Thriller

Sabe, outro dia eu estava nas lojas americanas do shopping. Enquanto eu olhava a seção de brinquedos, (eu sou obcecado pela seção de brinquedos) ouvi os primeiros acordes e sabia de cara que se tratava do Thriller.
Thriller

Saí correndo em busca do som pela loja e vi que o cara que estava acabando de instalar uma Tv de 52 polegadas na loja tinha colocado num home theater para passar o DVD de colecionador do Michael.

Acredite você ou não, eu sempre fui fã do Michael Jackson. SEMPRE. Até quando ele virou essa coisa bizarra e quase jogou o filho dele pela janela. Ainda assim eu gosto do cara. Eu acho que Michael é bem superior a tudo isso, e por mais monstrengo que ele tenha se transformado, em parte devido a uma doença que ninguém sabe ao certo se ele tem mesmo ou não, em parte pela loucura do cara de querer ser criança eternamente, falando com aquela vozinha forçada, como a Xuxa faz nos discos, eu curto o som do Michael. Sobretudo a parte dele ja infância, quando ele cantava pra caramba e sua adolescência, quando ele parecia manifestar pendores que indicavam que ali estava um cara que seria um tipo novo de Lionel Richie.

Um dia, eu estava vendo fantástico em casa quando o Cid Moreira anunciou com tom fúnebre que era para os pais tirarem os filhos da sala, pois o clipe de Michael, acho que nem se chamava clipe na época, era assustador para crianças. Pela primeira e única vez na vida meus pais obedeceram a porra da Tv e eu fui o ÚNICO prego em toda a escola que não tinha visto o clipe, o assunto do momento no dia seguinte.
O mais estranho é que o fato de não ver me afetou mais do que se tivesse visto. Michael é tão fodão que ele conseguiu me afetar mesmo eu não assistindo a parada. Eu lembro que na cama, ouvia meus pais vendo o clipe lá em baixo e imaginava o que poderia ser tão bizarro, tão assombroso para eles não me deixarem ver. E daí em diante tive uma certa fixação por este tipo de produção capaz de fazer os pais tirarem os filhos da sala.

Talvez a coisa de não poder ter assistido ao Thriller tenha me afetado de alguma maneira curiosa, pois desde então eu passei a ficar meio fanático por filmes de terror, sobretudo os que envolvem zumbis e pessoas andando putrefatas após a morte. Passei a ver de tudo, sempre querendo mais sangue, mais tripas, mais coisas gore. Daí para tentar descobrir como fazer aquilo foi um pulo.

De telespectador de filmes de terror para produtor de projetos caseiros onde meus amigos e colegas da escola e prédio morriam de maneiras toscas foi uma evolução gradual. Eu queria mesmo era fazer Sci Fi, tipo star wars, mas como isso era impossível, fazer filmes de zumbis era o que estava ao meu alcance. Tudo era decorado com grandes quantidades de sangue e aos quinze anos (um dia antes de roubar o cadáver) eu fiz o que seria o primeiro filme da minha trilogia assassina. Era a estréia do Barroco assassino.

O barroco assassino era um curta metragem em VHS onde todo mundo que eu conhecia morria. Tudo começava quando meu irmão mais novo, que havia sido exposto a radiação nuclear numa usina foi fazer cocô. (Inesquecível cena do André cagando de roupa. Ele ficou com vergonha de tirar a calça para fazer cocô no filme)

Daí o cocô do cara, radioativo ganha vida e sai do esgoto, matando um a um e a cada morte, o cocô nojento crescia mais. Tivemos que interromper o filme, porque eu havia acabado com todo o bombril lá da minha mãe.

Nós colocavamos o bombril numa linha de pesca e arrastavamos no fundo de um valão. O resultadoera um cocô controlável altamente realista. E nojento.

meses depois,  eu filmei no Pantanal “A Luva Assassina”. Este foi legal, pois era uma luva que… Isso mesmo, ganhava vida. A luva saía matando um a um. Por falta de elenco, alguns primos meus morreram umas duas vezes. O filme da lugva assassina chamava-se “Sábado 14”, pois “sexta feira 13” já tava bem batido.

Daí algum tempo depois, quando o Popozinho (Antônio Carlos) foi morar nos Estados Unidos, eu juntei a galera do predio para mandar um video pra ele lembrar da gente. Assim eu filmei “O carrinho maldito”. Que era uma maldição em que um espírito maligno se apossava do carrinho de compras na garagem do predio. A coisa subia para o play e ia matando um a um. Destaque para a morte do Dudu (aquele que virou um chafariz de vômito na minha festa) que acabou sendo enrabado pelo carrinho. E a Feranda, que morreu afogada na piscina sem conseguir sair. O Carrinho foi o meu filme caseiro mais cheio de efeitos, pois isso envolvia esncoder linhas, cabos de vassoura e traquitanas curiosas para mover o carrinho sem que a câmera percebesse.

Neste filme, temos inclusive a morte das minhas irmãs Dani e Leo, Uma com dois e a outra com 3 anos, morrendo esmagadas pelo carrinho maldito dentro de um freezer no salão de festas. Há ainda a hilária morte do meu amigo Pedro Rodrigo, que não sabia nem andar de bicicleta direito e acabou estraçalhado na pilastra para fugir do carrinho.

Esta fita está em algum lugar no meio de filmagens bizarras lá na casa da minha mãe.

Mas como eu ia dizendo, o lance do Thriller me ajudou a curtir maquiagem de terror e efeitos especiais.
Ao lado do George Lucas, foi Michael Jackson e seu clipe – que eu não vi na infância – que me impeliram a fazer maluquices. Daí que eu estava na Loja Americana e fiquei ali só curtindo o telão e o clipe. Quando dei por mim, havia uma multidão gigantesca. Parecia até um show de tanta gente ao redor da Tv assistindo aquele video, que tem efeitos especiais do Rick Baker, e que mais tarde se tornaria um ícone máximo do Pop. Michael inventou o pop, inventou também a linguagem do videoclipe. O poder do clipe era tamanho que nos dias de hoje, mesmo pessoas bombardeadas de informações, videogames, internet e o escambau a 4, dezenas de pessoas de todas as idades estavam ali petrificados por aquele produto. Isso se chama qualidade.Se chama genialidade. Se chama Michael Jackson. Nesta hora eu tive que tirar o meu chapéu para o cara e reconhecer sua capacidade.

Falando em Thriller, aqui está um maluco que pegou o clipe original e dublou ele todo com a boca. O cara usou uma mesa de dezenas de canais para remixar o clipe TODO com a boca. São 64 canais individuais de som em que Francois Macré repete de maneira quase idêntica a musica, que talvez seja uma das mais famosas do mundo.


Muito legal.

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11 comentários em “Thriller”

  1. Putz! Descobri agora que, apesar dos meus trinta e poucos anos, nunca tinha visto esse clipe :omg: O_o por inteiro. 😀 😀 😀

    Devo ser de outro planeta mesmo…

  2. Ae, gostaria de saber que programa que ele usa pra fazer isso, tipo juntar vários clipes em um só e ainda alterar (ou arrumar) a altura do som, pq ninguém consegue assobiar na altura que ele estava assobriando no meio do clipe. Ele com certeza usou algum programa para ajustar a altura. Pq cantando ele é um desastre. Se bem que eu tb sou…. Só que com segunda voz é um pouco menos pior…

    http://br.youtube.com/watch?v=c-H3ZmKIV5Y

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