2015: Mais um ano que se vai (já vai tarde!)

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Aqui estou eu, preocupado em como refletir um balanço do ano de 2015 sem parecer amargo demais, sem parecer um velho chato, ranzinza, mal amado. Seria viável resumir este ano em três palavras:

“Foi foda, viu?”

Eu odeio anos que terminam em números ímpares, e 2015 fez eu ter certeza que eles são mesmo uma bosta. Mas isso é também o que faz com que 2016 ainda mantenha acesa em minha cabeça uma diminuta esperança de um ano melhor. Convenhamos que para ser melhor que 2015 não é preciso grandes esforços.

Esse ano foi péssimo por diversos motivos, mas nem tudo são coisas ruins. Pelo menos estou com a família OK, meu filho ta cada vez mais bacana, um moleque esperto, embora levado e um pouco antissocial, mas estamos tentando melhorar isso. Já minha saúde anda meio escrota. Pior que ela só a situação do mundo. Sei lá, tem horas que não seria nada mal dar uma congelada para acordar num futuro 500 anos depois só pra ver a merda que deu, ou se pelo menos as coisas mais burras (como racismo, estupidez religiosa, terrorismo e outras mazelas) já passaram até lá. Pior seria acordar e descobrir que pioraram, feito… Sei lá, feito a música brasileira. Já pensou que merda, bicho?

Até para o Mundo Gump este foi um ano detestável. Eu cheguei ao ponto de ficar tão inconformado com a relação custo-benefício dele que resolvi acabar com o blog, mas fui forçado a voltar por muitas pessoas, entre elas minha esposa, aquela que é a primeira a marretar que este blog é uma gigantesca perda de tempo (e tempo é dinheiro) e também pelo carinha que me ligou ameaçando suicidar.
A sensação que eu tenho é que há cada vez menos espaço para blogs de conteúdo mais extenso. Primeiro, haviam os nichos e os especialistas (o mal do século) alertavam que não haveria “vida” na blogosfera fora do nicho. “Nicho é rei” eles disseram. Depois, condenaram o texto grande, era preciso “escrever para as massas”. Textos diretos, fáceis, simples, curtos. “faça e eles virão” – Era o que pregavam os profetas da nova era da internet.

Eu me recusei, porque eu não tenho estômago para ficar me ferrado aqui fazendo um troço que eu mesmo não curtiria como leitor. Felizmente, o lance de “a nova era da internet” muda a cada poucos meses, e logo eu notaria, com um sorriso sarcástico, os mesmos profetas dizendo que “não há vida fora do textão” e sua “terra prometida”, um site chamado Medium. Eu confesso que tenho pouco saco para modinhas, e nada faz entrar na minha cabeça que abandonar o controle do seu negócio e deixar na mão de outro cara sem ganhar por isso, é uma boa jogada. Mas, tá lá uma galera enorme, se esmerando no textão, a grande novidade da vez.

Mas o que foi foda mesmo em 2015 é o aprofundamento do problema da rentabilidade do “negócio”. Anúncios não sustentam nada, e as desvalorizações cambiais do Brasil levam ao terrível prognóstico de cada vez menos anunciantes, e anunciantes de baixa qualidade. Em parte, a explicação disso é que muitos anunciantes de peso (os que pagam mais) começaram uma gradual corrida para anúncios de video em canais, a outra terra prometida, onde fora dela não há vida e bla,bla,blá que vem sendo massificado na cabeça de todo mundo há alguns meses, para felicidade do Youtube, que viu seu rendimento crescer com o rebanho de “youtubers”, mas segundo eles, ainda “não é suficiente”.

Uma reportagem do jornal americano The Wall Street Journal mostra que o gigante dos vídeos teve faturamento de US$ 4 bilhões em 2014, superando em US$ 1 bilhão os resultados obtidos em 2013. Mesmo com esse avanço, o site ainda não é significativo do ponto de vista da geração de receita.

Mesmo assim, hoje já ta cristalizada a ideia na cabeça da galera: Faça o canal de videos e fique rico como a Kéfera.

E aí a cabeçada vai com tudo!
Foda-se o conteúdo, desde que haja audiência. E essas coisas me dão uma certa sensação de que já vi este filme em algum tempo antes da era em que gradualmente a audiência da internet “normal” migrou para dentro das redes sociais.
Aliás, foi em parte por isso eu que eu fui também com a cabeçada para dentro do Youtubio! Criei um canal chamado Universo Gump (já viu? Se inscreve lá, meu!) Tão logo criei um canal, constatei a verdade:

Dez videos renderam 5 (cinco) reais!

Nem posso parar meu carro na praia com o retorno do meu canal, hahaha. Mas, beleza, é uma coisa legal gravar videos, editar e tudo mais. Porém, justo no décimo video, precisei dar uma parada. Meu canal entrou de férias não remuneradas, porque comecei a fabricar algumas esculturas para vender pela Epic Art. Primeiro foi o Alien Juca, depois o lobisomem, dragões, daí veio robô, e o cacete a quatro.

