Quando eu trabalhava na Ignis, eu recebi um convite para ir a Manaus com tudo pago participar de um evento universitário e dar uma palestra sobre o meu processo de trabalho como diretor de arte do jogo Erinia, o primeiro Massive multiplayer RPG 100% nacional.
Eu fiquei todo satisfeito de por ir pela primeira vez na vida para algum lugar com “tudo pago”. Sempre tive uma ambição secreta por coisas que fossem “tudo pago” como acontecia volta e meia em comerciais de Tv e promoções onde a gente não tem a mínima chance de vencer.

O vôo seria pela TAM. Eu deveria ir pra Manaus numa sexta-feira, passar uma noite lá num hotel e voltar no dia seguinte.

E lá fui eu. Arrumei a mala, despedi da primeira dama e mandei ver na direção do aeroporto internacional.
O vôo transcorreu perfeitamente. Cheguei em Manaus às duas da tarde e fui recebido com plaquinha no aeroporto e carro com motorista.
Dali a moça da universidade que tava bancando tudo me levou para conhecer o campus e o local da palestra. Ambos muito bonitos. Mas surpresa mesmo aconteceu no hotel. Eu cheguei lá e logo de cara o gerente veio falar comigo. Ele tinha más notícias. Estava havendo um evento político e um festival de cinema na cidade, o que fez com que alguém importante ocupasse o meu quarto. Eu levei um susto, afinal, era “tudo pago”, como eu iria fazer?
Mas o gerente, super solícito falou que não era pra eu me preocupar, que eles me “realocariam” sem nenhum custo e pediu desculpas pelo transtorno. Sempre que alguém vai te realocar, e que ainda pede desculpas antecipadamente, pode crer que você vai se foder. Isso era um fato inexorável para mim até aquele dia.
Fiz uma cara de bunda, mas sem outra opção, aceitei e segui o rapaz até o outro quarto.
Eu estava esperando um hotel mediano, talvez até ruim, mas quando dei de cara com o palácio nababesco que era o quarto quase tive uma síncope. Na falta de uma suíte tradicional, eles me colocaram no único quarto não ocupado do hotel, que (por motivos óbvios) deveria ser absurdamente caro.
Era um quarto presidencial do tamanho do meu apartamento. Uma Tv de plasma que era a maior que eu vi na minha vida na parede da sala de estar e outra igualzinha no quarto.
Uma banheira com hidromassagem gigante. Ê vidão!
Passei a tarde na banheira, a la Vinícus de Moraes, tomando uma coca-cola e vendo a Tv da sala, que erra tão grande que eu via perfeitamente de dentro da banheira.
Quando chegou a noite, a moça da universidade ligou pro quarto e falou que o motorista ia passar pra me levar pro evento em duas horas. Me arrumei e fui. O evento transcorreu sem problemas. Foi muito engraçado, com varias histórias doidas na palestra. O pessoal riu bastante e depois voltei para o hotel.
O pessoal do evento combinou comigo que eu seria levado para um passeio, onde veria o encontro das águas no dia seguinte. No dia seguinte, meu último dia em Manaus, acordei cedo e tomei aquele sensacional café da manhã de hotel 5 estrelas.
Depois fiquei esperando o pessoal que ia me levar para ver o tal encontro das águas.
Você foi?
Nem eles. Eu tomei um chá de cadeira das oito às onze, quando finalmente consegui telefonar para o pessoal do evento que disseram ter esquecido do passeio. Aí já era tarde. Eu tinha que fazer o check out no hotel e pegar um taxi usando um vaucher que eles me deram para o aeroporto. Meu vôo era 13:00.
Então eu olhei no relógio e vi que ainda estava muito cedo. Coloquei a televisão gigante no Discovery e comecei a ver Mith Busters. Mas como o sofá do hotel era absurdamente confortável, cochilei.
Quando eu acordei assutado, olhei a hora e era vinte pra meio dia. Saí igual doido. Peguei a mala e fiz check out.
-Tudo pago, senhor. Obrigado. - Ah, como é bom ouvir esta frase!
Chamei o taxi e tampamos em direção ao aeroporto. O problema é que o aeroporto de Manaus era tão longe do hotel que eu estava que parecia até que eu ia voltar pra Niterói de táxi. Pro cara correr eu falei pra ele que meu vôo era 12:00. Rapaz, nunca vi um taxista fazer tanta maluquice e dirigir tão rápido. Ele parecia o cara daquele filme “O entregador”.

