50 anos cavando um túnel no meio do deserto

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Se você tem algum amigo que acha que tem manias estranhas, mostre este post pra ele ver que nenhuma mania pode ser mais estranhas que a de William Schmidt, a “toupeira humana”.

Esse cara fez uma coisa realmente gump: Começou a cavar um túnel num morro, perto do cume de uma montanha de 1.340m, localizado no Condado de Kern, Califórnia, perto Garlock, um lugar do deserto de Mojave.  Ele conseguiu cavar este túnel estranho que percorre 636 metros, morro adentro, escavando sozinho a rocha sólida da Copper Mountain.

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“Ah, mas ele estava procurando ouro!” – Você pode pensar.

Não! O cara fez isso por pura gumpice mesmo. O túnel não leva a uma jazida ou mina. Ele não leva a qualquer lugar especial. Ele simplesmente surge na borda alta, no meio do nada. A única razão pela qual ela existe é porque o cara encasquetou de fazer.

Calma que a história ainda fica mais maluca:

Embora ele tenha passado nada menos que 32 anos de sua vida sozinho, cavando esse túnel de meia milha através de uma montanha de granito sólido, ele nunca falou muito sobre isso. Quando questionado sobre seu projeto bizarro, ele simplesmente respondeu que “era um atalho”. Para onde, ninguém sabe realmente.



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Os Schmidt  migraram para o deserto da Califórnia, vindos de Rhode Island no final do século 19, a fim de melhorar a sua saúde.

Acredita-se que ele começou a cavar esse túnel em 1902, perto do local onde ele tinha uma reivindicação de mineração. Ele realizou a escavação utilizando picaretas, martelos, brocas de mão e explosivos, e removeu entulho com um carrinho de mão. Às vezes, ele mesmo carregou grandes pedaços de pedra sobre suas costas. Eventualmente, o cara instalava trilhos e usava um carrinho de mineiro para transportar os detritos.
A maioria das pessoas que vivem na região tem certeza que ele era “só um maluco”.

Ok, mas se o seu conceito de maluco é “gente que rasga dinheiro”, então ele não era maluco não. Ele morava sozinho e tinha uma reputação de ser um tanto avarento – por exemplo, ele gostava de consertar suas roupas com sacos de farinha e seus sapatos com latas esmagadas. Muitas vezes, ele acabava ficando  gravemente ferido por suas próprias explosões ao escavar o túnel, porque ele era muito pão duro para comprar um pavio grande. (hahahaha não acredito, véio! Isso é realmente ser um pão-duro!)

Em um ponto da sua empreitada, os moradores o chamavam de “Jackass Schmidt ‘, e mais tarde na vida, ele assumiu o apelido nada politicamente correto de “Burro”.

 

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Até este dia, o túnel do velho senhor Schmidt ainda é uma fonte de grande mistério e temor, e continua a despertar a curiosidade das pessoas que o visitam. Todo mundo que foi lá no meio do nada para ver o túnel vai atestar o fato de que Schmidt pelo menos sabia o que estava fazendo.

Outra coisa curiosa, é que apesar do túnel ser bem construído, ele não teve nenhum treinamento formal. O cara era autodidata em cavar túneis. Ainda assim, a precisão de seu trabalho é inconfundível. Porém, a questão permanece – por que alguém iria querer construir um túnel para levar nada a lugar nenhum?

Quando um homem adere com fervor quase religioso a um projeto de vida hercúleo e sem sentido,  isso naturalmente dá origem a uma série de perguntas. Durante os anos de escavação de Schmidt, houve rumores sobre um rico depósito de minério ou veio de ouro que ele estava escondendo, enquanto tentava localizar. Esse tipo de rumor surge da necessidade das pessoas de tentar domar algo que parece fora do padrão mental chamado “normalidade”.

