Energia solar líquida: A tecnologia que poderá mudar o mundo

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Talvez, do mesmo modo como eu nunca tinha ouvido falar neste treco, até pesquisá-lo para este post,  você também não saiba do que se trata a Heliocultura. Pelo menos até este exato momento.

A heliocultura é uma técnica que permite a criação de um combustível baseado em hidrocarbonetos, baseados em água poluída, nutrientes, organismos fotossintéticos, dióxido de carbono e a luz do sol.

Já existe pelo menos uma empresa trabalhando sério e investindo milhões de dólares nessa tecnologia. A estrutura fabril dos caras foi planejada para atingir a marca de 200.000 galões de “sol líquido” por acre, por ano, a começar este ano!

Parece uma coisa mega-complexa, mas na pratica é relativamente bem simples. O que os caras fazem é gerar uma cultura monstruosa de algas especiais, que ao mesmo tempo que purificam a água suja das cidades, capturam a poluição do ar. Elas usam a energia solar para se reproduzir numa taxa impressionante, e são “energia viva”.

Enquanto os combustíveis de fontes renováveis como o álcool da cana-de-açúcar, do milho e do bio-díesel de palmeira necessitam de uma enorme estrutura de beneficiamento e processamento para resultar em combustíveis, o sistema desses caras produz o combustível diretamente, seja etanol ou hidrocarbonetos que não necessitam de ser refinados.  O sistema de heliocultura não produz biomassa. O processo, que parece “muito bom pra ser verdade”  só foi possível graças a descobertas genéticas que permitiram determinar certos genes de um tipo de alga que através de um mecanismo enzimático, permite uma síntese direta de algumas moléculas-chave para a produção de combustíveis, como o etanol, o alcano e o olefin.

Graças à enorme resistência dessas algas, elas conseguem se alimentar de água poluída, imprópria para o consumo, conhecida como “água cinza”. Essa água é geralmente produto de utilização industrial e a parte mais limpa da água do esgoto doméstico (no Brasil, devido ao nosso vergonho atraso, não separamos a água de esgoto suja (do sanitário) da água de esgoto limpa, como água da pia, máquina de lavar, a água do banho, etc). O consumo de uma água “suja” dá ao projeto da heliocultura uma vantagem diante de outras culturas renováveis usadas para combustível, porque as plantas como a cana, o milho e etc, necessitam de água limpa. A  monocultura é a atividade humana que mais consome água potável no planeta.

A empresa Joule Unlimited espera obter um combustível competitivo, com o barril  na faixa de U$ 50.O plano é ambicioso. Eles esperam produzir mais de 15.000 galões de óleo diesel e 25.000 galões de etanol por acre anualmente.

A companhia privada com sede em Cambridge, Massachusetts, foi fundada em 2007 pela Flagship VentureLabs.

O empreendimento inicia sua fase comercial, já vendendo o álcool e o óleo feito por algas ainda em 2012.

Veja como funciona o negócio dos caras:

Os caras compram uma área enorme, equivalente a 1000 acres de terra. Neste espaço, eles enchem com uns tanques especialmente desenvolvidos. Os tanques são interligados em clusters.

Por uma unidade de bombeamento, água suja,  micronutrientes e algas geneticamente modificadas são enviadas para cada um dos tanques.

A unidade industrial insufla gás carbônico para dentro dos tanques. Esse gás carbônico é subproduto da geração de outros gases industriais, e iria para a atmosfera para ser descartado. Ou seja, é lixo.

O sol faz sua parte. O CO2 mantém os microorganismos em permanente atividade, maximizando sua exposição à luz solar, o que estimula a fotossíntese das algas. Carregadas com a luz solar, os microorganismos consumirão o e CO2 e no processo, irão secretar o combustível ou as moléculas necessárias para criá-los dentro do próprio tanque.