Cheguei no aeroporto. Eram 12:20. O aeroporto estava uma zona do caramba. Lotado. Pessoas gritando nos guichês. A Vasp havia parado de voar e largou na mão centenas de passageiros ilhados em Manaus.
Aí me toquei que ainda tinha que comprar um presente para a primeira dama. Entrei numa daquelas milhares de lojas que vendem tudo do boi bumbá e arcos e chocalhos indígenas.
Fiquei um tempão até achar uma camiseta legal. Olhei a hora. Era 12:30.
Eu tinha que fazer o check in até 12:35.
Paguei a camisa e corri pro guichê. A moça do guichê falou que o check in não era no balcão mas sim no interior da sala de embarque, coisa que eu nunca vi na vida.
Corri para sala de embarque e quando eu estava quase chegando nela, um sujeito de bigodinho que parecia mais o Mazzaropi fechou a porta de vidro na minha cara.
Eu olhei pra ele e achei que era algum tipo de piada. Ele ficou me olhando com um sorrisinho filho da puta atrás daquele vidro. Eu comecei a argumentar do outro lado do vidro.

- Ei, deixa eu entrar!
- Já encerrou.
- Hã?
- Encerrou, senhor.
- Encerrou o quê?
- O período para o check in. - Disse ele me mostrando um relógio barato de camelô estilo G-Shock dos anos 80.
- Mas olha aqui. São 12:30! O Check In está escrito aqui, ó! É até 12:30.
- Então, senhor. ATÉ 12:30. São 12:30, olha só. - Novamente com o sorriso cretino me mostrando o relógio. Atrás dele, eu vejo a fila enorme de pessoas do meu vôo.
- Moço. Por favor, olha aqui a passagem. Que que te custa abrir esta merda dessa porta de vidro. A um metro atrás do senhor está uma fila enorme de pessoas do meu vôo.
- Lamento senhor. Não posso fazer isso. Vá até o guichê e peça uma autorização por escrito da coordenadora da Infraero que eu abro.

Eu xinguei todos os palavrões possíveis e imagináveis.
Corri no balcão. Ali estava uma mocinha daquelas mal comidas,. que trabalham num ritmo que parecem ser sonâmbulas dormindo. Eu quis pedir logo pra ela resolver meu problema, mas ela nem me deu ouvidos. Estava resolvendo o problema de troca de passagem de um casal que viajaria dali a quinze dias em lua de mel. Eu tentei argumentar que pro meu caso, cada segundo contava, mas ela se limitou a dizer:
- O sistema é de fila única, senhor.
Quando finalmente chegou a minha vez, eu estava grudado no relógio. A cada segundo, minha chance de voltar para casa se esvaía.
A moça ligou para o dept. responsável, mas primeiro a ligação não atendia.
Eu olhei no relógio. Faltavam agora dois minutos.
Quando o telefone finalmente atendeu, eu contei minha história para a moça do outro lado. Devia ser uma matrona gorda, tipo governanta suíça, que simplesmente falou pra mim com a educação mais perfeita que eu já vi:
-Problema seu. Chegasse antes. - E bateu o telefone na minha cara.
Eu estava owned. Mais uma porra de ownada na minha vida.
Corri para a porta de blindex que me separava do meu vôo. Através dela, atrás do filho da puta de bigodinho e sorriso cretino, eu vi as últimas pessoas embarcando. Dali a um tempo vi o avião decolar.
Eu estava sozinho, com medo e com frio em Manaus. E o que é pior, sem UM PUTO. Afinal era “tudo pago”.
Arrastei minha carcaça de looser até o guichê e perguntei quando sairia o próximo vôo.
para meu absoluto desespero, estavam todos os vôos lotados e o único vôo que tinha lugar seria numa quarta-feira. ( detalhe: era sábado ainda)
Eu tinha uma remota chance de alguém não ir ou chegar a tempo ao próximo vôo, que seria as três da tarde.

