Ray Harryhausen creatures

Pra quem curte animação, um dos maiores pecados que existem é desconhecer quem é Ray Harryhausen. Este cara foi um dos grandes mestres dos efeitos especiais de todos os tempos. Se os efeitos especiais tivessem um tipo de olimpo, eu colocaria ele lá no trono do Zeus, ao lado de Dick Smith, Phil Tippet e Rick Backer.

O Ray Harryhausen desde guri era fascinado com criaturas m´ticas e monstros fantásticos. Ele é o culpado por por eu ter ficado assim, maluco por estas coisas. Sua especialidade foi a escultura, sobretudo escultura e animação de bonecos na técnica do stop motion. Ao longo de sua prolífica vida, o mestre Harryhausen animou e viabilizou inúmeros filmes fantásticos, como toda a série do Simbad, que animavam as minhas sessões da tarde. (sempre que ia passar Simbad na sessão da tarde, eu fingia ficar doente pra faltar aula)

Naquele tempo não tinha essas facilidades de 3d, zbrush e computação gráfica ultra-mega-fucking-realista. Era tudo no braço e na paciência, animando e fotografando, quadro a quadro, até fazer o monstro interagir com os atores. Era um trabalho de arte. Alguns mais empolgados chegam a dizer que os efeitos especiais antigamente eram até muito mais artísticos do que são hoje.
Sob um certo aspecto, eu tenho que concordar. As produções block busters, que consomem grande parte do poder da industria de efeitos entrou num spin off fatal. Cada filme tem que superar seu antecessor em cenas nauseantes, impactantes,m explosivamente adrenalínicas. E a história… Bem isso fica em segundo plano. O importante é o realismo máximo, o impacto máximo, o máximo máximo para um faturamento máximo.
Se isso se refletiu num excessivo tecnicismo do segmento, eu não sei. Talvez seja uma impressão, já que o mundo como um todo ficou mais técnico, mais exigente e profissional.
De qualquer forma, isso é tema para tese de doutorado, não vou entrar nesta seara. Mas só posso dizer uma coisa: Dá uma olhada nos monstros do cara (ele é do tempo do cinema preto e branco) e vê se ele não merece estar no olimpo dos efeitos:

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19 comentários em “Ray Harryhausen creatures”

  1. Surpreendente, até dá uma tristeza de pensar que os métodos mais “artesanais” de efeitos especiais estejam sendo sepultados pela computação gráfica.

  2. Saudades dos filmes de Simbad, Os argonautas, dentre outros que eram figurinhas fácei na Sessão da Tarde da década de 80. Alguém sabe como posso baixar as versões dubladas (tenho um filho de 5 anos e gostaria que ele visse essas pérolas do cinema!)?

  3. Para mim, esses efeitos dão mais medo que os que são feitos hoje com computação grafica. Parecem bem mais reais que o que nos tentam passar hoje… x_x

  4. Esse é o mestre.

    Uma curiosidade: No filme Monstros SA, o nome do restaurante que os protagonistas vão jantar é Harryhausen. Uma pequena homenagem. 🙂

  5. Podem me jogar pedra, mas dizer que a computação gráfica de hoje em dia não supera o stopmotion é loucura! É como dizer que o VHS supera o DVD. Quem aqui achou que o tiranossauro do Jurassic Park não parecia real??

    Acho que a grande maestria de Harryhausen era criar efeitos que tem 80% da qualidade de hoje, mas com 0.0008% dos recursos. Daí que vem sua genialidade e talento.

    Se refilmassem “Fúria de Titãs” ou “Simbad” nos dias de hoje, talvez teríamos um resultado pior, mas por questão de roteiro fraco, movimentos de câmera ou uma fotografia ruim e não pelos efeitos.

    Eu, como todo nerd que já tentou fazer stop-motion com os bonequinhos de comandos em ação, sabe a dificuldade dessa técnica e não é dificil considerar essa cara um DEUS da animação.

    Excelente post, Philipe!

    • Pois é. eu mais que ninguém gosto das duas técnicas, afinal, futico nas duas. Mas eu penso que por mais realistas que os efeitos 3d sejam, eles não vão superar o stop motion em uma coisa: O stop motion é real. Já o 3d nunca será.
      Veja, isso não significa que eu esteja dizendo que stop motion é melhor ou mais realista que a computação gráfica. Pelo contrario. Em pouco mais de uma década a computação gráfica atingiu o grau de realismo mais inacreditável. Mas nunca passará de uma simulação. Pode parecer real, pode enganar qualquer um, mas no fim, é só uma simulação. Enquanto animação com bonecos pode ser mais tosca no video em termos de movimentos e coisa e tal, ela sempre será algo real e palpável, onde não há shaders, não há partículas.
      O stop motion sempre me causou uma certa sensação de estranheza e desconforto visual que eu confundo com prazer. Sei lá, algo na técnica me dá uma certa sensação de pesadelo. Tudo que eu vejo de stop motion me dá essa sensação de pesadelo. Até os desenhos de massinha do Pingu.
      O 3d por sua vez estendeu bastante os horizontes de possibilidades em efeitos. Eu vejo aqueles dinos do King Kong, o próprio macacão e penso: Que coisa incrível é essa! É perfeito. É muito real mesmo. Mas não tenho a sensação de pesadelo.
      Alguém mais sete a sensação de pesadelo com estes monstros de stop motion?

