De presídio à usina elétrica

Da série “ideias ridículas para um país ridículo”, surge o meu projeto “de presídio à usina”.

Tá aí uma ideia esquisita, que geralmente costumo falar quando já estou bêbado para meus amigos na mesa do bar. (geralmente depois que conto o caso de como roubei o defunto, a crente que eu peguei, a mulher que baixou o santo quando tava na cama comigo e a revista pornô que quase publiquei, entre outras histórias impublicáveis aqui)

A ideia é simples: Transformar presos (um problema sério, devido ao aumento absurdo da violência) em geradores de energia para reduzir o preço da conta de energia de escolas, hospitais e etc.

Como você faz para tornar um preso em um motor elétrico? Não, não é enfiando fios no fiofó dele. É colocando o preso pra malhar. Imagine um presídio onde o “trabalho” do preso é andar de bicicleta o dia todo. Claro, com hora de descanso, água, ventilador e tudo mais. Senão os Direitos Humanos enchem o saco, né?

Pense em uma sala gigante, quase que um Hangar onde tem uma porrada de bicicleta ergométrica. Em cada bicicleta dessas, um dínamo, que pega a energia cinética da roda da bicicleta e converte ela em energia elétrica. Toda essa energia é canalizada para outro setor do presídio, que falarei mais à frente. Por enquanto vamos nos ater à bicicleta. É claro que não estou me referindo a esta merdinha aqui:

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Essa aí é do tempo do Onça, como dizia meu avô.

O funcionamento duma bicicleta ergométrica é um troço banal, acho que não preciso dizer muito além de que é uma bicicleta fixa no solo, com uma corrente que ao pedalar gira uma roda, que pode ser ajustada para um pedalar mais leve ou mais pesado. O objetivo dessa bicicleta é fazer o cara “andar” de bicicleta sem sair do lugar, queimar energia e melhorar de saúde por meio de exercícios físicos aeróbicos. Agora vamos à bicicleta ergométrica do presídio:

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Veja, isso é basicamente a mesma merda que a Monark aí de cima, só que tem uma diferença básica, a roda que o pedal toca está ligado numa “caixa de multiplicação” que faz com que cada pedalada do preso gire esse rodão de aço num certo fator de multiplicação, vamos supor 4X. Uma pedalada do preso, quatro voltas do rodão. Esse rodão está ligado a um invento da empresa desse indiano bilionário aí que se chama Manoj Barghava. O sistema é tão incrível que acredite se puder: PEDALAR UMA HORA GERA ENERGIA ALIMENTAR UMA RESIDÊNCIA RURAL POR 24 HORAS!

Curioso com este treco? Veja aí o vídeo, (trecho do documentário imperdível que está no link aqui em cima):

Se você viu o vídeo, entendeu que o cara inventou esse sistema para pessoas que não tem energia poderem produzir sua própria energia elétrica com o próprio esforço, principalmente em lugares remotos, ou em situações de calamidade, como furacões, desastres naturais que interrompam o fornecimento natural de energia, tipo terremotos, enchentes e etc.

Quem é esse cara? Manoj Barghava inventou uma bebida energética e ficou bilionário com aparada.

Bem, não exatamente bilionário, ele ficou quatro vezes bilionário. Com tanta grana, ele começou a investir em coisas que possam ajudar as pessoas, já que tinha dinheiro suficiente para ele que dava e sobrava pra essa e outras encarnações.

Entre as muitas coisas em que ele investiu, há uma máquina de fazer chuva, uma de filtragem de água e essa que gera energia com a força humana. O cara é foda.

Mas se você pensar que hoje no Brasil temos um problema que é crescente, e se refere ao aumento da taxa prisional, vai entender como um presídio pode deixar de ser uma fonte de gastos do Estado para ser uma fonte de receita em potencial.

