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Chimpanzé 3d
Nem parece mas este chimpanzé aí é feito em 3d. Ele foi modelado pelo artista Jacques Defontaine da Bélgica.
Trabalho de mestre. O cara usou o Mudbox e o Modo para fazer esta imagem. Eu não sabia que o modo era tão poderoso. Fiquei bolado. Ah, que vontade de voltar a futucar só em 3d dia e noite (sobretudo na madruga) que dá de ver essas coisas… Top 10 das comidas mais nojentas do mundo
O ser humano é capaz de comer qualquer porcaria. Mas quando eu digo qualquer porcaria, estou falando qualquer porcaria MESMO! Vai de criaturas estranhas, mofo, vermes, insetos nauseabundos, excremenetos e coisas vivas, mortas e em decomposição. Obviamente a variabilidade da dieta humana é tão ampla devido as grandes diferenças culturais entre os povos. Mas em todo caso, tem coisas que requerem uma mente muito aberta para aceitar. Certamente que numa situação de extrema necessidade, você acaba abrindo mão de certas questões para não morrer, tipo comer larva de tronco podre. Mas acredite ou não, tem gente que paga -e caro – para comer iguarias que fariam nosso estômago dar um triplo mortal carpado e correr para as montanhas. Vejamos: 1- O VERME DO TONCO e outras criaturas similares -Imagine a seguinte situação: Você perdido numa terra desconhecida, sob o sol inclemente e à mercê da ação do tempo. Não há água nem comida e sua única chance de sobreviver é comer o que der mole na sua frente. Em certas situyações, o que dá mole, pode ser mole mesmo. Em outras situações, comer larvas é algo natural. As pessoas vão a restaurantes, pagando, para comer essas criaturas. Hummm… Dilíça! Comendo um big mac inteiro numa única mordida
Dois hamburgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e picles, num pão com Gergelim. Não é bonito, mas pode ser útil quando dá uma fome desesperada minutos antes de começar o filme que você foi ver no shopping. E para acompanhar, aqui está a maneira mais estranha de se beber uma coca-cola. Frente a frente com o Lobisomem
Ah, como eu gosto de lobisomens. Essas criaturas míticas e assustadoras, que falam diretamente aos medos mais profundos do ser humano. Nós não passamos de primatas de miolos grandes, e em algum lugar da profusão de sentimentos, pensamentos e instintos está gravado o medo do predador. è isso que nos faz sentir medo de escuro quando pequenos e é isso que faz um bebê chorar ao ver cães, ou qualquer outro bicho que tenha dentes grandes e garras à sua frente.
Pessoalmente, posso dizer que o mito do Lobisomem entrou na minha vida de modo sutil. Meu avô já contava suas histórias de fantasmas, como no dia em que ele deu carona a um casal que julgou ser fantasmas, ou no dia em que ouviu barulhos estranhos no quartel na época da Guerra. Meu avô sempre foi um bom contador de histórias, e seu domínio da atenção alheia foi um talento que persegui e tentei reproduzir ao longo da vida, e que de certa forma resultou neste blog. Meu avô tem uma aventura pessoal em que foi perseguido por uma espécie de cachorro gigante, preto, do tamanho entre um boi e um cavalo, que o seguiu em silêncio, na escuridão, até a porteira de uma fazenda, quando do nada, desapareceu sem emitir som. A figura daquela criatura assombrosa foi tema de muitos pesadelos em minha infância e da mesma maneira que causava espanto e repulsa, emitia um inebriante perfume de atração. No mito do lobisomem havia o mistério, havia o poder bestial e a horrenda transformação. Outro dia eu fui lá em Friburgo, onde encontrei os amigos da minha sogra. O pessoal lá mora numa localidade rural, onde plantam tomates e hortaliças diversas. É um lugar bem interessante e acho que já falei dele aqui antes. Lembra o condado dos Hobbits. As pessoas são extremamente amáveis e hospitaleiras, e sempre que vou lá tem briga entre as famílias para definir a casa em que eu vou dormir. Eu havia ido lá na casa do Dinho, onde estava rolando um churrascão. Conversa vai, conversa vem, eu e mais uns três reunidos na varanda, chegou um velhinho lá, que era amigo do Dinho. É engraçado que quando eu junto com este pessoal da roça eu viro o maior roçeiro de todos os tempos. Antes que eu possa perceber, estou falando do mesmo jeito que eles, contando causos