Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on pinterest
Pinterest
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Share on twitter
Share on pinterest
Share on whatsapp

DENGUE MATA

Um curta experimental de Philipe Kling David

CENA 1- INTERIOR – Escritório

A câmera mostra um escritório. Nele, um sujeito está trabalhando.

Cena 2-  Ponto de vista de um mosquito

A câmera se aproxima velozmente da orelha do cara. (Som de mosquito)

O sujeito se estapeia desesperado. Fica procurando o mosquito.

ZÉ – Porra essa casa tá cheia de mosquito!

O sujeito começa a tentar matar o mosquito.

ZÉ – Vem cá maldito! Malditooooo!

Sujeito abre o armário afoito. Pega uma raquetinha elétrica e tenta matar o mosquito com a raquete.

ZÉ- Droga! Não está funcionando!

Cena 3- INTERNA – NOITE – Quarto do casal

Zé está dormindo.

Ponto focal do mosquito. Visão do teto em macro. Mosquito decola.

Ponto de vista do mosquito.

A câmera se aproxima lentamente do sujeito.(barulho do mosquito)

Sujeito mete um tapa na própria cara.

ZÉ – AAAAAAAAH! PORRAAAAA!

MULHER – Que foi, Zé? Que foi homi? Pesadelo?

A Mulher acende a luz do criado mudo.

ZÉ- Não. Mosquito de novo!

MULHER – Pô Zé! Esse escândalo todo só por causa dum mosquitinho de nada?

ZÉ- Mosquitinho de nada o caramba! É mosquito da Dengue, pô.

MULHER – Ah, Zé. Não enche. Vai, dorme, dorme que eu tenho que acordar cedo amanhã.

Mulher desliga o abajur.

Zé vira de lado e tenta dormir.

Close no olho do cara fechando.

Mosquito pousando na pele.

O olho do cara abre arregalado.

CENA 4- EXTERNA – NOITE – vista do bairro.

Um grito ecoa ao fundo:

ZÉ – POOOOORRAAAAAAA!

CENA 5- INTERNA – CORREDOR DA CASA

Sujeito sai de pijama pela casa. A mulher vem atrás bocejando.

MULHER- Você ficou maluco, Zé! Olha a hora! Três e meia da manhã!

SUJEITO – Não enche, pô. Volta pra cama, vai dormir lá com o mosquito.

MULHER – Pô, Zé!

SUJEITO- Não adianta, (imitando a mulher) vir com “Pô Zé!”. Olha lá na varanda aquela sua merda de planta!

MULHER- Mas Zé…

ZÉ- È aquela porra lá que tá fazendo parecer mosquito, Carmem!

MULHER- Zé, vamos dormir, vamos? Amanhã a gente conversa…

ZÉ – Não! Eu vou matar esse maldito. Esse bicho desgraçado! Eu vi na televisão, Carmem. Dengue mata. Dengue mata, pô!

MULHER- Zé! Calma Zé. Olha o coração, meu bem! Onde você vai?

ZÉ – Vou ver se tem inseticida aqui.

MULHER- Zé, não tem.

ZÉ –(Ficando nervoso) QUÊÊÊÊ? E o que você fez com o dinheiro que eu te dei pra com…

MULHER- Comprei uma raspadinha.

Sujeito olha fixamente para a mulher.

MULHER- Calma, Zé. Calma, meu amor. Olha, amanhã de manhã eu compro o inseticida, amor. Eu jogo a água do vaso fora. Eu tampo a caixa d´água, eu faço qualquer coisa, meu amor. Mas deixa eu dormir, amanhã eu tenho que acordar cedo!

ZÉ – Não… Pode ir você. Eu… Eu vou…

MULHER- Vai o quê, Zé?

ZÉ – Eu vou fazer o meu próprio inseticida!

MULHER- Ah, não, Zé. Olha a cozinha, tá arrumadinha.

ZÉ – Não enche, Carmem. Esse mosquito tá me atazanando desde cedo, pô. Eu vou matar esse desgraçado.

MULHER – Ah, Zé. Você não tem jeito mesmo… – (Diz indo pro quarto)

CENA 6 – INTERNA- Quartinho dos fundos-

Sujeito mexe nos armários em busca de produtos.

ZÉ- (fala sozinho) …Álcool, Detergente, removedor, gasolina… Que isso? Hummm (funga) cera, cera é bom… ( câmera desfoca)

CENA 7- EXTERNA – Passagem de tempo, cena do amanhecer.

CENA 8- INTERNA – Quarto do casal – Dia

Despertador toca.

A mulher acorda. Ela olha pro lado e não há ninguém mais na cama.

MULHER – Ué. Cadê o Zé?

CENA 9- INTERNA – Escada- DIA

Mulher desce as escadas. Zé está no sofá emborcado.

MULHER – Zé? Zé? Fala comigo, Zé!

Ela começa a sacudir o marido.

Ponto de vista de Zé. A cena vai entrando em foco, o som estranho, abafado.

CENA 10-INTERNA – Sala – Dia

Zé acorda.

ZÉ – Hã? O que foi? Que foi? Que aconteceu?

