrafo do seu comentário:

      “dizer o que gostamos e as vezes criticar o que não gostamos não é legal, e creio que desta vez você escreveu muito mal.”

      Então, se eu não estou entendendo errado eu não posso discordar de algo que você gosta. É isso?

      Bom, agora de volta ao meu comentário sobre o seu.
      Eu não estou afirmando que o Pânico é um lixo, não estou dizendo que não deve ser visto. Até porque ei assisto. Agora há uma diferença entre assistir e concordar com certos exageros, e este é o foco do meu texto. Quando eu digo que sinto vergonha quando brasileiros vão fazer presepadas em outro país, sobretudo usando a camisa da seleção brasileira para tal, eu não estou dizendo que todo o programa está condenado. Se eu fizesse isso estaria incorrendo na condenável generalização que costumo citar como burrice.

      Agora, creio que qualquer pessoa minimamente consciente vai reconhecer que arrotar na cara de uma senhora octogenária, uma das atrizes mais respeitáveis deste país é de absoluto mau gosto. No Family Guy isso pode funcionar, isso pode ser engraçado sem problemas, pois é um desenho, você vê sabendo que não é de verdade e é justamente ISSO o que eu digo no post.
      Querer fazer o famigerado humor de guerrilha usando pessoas reais e abordagens agressivas coloca o espectador na incômoda situação de se sentir compactuando com algo que ele não concorda, que ele não gostaria que fosse feito e a crítica surge a partir justamente daí.
      Talvez lendo o meu texto, dê a impressão – errônea- de que eu sou puritano, ranzinza e tal. Eu adoro family Guy, eu adoro simpsons, eu adoro Hermes e Renato, eu vejo o Pânico sempre.
      E é por isso que eu me acho no direito de comentar o que considero exageros. Por exemplo, se o CQC é um programa argentino, ótimo. Simpsons é um programa americano, Chaves é um programa mexicano e a grande família é um programa brasileiro. A questão não é a origem. A questão é o conteúdo. Se é como você diz que os argentinos vieram aqui e fizeram isso de desligar a tv num jogo do Brasil, eu tenho certeza absoluta que muitas pessoas de lá também ficaram embaraçadas e envergonhadas de ver alguém fazer isso em outro país, do mesmo jeito que eu fico de ver neguinho se comportando mal lá fora.
      Se fosse em desenho animado eu não ia ligar a mínima. Mas no mundo real é foda. Dá vergonha, cara.

      • “dizer o que gostamos e as vezes criticar o que não gostamos não é legal, e creio que desta vez você escreveu muito mal.”

        Então, se eu não estou entendendo errado eu não posso discordar de algo que você gosta. É isso?: não é isso que eu quis dizer e se fui interpretado assim, tentarei explicar meu ponto de vista: nem tudo que não gostamos é ruim, nem tudo que é um exagero pra mim é para os outros (lógico, tem absurdos, como o caso do cocô do Pânico ai e outros). só digo pra não se perder no generalismo (como eu disse e depois disseram tbm, a grande família é um bom exemplo dessa exceção no generalismo).

        Ah, mais uma vez falando do family guy: creio que pelo fato de sermos extremamente liberais aceitamos tranquilamente as piadas, mas você poderia inserir neste texto com o mesmo contexto, afinal mesmo sendo desenho ele é marcado por piadas envolvendo igrejas, drogas, doentes e doenças e outros. Pra mim e creio que tanto pra vc e para tantos outros isso é livre, mas para tantos outros podem ser o mesmo argumento que você usou.

        Por isso volto a dizer, tem coisa ruim, tem, mas que a própria TV regule sua qualidade, afinal quem seria justo o suficiente pra decidir o que é bom (cara, sabia que os melhores filmes da globo passa no Corujão? olha que absurdo!)

        • Nisso eu concordo com você. Em momento algum sugeri qualquer tipo de controle externo da programação. O que eu sou a favor é disso aqui. Não gostei, eu entro aqui no blog e meto o malho. O Eden lá no blog dele mete o malho, e muita gente que tb concorda vai metendo o malho. Com o volume de criticas e reclamações, os canais -num mundo perfeitamente utópico, eu reconheço – tenderiam a criar uma espécie de “bom senso” tutelado pelo espectador para o que vale a pena exibir e o que não vale.
          Mas eu acredito que por mais escrachado e ácido que um desenho animado seja, ele sempre terá a seu favor o fato de ser um desenho animado, uma realidade alternativa. Algo diferente da suposta graça de uma pessoa real arrotar na cara de outra pessoa real.

