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“O título está sem pé nem cabeça”, você pensa. Vamos ver se achará isso ao final deste post.

Volta e meia em discussões que começam com o Big Brother, o papo descamba para a péssima qualidade da televisão nacional. A explicação pra isso surgiu numa conversa numa fila de banco onde meu irmão Raphael que é formado em comunicação apontava os problemas. E o problema, meus amigos, chama-se Itamar Franco.

O Itamar Franco é o típico cara que sempre deu sorte. Ele era do PL, um partido que hoje muitos chama de “partido dos ladrões”. MAs naquela época ainda era minimamente respeitável. Itamar num daqueles surtos de loucura que sempre o caracterizaram, resolveu abandonar o partido e juntou-se a um micropartido sem a menor expressão política chamado PRN.
Um dia, na falta de um vice, o então pré-candidato a presidente pelo PRN, Fernando Collor de Mello, resolveu convidá-lo a entrar na chapa do PRN como vice presidente.
Para Itamar aquilo nada mais era que um cargo temporário, pois um jovem rapaz que leva um país inteiro a ver na figura dele o bastião da moralidade e ética , alguém com a alcunha de “Caçador de Marajás” (graças à Rede Globo e ao Globo Repórter) e que anda de jato e corre com camisetas coloridas com dizeres promocionais não parecia ser o tipo de presidente que necessitaria de um vice.
Mas como ele não estava perdendo nada, Itamar resolveu aceitar a oportunidade e entrar no cargo que seria praticamente cenográfico.

O que Itamar Franco não sabia, é que aquele seria o dia fatídico de sua carreira política.

Após as cagadas da Zélia Cardoso de Mello, os sucessivos escândalos dos anões do orçamento, a crise do Pc Farias e a Casa da Dinda (tempos escrotos) que culminaram com as especulações sobre a moralidade do governo Collor, o país viu com a cara pintada nas ruas um presidente ser demitido pelo povo.
Sim, era uma manobra política orquestrada nos bastidores do próprio governo que culminava com a saída de Collor. Mas isso abriu um inesperado espaço e o povo assitiu pela Tv no dia 15 de março de 1990 um Itamar Franco, orgulhosamente importado de Juiz de Fora assumir o controle do país. Meio consternado pelo que aconteceu com o Collor, e muito mais bolado pelo que acontecia com ele naquela hora.

Naquele tempo, o Brasil passava por um período dos mais turbulentos de sua história e a inflação batia recordes de saltos ornamentais. Pra se ter uma idéia, a inflação do país chegou em 1100% em 1992 e bateu os 6000% no ano seguinte.
Era o caos. A cada recorde, Itamar trocava de ministro da economia. Foi trocando, trocando, trocando…

Itamar sempre foi sortudo. Ele entra nas coisas e acaba ganhando.
No governo também foi assim. A primeira sorte de Itamar foi ser vice do Collor. A segunda, foi nomear o ministro da economia numa dessas trocas.

Ele acertou na cabeça e então o Fernando Henrique Cardoso assumiu o cargo.
Dono de um currículo impecável, FHC como seria chamado anos depois, criou um plano estratégico de longo prazo em conjunto com o economista Edmar Bacha, para reduzir o caos econômico. Chamou este plano de Plano Real.
O povo se cagou de medo, já que tava todo mundo escaldado pela Zélia.
Mas o fato é que o Plano Real a despeito de todos os riscos, funcionou. A inflação diminuiu absurdamente e a moeda brasileira mais uma vez mudou, tornando-se forte.

Pela primeira vez na minha vida eu vi um real valer igual a um dólar.

Óbvio que isso era uma aberração e que (ainda bem) durou pouco. Mas é inegável que dos planos econômicos pífios e alguns eu diria até risíveis, com nomes idiotas como “plano verão”, o Plano Real foi o único realmente bem sucedido.
Isso permitiu ao Itamar entrar para a história como o presidente que deu certo no país, e aclamado pelo povo, o Governo Pão de queijo conseguiu a façanha de eleger o sucessor, mesmo com um microescândalo onde Itamar apareceu al lado de uma puta, digo, garota aspirante a modelo-atriz-apresentadora, que estava sem calcinha. Isso levou FHC ao poder por dois mandatos.

