Cartão de visitas – Criatividade sem limites

Volta e meia eu recebo um cartão de visitas daqueles do tipo mais nauseabundo, que basta a primeira olhada para ver que foi feito no Word usando a impressora jato de tinta com um papel de quinta e aquela maldita serrilha nos quatro cantos do cartão não negam a economia.

Quando questionados, 99,9% dos portadores deste tipo de merda, digo, de cartão, alegam que o fizeram por motivos econômicos.
Isso é clássico. O cara tem grana para sair todo fim de semana. Para viajar para cidade de praia. Para fazer churrasco com os amigos da pelada. Mas na hora de investir na imagem, no negócio, é aí que o feladaputa resolve fazer economia. È como no site da firma que ele pediu para que o guri, o afilhado da mulher dele fizesse na “amizade” em troca de um chopp.
Salvo algumas exceções o empresário brasileiro guarda ainda alguns resquícios de tempos mesquinhos, onde cada economia de um centavo conta. O governo nacional funciona na mesma lógica. Economiza no que não pode e gasta garboso no que também não deveria.
Nada pode destruir uma imagem tão rápido quanto um cartão de visitas mal feito.
Bem, talvez só aquela sua foto no churrasco de fim de ano, dançando “cara-caramba-cara-caraô” em cima de uma mesa, completamente bêbado usando apenas uma tanguinha enfiada no rêgo. Mas fora isso, o dano provocado por um cartão de visitas vagabundo é quase tão terrível quanto praga de mãe e de madrinha.
Outro tipo detestável é aquele que você recebe e vê que ele foi feito num papel fotográfico. Um papel fino. ( não na qualidade mas na gramatura) coberto com aquela superfície lustrosa que ilumina as cores. E que cores! Uma profusão delas em imagens quase sempre chupadas de bancos de imagens. Muitas vezes até mesmo com as marcas d´água. Ou então, Sob aquele belo letreiro cheio de sombra do Corel Draw, a cara – forçosamente séria – do dono do cartão. Desses então dá vontade de Rauuuuuuuulguéééééééé…( Isso foi minha onomatopéia para “ter um filho pela boca”)
Tem certas coisas que a gente fica até impressionado. Eu já recebi cartões de visita de muita gente, e uma vez eu recebi um que era com um materail de primeira. Impressão boa, papel bom… Mas o design, meu irmão… Esse sim era de “catiguria”.
Num único cartão, naqueles nove centímetros, estavam nada menos que seis fontes diferentes, todas incompatíveis entre si. Ao fundo, uma bela coisa sem forma. Uma arte moderna vetorial com milhares daqueles delírios de Ilustrator que se baixa aos borbotões e que são a marca registrada do pós modernismo do design gráfico. Nada como uma merda cara para exibir o quanto sua empresa pode torrar sem se preocupar com o quê.

Este tipo de cartão dá uma mensagem simples: Meu dono é um mane que se acha esperto, mas é um otário que cai em modismos. Por favor, tire dinheiro dele! Chamem o Hans Donner!
É intrigante pra mim como pode uma empresa negligenciar a própria imagem ao ponto de fazer certas trapalhadas.
Outra coisa que não pega bem em cartão de visita, (pelo menos eu não gosto) é “dizer evangélico”. São vários. Tem do pequeno, do grande, do aparentemente sem sentido. São aquelas mesmas frases que tem na porta da casa do cara. Bem como nos vidros (todos eles) do carro, num adesivo na Bíblia dele, no livro caixa da empresa e por onde ele passa. A vida do cara é lotada de “dizer evangélico” para todo lado.
Quando pinta a necessidade de fazer o cartão da firma, ele tem a brilhante idéia de inovar e… Taca um “dizer evangélico” bem no cartão de visitas.

