Outro dia eu precisei criar minha demo reel, que antigamente era feito com uma fita VHS e hoje é com DVD onde você mostra o que sabe fazer. Todo ano a maioria dos caras que trabalham com 3d dão uma atualizada na demo reel, que é basicamente o portfolio em video. Então eu estava tentando fazer isso em dvd e percebi que mesmo com o Nero e com a suposta facilidade de se criar um dvd hoje em dia, ainda há muita complicação. Coisas como bitrate, frames por segundo, aspect ratio, compressão do som, formatos, mil pentelhações que afastam o usuário doméstico, aquele que não é um especialista no assunto e precisa (como eu) resolver apenas seu problema do jeito mais rápido possível. Foi pensando nisso que eu resolvi colocar aqui um tutorial desenvolvido pelo JMLO para o forum Pcs. Então antes de tudo:
Este tutorial não inclui suporte. Não venha encher o meu saco com perguntas sobre por que não funcionou a taxa de compressão na sua máquina, por que o video travou, por que o som sumiu, ou por que seu cachorro morreu que eu não vou responder. Se você não conseguir resolver seu problema neste tutorial, só lamento.
Para fazer a minha demo eu gastei dois dias inteiros ralando até conseguir achar um jeito que não travou, não pulou frame, não sumiu o som e não deu defeito na imagem. Para descobrir isso eu precisei percorrer uma via crucis de seis programas diferentes, até achar um que finalmente resolveu. E bem. Na verdade resolveu tão maravilhosamente bem que eu virei fã do programinha. Se resolveu o meu problema, tem uma boa chance de resolver o seu.
Vamos ao programa:
VSO DivXtoDVD Converter é uma solução de um clique para converter e gravar arquivos de filme em DVDs compatíveis com aparelhos de DVD comuns.
VSO ConvertXtoDVD permite converter seus vídeos em DVD, com suporte para vários formatos:
DivX, Xvid, MPEG, MPEG4, MOV, AVI, WMV, WMV HD, DV, OGM, AVS, VC1
Através de uma intuitiva interface e em poucos clicks você poderá fazer cópias de arquivos de vídeo em DVD, os convertendo de formato e os gravando diretamente em um disco.
O programa tem suporte para os sistemas de vídeo NTSC e PAL, permite ajustar a relação de aspecto da imagem e pode criar os capítulos de forma automática. Também suporta múltiplos canais de áudio, legendas e muito mais.
Inclui um mecanismo de gravação e opções variadas, suporta legendas e menus automáticos. A taxa de aspecto pode ser selecionada automaticamente ou forçada para um formato específico. O programa funciona com os sistema PAL ou NTSC e cria capítulos automaticamente. É muito bom porque várias trilhas de áudio são suportadas.
Caraca, que nojo. Alguém pegou um daqueles equipamentos de colonoscopia e deu de cara com uma bela duma lombriga, que gravada em video, virou celebridade no You Tube.
Não sei o que é pior:
Saber que isso existe.
Saber que pessoas podem ter tantas minhocas assim na barriga que tem convulsões de vermes (onde ejetam milhares de lombrigas por todos os orifícios do corpo! — AhhhhhhhhhH!!!! (pense 10 vezes antes de clicar nestes links) )
Ver uma merda dessa ao vivo.
Saber que ninguém está livre de ter isso aí na barriga. Nem eu, nem você, nem ele:
Uma recente pesquisa mostrou que a infestação de ascaridíase atingia 50% das crianças de uma favela.
A ascaridíase é causada pelo Ascaris lumbricoides, verme nematelminto (asquelminto), vulgarmente denominado lombriga, cujo corpo é alongado e cilíndrico, com as extremidades afiladas. O comprimento varia entre 15 e 35 centímetros. Os machos apresentam a cauda enrolada e são menores que as fêmeas. A dimensão do corpo destes vermes varia de acordo com o seu número e intensidade do parasitismo. O número pode chegar a 600 exemplares num mesmo hospedeiro.
Sua cutícula é lisa, brilhante, de coloração branco-amarela. Na porção anterior, fica a boca ladeada por três grandes lábios.
A transmissão desta verminose dá-se por ingestão de ovos embrionados, através de mãos sujas de terra, por alimentos ou água contaminados. (isso inclui a maçaneta do banheiro, o teclado da lan house, o corrimão, o botão do elevador, o podrão da rua, etc)
Olha só a desgraça: Cada fêmea põe mais de 200 mil ovos por dia. Sendo assim, se considerarmos o grande número de pessoas portadoras da verminose e, principalmente, as condições precárias de higiene e saneamento no Brasil, é fácil perceber a facilidade de se contrair essas minhoquinhas aí.