    • Ah, não. Tem muita coisa velha que é uma merda também, hehehe. Algumas coisas apelativas foram tão grotescas que entraram para a memória como clássicos do mau gosto. Quer um exemplo? Cocktail, apresentado pelo Miéle no início dos anos 90. Lembra? As moças faziam uns joguinhos boçais, e no fim tinha um striptease, hahaha. Era uma espécie de Fantasia pornô que passava no Sbt, eu acho. Hahaha, era muito tosco aquilo.

  17. Uau. Demais o texto.
    Concordo com tudo; mas acho que a questão “mulheres seminuas” merecia um pouco mais de indignação. Vou aproveitar o espaço para indignar-me.
    Toda vez que passo pelo Pânico vejo que, invariavelmente, a cada volta de comercial a primeira cena é uma bunda. Um close de bunda de encher a tela. Não quero ser moralista, mas sempre me pego pensando: “o que os pais dessa menina devem achar? Criaram-na para ser uma bunda?”
    Mas depois penso que, também, essas garotas devem levar uma vida mais confortável que a minha, e que isso mostra às novas gerações (de mulheres) que é mais garantido investir em silicone do que em educação.
    Não bastasse a nudez; ainda se prestam a papéis idiotas, participando de “desafios” bizarros trajando biquinis, ao mesmo tempo que são xingadas pelo tal Bola de anta, imbecil, “mas como é burra”, etc.
    O que, aliás, ensina às novas gerações de homens que as mulheres são enfeites estúpidos.
    E também não posso deixar de pensar toda vez que vejo um close de bunda na tv naquele filme: “A guerra do fogo”. Parece que estamos voltando a ser macacos.

  18. Mandou bem, Philipe, especialmente por citar todos os programas atuais de “humor” brasileiros, mostrando a imparcialidade da crítica.
    Quem diz que Chaves é ‘lixo formador de mongolóides’ é porque nunca assistiu, pois apesar dos personagens infantis, as situações apresentadas e as lições passadas são reais e aplicáveis ao mundo adulto (e sobrevivem a gerações), o que se evidencia pelo fato dos atores serem adultos, e não crianças! Pueril, infantil? e toda a questão do romance entre a mulher viúva com o professor do filho; o pai solteiro que tem dificuldade em pagar o aluguel; bullying, assunto que nenhum outro programa da época tratava; etc etc? e tudo isso fazendo rir, sem ser agressivo.

    • Pois é. Uma coisa que evidencia o quão bem feito chaves é está no fato das pessoas do México idolatrarem o Bolanos. As crianças o idolatram sem nem sequer imaginar que ele é um cara muito diferente do que aparenta, sério, sóbrio e odeia crianças. O elenco que ele construiu é excepcional, pois assistindo você não consegue acreditar que os atores e o Bolanos viviam às turras. Ele era tão exigente como diretor que certa vez mandou o “seu barriga” repetir uma cena de queda quatro vezes, sendo que na última o cara até quebrou o braço. Cada cena envolvia dezenas de ensaios e repetições.
      Se considerarmos que arte é algo atemporal, podemos dizer que Bolanos, que é conhecido como “Chespirito” (uma referencia a “pequeno Shakespeare”, por sua capacidade de construir roteiros) conseguiu fazer arte com aquele elenco.
      Agora, enquanto arte, está sujeita a apreciação do público, seja positiva, seja negativa.

  19. Eu deixei de assistir TV aberta faz alguns anos, e pra mim o “humor” atual é apelativo, e em muitos casos não passa de uma desculpa para mostrar mulheres semi-nuas para agradar o público masculino (Não sou gay, mas sou contra esse tipo de apelação hehehe).
    O que me deixa mais indignado é que o público engole toda essa palhaçada, dando audiência a esses programas, o que consequentemente, só fará com que venha mais e mais programas do tipo, apelando a mulheres semi-nuas com “piadas” nem um pouco inteligentes.
    Fico feliz de ler sobre esse assunto do modo que abordou no seu blog, que tem milhares de leitores. Parabéns Philipe! Continue assim!