Olha, nada contra os evangélicos. Cada um leva a vida que quer e eu não tenho nada com isso. Mas eu não gosto. Eu acho que fé é uma coisa, propaganda religiosa é outra. Já pensou se os satanistas começam também a colocar coisas do chifrudo nos cartões? E os indianos? Onde ficaria o nome com mais de mil deuses diferentes?
Outro dia, um cara me deu um cartão. Na frente era normal, mas atrás… Atrás, meu, era um dizer evangélico tão grande que me senti na aula de catecismo.
Aí é fogo. Ou você vai vender a si mesmo, sua companhia, seu trabalho, ou vai vender a sua igreja. Mas venda em cartões diferentes, porque dizer evangélico em cartão de visita não fica bem nem mesmo para cartão de pastor. Se você tem fé, ótimo. A fé é sua, inabalável e inalienável. Parabéns.
E ela não aumentará e nem diminuirá sem isso no seu cartão. A menos que sua idéia seja estampar um rótulo social de honestidade e benevolência, malandramente se aproveitando da sua religião para vender este conceito subliminar. E isso não é nada bonito.
Um cartão é uma poderosa arma de marketing. Em geral, um cartão de visitas tem como objetivo lembrar a seu interlocutor com quem ele falou. Quem era você e de que empresa, bem como deixar seus contatos. Nada é mais escroto que deixar seus contatos naquele guardanapo borrado de gordura do restaurante. Tirando moçoilas apaixonadas por galalaus românticos, ninguém guarda guardanapos com números de telefone de empresário fundo de quintal, meu chapa.
Seu nome, seu tel, sua empresa. Objetivamente é isso. Mas na prática, como tudo na vida, é bem mais, muito mais.
Um cartão pode transmitir valores inconscientes para seu interlocutor. Ele funciona como um discurso velado que diz quem você ( e sua companhia) são em menos de um segundo. Menos de meio segundo. Na hora. Vapt-vupt.
A maioria dos objetivos valorais de um cartão são os mesmos. É o “arroz com feijão”. Todo mundo quer que o cartão transmita:
• Confiabilidade
• Segurança
• Honestidade
• Compromisso
Mas existe uma outra parada. Uma percepção de valor indireta que pode ser adequada a cada companhia, cada perfil pessoal ou de empresa. E isso que funciona para uma pode ser um desastre total para outra. Quer ver?
Uma agência de publicidade pode ter um cartão feito num material plástico semi-transparente, com bolinhas de cores cítricas e uma fonte divertida. Pega bem. É uma coisa jovem, transgressora na medida certa para impor a sua criatividade, sagacidade e inovação.
Agora imagine usar este mesmo cartão para um antiquário, uma joalheria chique de Frankfurt, um banco suíço de 200 anos ou um hotel para pessoas podres de ricas na Bavária?
Pega mal, claro.
Empresas assim querem transmitir as mesmas idéias de confiabilidade, segurança, honestidade e compromisso da agência, mas a percepção de valor é outra. Por isso, o cartão provavelmente será algo em papel tradicional, usando uma fonte serifada clássica com cores sóbrias e – quando muito – alguma beiradinha dourada para ressaltar a elitização da empresa, exalando em ouro seu lastro econômico.
Então é importante pensar sobre a natureza do seu negócio. A imagem que você quer que seja transmitida. Esta é uma poderosa comunicação. Invisível, mas altamente pregnante.
Estude seu alvo. Não copie um cartão só porque achou bonito. Contrate um designer.
Mas não fique só nisso. Entenda a importância do seu cartão (e de todo o resto) da imagem da sua empresa para seu negócio. Isso é fundamental, porque um cartão sempre vende. SEMPRE.
Se o seu cartão é feito no Word, com aquela merda de impressora matricial toda falhada do seu sobrinho, com tudo centralizadinho, seu cartão vai vender essa imagem. E essa imagem vai grudar de tal modo em você que atrapalhará seus negócios. Vai manchar o conceito da companhia. O cliente ( que naturalmente já viu um cartão 1000 vezes melhor do seu concorrente) vai olhar e pensar: Se ele cuida da própria imagem assim, o que dirá com os clientes! E eles logo fugirão de você como só os políticos fogem das auditorias contábeis.
Bem, eu escrevi isso tudo só para servir de preâmbulo introdutório para uma galeria de interessantes e curiosos cartões de visita do mundo todo. Mas aviso logo que são muitas imagens e que se sua conexão é “meia-boca” sugiro pensar duas vezes ates de clicar aqui ó:

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