Independente da qualidade do governo FHC, atrapalhada em grandes proporções no segundo mandato em decorrência da dependência nacional do câmbio mundial, que passava por graves crises, temos que reconhecer que isso aí beneficiou o povão.
Lembra do frango a um real?
Seja como for, o plano real gerou uma certa estabilidade econômica inédita que permitiu à classe pobre no Brasil comprar eletroeletrônicos dos sonhos à prazo. Era natural vermos barracos sem teto nem paredes direito, sem iluminação ou saneamento adequados ostentando belas tevês de 29 polegadas para passar a novela.
Quem se deu melhor com isso foram os canais de Tv e as rádios.
Ocorreu um aumento no consumo de produtos de mídia como até então não havia se visto no Brasil.
Quando a classe baixa, digo classe B,C,D,E (e a F também, já que os mendigos, vulgos descamisados viam tv pelas vitrines) começou a consumir Tv, as redes de Tv a cabo se instalavam e se espalhavam rapidamente pelo país.
Isso proporcionou uma mudança drástica na estrutura da Tv.
Inicialmente, a televisão brasileira era coisa pra classe A e B. As propagandas que passavam na Tv eram de carros, condomínios, hotéis, roupas de grife.
Quando as classes desfavorecidas econômicamente viraram a massa de consumo de Tv, os anunciantes rapidamente perceberam e o que ocorreu foi um aumento desmedido dos anunciantes de varejo. Gradativamente, os anunciantes de produtos caros buscaram outros nichos de acesso às classes A e B e a Tv virou uma farra de “Casas Bahia”, “Insinuante”, “polishop” e suas quinquilharias, além da guerra dos celulares, deflagrada no governo FHC com a privatização da telefonia móvel do país.
Com a mudança do perfil dos anunciantes, só restou às Tvs buscarem público para consumir estes produtos. Num efeito bola de neve, mais anunciantes eram atraídos equanto mais produtos baratos eram oferecidos e mais pobres consumiam estes produtos.
Para retroalimentar este sistema, as redes de Tv que tinham produtos para segmentos elitistas voltaram-se para produtos de forte apelo popular.
Em momento algum a questão cultural era considerada, afinal Tv é um negócio e negócio precisa de dinheiro. Uma tv só será cultural se a massa de consumidores desejar produtos culturais. O problema é que a massa recente de conumidores vinha de uma imemorial falta de atenção por parte do poder público. Assim eles não sabiam o que era uma cultura culta para os padrões da classe média e alta. Eles tinham uma cultura própria. Esta cultura própria por falta de referenciais de boa qualidade era fundamentada numa falta de noção entre o que é aceitável e o que é ruim.
O descaso gerou uma ignorância generalizada ao ponto do termo “popular” tornar-se um termo pejorativo quando na verdade não deveria ser.
A falta de critério levou a uma guerra feroz entre as redes de Tv e o que vimos foram disputas muitas vezes gotescas entre os canais.
Os canais menores, liderados pelo SBT iniciarm táticas de guerrilha com a Tv Globo, que até dez anos atrás detinha mais de 80% da audiência no país.
Isso foi piorado quando o Boni pegou o chapéu e “deu o perdido” na Globo, pagando uma multa milionária e se aposentando. Sem o Boni, um dos três caras que construiu o maior império televisivo do país, a Tv Globo ficou “nua com a mão no bolso”.
A Globo teve que optar então por Marluce Dias, que tinha uma carreira ligada a finanças (como na Mesbla, que por acaso faliu e no BNDES). Como o Boni que era o cara com poderes supremos e ficava no comando da questão da qualidade saiu, a emissora acabou pegando a tangente comercial sob a tutela de Marluce. Surgia a cultura do “qualidade pra quê se o que eu quero é faturar?”
Foi nesta época que certos programas de qualidade pra lá de duvidosa, como aquela atração do Faustão chamada “Sushi erótico” apareceram. E o Latininho? Um garoto com uma doença rara foi exibido como aberração por Fausto Silva, que mandou o menino dançar imitando o cantor Latino…
Pois é. A Veja estampou a manchete “Mundo Cão na TV”.
O SBT não ficou atrás e os programas de Gugu liberato assumiram um ar ainda mais apelativo com a banheira do gugu, entrevistas com bandidos falsos, exibição de extraterrestres também falsos, etc.
Em seguida foi a vez do apresentador Ratinho, um ex repórter policial de porta de cadeia que vinha obtendo uma boa audiência com conteúdos super baixo nível, e foi roubado da concorrente menor, Rede Record virar atração no SBT.
Sílvio Santos como sabemos é um sujeito que não está nem aí para a qualidade do material que a emissora dele veicula. O importante é não diminuir a compra das TeleSenas e do canê do Baú.
Assim, Ratinho virou o sinônimo de porcaria televisiva. E fez por merecer.
A cada novo combate, o nível de qualidade dos programas descia mais em busca de audiência. O público de alto poder aquisitivo parou de ver Tv. A classe média se viu refém da Tv a cabo com seu custo exorbitante e programas repetitivos. A Tv aberta deixou de ser uma opção para toda a família e isso desencadeou uma crise geral de qualidade na televisão. Novas emissoras surgiram como a CNT, Gazeta, Rede Tv, etc e cada uma tenta buscar um naco de audiência, mesmo que para isso seja necessário expor pessoas ao ridículo com pegadinhas baratas e sensualidade escrachada em horários infantis. As novelas adotaram estratégias de segurar a audiência e o conteúdo ficou mais apelativo. Isso se refletiu num empobrecimento proposital dos diálogos, a simplificação das temáticas e o aumento das situações dicotômicas onde o bom é muito bom e o mau é a pura maldade.
Este tipo de estrutura dicotômica ficou entranhada de tal maneira na mente do público consumidor que os reality shows, a nova febre da guerra pela audiência a qualquer custo, passaram a refletir isso de maneira cada vez mais óbvia.

