Facínora

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Tem um maníaco que está esfaqueando pessoas aqui em Niterói. Eu nunca fiz poesia para maníaco. Já fiz pra puta, pra cachorro podre de rodoviária, e até para catador de lixo, mas nunca fiz para assassino. Então aqui vai:

Facínora

Era uma faca de cozinha
Daquelas de cortar o assado
Que ele usou na mocinha
No vigia e no aposentado

Tem gente que pensa que ele é doido
Como o mendigo da capa amarela
Doido varrido, pirado, perdido
Escondido, oculto na viela

No meio madrugada
ele sai pra matar
Passa na facada
Aquele que encontrar

Ele não escolhe o infeliz
Pode ser velho, novo, guri
Pode ser porteiro, até meretriz
Pode ser doutor, padre ou gari

Ele mete a faca, mete o facão
Parte pra cima, despacha pro caixão
Ele usa óculos é meio esquisitão
Ele é o facínora da escuridão

Durante o dia é um homem pacato
Vê a novela, raspa o prato
Mas é às oito que se dá a transformação
Quando ele liga a televisão

De Brasília só vem podridão
É deputado, juiz, senador,
Um mar de corrupção
E ele sente o torpor
duma vida de contribuição

Ele pensa nas escolas
No salário de esmola
Ele pensa nas estradas
Todas esburacadas

Dinheiro contingenciado
Para fazer bonito no exterior
O povo sem se alimentar
E o “cara” jantando caviar
Imposto dobrado
Pizza, amizades, mensalão
Improbidade, peculato e corrupção

Já é a hora da novela
Quando termina a transformação
Ele olha pela janela
Com a vingança no coração

Um aposentado de dia
Em noite de agonia
Vira o assassino da população
Pega a faca e enfia no calção

Sai pra rua querendo se vingar
No primeiro otário que passar
Ele mete a faca, mete o facão
Pensando na próxima eleição

Pensa no imposto, na saúde e na educação
Pensa nos políticos e sua corja de especulação
Pra cada um ele dá uma estocada
Pois reclamar já não dá mais em nada

Ele é o maníaco da faca
A vingança da escuridão
Não se sente um mero babaca
Em meio à população

Cada um se vinga como pode
Dessa triste situação
O povo vota, vota e sempre se fode
Esperando solução

Meter a faca no outro
É só um caminho
De quem tem esperança
De sair sozinho
Dessa vida de desilusão

Uma hora ele vai parar
Quando o povo se rebelar
E começar uma reação
Ou quando a morte enfim o encontrar
Na rua deserta da aflição

Num pensamento a gente empaca
um sentimento que desengatilha
Do maníaco da faca
Não viver lá em Brasília

FIM

Comments

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29 respostas

    1. Eu acredito exatamente o mesmo, alguém que esfaqueia uma pessoa aleatória é um maluco que não pensa em nada que não seja totalmente sem sentido.

  1. Acredito nesse lance de maníaco, psicopata e o escambau – não é brincadeira não. O “maníaco da navalha” pegou minha sobrinha na praia. Era um louco que “pegava” as mulheres à noite e depois dava um talho de navalha na cara delas. Claro que minha sobrinha Tula teve que escovar os dentes várias vezes antes de procurar o pronto socorro…no fim pegaram ele, era um servente de pedreiro que ficou nóia.

  2. Essa história tá me deixando bolado.Chego 23hrs da facul, desço na praia de Icaraí e vou andando até em casa.Se eu topar com um sujeito estranho, atinjo o índice olímpico pros 100m rasos.

  3. Esse cara já virou tópico de conversa. Assolando justamente o bairro (Santa Rosa/ Icaraí) onde eu moro! Porra! E o cara nem mata, ele só dá uma facada e sai correndo, nem pra Serial Killer o Brasil serve! (Sem querer desrespeitar a sua poesia).

    abraço.

  4. A poesia ficou tao legal que até deu uma justificada no cortador de gente.
    mas ainda acredito que o cara corte por nada mesmo.
    gente doida tem de monte no mundo 🙁

  5. Nosso maníaco não tem motivações políticas. Coisa de maluco, o último agredido é primo meu. Foi pego de costas e aguarda operação que o plano de saúde está negando. Em Brasília, não sei não. As coisas lá são muito pra um maluco só e a profissionalização criminosa corre solta. Achi que se o maluquinho da faca aparece com um papo de “essa cidade precisa de uma classe melhor de criminosos” em Brasília vai virar janta.

  6. Deplorável a realização de um poema a um assassino.
    Inventar uma histórinha de “vingança contra a sociedade”.
    Não se esqueça que o Brasil é um democracia, e se o governo é ruim, é por causa da população suína.

    Deplorável.
    Vá ler Vinícius de Moraes.Ele faz poesia de melhora.Não fica enaltecendo assassinos.

  7. É Niterói já não é mais a mesma cidade pacata. Agora temos maníacos pseudo-assassinos, o crack está tomando conta da [email protected] toda e a cerveja em alguns pontos custa 3 vezes mais do que no Rio.

    E viva Niterói. (y)

  8. Que seja sabido, não é assassino. Mas não por falta de vontade. O indivíduo foi preso na madrugada de segunda para terça. Reconhecido e portando a arma do crime, responderá a processo por tentativa de homicídio. Sua atitude não foi bem poética, mas certamente louca. Foi preso no mesmo ponto de ônibus em que começou a seguir sua última vítima.

  9. eu ja ouvi falar desse caso ainda tinha gente que .
    falava que isso e lenda mais ele num e assasino em serie assasino em serie mata ele num matou ninquem ele e esfaqueador em serie do brincando boa poesia em

  10. Lendo a sua poesia, me ocorreu que já vi isso em algum filme! Como o maníaco da mala. Filme brasileiro em que o assasino esquartejava as vítimas (prostitutas) e se desfazia delas colocando em uma mala e jogando em algum lugar qualquer!
    Mas afinal, ele foi pego?

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