Liguei pra primeira dama para dar as más notícias. Ela se desesperou.
Eu resolvi ficar esperando o próximo vôo da TAM.
Nesse interim, corri até os outros guichês e constatei que devido ao crash financeiro da Vasp, todos os vôos das demais companhias lotaram. Uma vez que de Manaus pro sul não tem muito jeito (estrada é loucura, barco também) o aeroporto era o único meio viável de transporte. E com vários eventos na cidade, como o de cinema, o político e os universitários, não tinha lugar mesmo. E graças a incompetência das companhias, não havia absolutamente nenhum vôo extra.

Quando deu três horas eu fiquei apreensivo. As pessoas começaram a entrar no vôo. Um a um foram entrando. E fechou. O rapaz do guichê falou que o vôo lotou. O próximo seria as dez da noite.
Eu olhei para os lados. O aeroporto, minhas malas e nada mais. Me senti o Tom Hanks em “O Terminal”.
Comecei a passear pelo aeroporto. Quando passou umas duas horas de espera ali, eu já conhecia tudo. Já havia visto tudo das lojas e havia folheado tantas revistas na banca de jornal que o velhinho tava querendo me dar uma porrada.
Eu dei uma olhada em quanto eu tinha no sacrossanto compartimento da carteira onde fica o dindim para emergência. Dez reais.
Com dez reais o taxi não sairia nem pelo portão do aeroporto. Quanto mais viajar até o centro.
Liguei pra Nivea, a primeira dama.
Ela estava falando com a minha comadre, a Elaine. E o marido dela, o meu compadre Americo foi muito solícito em tentar me tirar daquela roubada. Ele tem amigos na polícia em todos os estados e conseguiu contactar uma pessoa em Manaus que mandou a filha e esposa dele irem de carro me buscar.
Elas chegaram e foram super legais. Me pegaram lá no aeroporto e me levaram naquele calor de 40 graus para um banco HSBC, onde eu consegui pegar mais um dinheirinho.
Começamos a procurar um hotel que desse pra eu tomar um banho e esperar até de noite. Não havia nada. Todos os hotéis estavam cheios. Até que chegamos em um com decoração bem estranha… Digamos, regional.
O quarto era cem pratas. Despedi-me com tristeza das duas notinhas amarelinhas e combinei com a moça que eu iria sair de noite pra tentar embarcar. Se eu não conseguisse, iria voltar pro hotel ainda naquela diária. A moça topou. Fiquei no quarto do hotelzinho no centro e resolvi dar um passeio. Zanzei pelo centro de Manaus e vi como tem camelô vendendo controle remoto naquele lugar. É o paraíso dos controles remotos.
Passeando, eu constatei uma coisa curiosa lá em Manaus que é o fato de ser uma cidade oito ou oitenta. Ou tem mulher linda, quase modelo, ou “chuta que é macumba”, como explicou mais tarde o motorista do taxi.
Fui até uma pracinha onde comi um podrão. ( cachorro quente com “tudo que você tem direito”)
Era meu jantar.
Este foi um dos piores erros da viagem.
Enquanto eu passeava comecei a sentir uns calafrios. Eu estava suando… Uma certa pressão surgiu em meu abdômen. Corri para o hotel antes de acontecer o pior dentro da minha cueca.
Aquele podrão me deu uma diarréia tão filha da puta que pensei que evacuaria meus próprios intestinos.
O banheirinho do quarto era uma merda minúscula, praticamente em cima da cama, com um vaso sanitário que estava em falso, “balangando” de um lado para o outro. E eu ali, cagando aquela água. Nem uma dose cavalar de purgante faria efeito tão rápido como o “podrão com tudo que tem direito” em Manaus.
Meu cú fazia ânsia de vômito, querendo cagar mais e nem tinha mais nada pra sair. O cheiro nauseabundo invadiu o quarto e por mais descarga que eu dava, ( o reservatório embutido não dava pressão na água suficiente) a merda só rodopiava e não descia.
Eu recomecei a suar frio. Blasfemei contra tudo e contra todos de pagar cem merréis para passar a noite sentado num sanitário desnivelado com assento bege de plástico da marca Tigre.

