Raça negra?

 

Hoje às 20h foi a entrega do “Troféu Raça Negra”. Um prêmio, que segundo o site oficial do evento é “Considerado o “Oscar” da comunidade negra”. Este troféu é um prêmio idealizado e realizado pela Afrobras e é o único que reconhece e valoriza o talento do negro brasileiro.Eu fico intrigado como pode uma coisa dessas. Não tenho nada contra os negros, mas eu acho muito escroto que alguém seja premiado, seja por qual atividade for, apenas por ser negro. Se eu fosse negro e fosse indicado pra uma merda assim, eu não iria. Do mesmo jeito que não iria para um premio que me rotulasse de branco, de latino ou até de homem.

Essa tal Afrobras deveria lutar pela redução da discriminação racial no país, mas ao contrário, na contramão do bonsenso, eles promovem a separação racial criando premiações só para negros, subentendendo e reforçando uma idéia de que o negro não é premiado nos eventos que teoricamente seriam “dos brancos”. Cabe a pergunta já batida sobre o que é branco e o que é preto no Brasil. Por exemplo, se o Neguinho da Beija-Flor ganhar este premio que é exclusivamente para negros, outro sambista não teria direito de impugnar a premiação, uma vez que o Neguinho tem mais genes europeus do que africanos?

A verdade é que Troféu Raça negra já é um título de premissa equivocada. Uma aberração social que não deveria haver. A Justiça através dos seus mecanismos que defendem as pessoas contra o preconceito social no Brasil deveriam condenar a tal Afrobras a algum tipo de multa ou no mínimo desculpas públicas a reduzir os negros a uma idéia errada e antiquada de raça.

“Raça”, só existe a raça humana. Preto e branco, japonês, esquimó, latino, índio, etc, não são raças. Isso é científicamente provado. Grupo étnico não é raça, e não está na cor da pele. Isso é uma idéia de idiota eugenista alemã da época da Segunda Guerra Mundial.

Ao invés de promover uma premiação que forma um gueto de negros na sociedade brasileira, essa tal Afrobras deveria tomar vergonha na cara e assumir a dianteira de uma luta pela inclusão do negro na sociedade, não num paliativo, uma premiação à parte. Quer valorizar o negro? Ótimo, maravilha. Acho justo e fundamental. Mas essa aí não me parece a maneira certa, porque se é como eles acreditam que seja, que há um preconceito arraigado na sociedade contra o negro ao ponto de excluí-lo das demais premiações pela cor da pele, isso pra mim é a atitude fraca e covarde de quem foge a luta. Você acha que o negro tá sendo sacaneado? Então mete a boca no mundo. Faz protesto, exija. Haja. Pentelhe o diretor da novela para colocar negros ricos, sei lá. Encha o saco do Boninho para ter mais negros no Big Brother. Se há tantos negros no Brasil, por que geralmente só tem um negro só no BBB e umas 3 ou 4 louras a cada edição? Metamos a boca no mundo. Briguemos! Vote em negros, ué. Quer força maior que o voto?

O Brasil é um país que de longe, qualquer um avaliaria como um país avançado em seus métodos democráticos de combate ao preconceito racial. Veja por exemplo que temos, graças ao Lula e sua sanha de “gênese ministerial”, uma ministra só pra isso.

É. Aquela mesmo, a ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Racial, que tempos atrás se viu numa situação delicada, ao “mandar mal” como só FHC conseguia falando de improviso. Ela disse: “não é racismo quando um negro se insurge contra um branco”.

A reação de um negro de não querer conviver com um branco, eu acho uma reação natural. Quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou - Continuou Matilde.

De fato, eu reconheço que foi mesmo sacanagem que:

1- Uma tribo africana escravizasse outra
2-Essa tribo vendesse os escravos da tribo rival para os comerciantes de seres humanos
3- A política escravagista do período colonial que explorou a mão de obra escrava na construção do Brasil

Ponto. Se hoje o negro quer ficar puto, ele tem todo direito. Mas ficar puto vai resolver o que mesmo?

Os escravos estão todos mortos, assim como os negreiros. Até a princesa Isabel que “libertou” os escravos, transformando-os em milhares de mendigos sem salário nem moradia da noite para o dia, gerando o maior problema social da história no país, que culminou nas favelas dos grandes centros, já bateu as botas faz tempo. E eu não conheço nenhum negro que tenha sido açoitado a vida inteira. Ainda bem.

Mas antes de culpar as pessoas que a ministra considera Brancos, o negro que se acha sacaneado deveria culpar a outra tribo africana que mandou seus antepassados para o Brasil. Então, na raiz do problema, o negro tem que resolver seu problema com o próprio negro.