e rindo bastante das histórias que eles contam. Um lance bem Rolando Boldrin. Pois não é que no meio do churrasco o Dinho – que acompanhou a minha saga pelo mato em busca da pele de um boi preto para usar no meu boneco do lobisomem, sabia que eu gostava do assunto. Apontou a faca de cortar carne para o coroa e disse: -Seu fulano (desculpe, não lembro o nome dele) diz aí pro Philipe do dia que o senhor lutou com o lobisomem. Então o velhinho deu um gole no refrigerante e começou a me contar uma história sensacional sobre como ele descobriu – e tentou matar – um lobisomem de verdade. Basicamente, enquanto fumava um cigarro e comia um pedaço de linguiça, o velho me contou que há muitos anos atrás, lá pelos idos de 1940, era recém casado, morando numa cidade do interior de Minas. Ele estava voltando tarde da noite para casa e estava quase chegando, quando seguindo a pé pela linha do trem, viu saltar uma “coisa preta” do mato ao lado da linha. A noite era de lua, mas as árvores do local atrapalhavam a ver o que estava ali. Era um breu fechado e não deu para determinar à distância o que era aquilo, mas ele percebeu que pelo tamanho não tinha como ser um cachorro. E nem gente. O velho, na época ainda jovem, parou e ficou ali, olhando a “coisa”, que também se manteve imóvel, a cerca de uns trinta metros. Ele gritou alguma coisa, para ver se havia resposta e não houve nada. Apenas o silêncio. Nem rosnado, nem mugido, nem tosse, nada. Ele disse que inicialmente pensou que era um bezerro ou mesmo um boi. Sentiu um arrepio, mas tentou se tranquilizar de que aquilo não era nada demais. Ele já havia escutado boatos de um lobisomem na cidade, e animais apareciam mortos constantemente, mas nunca acreditou naquilo, pois nunca havia lido nada sobre Lobisomens na Bíblia… “E se não está na Bíblia, não existe.” Ocorre que ele se tranquilizou mentalmente de que se tratava apenas de um boi e continuou a andar na direção da coisa, que permanecia imóvel na escuridão. O velho conta que após dar os primeiros passos, a “coisa preta” disparou rugindo como um leão na direção dele, e só assim ele percebeu que o troço não era um boi, mas sim o lobisomem que todos haviam comentado e do qual ele nunca acreditou. Sem perder tempo para ver em detalhes a criatura, ele me contou que não pensou duas vezes em disparar em correria, direto para a casa, que ficava na subida de uma colina, perto da linha do trem. O bicho correu atrás e ele viu que a criatura iria acabar alcançando ele. Então, o sujeito saltou por entre os arames farpados que separavam a linha do trem da estrada. Nisso ele acabou se machucando e – fazendo questão de me mostrar uma cicatriz – prosseguiu dizendo que rasgou o terno dele, que era do casamento. Largou o pedaço do terno para trás, e correu às cegas na direção da casa. Ele ouviu a criatura se debater no arame farpado. Ele contou que a criatura deu uma paulada no arame farpado com toda força, caindo por cima da cerca, arrando uns moirões e tudo. E daí ela soltou um urro que encheria de medo o coração do mais valente dos homens na face da Terra. Nisso, ele havia conseguido uma preciosa vantagem e estava prestes a entrar em casa. Enquanto corria, ia gritando a plenos pulmões para a mulher abrir a porta. A esposa dele abriu a porta e viu também o bicho, chegando no encalço do marido. O velho saltou para dentro da casa e a mulher dele bateu a porta com violência. Eles colocavam a barra de ferro que funcionava como tranca quando um estampido seco atingiu a porta. Ele disse que pensou que a casa ia cair tamanha a pancada que o bicho deu na porta. Ainda ficou ali gritando e urrando desesperado. O Casal puxou a mesa da sala e colocaram calços nas portas. Trancaram-se no quarto, abraçados e com medo até que dormiram. No dia seguinte, quando as primeiras luzes do sol iluminaram as redondezas ele disse que não havia sinal do bicho além de uma bela poça de sangue na varanda e na volta da casa. Viu algumas marcas na areia, mas nada que indicasse exatamente o que era aquilo. Quem realmente viu e confirmou em detalhes que era um lobisomem preto com grandes dentes brancos foi a esposa, que viu rapidamente o monstro, subindo desajeitadamente a colina, ao correr atrás do marido. Tempos depois, ele