Ao evacuar no solo e ao ingerir alimentos e água contaminados, as crianças expõem-se com maior facilidade, desrespeitando, assim, as mais elementares regras de higiene. São consideradas, portanto, o grupo mais parasitado por este verme.
Triste né?
Para dar uma animada neste post que poderia até ser patrocinado por uma fábrica de saquinhos de vômito para avião, aqui vai o repost do gumpcast da solitária:
Droga, o baseado acabou. – Pensou ele.
Raul estava só. Era uma madrugada de quinta-feira e lá na rua não se ouvia nada. Só de cueca e sem camisa no meio da cozinha, o cabelo todo desgrenhado, com o pote de maconha vazio nas mãos e ouvindo um antigo disco do Elvis, cheio de ruídos, que ainda tocava na vitrola, Raul contemplou sua desgraça.
Depois de sair na porrada com Paulo, a falta de um baseado, coisa que nunca lhe acontecera antes, era um sinal de que as coisas começavam a ir mal. Raul pensou em pegar aquele telefone vermelho e ligar pro Paulo. Saber se ele tinha um “beck” pra emprestar. Nem que fosse uma pontinha.
Foi até a sala e chegou a pegar no telefone. Mas não discou. As palavras duras do Paulo ainda soaram em seus ouvidos. Eles haviam se desentendido daquele mesmo jeito mais mil vezes antes. Mas aquele dia foi diferente.
Raul morava no Butantã e na alta madrugada, pensou em descer e percorrer algumas ruas até a casa de Ronaldo, que certamente teria um “beck” pra lhe arrumar. Mas o problema era sair de casa. Havia gente dormindo na calçada para encontrar com ele.
Uma das coisas que o Raul mais temia era maltratar um fã.
Foi quando ele teve a brilhante iluminação.
Ali perto do saleiro estava um pacotinho com uma espécie de grama dentro.
Raul sorriu.
Minutos depois, ele estava sentado no sofá em posição de lótus enrolando um baseado de orégano.
À sua frente uma folha de caderno e uma velha caneta bic. Raul pegou o violão.
Ele colocou um mi menor e então bateram na porta.
Raul olhou em volta. Colocou o violão de lado. Levantou-se desanimado e caminhou até a porta. Raul olhou pelo olho-mágico em busca de descobrir quem seria o impertinente de bater à sua porta no meio da madruga. Não viu ninguém.
Pensou se não estaria ouvindo coisas.
Voltou-se para o sofá e já ia pegar no violão quando bateram na porta com um jeito meio desesperado. Ele se assustou.
Correu para a porta. Tornou a olhar e novamente não havia ninguém ali.
-Quem está aí? – Perguntou ele esperando ser o Paulo pedindo desculpas e aceitando mudar a letra. Mas novamente não houve resposta.
Achando aquilo estranho, Raul abriu a porta. Para seu total espanto, ali em sua frente estava um homenzinho pequeno. De uns vinte e cinco centímetros. E o pior: Estava nu, tinha um micropinto e era careca!
Raul não conseguiu falar nada. O micro-homem careca estava ali. Parado, olhando fixamente apara ele.
-Não vai me chamar para entrar, Raul? – Disse o homenzinho careca.
-Raul levou uns dez segundos para decidir se batia a porta nacara daquela criatura freak ou se aceitava aquele absurdo como mais um dos delírios que ainda aconteciam desde que tomou aquelas merdas nos anos 70.
-Quem é você meu amigo?
-Eu sou o Guiwo.
-Guiwo…
-Posso entrar ou não, seu Raul. Talvez eu deva voltar outra hora…
-Não, não. Entra aí, bicho.
A miniatura de gente entrou e Raul conseguiu ver um rabinho. Aquilo o arrepiou. Definitivamente, Guiwo não era gente.
O homenzinho entrou pela casa de Raul e foi olhando tudo, com muita curiosidade…
Raul voltou-se para ele:
-Quer uma cerveja meu irmão? – Oferecer uma cerveja para aquela criatura absurda foi a única coisa que lhe ocorreu na hora. E nem havia cerveja na geladeira.
-Não, não. Vamos direto aos negócios, seu Raul.
-Negócios?
-Sim, Raul. O senhor percebe o que o senhor fez?
-Hã?
-Quando o senhor leu aquele trecho do livro da besta, o senhor abriu uma ligação entre mundos… – Disse Giwo apontando para um grosso livro do Crowley sobre a mesa da sala. Aquele livro emprestado do Paulo.
