Uma fábrica de brinquedos na China

O tão esperado dia das crianças vem chegando e com ele, o sonho de brinquedo de muitos bacuris se aproxima da realidade, ou da decepção, em certos casos.

É inegável que os pais, pelo menos os da classe média, são altamente afetados por este tipo de marketing que gerou o dia dos pais, dia das mães, dia das crianças, e agora quer implantar o “dia da sogra” como uma data presenteável.

Como se já não fosse suficiente a páscoa e seus ovões de chocolate (a mídia e o marketing querem que você pense que quanto maior o ovo, maior seu amor pelo presenteado) o natal e seus milhões de comerciais com velhinhos de óculos sorrindo com panetones ou chester bolinha nos braços, o ano novo e suas roupas brancas com detalhes em prata, e as cores da moda para atrair de tudo, menos desgraça, o carnaval e a cerveja, e seus pacotes de viagem, seus hotéis com traslados, os ingressos, os abadás e as lembrancinhas de lugares longíncuos o início das aulas e os materiais, cadernos, mochilas, livros. As épocas de gastança se espalham pelo ano.

O fato, meus amigos é que somos engrenagens de uma maquina que não se sustenta. Uma bicicleta gigante que está em permanente pedalar para não cair. Somos forçados pela lei do consumo capitalista. Bem, isso não é necessariamente uma constatação tão ruim, uma vez que, sob certos aspectos, até na natureza o consumo é praticado. Pelos menos nós já saímos da fase de consumir uns aos outros.

Aí vem a pergunta fatídica : Será?

Saímos mesmo da fase de consumir uns aos outros? Pense bem. A resposta para esta pergunta não é fácil. E parte dela pode estar bem abaixo do seu teclado. Do seu mouse. Escondido em milhares de pecinhas desse seu computador. A resposta é pequena e cabe numa etiquetinha dourada com um pequeno texto em preto descascado onde se lê : “Made in China”.

A China é o país do mundo que mais cresceu nas últimas décadas. O crescimento da China é em parte decorrente do aumento dos hábitos de consumo em todo o mundo e de uma agressiva política comercial de natureza predatória dos mercados, com preços baixíssimos. Isso fez com que a China se tornasse a maior fabricante de praticamente tudo.

Só que essa expansão comercial acarretou a produção em massa de bilhões de produtos de qualidade duvidosa. O foco é o baixo custo. Quando o foco é o menor valor, as tintas são as mais baratas. O gás propelente é o que atinge a camada de ozônio. As tintas mais baratas não raro, são as venenosas. O plástico é o de menor resistência e o metal é o que oxida mais rápido.
Mas a grande maioria das pessoas vivem num universo de pouco conhecimento, somado a uma falta de dinheiro permanente que os empurra para os produtos chineses como os cupins são atraídos pela luz.

Se a indústria chinesa produz como uma máquina monstruosa, é porque há um parque de consumo igualmente maior. Visando a expansão de mercado, esmagamento da concorrência e fatias cada vez menores de lucro, a indústria na China começa a ser vítima de sua própria política agressiva. Peças que quebram, crianças sufocadas com brinquedos, acidentes fatais envolvendo seus produtos e a queda no consumo de certos países. Para combater isso, a única alternativa seria o investimento e a melhora na qualidade dos produtos. Mas ao invés disso, algumas fabricas da China diminuíram ainda mais seus custos, cortando adultos assalariados para substituí-los por crianças, que ganham menos da metade de um adulto, obviamente.

Para se ter uma idéia, aqui no Brasil, em 1999, um trabalhador industrial custava, em média, US$ 5,90 por hora (com encargos sociais). na Alemanha esse mesmo carinha sairia por U$ 25,00. Mas na China, meu amigo, o sujeito sai por nada menos que U$0,54! Isso mesmo, o adulto.

Acredito que uma criança não passe de U$ 0,25. Isso para um sistema de cidades-fábricas onde o empregado não tem final de semana livre, nem férias e mora na fábrica. Óbviamente, não há móveis adequados, nem postos de trabalho padronizados. É trabalho por um prato de comida.

