A mulher pelada sob a cama da minha avó

Eu tinha uma namorada lá em Três Rios. Acho que já comentei isso aqui naquele post em que as malucas falavam no ônibus, não?
Então, eu namorava esta menina que chamaremos de J* para preservar sua identidade, afinal ela está casada e não é muito legal contar coisas íntimas assim das pessoas, sobretudo se o marido delas nem imagina isso.
O fato é que eu ia periódicamente para Três Rios, uma cidade do interior do estado do Rio, que é divisa com Minas Gerais encontrar a minha namorada.
Sabe como é, cidade pequena é uma merda. Namorar em cidade pequena é um problema porque sempre tem um maldito que está de olho em você. Esteja você fazendo o que estiver, sempre haverá alguém com aqueles olhos incriminadores apontados em sua direção.
Nós já namorávamos a um certo tempo, e um dia bateu aquele tesão típico. Mas neste dia eu não tinha grana para ir a um motel. Sem grandes opções, tivemos que segurar o fogo até onde deu.
Fomos num churrasco na casa do meu tio e entre asinhas de frango e coxinhas, eu só pensava em enterrar a linguiça. ( nossa senhora, Só mais um trocadilho infame como este e eu vou parar no Zorra Total!)
O lance é que nós tivemos a idéia sensacional ( ao menos naquele momento, parecia sensacional) de irmos para a casa da minha avó resolver a situação.
Demos o perdido no churrasco e fomos.
Foi aquela coisa, um fogo danado, sabe como é. Estávamos no maior rala e rola quando ouvi o barulho do portão.

– Ferrou! – Eu pensei. Imediatamente imaginei que a minha avó sacou qual era a idéia e resolveu dar o flagrante.
Levantei rápido e nisso a chave já girava na fechadura. J* olhou pra mim assustada.
– Rápido se esconde. Corre!
Estávamos no segundo andar, de onde não havia nenhuma saída que não passasse pela escada da sala. Minha avó entrou em silêncio. Eu pude ouví-la subindo as escadas de madeira que estalavam. Empurrei a J* para debaixo da cama da minha avó.
– Porra! Pelada? – Disse ela assutada.
– Cala a boca e entra aí! – Eu falei sussurrando enquanto socava as roupas dela lá pra baixo.
Os passos seguiam-se dos estalidos da madeira antiga e eu sabia que faltavam poucos segundos para o caos se instalar.

O problema todo estava no fato de que seguindo o preceito “familiar” das cidades pequenas, não era de bom tom desvirginar uma moça sem casar com ela. Na verdade isso seria digno de morte a pedradas, e a família dela mal imaginava que a menina era o que minha avó classifica como “mulher furada” até hoje. A J* já tinha mais de 20 anos e ainda contava pras tias e mãe que era virgem. Isso propiciava um enorme empecilho para nossos encontros amorosos, uma vez que cada uma escapada era precedida de um meticuloso plano para determinar as melhores condições físico-químico-geopolítico-eróticas.

Por causa desta mentira, a tia dela, uma beata, cobrava da minha avó uma vigilância enorme sobre nós dois. E minha avó não iria querer sair dessa história como uma “libertina”.

Voltando ao caso:
Minha avó subia as escadas e eu corri para o banheiro carregando precáriamente a minha roupa. Abri o chuveiro e em dez segundos depois minha avó gritou:

– Philipe?
– Quê vó?
– Está sozinho?
– Claro ué.
– Então abre aí.
– Calma aí, vó tô tomando banho.
– Não quero saber. Abre logo essa porta. Tá pensando que berimbau e gaita? – Eu nunca mais esqueci esta frase.

Eu imagino o nível de cagaço sobre-humano que J* sentia deitada, nua sob a cama da minha avó naquele momento.
Eu fechei o chuveiro e me enrolei na toalha. Abri a porta e vi minha vó dar aquela geral a la delegado de polícia pelo banheiro. Só faltou olhar nas gavetas pra ver se achava minha namorada. Não achou nada e falou meio sem graça:

– Achei que você tinha vindo com a J*.
– Não vó. Ela tava com dor de cabeça e eu vim tomar banho para ir tomar sorvete com ela ( essa do sorvete sempre colou)
– Ah, tá. Então tá.
– Ei vó. Onde que a senhora vai?
– Vou dormir ué.
-…
-Por que?
– Nada não vó.