-Calmaí companheiro. Eu só…
-Você leu. Não adianta mentir. E agora eu estou aqui.
-Tá, tá bom. Eu li. Mas e agora?
-Agora você tem que me mandar de volta.
-Mas como, porra?
-Não sei, só sei que eu preciso voltar para meu lugar.
-Droga… Aqui, por acaso você não tem um baseado aí não, né?
-Vamos, Raul. Mande-me de volta para o lugar de onde eu vim.
-Merda… Vou chamar o Paulo. Peraí.
-Não! – Gritou a criaturinha.
-Hã?
-Só você pode me ver.
-Como é?
-Sim, você não mudou o universo. Você mudou você mesmo.
-Mas olha, veja só… Já estou achando que pirei.
– Não Raul. Não pirou. Mas se está me vendo, eu sinto lhe informar que poderá ver outras coisas.
-Hã?
Nisso batem na porta. O pequeno Giwo assusta-se. Olha para a porta com medo.
-Ah, não! Vai começar.
-Hã? Começar o que, amiguinho?
– A coisa cujo nome não podemos dizer. Ela veio me pegar. E quando ver você aqui ela vai te pegar também.
-Como é? – E a porta é esmurrada fortemente. A fechadura começa a ceder.
-Que merda é essa, anãozinho?
-Anãozinho o cacete! Eu sou um giplou kroudus. Exijo respeito. – Disse Giwo levantando-se e correndo pelo corredor. Raul o seguiu.
-Mas que merda é aquela lá na sala?
-É um Nicurí! Rápido. Me esconda ali em cima. Rápido! Anda, Raul! – Disse aflito Giwo apontando para o alto do armário.
Raul pegou o homenzinho com uma mão e jogou-o em cima do armário.
– Raul…
-Fala. – A porta da sala finalmente cede e escancara-se. Giwo sussurrou:
-Não olhe para o Nicurí. Ele vai entrar. Deite na cama e finja que está dormindo. Aconteça o que acontecer, não olhe para ela. Ouviu? Não olhe! Ou você vai viver o pior momento da sua vida. – Disse ele e em seguida, saiu correndo para o fundo do armário. Raul ouviu uns passos na sala. A coisa já estava na casa dele.
Raul jogou-se na cama. Enfiou a cara no travesseiro e fechou os olhos com força.
Seus ouvidos estavam atentos. As passadas aumentaram e lentamente aquela coisa adentrou o quarto.
Fez-se um breve silêncio.
Raul manteve-se imóvel, como se dormisse.
Ele sentiu que a coisa se aproximou. Aproximou-se e ele ouviu a respiração ofegante do que quer que estivesse ali. O bicho soltou um rosnado grosso que fez o sangue de Raul gelar nas veias. Novamente, aquilo na casa dele não era desse mundo.
Uma mão fria tocou a perna de Raul.
Ele tremia. Fez xixi nas calças, empapando a cama.
Surgiu um barulho no quarto.
A mão largou a perna dele.
E então Raul, apertando os olhos o mais que podia, com a cara enfiada no travesseiro, o bigode dentro da boca, o corpo mijado e suando frio, escutou um grito de horror.
Ele pensou em olhar, mas ficou firme. A cara enfiada no travesseiro.
Houve um barulho de luta. Gritos. Era a voz de Giwo. A criatura sinistra havia descoberto o pequeno homenzinho.
Raul não se lembra quanto tempo ficou ali com a cara enfiada no travesseiro, mas quando enfim reuniu coragem para olhar em volta, não havia nada naquele quarto. Apenas marcas de sangue escuro no chão.
Horrorizado, Raul viu uns poucos pedaços do homenzinho espalhados pelo corredor.
Andou com extremo cuidado. Ele tinha medo de encontrar aquilo na sala. Mas ao chegar na sala, não viu nada. A porta estava entreaberta. A maçaneta destroçada.
O que quer que fosse que matou aquele bizarríssimo monstrinho, havia ido embora. Raul pensou em ligar pro Paulo, pra Kika, pro Tim. Pro cacete a quatro.
Raul olhou o livro antigo sobre a mesa.
Pegou aquele livro e jogou pela janela.
Voltou até o quarto e recolheu os pedacinhos do sinistro ser.
Ninguém iria acreditar nele. Raul já tinha fama de maluco e depois daquela situação inusitada, isso só iria piorar. Resolveu que não contaria para ninguém. Nem para Paulo.
Mas não fez nada. Juntou aquele monte de destroços e jogou no vaso. Deu descarga e viu os restos mortais daquele tipo de gnomo maluco descerem no jato de água abaixo.
