Já parou pra pensar que a solução pra um problema gigante, tipo falta de moradia ou reconstrução depois de um desastre, pode estar literalmente embaixo dos nossos pés? Eu tava fuçando na internet esses dias e me deparei com umas imagens de casas feitas com sacos de areia. A primeira reação foi: “Sério? Isso funciona?”. Mas depois de dar uma pesquisada mais a fundo, a coisa começou a fazer muito sentido. A ideia, que parece saída de um manual de sobrevivência, na verdade é uma técnica de construção super antiga e inteligente, conhecida como “earthbag” ou “superadobe”.
O conceito é tão simples que beira o genial. Basicamente, você enche sacos (geralmente de polipropileno, aqueles bem resistentes) com terra, areia ou até mesmo entulho local. Daí, vai empilhando os sacos como se fossem tijolos gigantes, traçando as paredes da sua futura casa. Entre uma camada e outra, usa arame farpado ou corda de polietileno pra dar uma amarração e evitar que os sacos escorreguem. O resultado final, depois de rebocado, pode ser uma casa incrivelmente sólida, com um visual orgânico e único, que mais parece uma casinha de hobbit saída de um conto de fadas.
Muito mais que uma solução de emergência
No começo, eu também pensei: “Ah, isso deve ser bom só pra abrigo temporário, numa enchente ou algo do tipo”. Tô errado e como. A técnica do superadobe foi popularizada pelo arquiteto iraniano Nader Khalili nos anos 80, e ele tinha uma visão muito maior. Khalili via nisso um método de construção permanente, acessível e sustentável. As casas de sacos de terra são conhecidas por sua alta massa térmica. Traduzindo: elas esquentam devagar de dia e esfriam devagar à noite, mantendo uma temperatura interna bem estável. Isso significa uma economia absurda na conta de luz com ar-condicionado ou aquecedor.
Além do conforto térmico, a resistência é outro ponto forte. Essas estruturas podem ser incrivelmente robustas, resistindo a terremotos, furacões e até fogo. A forma arredondada, comum em muitos projetos, ajuda a distribuir as forças de maneira uniforme. Saca só que maneiro: uma casa que é praticamente um bunker natural, feita com o material mais barato e abundante que existe. É quase um superpoder da construção civil.
O lado B da coisa: vale a pena morar numa?
Agora, vamos com calma. Não é só chegar, jogar uns sacos no chão e chamar o caminhão de mudança. Existem desafios. O principal, na minha opinião, é a burocracia. Conseguir aprovação de projetos e alvarás para uma técnica de construção não-convencional pode ser uma via-crúcis digna de herói grego. Muitos municípios nem têm normas específicas para isso, o que pode travar o sonho.
Outro ponto é a mão de obra. Embora a técnica seja simples, exige um certo know-how pra garantir que a estrutura fique nivelada, as portas e janelas bem encaixadas e a impermeabilização perfeita. Fazer sozinho é possível, mas é um trabalho braçal pesadíssimo. É aquela história: você economiza no material, mas paga com suor (e muito). E tem o acabamento. As paredes de sacos de terra costumam ser irregulares, o que pode ser um charme pra uns, mas um pesadelo pra quem quer instalar um armário planejado perfeitamente reto.
Mas olha, pra quem tem um espírito mais aventureiro, busca autonomia e quer uma casa com pegada totalmente ecológica, o negócio é tentador. Imagina poder construir sua própria casa, com as próprias mãos (e ajuda dos amigos, claro), usando a terra do próprio terreno? É um nível de conexão com o lar que pouca gente experimenta. Fora o custo final, que pode ser uma fração do valor de uma casa de alvenaria tradicional.
No fim das contas, as casas de sacos de areia são um daqueles conceitos que desafiam a gente a pensar fora da caixa de concreto armado. Elas mostram que sustentabilidade e resistência não precisam vir com uma etiqueta cara ou uma tecnologia super complexa. Às vezes, a resposta tá na simplicidade de ideias que a gente já conhece há séculos. Se é viável pra você? Depende do seu projeto, da sua paciência com a papelada e da força dos seus braços. Mas como uma opção real, criativa e cheia de vantagens, com certeza merece um lugar na mesa de discussões sobre o futuro da moradia.
É isso ai, valeu. A ideia é muito louca e funcional, né?


http://www.youtube.com/watch?v=rJ9r2orcaYo&eurl=http://www.gamevicio.com.br/portal/0/63/news/15/15040/index.html?pt=%22Robo+Scanner+de+Half-Life+2+na+vidaiurl=http://i3.ytimg.com/vi/rJ9r2orcaYo/default.jpg
philipe… olha esse video sobre um robo voador… a só vendo pra entender…
Esses caras não conhecem tijolos?
Durval – http://www.hotmastersound.com.br
Philipe, aqui no Brasil, inclusive em Nikity, existem casas feitas de garrafas PET, aquelas de Coca Cola 2 litros.
Inclusive, com capacidades múltiplas de acumulação de calor e etc…
Valeria a pena criar um post exclusivo!
Pô, jávi uma casa assim no interior da bahia. Uma monja budista morava tranquilamente nela, tinha eletricidade, água e o escambau.
Huum.. que vontade de pendurar um quadro nessa parede…
qual a vantagem dessas casas? é mais barato?
[quote comment="46058"]qual a vantagem dessas casas? é mais barato?[/quote]
Ao que parece é significativamente mais barato.
Com tanta areia acumulada no porto do Rio de Janeiro, que não permite navios de calado mais profundo aconrarem aqui, poderiam usar como alternativa essa drenagem, limpeza da area claro, e estocagem para dar uma solução à problemas de moradia!
Não seria uma má idéia.
Acho que eles poderiam usar esta areia até mesmo para fazer um galpão de armazenagem, uma vez que a areia é um excelente isolante termico. Era só fazer a casa numa escala (bem) maior.