Nos últimos 6 anos, a taxa de presos subiu cerca de 33%, a tendência é aumentar. Nós temos a quarta maior população carcerária do mundo (fonte). É gente de alta, media e baixa periculosidade junta, e é gente pra chuchu! A maioria parados, sem fazer nada (mentira, muitos tão tocando os paranauê de dentro do presídio. Outros fazendo o disk sequestro… Enfim, você sabe) sendo mantidos pelo Estado.

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A situação do Brasil nesse aspecto (pra variar) está descontrolada! Com um défict de 244 mil vagas no sistema carcerário, o Brasil já conta com 615.933 presos! Destes, 39% estão em situação provisória, aguardando julgamento. É o que mostra um levantamento feito pelo G1 com base em dados fornecidos pelos governos dos 26 estados e do Distrito Federal referentes a maio deste ano.
Há superlotação no Brasil todo. A média no país é de 66%. Em Pernambuco, no entanto, essa taxa chega a 184%.

Pense no que seria mais de 600.000 presos fazendo exercício e melhorando a saúde, ao mesmo tempo que estarão gerando energia com uma bicicleta dessa cada! (que custa U$ 100 pra instalar)  É energia pra dedéu, mas não fica nisso.

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Ao invés de estocar essa energia das bicicletas em baterias, como no projeto original do bilionário, essa energia que o preso gera pode ser direcionada para um conjunto de multiplicadores massivos. Esses multiplicadores podem ser de diversos tipos, e mesmo com o fato de eu não ser nenhum especialista em eletricidade, sei que tem um monte de cabeçudo por aí com boas ideias debaixo do braço. Quem sabe até uma adaptação de um motor Bedini gigantesco resolva.

O motor Bedini é um motor criado por um cara chamado John Bedini:

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John Bedini

John Bedini  criou um protótipo de um motor de “energia livre”.  Mas antes, vamos saber quem é esse sujeito?

John Bedini é uma das poucas “lendas vivas” no campo da energia livre. Ele cresceu no sul da Califórnia e juntou-se ao Exército depois do Ensino Médio. Os militares imediatamente reconheceram sua aptidão para a eletrônica, e treinou exaustivamente. Depois de terminar seu tempo de serviço, ele se instalou na área de Los Angeles e trabalhou para alguns dos grandes nomes do equipamento estereofônico.

Em poucos anos, ele estava projetando um equipamento que era mais avançado do que o de seus empregadores. Pouco tempo depois, ele formou a Bedini Inc. com seu irmão Gary, e nunca mais olhou para trás. Os Amplificadores Bedini de áudio construídos na década de 1970, 1980 e 1990 ainda estão a venda no eBay por preços mais altos do que quando eram novos ou de concorrentes atuais.

Seu desenvolvimento da BASE (Bedini Audio Spacial Ambient) halográfica em 3D de processamento de som permanece o pináculo do processamento de áudio e de som na Terra! Mas os interesses de John vão muito além de áudio: Durante a década de 1970, ele também recebeu treinamento como operador de máquinas. Em última análise, tornou-se proficiente no uso do torno, moinho vertical, cisalhamento, freio e várias técnicas de soldagem. Atualmente, sua loja tem todas essas ferramentas e é capaz de fabricar quase qualquer coisa a partir de placas de circuito 1×1 para automóveis experimentais.

De vez em quando, ele trabalha num transmissor FM micro-watt, apenas para se divertir! Com todas estas habilidades e equipamentos, John tem sido um dos pioneiros experimentadores  de energia grátis nos últimos 40 anos. Ele tem um “museu” de protótipos de trabalho que inclui várias máquinas de “auto-execução”. Com um profundo entendimento da resistência política e financeira a essas tecnologias, a maioria dos dispositivos de Jonh permanecem isoladas. Como foram as de Nikola Tesla.

