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Nos Estados Unidos, durante a Grande Depressão, uma moda muito Gump chamada “maratonas de dança” surgiu. Elas eram eventos que duraram horas, semanas, e acredite se puder, até meses!

Era uma visão estranha – pessoas pálidas, magras, fracas e mal se mexendo, agarradas em pessoas que dormiam, comiam e, talvez, até defecavam em movimento.

A primeira maratona de salão de baile Audubon oficial foi realizada em Nova York em 30 de março de 1923. O primeiro disco também foi feito lá – a garota dançou por 27 horas.

 

Quando a Grande Depressão varreu os Estados Unidos na década de 1930, as maratonas de dança tornaram-se o tipo de entretenimento que poderia distrair pessoas pobres e famintas dos problemas urgentes da vida.

Para os casais dançarinos, a participação na maratona deu esperança de receber um esperado prêmio em dinheiro. Os ganhos variaram de $ 1.000 a $ 5.000 (que era uma fábula de dinheiro na época). Mas a maioria dançava por um pedaço de pão, já que nas regras, os participantes se alimentavam de graça. Esse detalhe deixa tudo bem mais bizarro.

O público foi apresentado com um espetáculo vívido. A multidão gostou de ver os participantes irem dançando e perdendo as forças, se exaurindo cada vez mais até finalmente vir o desmaio de completa exaustão. Em tempos difíceis, como sempre, a fórmula funcionou: “pão e circo”. Como o Big Brother Brasil de hoje, ver pessoas se expondo ao martírio e ao cansaço nunca saíram de moda.

As maratonas duraram dias, semanas, meses. Nas primeiras cem horas, os participantes tinham a permissão para descansar a cada duas horas por 15 minutos, às vezes as cadeiras de rodas rolavam para a pista de dança e os dançarinos dormiam duas horas por dia nelas.. DANÇANDO!

O principal não era a dança em si, mas marcar o tempo. Era permitido trocar de parceiro se um deles não conseguisse mais ficar de pé. Claro, caiu, perdeu.

Uma das pessoas mais importantes da maratona era o apresentador. Sua tarefa era manter o público interessado em dançar por longas horas. Para isso, o mestre de cerimônias propunha algumas tarefas para os participantes: cantar uma música ou fazer com que os participantes caíssem de cansaço ao caminhar repetidamente ao longo das linhas traçadas no chão. O andar meio bêbado dos participantes à beira do desmaio divertia a plateia, transformando os participantes em “bobos da corte”.

Os participantes dançavam sem parar. Comiam, se lavavam, faziam a barba e iam ao banheiro, tudo sem parar. Às vezes, até um casamento de participantes foi arranjado. (olha a ideia aí Boninho!)  Depois, às custas dos organizadores, compraram-se anéis, um vestido de noiva, contratou-se um padre. A cerimônia aconteceu, é claro, durante o baile. Tudo é para diversão do público. E com todo mundo dançando.

 

 

Havia uma taxa de inscrição para entrar na maratona para os espectadores, mas a popularidade das danças de sobrevivência era tão alta que a receita era várias vezes maior do que as despesas. Frequentemente, casais fictícios eram contratados para dançar. Eles eram instruídos para arranjar brigas durante a maratona, o que novamente divertia o público e dava uma apimentada quando tudo ficava maçante demais.

 

Como tudo nessa vida, “o sol nasce para poucos” e o sonho se tornou realidade apenas para alguns dançarinos.  Para muitos acabou não apenas em derrota, mas também em morte bem na pista de dança!

 

Muitos ali morreram após a maratona. Exaustos pela ausência de muitas horas de sono, o cansaço cobraria seu preço, e logo a pessoa entraria em coma e, como a esmagadora maioria dos participantes era pobre, estavam ali por fome, ninguém os ajudaria, pois não poderiam nem parar de dançar ou seriam desclassificados.

A mais longa maratona de dança que se conhece, foi a Million Dollar Steel Pier Marathon. Ela foi realizada de 6 de junho a 30 de novembro de 1932.

Isso totalizou 4.152 horas e 30 minutos. No final da década de 1930, devido a inúmeras mortes, as maratonas de dança foram proibidas em muitos estados. Mas o desejo de enriquecer rapidamente, ainda levaria as pessoas a participarem de maratonas impiedosas e clandestinas por mais alguns anos.

As estranhas maratonas de dança

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