Noite com emoção

Noite com emoção

Essa noite eu tava tão pregado que nem consegui ver televisão. Acabou aquele filme la do Tela Quente fui dormir. Eu tinha comido um panelão de angu e ja estava caindo pelas tabelas de cansaço. Felizmente o Davi estava dormindo bonitinho, coloquei ele no moisés e deitei. Lá pelas tantas, não vi a hora (tive …

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O dia em que eu me caguei – 1

O dia em que eu me caguei - 1

Poucas coisas na vida são tão constrangedoras quanto fazer cocô na calça. Eu me lembro de um dia em que estava na escola. Eu estava na segunda série. Lembro claramente da vontade de fazer cocô que me atacou subitamente numa aula de matemática. Mas eu era daquele tipo tão miseravelmente tímido que não tive coragem de falar com a professora (aquela) que eu queria ir no banheiro. E mesmo que na remota hipótese de criar tamanha galhardia, seria tão inútil quanto pedir que uma pedra recitasse Shakespeare.

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A Sombra do Invasor e a fotografia de Guga Millet

Hoje esbarrei com um demo do trabalho do Guga no Vimeo e resolvi colocar aqui. Se a vida da gente fosse um filme, obviamente nós seríamos os protagonistas. Ao nosso redor, teríamos um sem número de atores coadjuvantes. E eventualmente, teríamos as participações especiais. Sem falar nos bilhões de figurantes, cada qual, protagonizando seus próprios …

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Memórias do passado

Hoje eu acordei e fiquei deitado na cama, sentindo frio. Comecei a pensar no frio e nessa coisa de acordar cedo. Imediatamente me veio a memória algumas lembranças do meu passado. Engraçado essa coisa de lembrar do passado. Eu acho que é simples lembrarmos de grandes momentos da nossa existência. Aqueles momentos em que sentimos grande felicidade, grande tristeza ou grande arrependimento. São raras as vezes em que as memórias nos trazem à baila fatos corriqueiros do dia a dia. É como se a nossa cabeça selecionasse apenas os momentos mais interessantes para guardar. Sem que percebamos, a mente da gente age como um diretor de Hollywood, que vai podando e cortando seu próprio filme até deixar apenas o que é indispensável. Lá eles fazem isso por uma questão financeira, mas na nossa cabeça, certamente que a razão é outra. Provavelmente é por uma questão de compactação de dados. Tudo que não é considerado importante vai sendo compactado numa massa amorfa de pensamentos, ideias e lembranças e varrido para debaixo do tapete da nossa consciência. Mas essas coisas não somem. Elas estão lá, no escuro sótão das memórias do passado.

Então eu resolvi lançar mão de uma “operação resgate”, para tentar obter algo meramente corriqueiro e sem importância que esteja preso no éter.

Após pensar nisso, eu fiquei ali, olhando para o teto, buscando nas profundezas das minhas memórias alguns elementos simplórios. São situações comuns, que não mereciam qualquer destaque na minha vida, mas que por alguma razão eu consegui resgatar. Obviamente que se eu consegui resgatar, é porque essas foram as que estavam na superfície, e se estavam ali tem alguma importância, por mais que eu as renegue. Foram centenas de pequenas cenas que vieram, das quais selecionarei algumas para comentar. A começar pelo frio.

1- O frio

Estava um calor do cacete naquele dia. Eu suava em bicas enquanto andava, apressado, para chegar a tempo da primeira aula. Minha camisa empapada de suor dava testemunho dos 40 graus à sombra. Ao meu redor, tudo era um deserto só e o chão escaldante emanava um bafo quente diabólico. Eu só conseguia pensar na piscina azulzinha do Caer – o clube. Pra piorar o calor, eu precisava andar depressa, o que me fazia ter mais calor, suar mais e sentir mais sede. Eu atravessava uma rua e sentia o asfalto colando na sola do meu tênis.

Aquela era uma maneira muito engenhosa de bloquear a friaca maldita que fazia em Três Rios às seis e meia da manhã. Eu imaginava o mais quente dos dias de verão na Etiópia. Eu usava a imaginação para me iludir que estava tão quente, mas tão quente que algumas raras vezes me peguei sentindo calor de fato. Quando isso acontecia, eu me surpreendia e voltava imediatamente a sentir o frio cortante me doer as juntas.

Era assim que eu criava coragem para ir pra escola. Aquele período da minha vida durou meros dois anos, mas parece ter sido uns dez. Havíamos mudado de Juiz de Fora, e iríamos para Niterói. Nesse meio tempo, morei dois anos em Três Rios. Eu morava na casa da minha avó e estudava do outro lado da cidade, o que me obrigava a sair de casa super cedo para ir pra aula. Junho era um frio desgramado, mas eu tinha que ir. Enquanto me vestia, sentia o corpo congelando. Pensar no calor escaldante do deserto era a forma efetiva de me enganar.

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