Em 2003, John começou a divulgar informações ao público sobre um de seus projetos de motor regenerativos que, ao fim do ano, uma menina de 10 anos havia ganho uma feira de ciências com este projeto divulgado em sua cidade natal em Coeur d’Alene, Idaho. No começo, outros pesquisadores discutiam na internet que poderia nunca funcionar. A famosa resposta de John era “se uma menina pode construir um e ganhar um projeto de escola… por que vocês não podem?”

Aqui estão alguns links de patentes de John.

  • Patente EUA # 6392370
  • Patente EUA # 6545444
  • Patente EUA # 6677730

fonte

Seu motor funcionou com uma bateria de 12v , mas a bateria não se descarregou como era esperado. Ele havia criado um circuito inovador que usava a chamada “energia escalar”. Basicamente seu motor era usado para “reciclar” baterias sulfatadas. Baterias que seriam descartadas. Seu circuito inovador bombardeava o ácido com picos de 100 a 400v  dobrando a amperagem da bateria, porém o efeito tinha duração de poucos dias .

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Seu dispositivo é capaz de produzir 8kw/h usado no carregamento de baterias.

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Clique na imagem para acessar o projeto

A parte interessante do projeto do Bedini é que ele usa uma flywheel que é essa roda lotada de Ímãs de neodímio, que entre outras funções fazem a roda girar bem rápido. Ao girar a roda produz energia quando o ímã passa pelas bobinas. A roda, quanto maior for, mais Ímãs pode conter, e com raio cada vez maior, permite cada vez mais bobinas, que significa mais conversão de energia. Parte da energia produzida na roda, é jogada de volta ao circuito para fazer a roda girar. Lembre que há uma energia suplementar sendo gerada pelos presos, de modo a sempre acumular para dar partida na roda do Bedini quando ela precisar parar para manutenção periódica.

Essa estação multiplicadora tem como finalidade ampliar a geração de energia do preso, e jogar para a rede elétrica como energia de baixo custo, e essa diferença de créditos poderá ser abatida nas contas das escolas, hospitais, postos de saúde, e etc.

Assim, em resumo, um presídio poderia ser convertido numa fabrica de energia. Isso seria útil por vários motivos, e um deles é que torna um bom negócio a construção de presídios, que hoje são apenas uma maquina de sugar dinheiro do Estado (o que explica a enorme demanda crescente de vagas no sistema carcerário, já que nem os Estados nem a União planejam fazer coisa para ter mais gasto).
Em 2014, havia 376.669 vagas disponíveis em 1.424 unidades para abrigar toda a população carcerária do país, ou 1,6 preso por vaga. Isso significa que, em um espaço planejado para dez pessoas, há em média 16 presos. É uma vergonha.

Com esta taxa de preso por vaga (atualmente é de 1,7), as cadeias do país já foram denunciadas em órgãos de direitos humanos da ONU e da OEA (Organização dos Estados Americanos).

Nesse contexto caótico, vira um bom negócio pro Estado que o preso saia no dia dos pais (mesmo quando ele nem tem pai) ou no dia das crianças (quando nem filho o maldito tem) e toda sorte de indultos, porque a esperança é que ele vaze e não volte MESMO. Mas a merda é que a maioria desses caras sai e vai pro crime de novo. Mas desgraça toda decorre do fato de que aos olhos do Estado o bandido é fonte de gasto. Mas se ele vira fonte de lucro, a coisa muda de figura NA HORA!

Pra começar, ao ver o preso como um ativo valioso, o Estado passa a ter INTERESSE no bem estar dele, afinal, doente não pedala, e se não pedala, não gera o dindim.  Comida ruim? Isso vai ser coisa do passado, pois somente com dietas equilibradas o preso vai ter condição de produzir energia. Com um sistema de geração 24/7, o presídio entra num outro sistema, onde uns pedalam, outros dormem. O sistema é de revezamento em turnos, e como o processo exaure fisicamente, o preso no seu tempo livre vai dormir. Porradaria? Rebelião? Esquece. Vai estar todo mundo quebradão demais pra isso. Para que os presos durmam e recuperem energia, é fundamental conforto, camas de qualidade.  Nada daquela latrina imunda cheia de nego dormindo em pé entre as baratas e ratos.

