Espermograma

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a close up of a book with some type of text

Enquanto eu faço o upload do material do Manara, vou escrever alguma coisa aqui pra passar o tempo.

Tá chegando a época de fazer um novo espermograma. Que saco. (literalmente)
Desde que a ginecologista da Nivea achou estranho estarmos casados há 7 anos e não haver nenhum neném nessa aventura a dois, que começou o nosso perrengue.
Investiga-se a causa de lá, de cá e o veredito. Ambos tinham dificuldades de fazer neném.
A ginecologista da Nivea encasquetou que eu tinha uma tal doença chamada varicocele.
Então fui ao urologista pedir pra ele me dar um pedido de exame pra ver se eu tinha a tal da varicocele. Eu já tava acostumado a ir em urologistas desde que me descobri como um feliz membro do clubinho dos portadores de pedras nos rins.
Então o cara me fez o tal pedido. Eram dois. Um de espermograma e o outro ecodopler colorido das vias seminais.

Ummmmm… Esse lance de exame com nome escalafobético geralmente quer dizer que dói.
Bem, na verdade, doer não doeu. Só é inconveniente uma mulher que você nunca viu na vida pegar no seu “parquinho” e ficar passando uma parada igual a um ferro de passar roupa ali pelos países baixos. No tal do “campinho”. Uma parada desconfortável. Se pelo menos ela fosse gostosa…

O pior é o tal do espermograma.

Você vai até uma clínica. Só fazem de manhã cedão. Então você se pergunta por quê será que só fazem o tal do espermograma de manhã cedo assim? Os bichinhos no meu saco dormindo tranquilos e eu tenho que jogá-los num copinho…
Bom, chego na clínica. Assino o papel, entrego a carteirinha.
Fico na sala de espera do lado de duas velhas e um velho. Noto que o velho traz um pote de merda. Já reparou como são esses velhos? Em vez de pegar o copinho do exame o cara prefere cagar num pote de maionese transparente e exibí-lo para todos na clínica. O seu troféu… Clínicas assim são uma droga.
A velha sentada na minha frente vai fazer exame de sangue. Ela está olhando pra mim. Vejo nos olhos dela que ela se pergunta que tipo de exame será que eu vou fazer? Disfarço e fico olhando uma revista caras.
Então, para minha suprema vergonha, a moça da recepção abre a porra do bocão e berra sem necessidade, pois estou ao lado da maldita: PHILIPE – ESPERMOGRAAAAMAAAAA.