  20. só uma observação, tanto o “é puro improviso” quanto o “quinta categoria” são copias de uma peça d stand up chamada “improvavel”, q ocorre semanalmente em algum teatro q nao lembro o nome (rs)
    Q por sinal, o improvavel eh copia do americano que tu falou…

    tb tenho me divertido muito com esse programa, apesar de ser copia da copia da copia…rss o cqc exagera em alguns momentos, o panico exagera em todos, e o caceta nao tem a MENOR graça =P`

    alias, pra mim um dos MELHORES programa d humor eh o 15 minutos, do Talentoso Adnet na MTV…. o cara tem multiplos talentos, canta, interpreta….alem d ser muito inteligente….

  21. Concordo plenamente com as afirmações do texto, o programa Pânico, está muito apelativo, fazendo sensacionalismo em assuntos que não interessam a maioria da população com nível cultural e intelectual suficiente para saber que esse programa já deu o que tinha que dar. Me parece que depois da saida do mendingo do Pânico, as coisas pioraram D+, antes eu até assistia esporadicamente esse programa, hoje em dia, nem passa pela minha cabeça assisti-lo.

    Atualmente eu prefiro mais o humor inteligente do CQC, mas as vezes eles também pisam na bola, mas muito menos do que o Pânico.

    Mesmo após tanto tempo, as vezes eu assisto o Chaves, mesmo já tendo assistido a praticamente todos os capítulos, ainda consigo rir de qualquer episódio que assista. Humor simples, sem apelação nenhuma.

  22. Philipe, parabéns pelo texto; infelizmente eu concordo com tudo. A mídia do país está decandente. Já deixei de assistir TV aberta, só fico no PC jogando e quando saio, dou atenção pro meu gato de estimação. Quando meu pai pedir a TV paga, aí sim, Discovery e Animal Planet até de madrugada!

  23. ligue a tv e desligue a mente, como já dizia steve jobs!

    mas falando serio..
    televisão é entretenimento, e não sala de aula! quer boas coisas? vai pro teatro, vai numa biblioteca e até internet tem coisa boa, mais a tv aberta é lixo mesmo, incontestavel. pense bem, o escape da vida do cidadão de salario minimo é uma tv que fale como ele entende, o que adiantaria um national geografic no horario nobre da tv aberta? ninguem entende, baixa audiencia e falencia das emissoras, o negocio é bunda, futebol e gracinhas… é disso que o povo gosta!

    • Não nego o direito da tv de divertir. Mas a questão é justamente até onde uma moça arrotando na cara de uma octogenária é diversão? Eu tô reclamando porque quero uma programação melhor. O programa se propõe ao humor, faz uma coisa sem graças dessa, tem mais é que ouvir reclamação dos espectadores. Não estou exigindo aula na tv não, pra isso já existe um monte de canal a cabo que só dá aula. Agora os caras ficam enchendo linguiça com uma moça que arrota. Já que é pra encher linguiça, que coloque um troço de qualidade. Como um quadro do Felipe Neto dissertando sobre a masculinidade do Justin Bibier, pô.

  24. Philipe: adorei ter lido tão sábias palavras em referência a uma programação de última categoria a qual infelizmente,rebate em cima de cabeças ocas como são a maioria dos paupérrimos Q.I.do povinho brasileiro….Abrs!!!

  25. Concordo com teu ponto de vista, infelizmente gosto não se discute só se lamenta, o legal é que a galera que muitas vezes faz o comentário rebuscado e faz pose de intelectual é a mesma que da audiência para esses programas.

  26. Antigamente os artistas buscavam o respeito e a admiração de pessoas melhores que eles próprios. Queriam fazer algo (escrever uma peça de teatro, uma comédia, dirigir um filme, compor uma música, et cetera) que superasse em qualidade o que já fora feito, queriam conquistar a crítica e o respeito dos melhores.