Resumindo, se Itamar Franco não tivesse estabilizado a economia (mesmo que por uma mera cagada de sorte) isso provavelmente não teria acontecido.

A Tv está ruim? É culpa do Itamar Franco!

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“O título está sem pé nem cabeça”, você pensa. Vamos ver se achará isso ao final deste post.

Volta e meia em discussões que começam com o Big Brother, o papo descamba para a péssima qualidade da televisão nacional. A explicação pra isso surgiu numa conversa numa fila de banco onde meu irmão Raphael que é formado em comunicação apontava os problemas. E o problema, meus amigos, chama-se Itamar Franco.

O Itamar Franco é o típico cara que sempre deu sorte. Ele era do PL, um partido que hoje muitos chama de “partido dos ladrões”. MAs naquela época ainda era minimamente respeitável. Itamar num daqueles surtos de loucura que sempre o caracterizaram, resolveu abandonar o partido e juntou-se a um micropartido sem a menor expressão política chamado PRN.
Um dia, na falta de um vice, o então pré-candidato a presidente pelo PRN, Fernando Collor de Mello, resolveu convidá-lo a entrar na chapa do PRN como vice presidente.
Para Itamar aquilo nada mais era que um cargo temporário, pois um jovem rapaz que leva um país inteiro a ver na figura dele o bastião da moralidade e ética , alguém com a alcunha de “Caçador de Marajás” (graças à Rede Globo e ao Globo Repórter) e que anda de jato e corre com camisetas coloridas com dizeres promocionais não parecia ser o tipo de presidente que necessitaria de um vice.
Mas como ele não estava perdendo nada, Itamar resolveu aceitar a oportunidade e entrar no cargo que seria praticamente cenográfico.

O que Itamar Franco não sabia, é que aquele seria o dia fatídico de sua carreira política.