Quando nós entramos numa loja de brinquedo para dar uns dois minutos de felicidade para um filho, sobrinho, neto ou parente, estamos alimentando este mercado, porque praticamente todos os brinquedos hoje vem de lá. Até aquele carrinho da Disney, ou o Bob Esponja. Tudo que tem a cara mais americana que o Mc Donalds provavelmente vem pra cá no melhor esquema Xing-Ling, já que as empresas chinesas, que dão pouco valor “aos padrões mais básicos do país” trabalham para empresas globais como Disney, Bandai e Hasbro, Mattel, estúdios de Hollywood, etc.

Tudo isso começou assim: As grandes companhias tradicionais dos EUA, tinham custos operacionais altos. Em busca de valores competitivos, uma necessidade gerada pela acirrada disputa de mercado interno nos EUA ( o maior consumidor de brinquedos no planeta) as companhias de grande porte descobriram fabriquetas na China que esmolavam trabalho. Iniciou-se um “namoro” comercial onde as pequenas fábricas faziam partes menos importantes dos brinquedos, que eram montados nos EUA. Lentamente, os brinquedos começaram a ser fabricados inteiramente na China e só montados nos EUA. Isso foi no princípio dos anos 80 e pouco a pouco, foram crescendo sua fatia de atuação, fabricando brinquedos completos, com embalagens e tudo mais, exportando o conjunto completo para os EUA e em menos de 20 anos, a China monopolizou o mercado de brinquedos totalmente.

Um milhão de trabalhadores mal pagos e quase sempre explorados, muitos deles menores, encarregam-se de manter de pé um dos maiores e mais lucrativos negócios do planeta, que é a fabricação de brinquedos. Antes do amanhecer, as sirenes anunciam o início da jornada de trabalho nas duas maiores cidades fabricantes de brinquedos do mundo – Shantou e Dongguan – na província de Guangdong.

Ambas fazem parte da chamada brinquedolândia, onde dezenas de km2 de parques industriais concentram mais de três mil fábricas. Essas fábricas que geram elementos de um mundo de imaginação e diversão, são a antítese do que constroem. Há fábricas de brinquedos de todos os tamanhos e condições, desde pequenos e míseros ateliês a imensas instalações industriais, que empregam e abrigam até quatro mil trabalhadores, capazes de produzir milhões de unidades por mês.

Da mesma maneira que uma sociedade se estrutura, uma escala de castas produtivas se instalou na “Brinquedolandia”. Nas piores condições, encontram-se fábricas convertidas em prisões laborais, com janelas gradeadas e portas fechadas com cadeados e guardas que vigiam mais os empregados do que o perímetro da fábrica. O nome das empresas não está identificado na entrada e os edifícios estão registrados como imóveis vazios. Os empregados não podem sair dos edifícios durante meses e os inspetores não podem – ou como é freqüente, não querem entrar.

As dezenas de milhares de Barbies que este ano voltam a inundar as lojas com a sua oferta de glamour e luxo saem diretamente de duas instalações industriais da Mattel no Sul da China. São fabricas gigantes que mantém um quadro de oito mil empregados. Um acessório da Barbie executiva, um minicomputador portátil de plástico, vende-se por cerca de 50 euros nas lojas da Europa- valor igual ao salário mensal de Mel Yun…

A OBSESSÃO POR GANHAR um pouco mais foi o que levou o pequeno Bo (nome fictício) até Mou Yip. O mais jovem dos empregados da fábrica aparenta apenas 11 anos e a sua tarefa é encher os brinquedos com um substituto do algodão, um a um, sempre à mão, durante 14 horas seguidas. Por trás dele ergue-se uma montanha de ursos de peluche prontos para seguir até às mais de cinco mil lojas da multinacional Wal-Mart, a maior cadeia comercial do mundo. A empresa norte-americana, cujo lema é “Preços sempre baixos. Sempre”, contratou a MouYip para produzir dois dos seus brinquedos para os próximos dois anos: quatro milhões de bonecos que venderão a cerca de 3,70 euros cada um, três vezes mais que o preço de fábrica.
Xu Feng Huan, que fundou esta fábrica com 300 empregados em 1997, admite que as condições dos empregados não são dignas e culpa as empresas estrangeiras pelos abusos. Palavras que solta sem medo por não saber que os dois homens de traje impecável que acabam de lhe oferecer cartões de visita são, realidade, jornalistas. “A Wal-Mart é muito poderosa, porque os seus pedidos são muito grandes e as fábricas dependem deles”, argumenta.