    Hoje acontece justamente o inverso disso, todos buscam a aprovação dos idiotas, todos querem ser vistos pelos idiotas, todos querem o respeito, dos idiotas! E para isso, buscam se tornar os mais idiotas dentre os idiotas.

  27. nom, eu não li nada dos comentarios, mas admito que concordo com praticamente tudo descrito no texto, Mas aquele programa que passa na mtv já é uma copia do espeáculo teatral improvavel, que assume que tem grande influencia do proprio Whose line is it anyway

  28. Vc está reclamando da qualidade do nosso humor? O pessoal do “manifesto do humor negro” está fazendo a mesma coisa. Só que eles defendem justamente o contrário disso q vc falou. Segundo eles, o humor do Brasil é atrasado pq não é selvagem o suficiente, pq não ofende o suficiente.

    http://danilogentili.zip.net/ (quase todos os textos)

    http://controleremoto.tv/blog/2009/10/mamae-ela-me-chamou-de-bobao/

    Eu tenho raiva de gente assim, como o Danilo Gentili que fica insultando a Preta Gil e depois faz pose de gênio incompreendido.

    Pàrênteses grandes: (O CQC, aliás anda perdendo muito sua qualidade. O Marcelo Tas já usou o programa p expressar seu ponto de vista literário, mandando o Danilo Gentili caçoar do J. Saramago (q Deus não o tenha), chamou-o de Zé Mané em seu blog e, pior de tudo, comparou-o a José Sarney. Toda vez q algum capanga, que ele chama de repórter do CQC, via o Luciano Huck, disparava alguma piadinha sobre o Twitter, por causa do atrito que ele teve com o Tas. P***a! Se o M. Tas usa o programa p mostrar seu lado em briguinhas no Twitter, imagine o CQC falando de política!)

    Quanto à Argentina, não tem nenhum motivo p ser hostis com eles. A nossa imprensa é que não tem mais nada a dizer e inventa isso.

    • Não vou dizer que o humor brasileiro é atrasado. eu penso que o humor brasileiro é reflexo do Brasil. O Danilo fica puto porque o brasil não tem o padrão de humor dos estados unidos. Eu fico puto porque o Brasil não tem o padrão econômico-social-tecnológico (e mais uma porrada de coisa) dos estados unidos. São países diferentes, porra. Não quero dizer com isso que a gente tenha que se contentar com a merda. Temos mesmo que lutar para evoluir esta joça aqui. Cada um na sua área. Eu concordo em parte com a questão dos “ofendidos de conveniência” que ficam só esperado o comediante dar o mole para meter o processo na emissora e garfar seu quinhão em verdinhas.

      O que eu estou dizendo não é que os programas de humor devem acabar. O que eu estou dizendo é que os humoristas estão escolhendo o caminho mais fácil – e burro- porque pensam que o público que consome o trabalho deles é formado e uma ampla maioria por idiotas acéfalos e aí qualquer coisa serve. Estão nivelando por baixo a audiência e isso me incomoda.

      Do mesmo modo que me incomoda saber que as montadoras de carros aqui colocam charangas velhas, cheias de plastico quando poderiam oferecer coisa MUITO MELHOR – e o fazem em países que são mercados bem menores comparados ao nosso, como na Argentina.
      Este é o problema em discussão aqui. Por que as coisas pro Brasil tem que ser niveladas por baixo? Por que o brasileiro aceita isso tudo de forma pacífica, e o cara que reclama é alcunhado de “chato”, de “ranheta” e “pentelho”?
      Há uma ideia de jerico difundida em que só é engraçado o tal do “humor ácido”. Eu acho que deveria haver espaço para todo tipo de humor. Das monguices estúpidas do jackass ao humor pastelão, passando pelo inteligente, pelo crítico e pelo ácido.

      Agora arrotar na cara de uma octogenária nem é ácido, nem é pastelão e muito menos é humor. É uma agressão. É encher linguiça porque falta assunto. Como eu gosto de ver tv, eu assisto o pânico, o CQC, Family guy, e um monte de outras coisas, eu me vejo no direito de reclamar por algo que acho ser abaixo do padrão que eles poderiam e deveriam oferecer.

