De vez em quando, a gente precisa parar, olhar pra cima e se reconectar com o universo. Foi exatamente isso que me deu vontade de fazer ontem à noite. Lá estava eu, no quintal de casa, encarando aquele pontinho prateado no céu e pensando: “por que não tentar capturar isso?” A verdade é que fotografar a lua da minha casa virou um hobby viciante, e cada tentativa é uma nova aventura cheia de imprevistos.
Dessa vez, o céu não estava muito colaborativo. A Lua não estava cheia — estava na fase minguante, pra ser mais exato — e umas nuvens teimosas insistiam em passar na frente, como se estivessem fazendo questão de atrapalhar meu plano. Mas, sabe como é, quando a vontade bate, a gente vai com o que tem. Peguei minha velha companheira, uma Canon T3i, acoplei uma lente de 500mm e firmei tudo no tripé. A preparação é meio ritualística, quase uma meditação. Você ajusta, mira, reajusta e fica na torcida para que o resultado valha o frio na barriga (e o frio real do sereno da noite).
O vídeo que consegui tá aí em cima. Não é a filmagem perfeita de um documentário da NASA, mas tem um charme caseiro que eu gosto. Mostra a Lua com suas crateras e mares, aquelas manchas escuras que na verdade são planícies de basalto formadas por erupções vulcânicas bilhões de anos atrás. É bizarro pensar que estamos olhando para a história geológica de outro mundo, tudo da nossa varanda. Dá uma sensação de proximidade com algo que está, na média, a 384.400 km de distância. É tipo dar um zoom num vizinho que mora lá na casa do cacete, mas que a gente consegue ver da janela.
O Equipamento do Astronomo Amador (e Preguiçoso)
Falando em zoom, esse é o grande desafio. Com a lente de 500mm, já dá pra ver um bocado de detalhe, mas a mente do curioso sempre quer mais. Existe um adaptador, um multiplicador de focal, que basicamente dobra o alcance. Eu não tenho esse troço, mas fico imaginando as possibilidades. Com um zoom desses, será que daria pra ver os estágios abandonados das missões Apollo? Ou, quem sabe, flagrar um alienígena descansando na borda da cratera Tycho, tomando um sol (ou um luar)? Brincadeiras à parte, a tecnologia disponível hoje para amadores é algo surreal se comparada ao que os astrônomos tinham no passado.
É isso que me fascina: a democratização do céu. Antigamente, observar os detalhes da Lua era privilégio de poucos com telescópios gigantescos. Hoje, com uma câmera DSLI básica e uma lente teleobjetiva, qualquer um pode começar. Claro, os resultados vão melhorando com o tempo, a prática e, admito, com um equipamento um pouco melhor. Mas o start é muito mais acessível. A gente não precisa mais ser um expert, basta ter curiosidade e um pouco de paciência para aprender.
Mais Que Uma Foto, Um Momento
No final das contas, essas sessões noturnas no quintal vão muito além da imagem técnica. Elas são uma pausa. Um momento em que você desliga das notificações do celular e se liga no ritmo lento do cosmos. Cada foto ou vídeo que sai borrado, tremido ou com nuvem vira uma lembrança da tentativa, da noite em que você ficou lá, quieto, observando.
E tem algo de profundamente humano nisso. A Lua é nossa companheira cósmica mais antiga. Ela influencia as marés, inspirou mitos, poesias e foi o objetivo final da maior corrida tecnológica da história. Quando a gente a fotografa, mesmo que de forma amadora, está participando de uma longa tradição de observação e admiração. É um jeito de dizer “olha só, eu também tô aqui, e consegui registrar um pedacinho de você”.
Então, se você tem uma câmera, nem que seja a do celular, e um céu limpo, experimenta. Ajusta no modo manual, apoia em algo firme e tenta. Pode não sair perfeito da primeira vez — as minhas certamente não saem — mas o processo em si já vale a pena. É um encontro marcado com o universo, sem sair de casa. E a sensação de conseguir capturar um pouco daquela luz é, sem dúvida, muito louca.