Isso que eu estou falando tem uma segunda leitura, até mais complexa. O negro resolver o problema com o próprio negro significa também se olhar no espelho. Fazer uma reflexão sobre sua existência no mundo e sua auto-imagem. É parar de ser ver como um coitadinho que tem que mendigar cotas do Lula. É parar de se ver limitado apenas ao segundo escalão. É se ver como um ser humano acima de tudo. É ter consciência que mesmo pobre financeiramente é possível romper a limitação e vencer na vida. Culturalmente, intelectualmente e financeiramente.

Eu não entendo como pode uma – veja bem o título – Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Racial dizer que acha normal que o negro não goste do branco. Eu acho que ela deveria honrar o MEU dinheiro que paga o SALÁRIO e as MORDOMIAS dela e trabalhar duro para fazer o branco gostar do preto e vice-versa, uma vez que é retardamento mental achar que os brancos do século XXI têm alguma responsabilidade pelas abominações realizadas pelos antepassados obtusos durante trezentos e tantos anos no passado.

Vamos parar com essa chorumingação interesseira que dá piedade no governo para soltar dindim para ONG e vamos fazer alguma coisa prática? Vamos combater o crime? Vamos combater a gravidez na adolescência? Vamos fazer planejamento familiar? Vamos lutar por treinamento e salário digno para os policiais? Vamos pagar os melhores cursinhos para garotos de familias pobres terem acesso a uma disputa em igualdade de condições com todo mundo?

Chorar é fácil. Lutar é difícil.

Os negros têm que olhar para a escravidão dos antepassados com orgulho e ver que eles não se dobraram a ela. Muitos se rebelaram. Muitos morreram lutando pela libertação. E que do mesmo modo que muitos brancos os açoitaram no passado, muitos brancos lutaram pela libertação desses negros. Além disso, escravidão entre humanos não é prerrogativa de brancos. Sem falar que o próprio Zumbi dos Palmares os tinha.

A humanidade sempre funcionou pelo método do escravagismo. Não foram só os negros os sacaneados. No egito antigo os escravos eram os judeus, no Brasil já foram também os índios, e hoje em dia os escravos são os bolivianos que passam dias e noites em cubículos sem janelas, costurando em porões no bairro do Brás. Na China são meninas pobres.
Mas fazer a “nossa própria premiação”, num seleto “só nós” deixa uma certa percepção de que “já que os negros se auto-premiam, então não é necessário premiá-los”. E isso só contribui para a separação – que é o que entidades como esta deveriam combater.
A verdade é que ser premiado por ser preto ou branco é uma escrotice e este tipo de segmentação da sociedade vem a calhar apenas para as ONGs e os grupos que vivem dessa coisa do preconceito. Se o preconceito acabar, eles vão viver do quê? Não estou enfiando a cabeça na areia como avestruz. Eu reconheço que há sim muito preconceito com o negro no Brasil. E isso tem que ser combatido na esfera criminal. Afinal, é crime, não é?

Além disso, tem que ser o trabalho de todo brasileiro lutar duramente contra isso. Deveríamos valorizar as pessoas, as atitudes, o mérito e não a cor da pele, a aparência, procedência e o que é mais comum hoje, a conta bancária. Por trás dessa ideologia supostamente indiscriminatória está um interesse muito grande pela criação de um novo e completo segmento de consumo, nos moldes do que acontece nos EUA, onde há revistas para negros, musicas para negros, carros para negros, bairros para negros, códigos de conduta social para negros, filmes de hollywood só para negros, escolas para negros e tal. Lá, os negros não gostam dos brancos e vice-versa. Os negros têm mais espaço na sociedade americana do que aqui, (sob o ponto de vista do poder de consumo) e isso pra eles está bom, afinal, são o país do consumo. Além disso, não podemos copiar o que acontece lá, porque não podemos ignorar os aspectos histórico-sociais envolvidos nisso que ocorre hoje nos EUA. Além do mais, o que adianta ter uma sociedade polarizada? Eu não quero isso. Eu quero união. Quero conviver com pessoas de todas as cores de pele, até porque isso não significa merda alguma.

A polarização é uma furada que se reflete até no sistema de cotas, uma atitude de bom coração, mas que pode virar um tiro no pé dos negros se não for bem conduzida. E pelo visto, já não está sendo desde o começo.

Aqui a polarização social começou no meio da década de 90 e vem aumentando progressivamente. Há uma idéia disseminada de que os negros têm que se auto-afirmar socialmente. E para alguns isso funciona comprando a revista “Raça-Brasil”, vestindo determinada grife ouvindo certo tipo de música.

O preconceito é resultado de mentes defeituosas. O negro tem que mostrar superioriade a esta porcaria que querem enfiar na cabeça dele. O negro tem que mostrar através do seu trabalho que ele é bom.

Vamos largar dessa porcaria repetitiva de dizer que negros são bons em futebol, que são bons em corrida e que são bons em batucada. Parece que eles só servem pra isso. É detestável! Eu fico deprimido e não gosto de ver quando acontece na Tv, que o negro bate no peito e se orgulha disso, todo feliz com o resto que o branco relegou a ele. Essa coisa de que só o negro tem samba no pé… Que o negro tem “o gingado, a malemolência africana”. Até o pênis grande, numa clara associação entre negos e bestas primais. Essa idéia vem do tempo em que acreditava-se que eles não tinham almas. O negro, todo feliz se sente o máximo em saber que dança bem, batuca bem e ainda por cima tem um falo descomunal.