Depois a J* me contou que a minha vó tinha ido no quarto antes de bater na porta do banheiro. Ela viu os pés da minha vó rodearem a cama e mexerem na cortina.
Minha vó então entrou no quarto e fechou a porta. Ficou tudo escuro. Logo depois a cama estalou e formou-se uma barriga que imprensou a pobre coitada da J* no chão cheio de poeira.
A J* era alérgica a poeira e teve que segurar o espirro para não passar o maior vexame de toda sua vida. (e da minha, claro).
Minha avó, movida a umas cervejas dormiu umas três horas. Tempo em que eu fiquei com o * na mão esperando que J* não soltasse um daqueles mil espirros. Ela contou que minha vó roncou feito uma moto-serra.
Aí depois de um tempo que parecia que nunca iria acabar, minha vó acordou. Ela foi comprar pão para o café. Neste momento eu corri lá e vi a infeliz da J* ainda nua, meio trêmula. Parecia um defunto.
Puxei a J* da cama e ela vestiu a roupa. Corremos para o andar de baixo onde ela se escondeu no outro quarto. Fui até a rua para ver se havia algum sinal da minha avó. Nada.
Corremos para a rua e demos a volta no quarteirão.
Então chegamos como se nada tivesse acontecido.

58 Comentários

  1. Thiago, O Quase Deus 15 de abril de 2007
  2. koveiro 15 de abril de 2007
  3. Eurico Dias 16 de abril de 2007
  4. emanuel 16 de abril de 2007
  5. Philipe 16 de abril de 2007
  6. O Pirata 17 de abril de 2007
  7. Philipe 17 de abril de 2007
  8. Fernanda 17 de abril de 2007
  9. fernando_kling 19 de abril de 2007
  10. Irmão Colpani 20 de abril de 2007
  11. Philipe 20 de abril de 2007
  12. Evandro Nunes 5 de maio de 2007
  13. Philipe 5 de maio de 2007
  14. maxwwell 9 de maio de 2007
  15. Philipe 10 de maio de 2007
  16. felipe 13 de maio de 2007
  17. anaïs 14 de maio de 2007
  18. Philipe 15 de maio de 2007
  19. Sy 15 de maio de 2007
  20. Birinahite 16 de junho de 2007
  21. Guilherme 21 de setembro de 2007
  22. PH 1 de fevereiro de 2008
  23. Allisson 3 de fevereiro de 2008
  24. Ana 10 de fevereiro de 2008
  25. TRIRRIENSE 30 de março de 2008
  26. carlos 1 de abril de 2008
  27. luana 8 de abril de 2008
  28. Dark_Avenger 8 de maio de 2009
  29. juliana 11 de maio de 2009
  30. thaiis 4 de julho de 2009
  31. Srª Su 26 de outubro de 2009
  32. eneias 25 de novembro de 2009
  33. May 26 de dezembro de 2009
    • Philipe 26 de dezembro de 2009
  34. Patrícia 11 de janeiro de 2010
  35. Cristiano 14 de janeiro de 2010
  36. MARCELO 28 de janeiro de 2010
  37. cenourão 28 de março de 2010
  38. rhiade 10 de abril de 2010
  39. rhiade 10 de abril de 2010
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  41. Cyberjunior 12 de julho de 2010
  42. Josi 14 de janeiro de 2011
    • Philipe3d 16 de janeiro de 2011
  43. Zicoskywalker 10 de fevereiro de 2011
  44. Gi 4 de março de 2011
  45. Danyllomerece 19 de maio de 2011
  46. Daniel Ferreira 24 de maio de 2011
  47. Lilson BR 19 de junho de 2011
  48. Cristina 29 de junho de 2011
  49. tina 29 de junho de 2011
  50. Isabella 22 de agosto de 2011
  51. FelicioBrant 22 de outubro de 2011
  52. Maninhoxxi 28 de dezembro de 2011
  53. Toninho 29 de dezembro de 2011
  54. Kelly_almeida_1 30 de janeiro de 2012
    • Philipe3d 30 de janeiro de 2012


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