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E esses trabalhos muito mais do mundo real, da sujeira, do cheiro ruim, da bagunça, interferiram bastante na minha pacata e tranquila vida digital. Paralelamente continuei com meu trabalho de sempre, fazendo sites, marcas, design de produtos e etc. Também fiz algumas fotos bem legais, e nesse ponto 2015 foi um ano bom. Aperfeiçoei meus conhecimentos autodidatas de fotografia, errando menos do que eu errava em 2014 e isso é uma bela vitória, porque fotografar direito é além de caro, difícil. Quem é profissional sabe.

Retrato Seu Carlim low 2015: Mais um ano que se vai (já vai tarde!)

Em termos literários, 2015 foi até bacaninha. Apesar do atraso da Avec em lançar o meu livro do Zumbi, que precisou ser reagendado em função de questões extrínsecas ao negócio, eu continuei por aqui, escrevendo. Neste ano eu escrevi outra história do Leonard, que foi “A Cadeira Obscura”, um dos contos que mais me divertiram.
Eu também lancei o Ganzu, que é de 2014 em formato de livro, a pedido de alguns amigos, e também porque havia uma chance medianamente concreta dele virar um roteiro de filme. (Essa acho que ainda tem, embora nada fechado até o momento)

Nas ilustrações, eu trabalhei bastante em 2015, fazendo artes para capas de livros, além de artes para produtos, como os da minha loja no Society6.

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Noronha´s Question

Comecei a trazer ainda em 2015 alguns dos produtos do Society 6 para serem feitos por parceiros meus aqui no Brasil. As canecas já estão na loja da Epic Art. E em 2016 devo trazer os pôsteres.

A primeira coisa que espero em 2016 é poder voltar logo com os videos do meu canal. Isso vai ser possível se eu conseguir dar jeito nessa bagunça que ficou aqui. Tenho esculpido bastante digitalmente e talvez eu comece uma gradual migração para este tipo de trabalho, mas sem deixar completamente de lado a criação de esculturas físicas. A vantagem é que é mais limpo, e não me obriga a desmontar tudo para gravar videos, nem obriga minha família a ficar em casa todo mundo usando mascara de gás (sério!). Os vizinhos devem achar que somos pirados.

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Tenho esculpido em 3d, e pretendo fazer mais disso em 2016.

No aspecto físico eu pretendo sair da inercia em 2016. Vou finamente começar a usar a academia do meu condomínio. 2015 foi foda, eu mal saía da cadeira, e isso trouxe claros problemas pra minha condição física. Se eu não me cuidar agora, não vou chegar legal nos 50.

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Um pequeno pedaço do grupo, que hoje soma mais de 40 pessoas entre empresas e Pfs.

Uma das coisas legais de 2015 foi ter virado sócio do grupo Epic, onde estão outros doidos da Internet. Doidos no bom sentido, é claro.

Por fim, uma coisa muito foda de 2015, foi a criação do Patreon, sugestão dos próprios leitores que eu segui. Através do Patreon, diversos amigos e leitores fiéis do Mundo Gump patrocinam esse espaço com doações mensais na ordem de cinco a dez reais. Essa galera que dá seu apoio ao Mundo Gump e a mim, ganham brindes e produtos que eu mando pra eles, além de ter acesso a alguns materiais exclusivos aqui do blog (apesar de alguns caras que não pagam nada não gostarem disso) mas como prometi, não tenho como não fazer.

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Espero que em 2016 o grupo dos patrões do Mundo Gump cresça para que eu possa oferecer contrapartidas cada vez mais legais! Apesar de todas as adversidades, estamos andando, e vamos em frente! Aliás, Patrões, quem não me mandou o endereço ainda vai dar mole hein?  

Bom, tô como sempre escrevendo pra caralho. Vou encerrar por aqui desejando uma boa virada de ano, e um ano novo de muita paz, saúde e prosperidade. E que a gente se foda pouco nessa montanha-russa aloprada que virou o Brasil, né?

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3 comentários em “2015: Mais um ano que se vai (já vai tarde!)”

  1. fala aí, sempre dou uma passadinha aqui pra ver se tem post novo, me amarrava tbm nos vídeos morria de rir kkkkkk ” demôôôôôôôôôôôôôôôônio”, pena que deu uma parada tbm tenho um canal de vídeos no youtube sei como é a vida por lá youtube.com/user/MrJobsgame
    que 2016 traga novos ares para todos nós, tudo de bom pra vc e pra sua família.

  2. Já pensou em fazer a escultura em 3D mas mandar ela ser impressa por uma impressora 3D fora da sua casa? (pra sua família não ficar parecendo um bando de survivalistas da guerra fria kkkkkk)
    E o Ganzu no Skoob? Cadê?

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