Ele nunca abandonou seu túnel e viveu uma vida tão simples que a teoria do tesouro escondido simplesmente jamais se confirmou. Várias pessoas têm explorado a terra e o trabalho de Schmidt em uma tentativa de encontrar algumas respostas para o trabalho de sua vida, mas ele não deixou registros de sua motivação.

Especula-se que a motivação de Schmidt é que ele precisaria daquele túnel para escoar seu minério de ouro de uma mina para o mercado. Mas, quando a construção de uma nova estrada tornou o tunel inútil, ele continuou a fazê-lo. Ele continuou a cavar e cavar, carregando pedras e explodindo tudo, mantendo aquele trabalho extenuante, sob um calor de 40 graus, por vários anos.

Na falta de provas conclusivas, as pessoas foram forçadas a aceitar que ele foi provavelmente era só um doido. Um cara obcecado com seu projeto estranho e nada mais.
Ninguém sabe se durante sua escavação dedicada, ele achou o ouro, mas quando Schmidt rompeu a parede de pedra e a luz do dia penetrou no final do tunel, em 1938, ele simplesmente encostou as ferramentas e abriu mão da obra de sua vida.

Após 32 anos de escavação rigorosa ele foi pra casa, mudou de roupa, fez as malas e deixou Copper Mountain para viver a última parte de sua vida em uma cidade próxima. Mais tarde, ele virou sócio de um cara chamado Mike Lee, e, juntos, eles deram aos visitantes passeios pelo túnel.

William Scmidt, o “burro”,  morreu em 1954, levando consigo todos os segredos daquele buraco que ele construiu.

Se você visitar o túnel de hoje, você poderia andar de pé, ao longo de todo o seu comprimento, num passeio que leva meia hora. É estruturalmente sólido e ao longo das paredes que você pode ser capaz de identificar os veios minerais expostos. Quando o visitante alcança a borda no fim do túnel, uma vista espetacular surge. Embora localizado em uma área remota, o túnel do “Burro Schmidt” virou uma atração turística. Ela tem atraído visitantes curiosos de todo o mundo, todos curiosos para entender a mente por trás daquela obra.

Eu acho que é possível que William Schmidt fosse um portador da síndrome de Asperger.
fonte

5 comentários em “50 anos cavando um túnel no meio do deserto”

  1. Se realmente fez tudo sem nenhum conhecimento, teve muita sorte. Muitos fatores geológicos de risco estão envolvidos numa escavação subterrânea.

    Muito interessante esse caso.

    Um abraço

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  2. Como um escultor que não consegue termina sua obra mais feia, mas não desiste, ou um músico que não encontra uma nota decente pra continuar uma música que começou tão boa, e não para. Ele simplismente continuou por que era uma bela caverna, e fora dela não tinha nada tão bonito. Com certeza se ele visse felicidade em conhecer pessoas, não tinha movido nem uma pedra.

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  3. Lá no RS eu conheço um túnel do século passado cavado debaixo de uma coxilha para transportar água para irrigação. Foi cavado no solo, e reza a história que o agricultor cavava enquanto a esposa segurava o lampião. Apesar do objetivo claro (transportar água para a lavoura de arroz), até hoje hoje gera uma série de especulações sobre tesouros, minérios, cemitério clandestino, etc… A imaginação do povo é uma coisa sem limites, não se consegue admitir que o cara simplesmente botou na cabeça que ia cavar um túnel.

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  4. Pare no centro de uma cidade, fique olhando pra cima e apontando. Passado um tempo, algumas pessoas irão passar direto, e outras ficarão curiosas pra saber o que está acontecendo. Mais alguma tempo e haverá pessoas que criarão uma história justificando o que a primeira pessoa estava olhando e apontando.

    Se o cara quer cavar um túnel, e tudo mais já foi provado que era apenas a vontade dele em querer fazer isso, deixa o cara…

    Pelo menos ele não fez mal a ninguém e fez o melhor, que foi cuidar da própria vida.

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