passou a desconfiar do lobisomem. Ele e os amigos do trabalho tinham um grupo que jogavam purrinha numa venda nas proximidades e havia um sujeito lá que sempre voltava pra casa cedo. O cara era sempre o primeiro a voltar para casa e todos achavam aquilo estranho. Como se não bastasse, ele era solteiro e não tinha irmãos. Assim, não havia motivos claros para que ele voltasse para casa cedo. O tal homem era um primor de educação e se dizia viajante. Conhecia muitos lugares e citava muitas pessoas nas conversas. Mas era reservado com relação à sua vida pessoal. Este homem começou a jogar purrinha apresentado por um outro, também viajante, que o trouxera para a cidade. Depois do episódio com a criatura na estrada, meu amigo do churrasco contou que começou a desconfiar cada vez mais daquele sujeito. Um dia resolveu testar sua desconfiança, segurando-o num jogo de poker. O Sujeito jogava bem, ele disse, mas ao badalar das nove horas (achei isso peculiar, pois a mitologia do lobisomem geralmente coloca a transformação na meia noite) , disse que o cara desatou a suar em bicas, molhando a camisa. Assim que bateu as nove horas o sujeito fez de tudo para interromper o jogo. Ele foi ficando mais e mais nervoso até abandonar a partida alegando que estava sentindo cólicas intestinais. Aquilo deixou o coroa bastante cabreiro. Desde o encontro na linha do trem com o dito cujo, ele resolveu caçar o monstro a qualquer preço. Ele estava determinado e finalmente traçou um plano em conjunto com os amigos de purrinha para testemunhar a transformação do viajante na besta mitológica. Um tempo depois, eles reuniam-se na venda para jogar quando chegou, lá pelas seis, o tal viajante cujo nome ele me disse na ocasião, mas não lembro mais. O cara chegou e desataram a jogar. Sem que o viajante soubesse, meu amigo coroa tinha um revolver na cintura, escondido sob a camisa. O tempo foi passando e eles proseando, bebendo, e fumando. Jogaram dados, purrinha e cartas até que deu as nove horas e o cara disse que ia embora. Pagou a conta ao dono da venda. Enquanto estava de costas, o velho fez um sinal para os amigos. Ele já ia saindo quando os dois amigos do velho o seguraram e o sentaram numa cadeira. O velho sacou a arma e apontou bem na cara do sujeito. -Agora você vai ficar aqui com a gente até a meia noite. – Disse ele segurando o revólver. O cara se desesperou. Ele me disse que nunca viu alguém ficar em tamanho pânico na vida. O cara começou a suar e dali a minutos estava empapado, respirando com muita dificuldade, como se tivesse asma. Era noite de lua cheia. Eles mantiveram o sujeito, mas ele foi ficando mais e mais agitado. A medida em que o tempo passava ele ia se tornando agressivo. Já não era mais o homem erudito, de aparência frágil e doente. Ele agora era um sujeito em Pânico, com os olhos amarelados, arregalados e suando muito. A voz baixa e os gestos contidos deram lugar aos gritos. Começou a gritar e se debater de modo que os homens pensaram em amarrá-lo na cadeira. Mas isso não foi possível, pois ele estava tão transtornado que lutou contra os homens da venda e tinha tamanha força que atirou um deles lá na rua. Em seguida atropelou os que estavam na frente,incluindo o velho, o único que estava armado, que temendo acertar “alguém de bem” não puxou o gatilho. O sujeito saltou para a rua e correu para um lado mais escuro, atravessando uma praça e saltando para um terreno baldio, de onde não mais saiu. Naquela mesma noite numa fazenda das proximidades, os corpos de animais foram encontrados. O sujeito nunca mais deu as caras por lá, e após meses buscando notícias, o velho descobriu que ele havia se mudado para outra cidade, nas proximidades de Araxá (este lugar eu guardei porque era lá que se passava Dona Beija). Algo que o fez ter certeza que o vajante era mesmo o lobisomem é que tão logo o cara saiu da cidade, as mortes de animais e o desaparecimento de pessoas pararam. Ele me disse que organizou uma viagem para “caçar o lobisomem”, mas chegando lá o sujeito havia sumido. De acordo com um primo dele de segundo grau, o viajante morreu. Ele teria sido baleado por um fazendeiro quando atacava suas criações. Atngido a tiros ainda no estado de monstro, correu para uma mata, onde