Após as cagadas da Zélia Cardoso de Mello, os sucessivos escândalos dos anões do orçamento, a crise do Pc Farias e a Casa da Dinda (tempos escrotos) que culminaram com as especulações sobre a moralidade do governo Collor, o país viu com a cara pintada nas ruas um presidente ser demitido pelo povo.
Sim, era uma manobra política orquestrada nos bastidores do próprio governo que culminava com a saída de Collor. Mas isso abriu um inesperado espaço e o povo assitiu pela Tv no dia 15 de março de 1990 um Itamar Franco, orgulhosamente importado de Juiz de Fora assumir o controle do país. Meio consternado pelo que aconteceu com o Collor, e muito mais bolado pelo que acontecia com ele naquela hora.

Naquele tempo, o Brasil passava por um período dos mais turbulentos de sua história e a inflação batia recordes de saltos ornamentais. Pra se ter uma idéia, a inflação do país chegou em 1100% em 1992 e bateu os 6000% no ano seguinte.
Era o caos. A cada recorde, Itamar trocava de ministro da economia. Foi trocando, trocando, trocando…

Itamar sempre foi sortudo. Ele entra nas coisas e acaba ganhando.
No governo também foi assim. A primeira sorte de Itamar foi ser vice do Collor. A segunda, foi nomear o ministro da economia numa dessas trocas.

Ele acertou na cabeça e então o Fernando Henrique Cardoso assumiu o cargo.
Dono de um currículo impecável, FHC como seria chamado anos depois, criou um plano estratégico de longo prazo em conjunto com o economista Edmar Bacha, para reduzir o caos econômico. Chamou este plano de Plano Real.
O povo se cagou de medo, já que tava todo mundo escaldado pela Zélia.
Mas o fato é que o Plano Real a despeito de todos os riscos, funcionou. A inflação diminuiu absurdamente e a moeda brasileira mais uma vez mudou, tornando-se forte.

Pela primeira vez na minha vida eu vi um real valer igual a um dólar.

Óbvio que isso era uma aberração e que (ainda bem) durou pouco. Mas é inegável que dos planos econômicos pífios e alguns eu diria até risíveis, com nomes idiotas como “plano verão”, o Plano Real foi o único realmente bem sucedido.
Isso permitiu ao Itamar entrar para a história como o presidente que deu certo no país, e aclamado pelo povo, o Governo Pão de queijo conseguiu a façanha de eleger o sucessor, mesmo com um microescândalo onde Itamar apareceu al lado de uma puta, digo, garota aspirante a modelo-atriz-apresentadora, que estava sem calcinha. Isso levou FHC ao poder por dois mandatos.