Quando deu a hora, eu sai e peguei um outro taxi. Tratei a corrida. O cara queria 120 pratas pra me levar no aeroporto. Mas eu negociei pesado com ele e ele acabou se solidarizando quando eu contei minha aventura até ali (omitindo o pequeno detalhe da diarréia) e ele fez a corrida por 70 pratas.
No meio do caminho, veio a gastura e a pressão na barriga. Comecei a suar frio novamente. Pedi ao motorista pra parar num bar. Era um pé sujo de quinta categoria. Mas fui lá, dei uma bela olhada na privada. Era um sanitário sem assento, todo mijado.
Sabe como é. Fechei os olhos, me equilibrei parcialmente como deu em cima do vaso e mandei o jato.
Me limpei com um jornal estratégicamente carregado para estes momentos de sofrimento.
Corri para o taxi. Abri bem os vidros para disfarçar meu “odor peculiar”, afinal, jornal borroca tudo.
Mas acho que o taxista percebeu, porque ele passou a correr muito mais.

Cheguei no aeroporto antes das dez da noite. O vôo saiu lotado novamente.
Eu estava ficando cada vez mais puto. Mas até que o fato do vôo ter lotado me permitiu ir até o banheiro e discretamente, com a ajuda de um copinho plástico roubado da lanchonete, dar uma lavada estratégica nas partes baixas… Troquei de roupa no banheiro e me senti bem melhor limpo.
O próximo vôo seria duas e porrada da madrugada. Resolvi não pagar uma nota pra voltar ao hotelzinho. Não iria valer a pena. Além do que eu percebi que se fizesse pressão psicológica suficiente, eu teria mais chances.
Comprei uma revistinha de palavras cruzadas e esperei. Eu percebi como o tempo tem uma capacidade única de passar mais rápido quando estamos nos divertindo.
E eu não estava, por isso, o tempo se arrastou indefinidamente. O saguão vazio e eu lá, escrevendo palavras cruzadas.
Quando deu a hora do vôo, o movimento recomeçou.
O rapaz da madrugada já estava solidário a mim. Eu contei toda minha aventura pra ele. Ele começou a torcer por mim.
Um a um, os passageiros se apresentaram. E então só havia um lugar vazio. Foi dando a hora, nada…
O passageiro não chegava. Eu comecei a recuperar as esperanças. Fiquei super feliz quando o carinha do guichê falou:

- È meu amigo. Agora você vai! Vou vender.
- Ele pegou o computador e começou a digitar. Aí eu só ouvi alguém gritar:
-Esperaaaaaa. Olhei para trás, o que eu vi aconteceu em câmera lenta. Era um gordão enorme com uma camisa amarela de doer o olho. Walkman no ouvido, mochila minúscula nas costas correndo feito um sapão com o bilhete na mão. Parecia o Hurley.
O cara do guichê olhou pra mim e disse:
-O último passageiro entrou. Sinto muito senhor. O vôo lotou.

Ah, aquilo me deu ódio. Muito ódio. Eu queria matar um filho da puta qualquer.