dias depois o corpo do viajante foi encontrado, em estado putrefato. Em todo o tempo que me contou esta impressionante história, o velho pareceu totalmente sério, não dando nenhum indício de que estava inventando. O Dinho, meu amigo, também escutou e pelo que me disse a história dele era bem conhecida, pois ele contava a todo mundo do dia que enfrentou o lobisomem. Obviamente que apenas com um relato de um velho roceiro de uns 80 anos não dá pra dizer se foi um fato real ou não. Ele pode ter sido atacado por uma onça, e ameaçou de morte um sujeito doente, talvez até esquizofrênico; mas é fato concreto que histórias de lobisomens são sempre maravilhosas e deliciosas de se escutar e ler. Elas são muito antigas e os estudos que buscam a genealogia deste mito apontam para a grécia. Nos mitos gregos existe um em que Licoan, o rei da Arcádia tentou matar a Zeus, que era seu hóspede por uma noite. O Deus castigou-o dando a ele uma forma vulpina. A lenda grega pegou carona com os romanos, onde ganhou força para se difundir entre os povos dominados, estendendo-se até os confins do Império, atingindo também os bárbaros do norte. Foram os romanos que criaram os festivais dedicados aos lobos, chamados Lupercais. Nestes festivais pessoas vestiam peles de lobo e corriam seminus, sujos de sangue de animais oferecidos aos deuses. Eles corriam pelas ruas, assustando e açoitando os transeuntes. Os lupercais realizavam-se no dia 15 de fevereiro, e eram uma espécie de ritual de purificação. Como era de se esperar, isso acabava em orgia. As mulheres corriam aos lupercais em busca de pancadas (e talvez algo mais), pois acreditava-se isso afastava a esterilidade e os partos seguiam a contento. Só no ano 494 depois de Cristo que os lupercais foram batizados de “festa da Purificação” com o passar do tempo a tradição foi se perdendo até sumir. Mas a força do mito do humano que vira lobo continuou e se espalhou mais e mais pelo mundo. Falando nisso, vem aí um filme que me pareceu bom a primeira vista (trailer) que trata da lenda do lobisomem. E aproveitando o ensejo, aqui está outra dica. Esta pra quem curte ler: Meu amigão Rafael Trovão escreveu um ótimo livro sobre um garoto que é atacado por um lobisomem em plena cidade de São Paulo.
Baristas: Os mestres do café-arte
Já faz tempo que tomar um café é apenas experimentar o sabor inconfundível de uma das bebidas mais consumidas no planeta. Hoje o café tornou-se algo tão especial que chega a se fundir com a arte. Neste post, confira algumas das mais impressionantes “ilustrações” criadas pelos baristas (especialistas em servir cafés). Larvas no nariz: Barrando o video da cera de ouvido
Parece que temos um novo video capaz de desbancar aquele da cera de ouvido… dessa vez, prepare-se pois isso que você está prestes a ver é nauseabundamente nojento. Não recomendo para quem tem estômago fraco, mas caso você seja um ávido caçador de Gumpices como eu, não resistirá em clicar aí no play. É chato estragar a graça da surpresa, mas tenho que avisar que este video mostra o nosso otorrinolaringologista preferido tirando LARVAS do nariz de um cara. Onde? Na Índia! E não vamos nos esquecer da indefectível musiquinha! Mas a questão maior é: O que essas criaturas do pesadelo fazem no nariz do cara? Eu fiquei curioso sobre este pequeno e bizarro detalhe que dá todo um tchã na história. A mosca, do Gênero Chrysomyia (mosca varejeira) são encontradas em muitas regiões tropicais, e um dos países com o mais alto índice de infestações é o BRASIL! Principalmente regiões pobres e de baixa qualidade sanitária. Nesses ambientes, elas se espalham velozmente. Em alguns casos a mosca entra pelo nariz da pessoa enquanto ela dorme, e deposita os ovos que eclodem rapidamente. Em outro, ela utiliza o serviço de outros insetos hematófagos, que transferem as larvas para a apessoa ou animal. Tão logo os 200 ovos eclodem, cerca de 24 horas após a postura, elas começam a se ALIMENTAR do tecido da mucosa nasal do infeliz. Dessa forma elas começam a penetrar, cada vez mais profundamente pelo nariz adentro, atingindo os seios frontais e em alguns casos severeos, ocorre a destruição total do tecido cartilaginoso do nariz e adjacências. Estas moscas são responsáveis por milhares de casos anuais de sinusite infecciosa, rinite e complicações de ordem pneumocefálicas. Em alguns casos a complicação pode ser grave, evoluindo para uma infecção e daí para a morte. Veja um paciente que sofreu até a morte infestado com estas criaturas nojentas. Este post é dedicado a todos os leitores que pretendem passar o carnaval na fazenda. O maior caranguejo do mundo