      • Concordo com tudo o que vc falou. Isso que vc falou de nivelar por baixo a audiência me lembra este texto:

        http://arthur.bio.br/2010/07/22/politica/a-imbecilizacao-do-cidadao-e-a-regra

        Não é só no humor q isso acontece é em todos os aspectos da vida no Brasil. Acho que pode ser pelo fato de o Brasil ser um país muito grande e desigual, já que toda generalização é estúpida(ops).

        Aliás, sobre essa coisa de humor diferente do Brasil e dos EUA, o buraco é mais embaixo. Não é só no humor que tem gente q tenta copiar fielmente o modelo dos gringos. Em tudo, o brasileiro médio acha que eles são melhores.

        Basta ver a concepção confusa q o brasileiro tem da (própria) sexualidade. O pessoal do CQC, por exemplo, e muita gente da classe artística acham que o Brasil é um país moralista e antiquado. O pessoal da Gringolândia, contrariamente, acha, em geral, q o Brasil é um imenso puteiro. Quem está certo? No passado, os índios brasileiros eram bem liberais quanto ao sexo. Foram séculos para implantar o pensamento europeu aqui. Agora, que está todo mundo educadinho, os patrões resolvem inverter e mudar tudo? Sem entrar nessa discussão sobre o que é certo ou não no sexo, parece q os brasileiros não querem copiar não só os padrões culturais, mas também o caminho desses países. Não dá.

        Tem muita coisa boa que podemos copiar dos estrangeiros, mas, se queremos ter um país bom, justo e democrático, temos que seguir o nosso próprio caminho, que também implica em definir o que é bom, justo e democrático para nós. O brasileiro não está é pronto para assumir a responsabilidade de ser grande e dono do próprio nariz, o que implicaria receber olhares e comentários de estranhamento dos civilizados povos do norte. Precisamos crescer, ser grandes, maduros e responsáveis.

  29. Nos ajude a construir um blog de todos!
    Por favor não encare esta mensagem como spam, sou leitor assíduo do seu blog e pensei em te convidar para conhecer o meu.

    Bom tarde! Meu nome é Antoani e faço parte da equipe do blog Link Premiado.

    Já a algum tempo acompanho seu blog e vejo seus posts, como contribuição importante a blogosfera brasileira.

    Lançamos a pouco o blog Link Premiado, um blog de todos e para todos e gostaríamos de convidá-lo para incluir seus excelentes artigos, no nosso blog (que esperamos que considere seu também).

    O Link Premiado é um blog colaborativo que têm como objetivo primordial o sucesso do blogueiro brasileiro, somos todos iguais independente do nosso Page Rank ou pageviews.

    Por favor nos dê a honra de publicar seus artigos no http://www.linkpremiado.com.br/ no menu “Envie seu Link” criamos a categoria “humor” para que possa compartilhar sua valiosa experiência com outros blogueiros.
    Suas sugestões e dicas serão muito bem vindas também.

    Oferecemos prêmios, dentre eles R$ 500,00 para o post mais votado.

    Sua contribuição é muito importante para nós.

    Atenciosamente.

    Antoani/Equipe Link Premiado

  30. texto ótimo, sobre o atual “humor” da tv. eu pessoalmente nunca assisti ao Panico, e nem ao CQC, uma por que sempre esquecia, outra por que não me interessava, e que o sinal desses canais é uma M total na minha região, o que pode ser considerado um alivio, dada as críticas a esses programas que leio atualmente. e pensar que Chaves, Chapolin e seus personagens com menos destaque, como o doutor Chapatin, usavam um humor tão simples, sem apelar para nudes, piadas de duplo sentido, e essas coisas. mas apesar disso, em alguns episodios eles também ensinavam o certo, e em uma piada e outra, eles colocavam alguma coisinha para mostrar que aquele humor era só para fazer rir, não para ser imitado no cotidiano. uma pena que nosso humor tenha se tornado algo tão vulgar, tão de mal gosto.

  31. Bem para rebater um pouco essa insatisfação com determinados tipos de “humor”, podemos agora contar os “os amigos da onça’, pelo menos eles zuam e se estrepam uns aos outros, a sacanagem se restringe apenas em um fazer o outro “pagar algum mico”.
    Aí eu dou valor!

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