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Em paralelo, ter bandido ocupado sempre é um bom negócio, e ainda mais se exercitando. Claro que os caras não vão pedalar o dia todo, isso seria utopia, seria tortura, já que ninguém é máquina. Eu estimo que um preso médio poderia ficar pedalando por quatro horas, que seriam intercaladas ao longo do dia com momentos de descanso, em oito grupos de meia hora cada. Um sistema de metas pode ser implementado para motivar os presos, como uma competição por qual grupo pedala mais, tendo como premiação comida mais gostosa, banho quente, acesso a revistas e jornais ou alguma outra vantagem desse tipo.  Talvez uma ideia maluca seja estabelecer a pena não em dias de prisão, mas em watts a serem gerados pelo preso.

Felizmente, nossa população carcerária é jovem, segundo o último censo carcerário no Brasil. Mais jovens e mais fortes, certamente eles poderão pedalar bastante, o que é bom pra todo mundo. Para o bandido, um presídio onde ele efetivamente paga pelo crime, pedalando feito um desgraçado não vai ser um bom negócio. Logo isso também pode desestimular a criminalidade em algum grau, talvez.

Seja como for, hoje, um de cada 262 brasileiros adulto está na cadeia, talvez um projeto para que eles deixem apenas de comer e dormir já seja vantajoso, independentemente da energia que gerar.

 

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15 comentários em “De presídio à usina elétrica”

  1. Essa ideia já me ocorreu também. Só que de uma maneira um pouco diferente. Eu tinha em mente transformar as prisões em linhas de montagens ou algo parecido onde o preso trabalharia para garantir o próprio sustento e o excedente iria para a família quando houver. Segundo aquela máxima: “se não foi homem pra ganhar o próprio sustento e sustentar a família quando era livre ( que foi preciso matar e ou roubar) vai ser agora que está preso”. Dessa forma geraria renda para custear o próprio encarceramento e outras despesas mais, assim como continuar sustentando os seus dependentes lá fora.

  2. Essa ideia é antiga, e nos EUA existem cadeias privadas que lucram com o trabalho dos presidiários. O problema é que isso não reduziu a população prisional americana que, assim como a nossa, só cresce. Existem grupos que alegam que pessoas são mandadas para prisão com menos chances de defesa justamente para trabalhar nos presídios. Então a crítica a ideia de obrigar os presos a trabalhos forçados é que presídio serve para recuperar o condenado, não para gerar lucro, seja privado ou público. Agora se as prisões não cumprem seu papel de reabilitação é outra discussão, importante.

    • Luiz, devo discordar, pois na minha opinião, o principal papel da prisão não é reabilitar o preso, e sim puni-lo e afastá-lo da sociedade. E não vejo problema se o presídio gerar lucro e se auto-sustentar, visto que o custo de um preso é maior que o de um estudante.
      PS. Esses action figures do Hyperion são seus? Nunca vi a versão preta.

  3. aqui no brasil ongs e defensores dos direitos humanos vão barrar
    e fora que vão achar sua ideia maluca(aqui quem tem muitas ideias é chamado de cientista maluco)
    esse esquema vou querer ter em casa, exercícios e diminuir a conta de luz

  4. Matérias como essas são perigosas, pois elas podem fazer com que as pessoas venham a tentar o suicídio, pois a proposta de melhora do sistema é tão óbvia que só não é realizado realmente porque ninguém esta afim de solucionar nada!!! O caos e a confusão geram muito mais renda concentrada, que acaba ficando nas mãos de uma pequena elite. Triste saber que essa situação além de já existir, ser viável e possível vai demorar ainda de 1 a 2 séculos para ser aprovada no “Brazir”.

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