A fúria

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A agonia dos anjos estremeceu o céu
Escurecendo a alma dos mentecaptos
O fogo consumiu até a última folha do papel
E o sangue gotejou no mato, para a alegria dos carrapatos

O sol não surgiu quando deveria
A Terra tragou os últimos resquícios da luz
E a tristeza de uma agonia fria
Foi o que restou à carne, para alegria dos urubus

As folhas secas se espalharam pelo ar
Perfumando a morte e decorando as rochas
Enquanto o peito das pedras ainda insistia em pulsar
em cadentes sismos, estendendo abismos, para surpresa das minhocas

Não teve choro, não houve lamentar
Os trovões explodiram nos céus escarlates
E os raios cortaram a imensidão do espaço, Refletindo no mar
que já começava a secar, para desespero das jubartes

O deserto engoliu cidades destroçadas
As areias tragaram as lembranças intactas
e cobriram os corpos das pessoas espalhadas,
apodrecidas e ressecadas, para a alegria das baratas

Quando a vida enfim cessou, num fraco suspiro do vento
Ninguém deu pela falta do planeta, e daquela população,
Já não havia mais esperança, emoção ou pensamento
Encerrava-se o ato derradeiro, para a fúria espetacular da recriação

4 comentários em “A fúria”

  1. Cara, na mora, esse poema seu tá mto heavy metal!

    Parecendo letras do Nightwish, Cradle of filth…
    Esse aí daria uma boa melodia, já pensei até em um arranjo inicial e um solo daqueles melancólicos que terminam é frases extremamente velocistas!
    Nessa eu vou ver se crio e te mando! hehehehehe

    Boa

    Responder

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