Voltei para a poltrona. O próximo vôo da TAM (lotado) seria só no domingo.
Eu fiquei parado na poltroninha do saguão pensando com como sair daquela situação escrota. O tempo estava contra mim. O podrão havia me dado uma trégua de algumas horas e até meu organismo produzir mais um quilo de cocô, eu tinha que arrumar um jeito de sair daquele lugar no meio da selva.
Fiquei olhando para o guichê da Gol.
Muitas pessoas se acotovelavam em busca de um lugar no vôo das quatro e paulada da manhã.
Eu comecei a observar atentamente e percebi pela maneira de andar e se mexer, que uma mocinha novinha era funcionária recente na Gol. Meio inexperiente. Toda enrolada pra vender as passagens.

Foi aí que comecei a bolar o plano que me tiraria daquele lugar quente.
Corri no banheiro e joguei uma água no rosto, mas não enxuguei. Era para dar o toque de suor. PAssei o dedo besuntado daquela merda de passar na mão que tem nas pias de aeroporto sob os olhos. Eles ficaram vermelhos no ato. Parecia que eu ia chorar. Saí do banheiro já cambaleando.
Eu troquei de lugar. Peguei uma cadeira bem de frente para o guichê da Gol.
Abri a camisa um pouco, baguncei o cabelo e comecei a fazer a cara de quem vai morrer. Esta cara até que era fácil de fazer, considerando que eu havia passado a tarde inteira evacuando tudo que havia dentro de mim. Eu estava digamos, meio cadavérico mesmo.
Os olhos fundos. A face sem cor.
Vi que a mocinha me olhou por alguns segundos. Comecei a tossir uma tosse tubercoleprosa. Mais uma vez, apelei para minha interpretação cinematográfica de doente.
E lá estava eu, esquecido num aeroporto distante, fingindo de doente para ludibriar uma moça do guichê da Gol. Era literalmente “O terminal”.

Ela começou a me olhar com uma expessão de preocupação. Quando deu um momento mais vazio, percebi que ela estava sozinha no balcão. Então me levantei com a dificuldade da velha da “Praça é nossa” e movimentei minha carcaça na direção dela. Eu fiz aquele andar de zumbi de filme do George Romero misturado com o andar após o coma da moça de Kill Bill.
Cheguei semi-desfalecido no guichê. A mocinha mal podia conter seu receio.
Eu falei pra ela ( o contável a uma moça) o primeiro trecho da minha história.