Fonte

É a triste realidade da vida. Fica a pergunta: Estamos consumindo o quê ao comprarmos uma boneca Poly, um Max Steel, um Bob Esponja?

Seriam só produtos?

Não. Estamos consumindo vidas. Vidas de jovens e crianças que anulam sua existência em troca de migalhas que escorrem de nossas mãos por atenderem nossas vontades e desejos, nossa volúpia de consumo.

No dia 12 de Outubro, pense no pequeno Bo de 11 anos e na sua vida com os milhares de ursos de pelúcia que o cercam, embora ele nunca possa brincar com eles.

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Aqui estão algumas fotos tiradas numa das melhores fábricas de brinquedo na China:

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15 comentários em “Uma fábrica de brinquedos na China”

  1. Mais uma vez uma ótima atualização..

    Sinceramente,o que me deixa mais triste não é a exploração dos trabalhadores mas a consciencia de que isso não vai mudar nunca, de que essa miséria será ignorada, como tudo de injusto que nos é mostrado.
    Eu faço a minha parte, me cabe esperar que cada um tome uma atitude.

    Gostei muito do novo template, parabéns 😉

  2. Thiago, cabe a nós termos consciência do que causa comprar brinquedos da China. Não podemos conter os malefícios do capitalismo selvagem. Mas divulgando essa realidade, falando com as pessoas e simplesmente tomando conhecimento do que se passa já é o primeiro passo.
    A pior coisa é a ignorância. A ignorância do mundo com relação a exploração infantil vive da ignorância e do anonimato. É isso que explica porque as fabriquetas de fundo de quintal que empregam crianças pobres na China não tem letreiros nas portas.

  3. Muito bom o texto. Parabens pela iniciativa. 🙂

    Aproveitando, recomendaria retirar este fundo cinza escuro… na verdade, acho que tinha q tirar tudo q eh cinza e colocar uma cor maiz clara hehe (algum tom de azul ?)

    []´s

  4. pois é,
    e cada vez mais temos avanços que nos dão, teoricamente, maior eficiência e tempo livre para… para que? para consumirmos cada vez mais, inclusive consumirmos uns aos outros e isso se espalha e se alatra a tudo, todas as formas de relações, tudo é capturado, sejam a crianças trabalhando na china,s eja os realityshows, tudo são formas de consumirmos a vida dos outros pq já chegamos nesse ponto..

    [gostei do seu blog, voltarei]
    abraço

  5. É muito importante mostrar a realidade q muitas das vezes e´escondida de nós. Obrigado por essa informação ajudou bastante obrigado…Espero q as autoridades competentes atentem para situação,VALEU……..

  6. eu gostaria de receber um brinquedo no dia das crianças pois minha filha perdeu todos os brinquedos na utima enchente do mes de abril sera que vc poderia manda uma boneca para ela tenho serteza que ela vai ficar muito felis obrigada

  7. O problema é que existem pessoas que não tem consciência de que essas crianças que trabalham nas fabricas de brinquedo estão perdendo a infancia. É triste saber disso.
    Ótimo post!

  8. É o mostro está sendo criado e nos estamos alimentando .ainda seremos reféns do crescimento da china ,que os países por quererem ganhar muito e pagar pouco.

    vocês c viram as condições de trabalhos de algumas mulheres,sentadas em cima de duas cadeiras para dar a altura da mesa,a ergometria ainda não passou na china.
    Lamento pelo  o que está por vir ,mas não temos mãos dos empresários ,que com suas ganancias não estão nem ai.

  9. Ola Philipe, é a primeira vez que venho e estou aqui há quase 3hs haha, então resolvi compartilhar. A uns dias um professor me passou um documentário(que você já deve ter assistido) chamado “CHINA BLUE” que abriu meus olhos pra isso. Ia ser bom, se todos dessem uma olhada. Incrível como existe milhões de pessoas(digo por mim também, fui saber a pouco tempo) que não conhecem essa realidade. Mas não consigo não questionar, mudaria?
    Meus abraços e votos de sucesso!

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