Olha só para o tamanho desta monstruosidade! Apelidado de “Crabzilla”, este enorme caranguejo real espanta a todos com o tamanho descomunal de suas patas. O mais bizarro é que este animal pode viver até 100 anos, o que nos dá uma idéia da dimensão de Kraken que ele poderá atingir se viver até lá. Atualmente o artrópode mede 3 metros de uma pata a outra. Este caranguejo Macrocheira kaempferi foi descoberto acidentalmente por pescadores no Oceano Pacífico, e então levado para o aquário National Sea Life Centre in Birmingham, onde passou a viver tranquilamente. Ele é tão grande que não consegue se mover fora da água, devido ao peso de seus membros. Mas no escuro ambiente dos 762 metros de profundidade, onde se localiza seu habitat natural, ele é um caçador letal. O dia em que eu quase morri no motel
Tem tempo que eu não conto nenhuma dessas coisas da minha vida. Hoje eu estava lá no twitter e acabei conversando com o @e_d_e_n sobre zona do baixo meretrício. Eu, como todas as pessoas que não sabem o que é uma casa da luz vermelha, sempre imaginei que o lugar fosse aquele tipo de local com uma decoração meio decadente, estilo anos 40/50. Com mulheres maravilhosas e sensuais vestindo apenas langeries e plumas, se projetando lânguidas sobre as mesas de seus clientes, homens de porte, sérios, fumando charuto, bebendo conhaque e vestindo pesadas casacas escuras. A zona da rua da lama era um lugar caindo aos pedaços, com uma escrota luz vermelha na entrada. O lugar ficava lá nos confins de uma rua que quando chovia, fazia completo jus ao seu nome. A rua começava nas proximidades da rodoviária, perto do rio que cortava a cidade e se estendia para grotões suspeitos e lugares que a mente humana não consegue conceber. Lá dentro, em meio a um ruído estourado de caixa de som velha, tocava um “funk melody” e sob as poucas luzes coloridas que piscavam na “pista”, que na verdade era um microscópico espaço aberto entre as mesas carcomidas, estavam se requebrando seres tão horrendos que fariam o Clive Backer ter pesadelos. Meu primo (que não falarei o nome, mas que todos da minha família imediatamente saberão que é o Diogo, já que ele era o inseparável companheiro de farra do André) estava com ele neste dia. Eles disseram que foram na zona para “zoar”. Ora, eu nunca me imaginei indo numa zona “zoar” mas sim para dar uns amassos nas putas ultra-gatas das novelas e minisséries. Mas foi o que eles disseram. O lugar estava cheio de putas gordas e pelancudas. Para se ter uma idéia do naipe do local, a garota mais gata lá era magra como um esqueleto, careca como um fugitivo da FEBEM e ostentava uma desprivilegiada dentição em tom gema de ovo no qual faltavam um goleiro e dois atacantes. Essa piranha mais gata de todas tinha um famoso piercing no umbigo que foi a única coisa do qual o Diogo teve coragem de se aproximar… E beijar. (patrocínio saquinhos de vômito Gump) Obviamente devo ressaltar que meu primo e meu irmão deviam estar em avançado estado de adulteração de combustível com álcool anidro para terem a coragem de depositar a boca naquele umbigo encardido. Ah, nada como uma viagem antropológica nas zonas do baixo meretrício de cidade pequena… É como um safari em que a morte lhe espreita a qualquer momento. Eu já estava entregue a devaneios quando o Eden comentou que seria legal ilustrar um post assim com fotos. Então fiquei imaginando que tipo de problema poderia acontecer numa zona caso algum aventureiro lançasse mão de uma maquina fotográfica ou celular que tira fotos naquele ambiente. Pessoalmente, eu nunca ouvi o Sapeca Iaiá contar as placas de carro que entravam nos 2 motéis da cidade, mas nunca duvidei de que eles pudessem realmente chegar neste ponto. O Sapeca começou como uma espécie de boletim criminal, mas que rapidamente evoluiu para uma espécie de coluna social podre da cidade. Então a galera comentava