- Está se sentindo bem, senhor? - Perguntou a coitada, toda preocupada.
- Moça eu sofro de síndrome de wisterchausen. Já ouviu falar?
- Não… É grave?
- Muito. Se eu não tomar 752 Triodoxina nas próximas seis horas, eu posso morrer.
- Meu Deus!
- E o pior é que o medicanente não tem em Manaus. Fui no hospital e eles me mandaram ir pra Brasília. Só lá que tem. Só que os vôos estão todos lotados, não estão?
-Estão todos lotados senhor. - Ela confirmou.
- E você não tem jeito de me encaixar?
- Ih, senhor. É que com a falta dos vôos da Vasp… - Começou a arrumar desculpa. Aí eu tive que apelar.
- Pois é. Então eu vou morrer. Porque se eu não tomar, essa doença auto-imune que eu tenho vai gerar uma crise pós-hiperbólica nos dendritos cerebrais. A pleura parietal vai vazar e eu vou ter uma ataque aqui. Bem na sua frente. Eu posso morrer e vai ser culpa SUA. - Eu falei apontando o dedo na cara dela.
Ela tomou o maior susto, coitada. Ficou desesperada. Eu cheguei a ficar até com pena quando vi o pânico tomar conta da menina. Afinal, uma história com tantos termos médicos e de nome supostamente alemão, só podia ser séria mesmo.
Ela falou:
- Acalme-se senhor. Eu vou tentar ajudar o senhor. Vou trocar a passagem de um passageiro e te encaixo no próximo vôo daqui a dez minutos.
- Ah, graças a Deus, moça. Você salvou a minha vida! - Eu falei. Os olhos cinematográficamente revirando para trás. A cabeça pendendo para o lado. Paguei mil e tantos reais de passagem no cartão de crédito.
Ela tirou o boletinho em forma de cupom fiscal de padaria, que é o bilhete de embarque da Gol. Eu olhei para aquilo e pensei: Mil e tanto para uma merda de bilhete desses? Coisas da Gol. Eu corri todo torto, igual ao homem-barata de MIB para o salão de embarque e em pouco tempo depois, eu estava dentro do avião comendo amendoim voltando para Brasília.
Cheguei em Brasília de manhã cedo. Com o meu bilhete Manaus-Brasília-Rio da TAM eu consegui pegar o pedaço Brasília-Rio e voltei comendo um sanduíche.
Cheguei no Rio e corri para pegar a primeira van que estava passando no aeroporto. A van estava lotada e só tinha mais um lugar.
Quando eu vou sentar, olho e quem está ali do meu lado?
Meu pai.
Na maior coincidência ele estava na mesma van que eu. Eu abracei meu pai e todo mundo ficou meio bolado achando que eu era doido. Voltamos juntos para casa. Era o final de uma aventura e tanto. Uma aventura com quase tudo pago.
FIM

Calma que ainda não acabou. Eu tentei reaver o meu dinheiro gasto na GOL com a Tam, pegando o valor do trecho Manaus - Brasília de volta em dinheiro. A Tam pegou a grana e despositou na conta.
Na conta da universidade. Nunca mais recuperei aquele dinheiro.
Posteriormente concluí que o cara fechou o portão de embarque na minha cara porque alguém (político ou famoso Global que estava num dos eventos da cidade) deve ter apelado para entrar naquele vôo e eles venderam o meu lugar antes do encerramento do período de check in. Brasil é Brasil.

Esta história também está participando da promoção do blog Goitacá





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30 Comentaram sobre “Minha viagem inesquecível a Manaus”

  1. Leandro Says:

  2. Olá, tudo bem?
    Vim parar aqui por causa de um link no Papo de Homem.
    Adorei os textos, a forma como vc escreve.
    E acabou que fui lendo e lendo e lendo (sim, aqui no trabalho tá um saco e eu tô protelando, lendo blog ao invés de trabalhar, rs…).

    Adorei essa história do quase tudo pago, rs…
    Poderia ser pior, rs…
    Ou não, he he he

    Mas tenho que comentar algo.
    Vi no texto Merdas da Minha Vida que vc tem uma avó em Três Rios.
    Eu sou de Paraíba do Sul, cidade vizinha a Três Rios (onde fiz faculdade), mas trabalho em Petrópolis.
    Legal, né?

    Grande abraço e já te coloquei nos Favoritos aqui.
    Leandro

  3. Philipe Says:

  4. OI Leandro. Legal rapaz. Fico feliz que tenha gostado.
    Tenho um monte de aventuras maneiras em Paraíba do Sul. Fica ligado que a medida que eu me lembro delas, eu vou contando.
    Um abraço

  5. Fernando Alencar Says:

  6. Veja o lado bom da coisa… se os vôos não estivessem lotados, você acabaria tendo a crise de diarréia dentro do avião…
    Tá bom.. se tivesse embarcado, não teria comido o tal lanche… mas se já tinham passado teu lugar pra outro… o estrago seria aéreo mesmo!!!!!!

  7. Philipe Says:

  8. O avião decola e a insuportável vontade de cagar começa a voltar. Eu corro para o banheiro do avião.

    Uma tribo de índios no meio da Amazônia. O indiozinho ouve um barulho. Ele sai da oca e olha para o alto.
    E então grita:

    -Mãe, olha! O grande pássaro! Ele está fazendo cocô!