Raul pegou um bolo de papel higiênico e limpou o sangue no chão. Jogou tudo no vaso sanitário.
Voltou para a sala, escorou a porta semi destruída com a cadeira da sala.
Sentou no sofá. Pegou o baseado de orégano, que queimava seus últimos pedacinhos.
Pensou cá com seus botões:
– Rapaz, eu acho que não vou fumar orégano nunca mais…
Deu uma bela tragada e voltou a compor:
“Eu sou eu, nicuri é o diabo
Eu sou eu, nicuri é o diabo
Eu sou eu, nicuri é o diabo
Eu sei quem sou
E por onde vou
Eu sei quem sou
E por onde estou
Eu agüento a barra
Limpa ou da Tijuca
Se vou lá no fundo
Fundo a minha cuca
Cucaracha cha-cha-cha-cha
Mas…
Eu sou eu, nicuri é o diabo
Eu sou eu, nicuri é o diabo
Eu sou eu, nicucu é o didi
Eu sou eu, nicuri é o diabo…”
Nenhum funk me dá vontade de dançar ou cantar. Parece mais barulho. Acho que eu prefiro ouvir um motor de ônibus.
É claro que eu não estou falando do funk verdadeiro, e sim do funk carioca. Coisas bem diferentes.
Reconheço que esta minha aversão ao funk pode ser em parte atribuída a uma doutrinação classista oriunda de uma formação cultural que sempre prezou pela distinção entre a casa grande e a senzala, onde eu, burguês, branco e nascido distante das classes oprimidas fui adestrado a interpretar como sendo inferior.
No fundo o discurso de que funk é ruim traveste em parte um preconceito arraigado de que musica de periferia é ruim porque pessoas de periferia são ruins. Eu reconheço isso e reconheço também que esta ideia é completamente idiota, uma vez que Cartola, um gênio inegável da música brasileira era favelado. Pixinguinha se não morava no morro (ele morava no Catumbi) vivia entre morros, como o Morro da Conceição, no centro do Rio. Então esta ideia de que pobre não faz musica boa por ser pobre é uma ideia de trouxa. De Zé mané.
O problema é que ocorre uma miséria intelectual ferrada nos dias atuais e isso invariavelmente se reflete na música. No caso, no funk carioca.
A necessidade de letras “que peguem”, isto é, repetitivas e 100% baseadas em refrão como “vai Serginho, vai Serginho…” grudem na sua mente ao ponto de tornarem-se um mantra, se sobrepõe a necessidade de uma música compreensível, para agradar aos miolos. Além do mais, para balançar o “popozão”, não há necessidade nenhuma da música ser compreensível.
Mas vamos pegar por exemplo uma música popular antiga e compará-la a um funk atual. Assim poderemos ver o abismo intelectual que se criou indistintamente em todas as classes sociais do país.
Pixinguinha compôs uma bela valsa e estava durante um bom tempo sem letra. Um dia, enquanto executava a obra na flauta, vinha passando um mecânico do Engenho de Dentro, chamado Otávio de Souza. O cara parou, ouviu por um tempo e se propôs a fazer uma letra.
Era de se esperar que a letra musical escrita por um “mecânico do Engenho de Dentro que vinha passando” fosse um rema-rema idiota. Mas veja só o que saiu:
https://br.youtube.com/watch?v=VUvwqHwQ0LM
Agora escute o melhor funk que puder e compare.
Talvez daqui a décadas ou séculos, os homens do futuro vejam o valor do funk carioca atual, como ocorreu com o Lundu, o precursor do samba, que era detestado pelos sérios homens da “Sociedade”.
Mas eu sou um cara deste tempo e não do futuro. Eu olho o mundo à minha volta com os olhos do meu tempo. E no aqui, agora, funk é ruim. Pelo menos não sou hipócrita de dizer que gosto porque isso vende, porque a Xuxa diz que acha legal. Porque o Luciano Huck toca no Caldeirão. A única coisa que me atrai no funk é sua bizarrice nativa inexorável, que gera coisas bizarríssimas, como o Mc Serginho e a Lacraia (que é quem realmente faz valer o ingresso)…
O problema do Funk, ao meu ver é que ele é hipócrita por natureza, apresentando-se como um campo aberto ao pobre da periferia ascender socialmente. É inegável que existe de fato uma ascensão social no funk, mas esta ascensão não se coaduna com a realidade econômica numa proporção que possa ser considerada justa. Não é. Os funkeiros não ficam ricos. Não há nenhum funkeiro rico, embora milhões de reais sejam movimentados no mercado do funk carioca todos os anos. Mas veja que engraçado, o Dj Marlboro (a quem eu tive a honra de processar) e o Romullo Costa, caras visivelmente distanciados da questão periférica do funk estão cheios da nota. Já teve o ano do Tigrão, do Mc Serginho, etc. A cada ano um novo hit e um novo sucesso embalado como música de verão para as massas. Os sucessos são passageiros, mas a grana preta vai sempre para a mão das mesmas pessoas.
