Pois bem, meus amigos, a história de hoje é um verdadeiro thriller de espionagem da vida real. Chega a ser difícil de acreditar que aconteceu, porque parece coisa de filme, e de fato, ninguém menos que Ian Fleming, o Inventor do James Bond, estava por trás da equipe que a executou.
Um cadáver misterioso
Era 30 de abril de 1943, um pescador espanhol encontrou um corpo boiando nas águas de Huelva, no sudoeste da Espanha. O cadáver vestia uniforme militar britânico completo, com sobretudo preto e botas. Amarrada à sua cintura, havia uma maleta preta, trancada. A cena parecia tirada de um filme de espionagem.
O pescador reportou sua descoberta às autoridades espanholas. Quando os oficiais examinaram o corpo, descobriram sua identidade: Era o Major William Martin, do exército britânico. No bolso, havia documentos pessoais, fotos de sua noiva e até mesmo uma nota fiscal de um anel de diamante. Para completar, ele usava roupas íntimas de lã de alta qualidade—algo raro em tempos de racionamento e reservado apenas para oficiais de alto escalão.
Mas essa não era uma morte comum. O patologista que examinou o corpo constatou que a causa da morte fora uma combinação de hipotermia e afogamento.
Os britânicos, por sua vez, entraram rapidamente na jogada, com o vice-cônsul britânico Francis Haselden supervisionando a investigação.
A Maleta Secreta
A tal maleta preta continha documentos militares altamente sigilosos. O governo britânico estava literalmente desesperado para recuperá-la, enviando mensagens diárias à Espanha exigindo sua devolução o mais rápido possível.
Só que havia um detalhe crucial: a Espanha, embora oficialmente neutra, tinha muitos simpatizantes nazistas dentro de seu alto escalão militar.
Como esperado, os alemães tomaram conhecimento da existência de um corpo de oficial graduado com uma mala secreta. Assim, sabendo da possibilidade de que havia ali documentos importantes para seus inimigos, eles rapidamente intervieram.
Com uma haste de metal, agentes da inteligência nazista conseguiram extrair os documentos sem danificar os lacres do envelope.
Ao lê-los, encontraram informações de suma importância: o Major William Martin era um mensageiro do Tenente-General Sir Archibald Nye, e a carta que ele carregava, escrita à mão e assinada, revelava planos militares cruciais dos aliados na Segunda Guerra.
De acordo com aqueles os documentos, os Aliados planejavam invadir a Grécia e a Sardenha a partir do Norte da África. Essa informação caiu como uma bomba no comando alemão, que imediatamente reforçou suas tropas nessas regiões, deslocando grandes contingentes para a área. Uma mensagem foi enviada às forças nazistas:
“As medidas a serem tomadas na Sardenha e no Peloponeso têm prioridade sobre quaisquer outras.”
Então os documentos foram recolocados cuidadosamente no envelope e devolvidos ao vice-cônsul britânico com a garantia de que “tudo estava lá”. O caso foi enviado o mais rápido possível para Londres.
Após o recebimento, os documentos foram examinados com técnica forense, e a ausência de um cílio estrategicamente colocado foi notada. Outros testes mostraram que as fibras do papel foram danificadas por serem dobradas mais de uma vez, o que confirmou que as cartas tinham sido extraídas e lidas.
Então, uma mensagem foi enviada a Churchill e aos Estados Unidos: “Carne moída engolida inteira” – Carne moída era o nome de uma operação muito secreta, um truque e uma armadilha.
Para acalmar quaisquer potenciais temores alemães de que suas atividades tivessem sido descobertas, outro telegrama criptografado, mas quebrável, foi enviado a Haselden, afirmando que os envelopes foram examinados e que não foram abertos; Haselden vazou a notícia para espanhóis conhecidos por serem simpáticos aos alemães.
A decisão estava tomada. Os alemães direcionaram divisões inteiras para defender a Grécia e a Sardenha, esperando ferrar o plano dos ingleses. Mas os nazistas não sabiam um detalhe importante: Eles caíram num golpe.
A Verdade Sobre o Major William Martin
Tudo isso era mentira.
O Major William Martin nunca existiu. Ele era, na verdade, Glyndwr Michael, um sem-teto galês que morreu após ingerir veneno para ratos por engano.
Seu corpo foi cuidadosamente preparado pelos britânicos, que montaram uma identidade falsa completa, com fotos, cartas de amor, cuecas, e até mesmo recibos para que tudo parecesse legítimo.
Essa enorme farsa foi batizada de Operação Mincemeat (Carne Moída), e seu objetivo era enganar os nazistas sobre a verdadeira invasão aliada: o ataque à Sicília.
Enquanto os alemães esperavam ansiosamente um ataque na Grécia, 160 mil soldados aliados desembarcavam de surpresa na Sicília em 10 de julho de 1943, pegando as forças do Eixo enfraquecidas e completamente desprevenidas. O golpe foi um sucesso absoluto.
Impacto e consequências
A Operação Mincemeat não apenas ajudou na captura da Sicília, mas também teve um efeito duradouro na guerra. Duas vezes depois disso, documentos verdadeiros caíram nas mãos dos nazistas—uma vez após o Dia D e outra em um planador acidentado. Em ambos os casos, os alemães desconfiaram que fosse outra malandragem e ignoraram as informações, acreditando que poderia ser um novo truque dos britânicos. Essas não eram hahahaha.
A genialidade desse plano não passou despercebida. Muitas figuras envolvidas foram altamente condecoradas, e um dos que mais se beneficiou da experiência foi Ian Fleming, criador de James Bond. Sim, a mente por trás do espião mais famoso do mundo usou muito do que aprendeu nessa operação para construir seus personagens e histórias.
O Homem Que Nunca Existiu
O caso foi tão impressionante que acabou virando filme em 1956: The Man Who Never Was (O Homem Que Nunca Existiu). Mais recentemente, em 2022, uma nova adaptação cinematográfica foi lançada, reacendendo o interesse nessa operação brilhante.
E assim, a história de um sem-teto galês, transformado em um major fictício, enganou uma das maiores máquinas de guerra da história e ajudou a mudar o curso da Segunda Guerra Mundial.
Se isso não é um dos golpes de inteligência mais impressionantes já feitos, eu não sei o que é.
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