  9. Ícaro Says:

  10. nada a ver philipe! voces acham que cidade é boa é metropole com cheiro de fumaça e bala perdida? ah meus amigos, pena de vocês viu.

  11. Philipe Says:

  12. Não, a cidade de Manaus é ótima. A galera é super gente-boa. O que é sacanagem é o rolo fodido que eu me meti porque dei mole mesmo. Em momento algum falei mal da cidade.
    Só que eu fui sacaneado no aeroporto.
    Metrópole com cheiro de fumaça e bala perdida é uma merda. Aliás, é uma coisa bem pior que uma merda.

  13. Roberta Says:

  14. KKKK estou rolando aqui! cara, estas suas histórias sao D+!!! :-)
    Esta so perde pra outra, a da lombriga alien!! kkkk

  15. Thiago, O Quase Deus Says:

  16. hauahuahauhauhauha, confesso que quem quase perdeu a carona hoje fui eu, n consegui parar de ler até ver o final da sua “desventura” hauahuahuahua!!!!

    já que vc não conseguiu reaver sua grana, e o valor reembolsado foi depositado na conta da universidade que tava te bancando,
    com certeza, o reitor da universidade deve ter um blog c uma postagem parecida, mas c o titulo, “o dia em que eu paguei a viagem e hospedagem de um cara, e a empresa aerea me devolveu a grana…” hauhauhauahuah!!!

    boa postagem.

  17. Luiz Gadetto Says:

  18. Opa, e ae philipe, cara fico feliz que goste do Trankera, aê desculpa se eu não te respodno, mas vc sabe, a correria de um blogueiro pobre é foda…

    To reestruturando o blogroll do Trankera, vou te colocar lá…

    Seu blog é show, sempre dou um pulinho aqui… esse ultimo texto deu até preguissa de ler de tao grande… nussssa… mas ficou muito bom!

    Abração cara…

    Se quiser me add no msn:

    luizgadetto@hotmail.com

  19. Philipe Says:

  20. VAleu galera.

  21. Diego Xavier Says:

  22. Nossa, até chorei com sua história
    chorei de tanto rir
    hahahahah

    Não cogitou a idéia de voltar a pé? Talvez fosse mais rápido.

  23. fernando_kling Says:

  24. hahaha, o tio edu deve ter gostado de ouvir essa historia no caminho de volta pra casa neh rsrs…
    eu arrancava cada pelo do bigodinho do maluco do blindex…dah mta raiva desses viadinhos rsrs
    arçs!

  25. Profª Jarcy Tania Says:

  26. hahahahahah … sei q foi péssimo + seu texto tá hilário! Também concordo que só perde para a lombriga alien.
    heheheh
    []s

  27. Mindu Says:

  28. Caralho, muito foda tua história! Já passei esse perrengue de viajar pela empresa e perder o check-in. Tive que “matar minha mãe” para embarcar. Minha performance foi tão boa, que mandaram segurar o avião para que eu pudesse embarcar.
    A propósito, você inventou a doença, seu remédio e os efeitos de improviso?

  29. Drak Says:

  30. ahahahaha mto boa, olhe pelo lado bom.. se isso nunca tivesse ocorrido nós não estariamos aqui lendo!

    tá eu acho q vc preferia que nós estivessemos lendo outra coisa!
    ;p

    mto locura

    ate mais!

  31. Philipe Says:

  32. Mindu, inventei a doença o suposto remédio eu catei do nome do produto químico que gerou os zumbis na série “A noite dos Mortos Vivos”. Era um tipo de gás usado secretamente como arma biológica pelo exército, que acidentalmente é extraviado e acaba vazando nos fundos de um necrotério, o que desencadeia a onda de mortos vivos que se espalha pelo mundo.
    Achei que o nome “triodoxina” era bem impressionante, hehehe.
    Os efeitos, eu também chutei eles todos de cara, no melhor estilo Ed Murphy em “Um tira da pesada”.