MULHER- Zé, o que aconteceu. Te encontrei caído aí no sofá.

ZÉ – (confuso) Eu… Eu não sei! Eu tava usando o meu inseticida e aí… Tudo rodou, e então, eu, eu… Eu não sei.

MULHER –Que isso?

A mulher pega o borrifador no chão com um líquido fluorescente dentro.

ZÉ- Ah, então aí está.

MULHER – Que merda é essa?

ZÉ – É o meu inseticida caseiro, ué.

MULHER – E essa bosta mata mosquito?

ZÉ – Acho que mata… Eu borrifei nele e ele rapou fora. (Diz com satisfação)

CENA 11- Cozinha INTERNA – DIA

Os dois estão tomando café.  Zé conta a Carmem sobre seus planos de fabricar inseticida.

ZÉ – … E então, bota mais um pouquinho de café aqui pra mim? Brigado. Então, eu coloco um pouco de detergente e misturo com álcool e vinagre e…

MULHER- Zé. Para com essas coisas de maluco, homem. Você tem que arrumar um emprego. Um emprego Zé!

ZÉ- Mas amor, veja só… Eu acho que inventei um negócio muito bom. Eu posso registrar e vender, e do jeito que a vizinhança ta cheia de mosquito, eu posso, quem sabe, ficar… Sei lá, rico.

MULHER – Ah, Zé. Não tem jeito mesmo. Você me mata de rir. Bom, tenho que ir andando que hoje o bicho vai pegar lá na repartição. Vou mudar de roupa… (boceja)

ZÉ- Tchau mô.

A mulher sai. Zé fica comendo bolo e lendo jornal.

Zé escuta um grito de pavor.

ZÉ – Amor? Que foi?

Um novo grito.

Zé Sai correndo.

CENA 12- Quarto do casal – INTERNA- DIA

Ele abre a porta.

Close na cara de espanto de Zé.

Ele  dá de cara com a mulher na cama. Sobre ela tem um mosquitão do tamanho de um cachorro. O mosquito tenta furar a mulher com a prosbócide.

Zé corre para o criado- mudo. Ele pega um revólver.

A mulher continua a se debater com o mosquito.

Zé aponta a arma. Não consegue fazer mira.

Zé atira na criatura. Erra o tiro, mas no susto o bicho decola e sai voando pela janela.

A mulher olha pra cara de Zé. Ele está tremendo, com a arma na mão.

MULHER- Puta que pariu, Zé!

ZÉ – Caraca, Carmem… Você viu? Você viu? Dengue mata, pô. Dengue mata!


FIM

Dengue mata – o filme

Comments

comments

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on telegram
Telegram

15 ideias sobre “Dengue mata – o filme

  • 1 de abril de 2011 em 21:37
    Permalink

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk e eu pensando que seria um conto de alguém que morreu de dengue de maneira bizarra, tipo a mulher do cara, ou o inseticida tranformaria o cara na “Metamorfose” e voce vem com essa.

    Resposta
  • 1 de abril de 2011 em 21:42
    Permalink

    Nem precisa avisar que deveria ter saido do papel a muito tempo…

    Resposta
  • 2 de abril de 2011 em 10:40
    Permalink

    Ahhhh Philipe… onde é q vc ta comprando dessa, rapá?!

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Zuei

    Massa como sempre, cara! rsrs

    Resposta
    • 2 de abril de 2011 em 13:22
      Permalink

      Tive a ideia pensando em fazer uns efeitos de luta e tiros contra um mosquito gigante.

      Resposta
    • 2 de abril de 2011 em 13:23
      Permalink

      Mas originalmente ele seria do tamanho de um caminhão.

      Resposta
  • 2 de abril de 2011 em 13:44
    Permalink

    Legal, achei o final bem inesperado,rs. Tava esperando que o cara morresse intoxicado pelo proprio inseticida… Se vc fizer o curta vou querer ver!

    Resposta
    • 2 de abril de 2011 em 20:44
      Permalink

      OI final não era assim originalmente. O mosquito matava a mulher dele, e vinha atrás dele. Daí ele fugia desesperado, o mosquito atrás, e então ele entrava no carro o bicho metendo o ferrão e furando a lataria. Daí o cara foge com o carro e o mosquito vai crescendo sem parar e ficando cada vez mais destruidor, até chegar numa escala do tipo Cloverfield. Termina com os jatos voando e disparando os mísseis contra o mosquito, que destrói a cidade. Mas ficaria escalafobético demais caso eu quisesse fazer. Eu tenho esta versão aqui. Nesta primeira versão, tinha mais sentido o lance do titulo “dengue mata”.

      Resposta
  • 2 de abril de 2011 em 17:06
    Permalink

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, VC É ÓTIMO.

    Resposta
  • 2 de abril de 2011 em 18:53
    Permalink

    Muito bom, boas risadas.
    Seria legal o cara dar um direto de direita, no melhor estilo Hellboy ou algo assim…

    Resposta
  • 8 de abril de 2011 em 22:34
    Permalink

    a pior coisa que ja li aqui, parece teatro de pre primerio

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Related Posts