Merdas da minha vida

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a close up of a book with some type of text

Vocês que já comemoravam achando que acabou, lamento. Ainda tem muita história bizarra pra sair aqui. O problema com algumas dessas aventuras é que tenho que esperar certas pessoas morrerem para contar, hehe.

Mas eu tava aqui lembrando momentos em que aprontei verdadeiras cagadas daquelas que só se vê em filmes de comédia-catástrofe.

Saca só:

Há um garoto vindo na esquina.
Sou eu. Eu tenho agora exatamente sete pra oito anos. Estou usando um shortinho e uns clássicos kichutes.
Volto do bar do Délcio. Fui comprrar Banda. Banda é o nome de uma bala que vem num papel enceradinho. O gosto é de algo mais artificial que o Q-suco, se é que isso é possível.
É uma banda de uva. Estou com quatro delas na boca, tentando mastigá-las lentamante, aproveitando acda segundo daquela maravilhosa sensação. Tentando criar cuspe suficiente para simular suco de uva…
O tempo está bom. Faz sol. Hoje é domingo. Domingo de sol e eu sem nada pra fazer. Estou de férias na minha avó em Três Rios. Isso significa que minhas preocupações agora se resumem a apenas seis:
1- Andar de bicicleta
2- Bater o récorde em voltas no quarteirão
3- Brincar de pique-esconde com a Claudinha e o pessoal da rua
4- Passear com meu vô
5- Ver o programa do Bozo. ( principalmente o Johnny Quest e MyThor)
6- O triste final das férias que se aproxima a galope

Estou voltando contente porque daqui a pouco vai ter um churrasco. Adoro churrasco.
No caminho, começo a observar uma árvore que tem na frente da casa do vizinho que fica ao lado da casa da minha avó.
Na rua é uma árvore clássica já. Enorme, antigaça. Eu acho ela legal porque é uma árvore velha e morta. Altíssima. No meio dela há um enorme oco.

Eu fico olhando aquele oco… TEnto me inclinar para ver até onde vai, mas é escuro lá dentro. Uma ideia me ocorre.

Depois do churrasco, meus pais vão dormir. Meus avós também e sobra aquele tempo para andar de bicicleta.
Então eu ponho em ação meu plano.
Pego o jornal de domingo. O jornal inteiro. Embolo ele e vou colocando lentamente no interior da árvore. Folha por folha. O oco vai enchendo, enchendo. Até que não há mais nenhum espaço vazio.
Volto na casa da minha avó e pego a garrafa de álcool.
Então eu volto na árvore e jogo metade da garrafa de álcool no jornal. Molhado, mais folhas podem enntrar na árvore. Assim, enfio todo o jornal lá e ainda enfio a garrafa vazia lá pra dentro. Passa um garoto na rua e fica olhando o que eu estou fazendo. Ao entender, ele sai correndo. tento entender o porquê. Acho que o garoto é maluco.

Eu volto em casa e pego a caixa de fósforo. Então eu vou até a árvore e resolvo riscar o fósforo e jogar dentro do oco.
Quando eu faço isso acontece um:

FLOWP!

E eu caio para trás. Uma língua de fogo de uns dois metros sai para todos os lados.
Eu fico ali feliz, vendo a árvore queimar.
Então há uma explosão. ( o fogo atinge a garrafa de ácool)
Não dá pra ficar nem a uns seis metros da árvore, tamanho o calor.
O carro que tá parado perto começa a ter umas reaçoes estranhas, a pintura vai manchando…
Em segundos, uma labareda gigantesca surge no topo da árvore. Ela é como uma chaminé de gás. Parece um poço de petróleo em chamas. Um fogaréu como nunca se viu.
Eu me sinto feliz como um pequeno bruxo que desperta uma criatura diabólica de seu sono nas trevas mais profundas.
Vizinhos saem correndo. Gritaria. A árvore em chamas ameaça desabar. Me sinto importante por criar tamanha repercussão. Todos querem saber quem foi o autor da façanha.
A arvore começa a querer desabar em cima da casa do vizinho. Os bombeiros são chamados.
As férias pacatas tem um gran-finale.

Minha memória começa a falhar aí. Lembro de ouvir que o vizinho quer me bater. Meu pai me joga no carro e me leva para nossa casa em Juiz de Fora.

Vou triste por não ver mais cogumelo de chamas. Mas ele estará para sempre nas minhas memórias. Naquele dia eu não fiz xixi na cama.