Muita gente que diz que gosta do funk.
Na verdade, essas pessoas podem gostar de outras coisas associadas e acabam a considerar que gostam de funk. Como por exemplo, a alta carga sexual implícita nas danças, letras e coreografias. Quem não gosta de sexo não pode gostar de funk. Mas quem gosta de sexo realmente pode odiar o som mas apreciar a paisagem. O sexo está implícito diretamente e bem claramente, para qualquer burro entender. No ambiente escuro e barulhento. Na mistura de pessoas de todas as classes sociais. Num ambiente que é ao mesmo tempo primal e um campo de batalha onde mulheres disputam seu poder de sedução mais escancarado, chocoalhando as cadeiras e mostrando movimentos de forte cunho erótico.
O funk é em parte um sucesso pela genial mente marketeira pornográfica que embalou-o em uma mistura de sexo e transgressão. Uma receita de sucesso de alto poder de irresistibilidade para muitos jovens de periferia, que viviam num ambiente cujo universo musical ao seu redor que não lhes abria espaço nem sequer para a compreensão.
Além de permitir que um jovem anônimo pobre torne-se um ídolo aclamado por milhares de pessoas nos bailes, o funk funcionou também como uma zona de liberação da tensão social. Até então, havia apenas o carnaval como período de liberação social, mas o advento do funk trouxe um fuzuê extra a todos os finais de semana (começando na quinta) e dando um sentido de ser para as quadras, espaços geralmente relegados ao esquecimento nos dias que não eram de jogo nem de carnaval. Mas seja como for, ouvir funk, mesmo com a melhor das intenções é um sofrimento.
Porém, não posso negar que gosto declaradamente de assistir a dois programas absolutamente trash baseados na “estética” do funk e que passam na TV.
1- Furacão 2000 na Tv. Isso passa de tarde, na hora do almoço, acho que na Band. O programa é uma merda, uma edição péssima e o que existe de mais interessante ali é a atual mulher do Don Corleone do Funk. Acho que o Romullo Costa fez melhor negócio saindo fora da “Mãe loura do funk” e pegando aquela moreninha gata lá. Mas a melhor coisa deste programa altamente educacional é quando mostram os bailes:
Numa cena as barangas estão dançando com a empolgação de funcionários publicos. Mas basta a câmera apontar pra elas que começa uma lânguida rebolação com caras e bocas com o melhor da sensualidade suburbana. Coisa que nem o Wando conseguiria.
E ao fundo (como sempre) outras mulheres dançando procrastinadoramente esperando sua vez de aparecer na Tv.
2- Programa Dança Comigo. Apresentado pessimamente por um tal Jonas Santana. O apresentador é um tampinha que parece mais um trocador de ônibus. Este programa de forte cunho Bíblico, passa de madrugada (na rede Tv ou na Band, não sei).
Vi isso umas duas vezes, num domingo às duas da madruga. O programa “Dança Comigo” é gravado em frente a uma parede onde um monte de mulheres que parecem saídas do puteiro mais baixo-nível da Vila Mimosa dançam fazendo caras e bocas para uma câmera que só não é mais ginecológica porque se fosse, sujaria a lente.
O legal deste programa é que ele é absolutamente mambembe. Não tem cenário e nem pauta. Só as mulheres (umas realmente gatas!) rebolando.
Mas aí eu paro e penso… Ora, a maior diferença disso aí para o “Fantasia” do SBT, é que o programa do pobre funkeiro não dá dinheiro para o telespectador, mas pelo menos, enche a mente dos vigias e porteiros de muitas “fantasias”.
Olha essa letra e compare com a letra do “mecânico que vinha passando”. A verdade é que a educação foi “pras cucuias” mesmo. É a miséria intelectual, meu chapa. Não dá pra esperar nada melhor da nossa sociedade idiotizante e alienante, que desde os tempos mais remotos explora a mulher de todas as maneiras imagináveis.
https://br.youtube.com/watch?v=RLiYzvIRnlE
Naquela noite que eu vi este programa, eu só tive sonho pornô.