O dia em que eu roubei um cadáver

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istockphoto 121929859 612x612 1 e1736955332676 | Aventuras | Aventuras

Hesitei em escrever este caso real e um clássico do GUMPER way of life, porque é crime. Posso ir pro xilindró ver o sol nascer quadrado e usar aliança de barbante, chamar um cara gordo e melequento de “Totonhinho” ou pior, marido hehe. Mas eu escrevo ficção que parece real, assim, talvez isso seja verdade. OU NÃO.

Na época eu tinha 15 anos e era um imbecil completo. Bem, um imbecil semi-completo, pois naquele tempo eu tinha a metade da minha idade atual. Eu estava em Cabo Frio pensando em agarrar alguma mulher (só pensando, pois naquele tempo eu era um zero à esquerda no quesito mulheres) quando meu primo Guilherme surgiu com a brilhante ideia de arrumarmos uma cabeça de caveira no cemitério para enfeitar o quarto -Guns n´Roses temático – dele.

Dito e feito, fomos ao cemitério de Cabo Frio e logo de cara, meu primo achou um osso no chão. Aquele treco, que na maioria das culturas humanas seria um mau presságio, pra nós soou como “Cabeça fácil. Pegue a sua aqui!”

Fomos entrando e vimos que o coveiro exumava algumas gavetas para esvaziar. Na maior cara de pau, 100% óleo de peroba do campo, eu pedi um crânio.
Tomei o maior esporro. Saímos vazado do cemitério. Mas o Guilherme conseguiu malocar no bolso um osso do dedo que ele achou no chão e um radio ( ou cúbito, não lembro) – um osso do braço.

Dali fomos para casa e sabe como é. Papo vai, papo vem, íamos no dia seguinte para Macaé. Tramamos um plano escalafobético para pegar um corpo inteiro, afinal, se uma cabeça enfeita, um corpo real, um cadáver pendurado na parede seria algo suuuper bacana.

E lá fomos nós, agora em Macaé. Primeiro aquela entrada tática de levantamento. Demos um passeio por todo o cemitério em busca de algum “brinde” como aqueles lá de Cabo Frio. Nada. Mas eu achei um túmulo lá que tinha um cadáver dentro. Tava todo arrebentado, (meio no estado da imagem em destaque desse post) com uns pedaços de pele ligando ainda os ossos. Parecia ter sido mal exumado e largaram lá. Eu vi que a tampa do crânio, a calvaria, estava cortada, o que indicava que o corpo havia sido necropsiado.

Naquele dia combinamos que iríamos invadir o cemitério e pegar os ossos.
De tarde, todo mundo foi dormir depois do almoço e fui eu e o Guilherme com uns sacos pretos. Entramos malocados no cemitério. Eu entrei no túmulo e fui pegar o morto mas ele desmontou, kkkkk. Aí peguei os ossos. Enchemos dois sacões com tudo que tinha lá.

Saímos sem que ninguém nos visse. Ao chegar na porta do cemitério, dou de cara com a minha mãe espumando de ódio dentro do carro.

O plano tinha “ido pro saco”. Alguém dedou.

Aliás, o saco, eu tive que ir lá no túmulo devolver e depois voltei até Niterói levando um esporro duplo de mais de 2h, porque minha mãe não queria dar bronca no meu primo e deu dobrado em mim pra ver se de tabela pegava nele.

Mas ninguém sabia, mas ele tava ainda com um osso do defunto dentro da calça. Um souvenir macabro de nossa aventura frustrada. Tá com ele até hoje, eu acho.

Pior foi que eu tive vários pesadelos depois. Sempre iguais… Era eu num BNH vazio, de noite e uma coisa ia cambaleando no escuro atrás de mim gemendo – Me dá meu osssssssssssssooooo… – Puts, deu um calafrio agora só de lembrar. Eu acordava pingando. Aconteceu seguido umas seis vezes aí parou. Mais ou menos quando começaram os fenômenos paranormais no meu quarto.

Mas isso é coisa para outro GUMP-POST
Alguns anos mais tarde, o Guilherme foi fazer medicina e hoje é médico. Eu continuo psicopat… quero dizer, designer.

———–Esta história pode não ser real———————
—Ou pode, mas é bom deixar a dúvida ——