O despachante da morte – parte 2

Gil não podia acreditar no que aquela voz dentro da cabeça dele falava.

Outro serviço? Como assim? Já não bastava uma morte? Uma encomenda?

Mas a voz continuou com seu tom elétrico monocórdio, quase que como uma interferência ou linha cruzada de telefone:

-Anota aí. O novo endereço é um shopping. Fica na Vila Marina. Sabe aquele shopping novo? Chama-se Maison Pallace. Você vai até este shopping, ainda hoje. Assim que acabar o expediente. Chegando lá eu te digo o que fazer. Até lá.

A morte pareceu desligar. O ruído no ouvido dele diminuiu. Gil bebeu o café já frio em sua mão e fez uma cara de nojo. Ele detestava café frio.

Voltou para sua baia como se nada tivesse acontecido. Tornou a verificar os documentos e carimbá-los para expedição. Um ruído lhe chamou a atenção. As pessoas do seu departamento faziam a tradicional entrega de presentes. O amigo oculto. Gil se aproximou e apenas observou, como fazia todos os anos. Desde sempre que ele nunca era convidado para participar do amigo oculto. Talvez por ele ser oculto em sua existência triste. Talvez por ele não ter amigos. Ele via as pessoas felizes se abraçando. Eram presentes simples. Canetas, agendas, cds, perfumes. As pessoas em total congraçamento.

Luciana chegou com o presente para Cláudio. Ele abre o presente da menina. Os dois se abraçam. Gil nota que o abraço dos dois demora mais que o normal. Nota que Cláudio dá um beijo discreto no pescoço de Luciana.

Gil só consegue pensar em três palavras: “Filhos da Puta!”

Está claro para Gil que os dois estão de caso. Pode parecer discreto para os demais, mas ele percebeu. Ele sabe. Logo quem, Luciana. Sua musa… Gil fica ainda mais triste, sente-se traído.

Olhou as horas. Faltavam ainda cinco minutos para as cinco da tarde.

Gil foi ao banheiro. Trancou-se no sanitário e pegou a arma do bolso. Ali estava ela. Pesada e fria. Seu presente do amigo oculto. Seu amigo oculto era a morte. Aquele era o instrumento da morte. Ao menos alguém, ou alguma coisa, em algum lugar, gostava dele. Gil destravou e olhou para o pente. Contou cada uma das balas. Tornou a encaixar o pente no cabo da arma. sentiu o cheiro da pólvora do último disparo. Lembrou da cena e sorriu. Guardou-a com cuidado no bolso do paletó.

Saiu do banheiro com seu passinho de urubú cansado. Já eram cinco horas. Ele desceu as escadas em silêncio e tomou seu café no “Seu Mineiro”.

Pegou um taxi na porta da cafeteria.

-Pra onde patrão? Perguntou o taxista bigodudo.

-Vila Marina.

-Sim senhor.

Minutos depois, Gil estava na entrada do shopping. Era época de natal e todas as pessoas compravam presentes. O shopping estava muito bonito iluminado com milhares de luzinhas coloridas.  Gil ficou admirando a decoração natalina até que a voz voltou a perturbá-lo.

-Gil! Está ouvindo?

Ele se limitou ao balançar da cabeça como sempre fazia quando a morte falava com ele.

-Gil, pegue a escada rolante. Suba dois andares. No terceiro andar vá até o cinema e espere na frente da bilheteria.

Gil acenou positivamente e foi. Subiu na escada rolante. Pessoas felizes com crianças passeavam por todo o shopping. Enquanto subia as escadas rolantes notou uma menininha na sua frente. Parecia ter uns dois aninhos. Ela olhou pra ele e sorriu.

Gil sorriu.

A meninha mandou-lhe um beijo. Gil ruborizou. Nunca em sua vida alguém do sexo feminino que não fosse sua mãe havia lhe mandado um beijo.

-Anda Gil. Rápido. -Veio a voz da morte. Ele estava se desconcentrando e a morte sabia disso.

Gil empurrou os pais da menina e começou a subir mecânicamente os degraus da escada rolante do shopping.

Chegou no terceiro andar e correu na direção do cinema.Quando finalmente chegou lá, a voz surgiu novamente.

-Gil… Ali na fila. O terceiro cara depois do homem de casaco verde. Aquele com a moça. É ele. Você vai matar ele.

Gil olhou à sua volta. O shopping estava lotado. Seria impossível matar alguém ali se ser preso. Mas a morte deu a solução.

-Compre um ingresso para a mesma sessão. Assista o filme com eles e siga-os até saírem do shopping. Quando tiver a oportunidade, “entregue a encomenda”.