Isso é IDIOTICE. O maior falo humano era de um Branco: John Holmes.

Então vender o negro embrulhado nesse rótulo aí, pra mim é tão preconceito quanto dizer que o branco é esperto, o branco é limpo, o branco é honesto, o branco é inteligente. Francamente… O preconceito se esconde atrás dos rótulos. Até os que parecem vir para elogiar e nada mais fazem além de circunscrever uma faixa discriminatória na mente da sociedade.

Por dentro, todo mundo é vermelho! O Negro pode ser presidente de empresa, pode ouvir musica clássica, pode andar de carrão, pode namorar quem bem entender, loira, ruiva, morena, mulata, pode e deve ser protagonista da novela. E também pode – e deve! – ser bem sucedido sem ser traficante, nem jogador de futebol ou pagodeiro.

Eu sou terminantemente e rocambolescamente contra essa merda toda. Eu acho que o negro é tão bom quanto eu ao ponto de poder ir nos mesmos lugares que eu, ler a mesma revista que eu, consumir o mesmo produto que eu. Eu quero que meu filho estude com negros na escola, que tenha amigos negro, brancos, amarelos e do jeito que a genética vai, até azuis e fluorescentes.

Tirando a maquiagem, não vejo necessidade de tênis para negros, musica para negros, filmes para negros, carros, boates e etc. Isso é pura exploração comercial de uma maioria étnica travestido de um discurso agregador de orgulho social. No fundo, o que interessa é $$$GRANA$$$
Eu não vou dar receita para negro vencer na vida. Isso aqui não é blog de auto-ajuda e nem de lamentação étnica. Só acho que o negro é muito capaz e deve trabalhar bastante, ser muito honesto e correr atrás do seu futuro com garra. Saber votar, exigir os direitos e cumprir os deveres. Seja cidadão. Não aceita bala como troco. Não baixe os olhos para vendedores que te olham com nojo nos shoppings. Exija bom tratamento e respeito. Seja educado. Leia bastante. Seja o melhor profissional que puder ser. Qualifique-se. Não aceite ser apenas bom. Seja o melhor. Não aceite os rótulos. Não banque o sambista nem o jogador de futebol se você não sentir isso na alma.

Eu queria que o mundo não tivesse isso, porque se é pra ser peconceituoso, que sejamos contra os babacas.

No dia da consciência negra, pense nisso.

44 Comentários

  1. Guaré 19 de novembro de 2007
  2. Allan 19 de novembro de 2007
  3. Marcus Lima 19 de novembro de 2007
  4. Danilo 19 de novembro de 2007
  5. vitor 19 de novembro de 2007
  6. Loo 19 de novembro de 2007
  7. Farol 19 de novembro de 2007
  8. Daniel Bruno 19 de novembro de 2007
  9. Marcio 19 de novembro de 2007
    • Alceu 12 de dezembro de 2012
  10. Vivian Martins 19 de novembro de 2007
  11. Philipe 19 de novembro de 2007
  12. fabio 19 de novembro de 2007
  13. Capitão América 19 de novembro de 2007
  14. Lopes 19 de novembro de 2007
  15. Escaneando 19 de novembro de 2007
  16. Ronaldo Jardim 20 de novembro de 2007
  17. Marcio 20 de novembro de 2007
  18. carlosguitar1 20 de novembro de 2007
  19. Yako 20 de novembro de 2007
  20. Popotron 20 de novembro de 2007
  21. Rafael 21 de novembro de 2007
  22. Rafael Silva 21 de novembro de 2007
  23. Philipe 21 de novembro de 2007
  24. Rafael Silva 21 de novembro de 2007
  25. Philipe 22 de novembro de 2007
  26. Rafael Silva 22 de novembro de 2007
  27. Francine Côa 15 de abril de 2008
  28. Philipe 16 de abril de 2008
  29. Hunteriunn 16 de abril de 2008
  30. Philipe 16 de abril de 2008
  31. Hunteriunn 16 de abril de 2008
  32. Philipe 16 de abril de 2008
  33. Hunteriunn 17 de abril de 2008
  34. Philipe 17 de abril de 2008
  35. Rogério 18 de abril de 2008
  36. Philipe 18 de abril de 2008
  37. SABRINA B. ANDRADE 19 de maio de 2008
  38. carol 22 de agosto de 2008
  39. Dinho K2 30 de janeiro de 2010
    • Philipe 31 de janeiro de 2010
  40. Cespe 3 de outubro de 2010
  41. Felipesd2 14 de julho de 2011
  42. Wpt 29 de janeiro de 2012


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