Independente da qualidade do governo FHC, atrapalhada em grandes proporções no segundo mandato em decorrência da dependência nacional do câmbio mundial, que passava por graves crises, temos que reconhecer que isso aí beneficiou o povão.
Lembra do frango a um real?
Seja como for, o plano real gerou uma certa estabilidade econômica inédita que permitiu à classe pobre no Brasil comprar eletroeletrônicos dos sonhos à prazo. Era natural vermos barracos sem teto nem paredes direito, sem iluminação ou saneamento adequados ostentando belas tevês de 29 polegadas para passar a novela.
Quem se deu melhor com isso foram os canais de Tv e as rádios.
Ocorreu um aumento no consumo de produtos de mídia como até então não havia se visto no Brasil.
Quando a classe baixa, digo classe B,C,D,E (e a F também, já que os mendigos, vulgos descamisados viam tv pelas vitrines) começou a consumir Tv, as redes de Tv a cabo se instalavam e se espalhavam rapidamente pelo país.
Isso proporcionou uma mudança drástica na estrutura da Tv.
Inicialmente, a televisão brasileira era coisa pra classe A e B. As propagandas que passavam na Tv eram de carros, condomínios, hotéis, roupas de grife.
Quando as classes desfavorecidas econômicamente viraram a massa de consumo de Tv, os anunciantes rapidamente perceberam e o que ocorreu foi um aumento desmedido dos anunciantes de varejo. Gradativamente, os anunciantes de produtos caros buscaram outros nichos de acesso às classes A e B e a Tv virou uma farra de “Casas Bahia”, “Insinuante”, “polishop” e suas quinquilharias, além da guerra dos celulares, deflagrada no governo FHC com a privatização da telefonia móvel do país.
Com a mudança do perfil dos anunciantes, só restou às Tvs buscarem público para consumir estes produtos. Num efeito bola de neve, mais anunciantes eram atraídos equanto mais produtos baratos eram oferecidos e mais pobres consumiam estes produtos.
Para retroalimentar este sistema, as redes de Tv que tinham produtos para segmentos elitistas voltaram-se para produtos de forte apelo popular.
Em momento algum a questão cultural era considerada, afinal Tv é um negócio e negócio precisa de dinheiro. Uma tv só será cultural se a massa de consumidores desejar produtos culturais. O problema é que a massa recente de conumidores vinha de uma imemorial falta de atenção por parte do poder público. Assim eles não sabiam o que era uma cultura culta para os padrões da classe média e alta. Eles tinham uma cultura própria. Esta cultura própria por falta de referenciais de boa qualidade era fundamentada numa falta de noção entre o que é aceitável e o que é ruim.
O descaso gerou uma ignorância generalizada ao ponto do termo “popular” tornar-se um termo pejorativo quando na verdade não deveria ser.
A falta de critério levou a uma guerra feroz entre as redes de Tv e o que vimos foram disputas muitas vezes gotescas entre os canais.
Os canais menores, liderados pelo SBT iniciarm táticas de guerrilha com a Tv Globo, que até dez anos atrás detinha mais de 80% da audiência no país.
Isso foi piorado quando o Boni pegou o chapéu e “deu o perdido” na Globo, pagando uma multa milionária e se aposentando. Sem o Boni, um dos três caras que construiu o maior império televisivo do país, a Tv Globo ficou “nua com a mão no bolso”.
A Globo teve que optar então por Marluce Dias, que tinha uma carreira ligada a finanças (como na Mesbla, que por acaso faliu e no BNDES). Como o Boni que era o cara com poderes supremos e ficava no comando da questão da qualidade saiu, a emissora acabou pegando a tangente comercial sob a tutela de Marluce. Surgia a cultura do “qualidade pra quê se o que eu quero é faturar?”
Foi nesta época que certos programas de qualidade pra lá de duvidosa, como aquela atração do Faustão chamada “Sushi erótico” apareceram. E o Latininho? Um garoto com uma doença rara foi exibido como aberração por Fausto Silva, que mandou o menino dançar imitando o cantor Latino…
Pois é. A Veja estampou a manchete “Mundo Cão na TV”.
O SBT não ficou atrás e os programas de Gugu liberato assumiram um ar ainda mais apelativo com a banheira do gugu, entrevistas com bandidos falsos, exibição de extraterrestres também falsos, etc.
Em seguida foi a vez do apresentador Ratinho, um ex repórter policial de porta de cadeia que vinha obtendo uma boa audiência com conteúdos super baixo nível, e foi roubado da concorrente menor, Rede Record virar atração no SBT.
Sílvio Santos como sabemos é um sujeito que não está nem aí para a qualidade do material que a emissora dele veicula. O importante é não diminuir a compra das TeleSenas e do canê do Baú.
Assim, Ratinho virou o sinônimo de porcaria televisiva. E fez por merecer.
A cada novo combate, o nível de qualidade dos programas descia mais em busca de audiência. O público de alto poder aquisitivo parou de ver Tv. A classe média se viu refém da Tv a cabo com seu custo exorbitante e programas repetitivos. A Tv aberta deixou de ser uma opção para toda a família e isso desencadeou uma crise geral de qualidade na televisão. Novas emissoras surgiram como a CNT, Gazeta, Rede Tv, etc e cada uma tenta buscar um naco de audiência, mesmo que para isso seja necessário expor pessoas ao ridículo com pegadinhas baratas e sensualidade escrachada em horários infantis. As novelas adotaram estratégias de segurar a audiência e o conteúdo ficou mais apelativo. Isso se refletiu num empobrecimento proposital dos diálogos, a simplificação das temáticas e o aumento das situações dicotômicas onde o bom é muito bom e o mau é a pura maldade.
Este tipo de estrutura dicotômica ficou entranhada de tal maneira na mente do público consumidor que os reality shows, a nova febre da guerra pela audiência a qualquer custo, passaram a refletir isso de maneira cada vez mais óbvia.

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