É isso ai, valeu por acompanhar essa minha empreitada astronômica caseira. Quem sabe na próxima a Lua esteja cheia e o céu, totalmente limpo. Aí a gente tenta de novo.

Porra, sinistra a capacidade da camera.
Agora, os efeitos especiais vão ter que ficar profissionais ou com essa capacidade vai parecer aqueles efeitos do Chapolim ou das séries da Record
Esse é o meu medo.
Será que o et não corre o risco de morrer atropelado também e aparecer noG1?
Caraca, ficou bom demais a qualidade. Ando vendo vendo umas paradas no céu, preciso providenciar um equip desses…
Nossa, Philipe, que boa tua camera! ( invidia!)
Por falar em Lua, pode ser falta de informação minha, mas não lembro de foto das parafernalias que os americanos deixaram (?) na Lua feito por nenhum telescopio. Deve existir… Sabe nos informar?
Parece que tem sim, fotos dos espelhos. Eles usam esses espelhos la para medir o afastamento da Lua.
Eu me pergunto foto da bandeira, dos modulos lunares… Vou pesquisar.
Acho que com telescópios profissionais dá: http://www.space.com/13346-nasa-guidelines-protect-apollo-moon-landing-sites.html
Valeu!
potente a sua camera hein!
Legal hein Philipe, muito bom a camera. A respeito disso eu fiquei curioso em saber qual seria o telescópio caseiro mais potente que dá pra comprar, e se com um aparelho desses seria possível ver as sucatas das missões lunares na superficie, tem alguma informação a respeito??? Daria um post legal isso. Valeu.
Boa ideia de post. Eu acho que da sim. tem telescopio caseiro que permite ver Saturno!
Você pode comprar um adaptador que duplica o zoom ou pode comprar várias “lentes de aumento” que são acopladas na parte da frente da lente, no caso, para uma 500mm pode sair meio caro, mas combinando as duas, pode multiplicar por 5 seu zoom sem grande perda na qualidade…
bacana hein, gostei. so q ta tremendo pacas, ta num tripe mesmo? e o começo, na parte das nuvens, tem muito ruido, q eu saiba a t3i tem um iso bom antes de deixar ruido. faltou ajuste? de resto ficou bacana. e cuidado com a lente de aumento, dependendo do modelo a qualidade vai la embaixo, com distorcao, aberracao cromatica etc. pq vc usou zoom digital? filma em full hd e faz o zoom pelo software, fica melhor
Eu estava vendo se era possível. Quando surgiram aquelas nuvens, eu não tinha setado o iso ainda, e acabou que ficou granulado. Na verdade, treme bizarramente mais, porque a minha câmera esta com a alça, e ela é meio larga. Tava ventando pra caramba e a vibração da alça tava aparecendo no video. E o tripé tava no aperto maximo. Não pensei em fazer o zoom por software. Boa ideia.
Ah, entendi, vi sua resposta agora, eu achei q era avisado no email. entao, da zoom sempre analogico, da lente, ai se quiser aproximar mais, em vez de dar zoom digital faz pelo software q eu acho q fica mais manipulavel, ai vc tem um com qualidade fullhd pra mexer qndo quiser, e as copias, com os ajustes de zoom e tudo mais. mas ficou muito legal. imaginei q estava ventando, vibrou bastante. sera q tem algum tripe q vibre menos? ah, e vc pode usar o estabilizador otico, caso vc veja q esta vibrando ou fotografando da sua mao
“Acho que se eu dobrar o zoom poderei ver um alien dando um barro na cratera, hein?”
ou avistar alguma nave/satélite/arma ou estação espacial secreta americana e ser perseguido … não, estou zoando mas tbm não estou zoando XD … teve um infeliz que sofreu com isso nos eua …
muito bom heim…parabens, gosto muito do seu blog!