Se você acha que já viu de tudo em matéria de moda, é porque ainda não deu uma volta pelas ruas do Japão. Sério, é um negócio que desafia qualquer lógica ocidental que a gente tenha sobre “se vestir”. Enquanto aqui a gente fica na dúvida entre jeans ou calça social, lá do outro lado do mundo a galera tá criando universos inteiros só com as roupas do corpo. Não é sobre seguir tendência, é sobre inventar uma.
Dá uma olhada nas fotos ali em cima. Cada uma conta uma história diferente, um personagem saído de um mangá, de um anime ou talvez de um sonho muito específico. Tem gente que chama isso de “bizarro”, mas eu acho que é pura expressão. Num país conhecido pela disciplina e pela uniformidade escolar e corporativa, a rua vira o palco da rebeldia silenciosa. Que paradoxo incrível, né? A mesma cultura que te dá o quimono cerimonioso e imutável também te entrega o caos criativo do Harajuku.
De onde vem essa coragem toda?
Pra entender, tem que voltar um pouco no tempo. Depois da Segunda Guerra, o Japão foi inundado pela cultura ocidental. Só que os jovens dos anos 70 e 80 não queriam só copiar. Eles começaram a misturar, distorcer e exagerar. Surgiram tribos como os Visual Kei, com suas maquiagens pesadas e roupas andróginas inspiradas no glam rock, e depois as Lolitas, que resgatavam estilos vitorianos de um jeito totalmente novo. O bairro de Harajuku, em Tóquio, especialmente a Takeshita Street, virou o ponto de encontro. Não era só moda, era um movimento de identidade.
E olha só que curioso: enquanto no ocidente a moda de rua muitas vezes vem “de cima para baixo”, das grifes para as massas, em Harajuku acontecia o contrário. As marcas iam lá pra ver o que os jovens estavam inventando. A criatividade fervilhava no asfalto e subia até as passarelas. Isso me faz pensar: será que a gente leva a sério demais as “regras” de se vestir? Lá, o conceito de “errado” simplesmente não se aplica.
Altura é poder (literalmente)
E não dá pra falar disso sem mencionar os sapatos. Meu Deus, os sapatos! A sua observação tá mais que certa: rola uma nóia foda com altura. As plataformas são tão altas que mais parecem equipamento de alpinismo urbano. Como essa galera não torce o tornozelo a cada três passos é um mistério da biomecânica japonesa. Mas saca só que maneiro: não é só estética. Num país onde a média de altura é um pouco menor, essas plataformas monumentais dão uma presença física inegável. É uma forma de ocupar espaço, de se fazer notar. É quase uma armadura fashion.
Isso me lembra as okobo, as sandálias de madeira super altas que as maiko (aprendizes de gueixa) usam. A tradição e a vanguarda se encontram num ponto inusitado: a sola grossa. Só que no Harajuku, em vez de madeira, é tudo plataforma de borracha, cor de algodão doce e enfeite de pelúcia. A mistura do ancestral com o futurista é o que torna tudo tão único.
E o que eu acho mais fascinante nisso tudo é a atitude. Ninguém nas fotos tá com cara de quem tá se exibindo. Eles tão simplesmente sendo. O visual extravagante é uma extensão natural da personalidade, não uma máscara. É uma lição e tanto de autoconfiança. Aqui a gente muitas vezes tem medo de sair do básico com medo do que vão pensar. Lá, o pensamento alheio parece ser o último dos problemas.
Claro, nem todo japonês se veste assim. A maioria nas estações de trem de Tóquio vai de terno ou uniforme, num visual super discreto. Mas é justamente esse contraste que faz a moda de rua brilhar. Ela existe porque há um contexto de ordem para se rebelar contra. É a exceção que confirma, e ao mesmo tempo, desafia a regra.
Então, quando eu digo que curti o visual do último e que to pensando em me vestir assim, é meio brincadeira, meio vontade real. Adotar umas plataformas de 20cm no meu dia a dia no Brasil ia ser um convite pra tombar e quebrar algo. Mas a mentalidade, essa dá pra importar: se vestir com mais liberdade, com menos medo do julgamento, e com mais vontade de contar uma história só sua através do que tá no guarda-roupa.
É isso ai. A moda nas ruas do Japão não é bizarra, é só um outro idioma. E eles falam fluentemente.




Nossas não é pra tanto! A maioria é beeem de boa! Não vi o problema pra categorizar como bizarro, é só expressão dessas pessoas…
E ainda dizem que é o Brasileiro que precisa ser estudado, vai entender…
Parece uma porra de um evento de, sei lá, cosplay…. bem jacu
Algumas usaria fácil. Outras só pra dormir mesmo.
Fiquei agoniado com a quantidade de pano e com um clima aparentemente quente em algumas fotos
Não sei se é porque eu curto “coisas não muito convencionais” , mas usaria esses aqui normalmente
Esse aqui só falta a calça
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Esse aqui usaria para dormir, inclusive eu tenho vários pijamas de gatinhos no estilo kawaii
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Normal só usaria com capuz
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Usaria normal , mas sem salto
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Malditos mangás, sempre mentido pra gente! huehuehue
queria esses sapatos todos *o*
carario né …
Inspirador