  33. Mrs. Anya Katrina Snape Says:

  34. Pois, apareci aqui por causa daquel texro sobre Harry poter e descubro alhuém que viveu loucas aventuras na minha cidade!!

    A universidade que vc fala, era a Ufam?

    Estudo lá. Nunca mais verei a Ufam do mesmo jeito. Só vc pra se aventurar em comer no Centro , era melhor ter procurado um supermercado.

    Aprendi uma lição com esta história de td pago: comoo enganar a guria do giche!!

    hheehehhe
    Brigada!!

  35. Philipe Says:

  36. Anya, era a Ufam sim. Valeu.

  37. Veridiana Serpa Says:

  38. no final o “tudo pago” saiu caro… mas teve seus momentos de rei…rs

  39. Julio Says:

  40. auehauehu eu sou de Manaus…comecei a rir na hora do mulher “oito ou oitenta” e do shopping de controle remotos tbm, mas é por lá q eu compro os dvd’s ‘alternativos’ de jogos pra pc…os jogos originais chegam aqui quando já tão lançando a versão nova =)
    E qt a parte de politico passar na frente…é assim msm por aqui. já cansei de esperar 2 horas em fila de médico pq a neta de vereador/deputado/algoamais fica doente e passa na minha frente.

  41. Marshall Says:

  42. hahahahahahahahahahahahahaahahah PUUUUUTZ !

  43. Aline Says:

  44. Tua história é excelente! Altas risadas aqui…
    Dica: não compre nada de boi bumbá ou objetos indigenas no aeroporto… eles roubam qualquer turista lá. hehe!

  45. CH! Says:

  46. só uma dúvida: a vasp não vai a falencia bem antes da gol aparecer?

  47. CH! Says:

  48. só uma dúvida: a vasp não vai a falencia bem antes da gol aparecer?

    após uma pesquisa… retiro o que eu disse…
    a gol apareceu em 2001 (fonte wikipedia) e vasp foi pro espaço lá pra 2005 e ainda tem processo na justiça…

    foi mal!

  49. Layla Says:

  50. eu não quero nem imaginar onde que você parou pra fazer a cagada…
    na próxima é so passar na minha casa

  51. Sol Says:

  52. KKKKKKKKKK … Muito Bom!!!Sou de Manaus, e estava caindo uma chuuuva daquelas! (coisas do Amazonas), daí resolvi procurar na internet uma forma de viajar sem muita grana , virei e mexi na net e acabei achando sua história, nem ia ler tudo, mas foi tão engraçado (isso agora né? pois, foi quase uma tragédia, ou melhor, foi uma tragédia!) que acabei lendo tudo!!!Essa história salvou minha tarde!Dei boas risadas … Mas volte a Manaus, com grana , pq p viver aqui tem q ter “bufunfa”, traga a 1ª dama e não se empolgue mais com os estofados confortáveis de hotel … prá não perder a hora novamente!!!rsrsrsrs :lol: :lol: :lol: :lol:

  53. elaine Says:

  54. nossa coitado, mas cara eu quase me matei de rir kkkkkkkk a´t o meu nome apareceu (mas eu ficaria com odio tambem)

  55. Erick Courtier Says:

  56. Não achava que alguém pudesse se fuder tanto numa curta passagem aqui pela minha cidade. HAHAHAHA
    Mas ó, concordo com a Sol aí de cima. Volte com grana, que eu tenho certeza que você vai ver outra Manaus, vai se divertir demais por aqui, enfim.. heheh
    Abraço. :ohhyeahh:

  57. Erick Courtier Says:

  58. HEY. Isso foi no N Design? :D Eu tava lá, pô!

  59. Philipe Says:

  60. HEY. Isso foi no N Design? :D Eu tava lá, pô!

    Foi sim!

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