Uma bomba faz com que a mistura circule, com as algas, os fluidos secretados (que serão usados para fazer combustível, a água e etc). Na pratica, a coisa se parece muito com um sangue verde. Um equipamento separador  especialmente desenvolvido atua como os rins desse sistema, separando o caldo dos compostos químicos do “sangue”. Então este “xixi químico”, que é o que interessa para fazer combustível, é enviado para outros tanques e estocado para depois ser vendido.

O processo ainda continua por oito semanas, até que os tanques são esvaziados e o processo se reinicia.

Aqui podemos ver a unidade de testes da empresa que já está gerando etanol.


O proximo passo da empresa é montar esta enorme área de produção com 850 acres no deserto do Novo México. Um lugar onde o sol sempre brilha.

Render da unidade de produção a ser instalada no deserto do Novo Mexico

Fonte

Este tipo de empreendimento levanta muitas questões. Sabemos que o petróleo é um combustível de fonte não renovável, um dia ele vai acabar. Muitos países já iniciaram sua corrida tecnológica afim de estabelecer soluções para quando o petróleo se tornar um insumo tão raro quanto caro. As soluções energéticas focadas nos combustíveis renováveis é considerada por muitos especialistas uma solução de potencial mais racional que algumas outras, que implicam mudar toda uma estrutura de exploração, comercialização, beneficiamento e distribuição de combustíveis.

No entanto, eu vejo isso apenas como uma solução paliativa para o problema da futura escassez do combustível fossil, que não resolve uma das maiores desgraças da questão dos combustíveis: a poluição do ar.

Em tempos de euforia com o pré-sal e o mar de dinheiro que isso nos promete, o que nós, brasileiros, estamos fazendo efetivamente para reduzir as emissões?

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6 respostas

  1. Eu nao vejo como uma grande solução para o futuro.Sabendo que o grande problema sera a falta de agua potavel,ultilizando esse prosseco sabemos que junto da poluiçao esta a agua que sera utilizada nesse processo para virar o combustivel.Com isso tera menas agua a ser consumida,imagine so colocando essa relaçao de conbustiveis consumido em nosso planeta,quanto não utilizariam nossa agua com isso menas agua potavel em nosso planeta.Eu acho que sera melhor investir em energias renovaveis para melhor sustentabilidade de nosso planeta.Minha opinião!!!!!!!!11

    1. O problema é a taxa e o tipo de água consumido. Enquanto nesse sistema pode-se usar água suja, que posteriormente é filtrada e reutilizada num processo cíclico, as monoculturas sustentáveis usadas para fazer combustível usam água potável, ou seja própria para o consumo humano, que são pingadas na terra e uma parte é consumida pela planta. Outra parte gigantesca vai para os lençóis subterrâneos e outra parte evapora, de tal maneira que a monocultura como a cana de açúcar, por exemplo consome infinitamente mais água que qualquer outra alternativa.

  2. Acho curiosa a tal “pegada de carbono”. Partindo de um princípio – que suponho estar correto – não se “cria” nem se “perde” carbono. Uma vez que os hidrocarbonetos combustíveis já foram seres vivos, ocorre que o carbono liberado por sua queima devolve ao sistema carbono que eles sequestraram desse mesmo ambiente, enquanto vivos. Vale dizer: devolve-se ao ambiente praticamente a mesma quantidade de carbono que anteriormente fora “capturada”, notadamente pelas plantas. Logo, como não se introduz mais carbono na equação, a questão parece residir na velocidade em que esse mesmo carbono é devolvido ao sistema. Sabemos que os oceanos capturam imensas quantidades de CO2 e que vão parar nas profundezas abissais. Combustíveis alternativos, embora mais “corretos”, também liberam CO2 na queima. Logo, existem duas alternativas que seriam mais interessantes: uma, motores movidos à hidrogênio. Superados os riscos com explosões, o subprobuto de seu consume seria água; segundo, motores elétricos, esses já uma realidade atualmente e bem mais interessantes do que os velhos motores de combustão interna. Essa segunda alternativa ainda esbarra na questão da autonomia, mas parece ser algo não tão difícil de resolver. Mais complicado é explicar: a quem interessa uma energia alternativa limpa, abundante e barata???

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