coisas do sapeca, que como era muito cedo, eu nunca sabia se era verdade ou não. Na primeira vez que eu fui ao motel na vida, traçamos um plano que mais parecia uma operação de guerra. A operação envolveu uma peruca pra ela e uma bela grana pra mim. Ocorre que com medo de ser reconhecida e ficar “falada” na cidade, ela me obrigou a ir numa outra cidade, pegar um taxi lá e ir de táxi da outra cidade para o motel. Nem era tão distante, mas isso somado a peruca e óculos escuros dava um quê de emoção na parada. Por minha insistência ela aceitou levar uma garrafa de Contini, um tipo de martini vagabundo de segunda linha que havia naquele tempo. A garota costumava ter uma certa dificuldade de relaxar e a bebida dava uma ajudada nessas horas. Ela colocou a garrafa na bolsa e tampamos na perna para a cidade vizinha. Agora coloque na cena um carro tão velho que testemunhou a criação do jardim do Éden e teremos a fubica vagabunda, amarrada com arames e com coisas penduradas ao redor do vidro que nos levou ao motel Free Love, o templo do amor e da paixão. Seu mazinho olhou de modo obsceno pelo espelho retrovisor. A menina envergonhada olhou fixamente pelo vidro do carro para o lado de fora, fazendo que como se não fosse com ela. Tipo: “tive um AVC e estou toda paralizada. E surda.” Seu Mazinho sorriu maliciosamente, com aquela cara de tarado bem-passado. Entramos no motel e a atendente atendeu o interfone. Foi um suplício para falar que eu queria um quarto bom, pois a acustica do porteiro eletrônico era péssima e o seu Mazinho tinha que gritar tudo que a moça sussurava do outro lado. Nisso a meina do meu lado ainda congelada em carbonith, olhando fixamente agora para uma parede de chapisco. Aquilo me doeu. Ele podia ter falar o que quisesse, mas o “campeão” no fim daquela frase fez com que eu me sentisse um merda completo. Sabe aquele tipo de gente que quanto mais elogia mais você se sente um merda? Tudo que eu queria era apertar um botão para que o seu Mazinho sumisse da minha frente. Eu fiquei com raiva porque eu sabia que o Mazinho estava desconfiado que alguém ali era virgem. Por instantes tive medo que Mazinho fosse um espião do Sapeca Iaiá. Ele ficou ali, esperando eu dizer a que horas ia acabar. “Acabar?” como assim acabar? É tipo um restaurante que voicê entra come e sai? Cinema tem hora para acabar mas o sexo? Sexo com uma pessoa que a gente gosta deveria ser eterno. Então eu disse a ele para me dar o cartão com o telefone do ponto e a gente chamaria ele. Entramos no quarto e ela tirou aquela peruca ridícula. Os momentos de amor ficaram para a história mas o que mais me marcou naquele dia foi a porra da sauna. Eis que após o sexo e cheia de Contine na cabeça, a garota dormiu. Eu fiquei vendo o filminho de sacanagem até que a cena atracou num fuque-fique que não acabava mais. Eu estava ficabdo de saco cheio e resolvi fazer uma sauna para me preparar para a segunda rodada. Fui peladão, lépido e faceiro para a sauna. Liguei a maquininha no máximo e fechei a porta de vidro. Eu comecei a ficar preocupado. Era o meu sapato, um mocassim que havia agarrado sob a porta de vidro da sauna, de tal modo que a maldita não abria. Pra opiorar eu havia colocado a sauna no maximo e o calor estava de matar. Sério mesmo que eu pensei que ia morrer logo na minha primeira vez num motel. Comecei a dar ombradas na porta na intenção de abrir, mas cada batida que eu dava, a maldição do mocassim enfiava mais e mais sob a porta e ela ficava mais e mais emperrada. Pra piorar, o vidro estava quente como brasa e chegou numa hora que simplesmente eu já não tinha forças para me mexer. O ar estava faltando e eu comecei a ver tudo meio sem foco. Eu me sentei no tablado de madeira e comecei a me despedir da vida. Eu já podia ver a manchete do sapeca iaiá. Já podia imaginar a tia dela ouvindo os nomes e a descrição da cena tragicômica que resultou numa morte de um moleque magro e nu numa sauna. Eu imaginei as minhas fotos com partes pudendas a mostra no jornal municipal e a vergonha generalizada que me acompanharia ainda por três ou quatro encarnações. Quando voltei a dar sinal, ela estava desesperada, com o olhão arregalado olhando pra mim.
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