      • Acho que deve ser estranheza mesmo. Por que mesmo em animações stopmotion, como nos casos da clássica cena do cíclope ou em muitos outros, a criatura é real, animada, mas é inserida na cena por meios de jogo de câmera, perspectiva e tal. Os atores daquela época também contracenavam com o “nada”.

        Agora, quando não há elementos externos, onde tudo é stopmotion, eu acho que algo mágico acontece realmente e faz tudo ser diferente. Temos aí “Wallace and Grommit”, “Coraline”, “O estranho mundo de Jack” e até aquela animação bizarra (Mark Twain alguma coisa) que vc postou aqui algum tempo atrás.

      • Esperei o raio da minha internet voltar só para comentar aqui.

        É por causa do Harryhausen que desde moleque sou fascinado por stopmotion – até um dia desses me peguei assistindo um filme sobre a história de Jesus que era todo feito em stopmotion.

        Sobre a estranheza que você sente, eu penso o mesmo: aquilo ali animado em stopmotion é REAL – tente imaginar que algo que existe, mas que não tem vida, está ali se mexendo na sua tela – é horrível!!!

        É como imaginar os demônios do “The Gate” saindo por debaixo da sua cama, tentando pegar o seu pé… são mãozinhas reais que você pode pisar… que podem te arranhar.

        Outro fator que me leva acreditar que o stopmotion dá um medim é justamente por cada frame sem perfeito (exceto no Go Motion): você tem mais tempo de reparar os detalhes, se ver cada reentrância da criatura… você passa mais tempo vendo-a.

        Um super abraço e já indiquei esse post no meu twitter

  6. Puts Philipe o Ray Harryhausen pra mim sempre foi
    “O cara”.
    Quando moleque eu jamais saberia pronunciar sequer o nome dele ou atribuir suas obras a um velhinho estilo padre Quevedo :happy:
    Mas o fato é que sempre tive e ainda tenho essa sensação de estranhesa com Stop Motion do Harryhausen
    Na minha opinião os monstros mais legais são aqueles que partem de uma estátua que se toma vida, ele usa este recurso em vários filmes.
    Quanto ao efeito de causar estranhesa eu tenho uma teoria que seja além do realismo dos bonecos dele, a forma como eles se movimentam. (Já viu como a Samara do filme o Chamado anda?)
    Acredito que esse tipo de locomoção meio desordenado mexa com a cabeça da gente como nos sonhs onde as coisas geralmente acontecem fora do padrão convencional.
    Quando o Stop Motion fica muito perfeito tecnicamente ele deixa de causar esta sensação, eu vejo por exemplo A Noiva Cadaver ou o Coraline não me causaram impacto algum, já o “Vincent” que é antigaço do Tim Burton dá essa sensação. e até msmo o estranho mundo de jack onde os movimentos eram um pouco mais bruscos.

    Uma outra Carta na Manga do Ray Harryhausen eram que as histórias eram divertidas de se assistirem. Mesmo que tivessem monstros e coisas estranhas a gente sempre entrava no clima. Mais ou menos como os Filmes da Múmia, ou Indiana Jones.
    A história te põe naquele contexto e você não fica ridicularizando a aparição de um monstro um et ou cisa do tipo, tudo vira simplesmente uma diversão.
    Vi em um depoimento do Ray Harry Hausen que ele parou com Stop Motion quando viu que a tendência dos filmes era se tornar puramente violência sem um contexto por trás.
    Além é claro da concorrência com o 3D.

    Pra mim ele é imbatível.
    Na atualidade a equipe do Tim Burton é capaz de fazer algo similar porém como estão exagerando na parte técnica estão ficando próximos demais do 3D o que tira o Glamour do Stop Motion.

    Por fim queria perguntar, você assistiu as 7 Faces do Doutor Lao?
    Podia fazer um post sobre ele, pra mim é um dos melhores Filmes com Stop Motion (Só não sei se foi animado pelo Ray Harryhausen).

  7. (Postando aqui porque é o post mais recente)
    Cara, que trabalhos lindos, tô aqui babando na sua arte…

    Vim te perguntar se você já usou a polymer clay Poliart Doll. Vinte e poucos reais é bem barato pra 400g, por isso me interessei tanto, mas é meio salgado pra comprar só pra testar e depois ser uma massa ruim. Eu uso FIMO da EberhardFaber e o da Bozzi que é brasileira e nova, tava querendo testar essa da Poliart por causa dos tons de pele e tal, eu faço miniaturas humanóides… Sabe me dizer algo dela?

    Valeu!

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