Caralho. Só consigo olhar pra velha, que tá com um sorriso malicioso. Ela olha para minhas calças como se fosse eu o homem beringela. Meu bingulim se contorce de medo.
Como será essa joça?
Meio sem graça com um sorriso de “putaquipariu” eu me movo lentamente até o balcãozinho. Do outro lado está um negão de dois metros. Bigodão. Odeio negão de bigodão. Parece polícia. Inspira uma certa delicadeza estilo DOPS.
Ele tem luvas cirúrgigas e está apertando as mãos, ajustando a luva.
Meu pinto dá um triplo mortal carpado na cueca. Ele teme que o negão… bem, o negão me ordenhe logo de manhã…
É isso. Isso explica porque é tão cedo. Nas fazendas tira-se o leite da vaca de manhã cedinho…
MAs para meu alívio, o negão me estende uma ensebada revista Playboy do tempo em que a Elke Maravilha era gostosa. Isso explica as luvas.
O sujeito me mostra um minúsculo banheirinho. Tão pequeno que sou obrigado a pensar pequeno, pois se pensar grande a porta não fecha.
O meu instrutor de “onanismo” é bem claro:
– Entra aí, colha o material e depois toque esta campaínha e coloque o material aqui.
Ele me estende um copo que mais parece um copo de geléia de mocotó.
caraca! tenho que encher essa parada? Haja pensamento pecaminoso!
Entro no minusculo banheirinho. Abro a revista e…
… Não abre. As páginas estão literalmente coladas.
Começo a me perguntar se estão eles lá fora, a velha, o negão, a recepcionista bocuda cronometrando meu desempenho. Serei alvo de piadinhas.
E se não sair muito “material”? Vão rir de mim.
Começo a pensar quanto homem se masturbou naquele banheiro. tento por motivos óbvios não encostar nas paredes, o que é bem difícil num cubículo assim. A revista está provavelmente colada com esperma deles… Que nojo. Isso explica o cheiro de feto de urubú à milaneza que eu sinto neste lugar sem janelas.
Mas janela pra quê? Para produzir uma linda vista para a vizinhança?
Eu lá. E o meu equipamento está me deixando na mão. A tensão aumenta. Pra piorar eles colocaram um puta dum espelhão bem na minha frente. Porra, tudo bem que não sou feio… Mas a minha imagem com o copinho numa mão e o bingulim desacordado na outra é mais broxante que meu salário.
Sacanagem obrigarem você a se aliviar quando não dá vontade, logo de manhã, olhando para sua imagem deprimente, tendo que ir pro trabalho, e você vê uma velha com cara obcena e um negão bigodudo pra te “inspirar”…
Meu sonho era um espermograma com a Sílvia Saint de enfermeira para “ajudar”.
O banheiro é muito pequeno e não tem muita posição. Você acaba tendo que ficar na posição em que entrou de tão minúsculo. Fecho os olhos e tento usar a imaginação que Deus me deu.
Fico feliz pela primeira vez na vida de não ser um cavalo ou jumento como esses caras de filmes de sacanagem. pô se o cara tiver o lance grande, não dá pra fechar a porta.
Imagina só um velhinho querendo fazer pipi antes de tirar sangue e abre a porta?

Vou pular a parte ingrata e vou dizer apenas que o lance é que a ginecologista da minha mulher acertou na cabeça. Eu tinha varicocele.
Puts, o mulher sinistra, meu. Parece até que era a mãe Diná. Nunca me viu nem me examinou mas sabia mais do meu saco do que eu.

Fui condenado a uma cirurgia para resolver a tal da varicocele. Varizes no testículo… Só me faltava essa. Será que existe cuecas Kendall?
Não, então o jeito foi entrar na faca.
A verdade é que a cirurgia foi tranquila. O pior foi só tirar a sonda, porque a enfermeira simplesmente deu um puxão que quase me retira logo o pinto. O canudinho da sonda ( uma mangueira de aquário enfiada pelo meu bingulim adentro até a bexiga) tava meio mal cortado e isso deixou uma bordinha que virou uma lâmina. A maldita cortou minha uretra por dentro da bexiga até o lado de fora, meu.
E a urina veio atrás, queimando tudo. ( urina de quem tem pedra nos rins é ácido puro, com sal!)
Vi estrelas, quase desmaiei. Mas hoje estou vivo.
Anos depois da cirirgia de varicocele eu sei que valeu a pena. Meus espermatozóides que eram meio cansados estão agora em maior quantidade. Mas ainda cansados.
Nasci para ser rico. É um sinal. Veja, pobre tem muito filho. Se eu não tenho jeito de ter um filho sequer, é sinal que não sou nem serei pobre… E isso explica também meu cabelo que está caindo… Como o mundo é bom. Como sou um cara otimista!
Às vezes me pergunto se ver todas aquelas revistas playboy na adolescência não teve como efeito colateral esse problema.
Ou seja, nada de neném a menos que eu desembolse a quantia módica de DOZE MIL REAIS. Com risco de não funcionar!
Enquanto eu não ganho isso, não ganho na loteria nem um tio desconhecido multimilionário não morre e deixa a fortuna pra mim, eu vou levando sem filhos, mas fazendo o espermograma de tempos em tempos.
Até hoje acho que já foram sete ou oito.
Também, já estou com saudades da velhinha…

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