Gil acenou como de costume com a cabeça e entrou na fila. Os olhos vidrados no casal. Enquanto aguardava sua vez, Gil tentava imaginar que tipo de meliante seria aquele cara de meia idade com uma moça tão novinha.

Gil comprou o ingresso e foi na cola deles. Andava mais devagar que de costume para não ser notado.

Seguiu-os até o cinema. Era uma comédia romântica. Gil sentou atrás deles. Ficou assistindo o filme.

Quando a sessão acabou, as luzes se acenderam e todos saíram. Gil saiu bem atrás do casal. Os dois subiram um lance de escadas e foram para a garagem do shopping. Gil atrás.

Quando eles chegaram num carro Gilberto notou que aquele era um carrão prata de marca coreana. O cara devia ter dinheiro.

-Só mate o homem. -Disse a morte.

Gil olhou para os lados e viu que não havia ninguém naquela garagem. Enfiou a mão no bolso e segurou a arma. Veio passando como se fosse pegar o outro carro. A moça passou por ele, dando a volta no carro para entrar no lado do carona. Enquanto isso, o homem abria o carro. Gil chegou perto dele e sussurrou.

-Ei.

-Hã?

-Encomenda pra você.

-O que?

A resposta foi o tiro. A mulher deu um grito abafado pelos vidros fechados do carro. O homem caiu morto sobre a porta. Gil saiu correndo e entrou num beco. Ali tinha uma porta com os dizeres:

“Acesso apenas ao pessoal autorizado”.

Gil entrou pela porta e viu um lance de escadas. Desceu por elas e chegou até um corredor que dava em uns escritórios da administração. Ele andou até o elevador e desceu, chegando no nível da rua. Dali ele saiu da área restrita e caminhou normalmente para a saída do shopping. Enquanto andava escutou a campaínha de aviso do shopping tocar varias vezes pedindo que os funcionários do setor G3 comparecessem imediatamente a garagem.

Gil pegou um taxi que vinha passando e voltou para sua casa.

Depois disso, a morte deu um sossego.

No dia seguinte, Gil comprou o jornal e viu que havia assassinado um próspero empresário, bem em frente a sua amante. A morte do empresário desencadeou uma crise institucional no conglomerado que ele controlava e a família se desestruturou completamente ao descobrir a amante. Nos jornais a amante dizia que o assassino havia sido contratado pela família para matá-la e exigia seu quinhão na fortuna do morto alegando uma relação estável com o mesmo.

Gil começou a se perguntar se devia mesmo seguir o que a morte lhe dizia para fazer. Pensou se era mesmo certo aquilo. Por que a morte usaria alguém como ele? Por que não a tradicional foice? Gil começou a se perguntar sériamente se estava ficando maluco.

Foi trabalhar.As horas passaram e nada diferente aconteceu. Gilerto passou o dia esperando que a morte se comunicasse com ele, mas isso não aconteceu. Quando o relógio bateu 17h, todos saíram e Gil ficou no escritório.

Durante o dia, por diversas vezes teve a sensação de ser observado. Mas aquela era uma sensação que ia e vinha. Começou a sentir que podia estar ficando mesmo maluco. Delírios persecutórios… Vozes na cabeça. A sensação de ser um escolhido. Tudo parecia indicar que ele havia pirado. Ele estava pensando nessas coisas quando um arrepio gelado percorreu sua coluna e ele quase pode sentir a mão fria e pesada da morte apoiando em seu ombro. Gil olhou assustado para o lado e não havia nada. Mas a voz voltou.

-Gil, Gil… Você está pensando que está ficando maluco, meu rapaz?

-Es..Estou.

-Gil. Pensa bem. Como você ia saber que naquele endereço que eu dei havia um famoso 171?

-Hã, bem… É. Isso é.

-E como você iria saber que era para matar aquele empresário?

-Mas… Mas opderia ter sido qualquer um. Se você é só a minha mente, poderia ter mandando eu matar qualquer um.

-Gil… Meu amiguinho… Você acha então que eu sou uma manifestação de seu miolo mole?

-Hã… Não sei. Às vezes eu acho.

-Tá bom. Mas e daí? O que isso muda?

-Muda que eu vou procurar um psicólogo e vou contar…

-Vai preso! -Interrompeu-lhe a morte.

-… – Gil ficou sem ação. E a morte continuou:

-Gil, acredite ou não em mim quando lhe digo que sou a morte. Meu trabalho é este. Eu convenço as pessoas. Eu entro na cabeça delas e digo pra elas o que devem fazer. Quando um ex combatente entra num shopping e metralha todas aquelas pessoas, você acha que ele faz isso só porque está maluco? Quando um garoto secundarista entra na escola onde estuda e mata todos os que ele vê pela frente acha que ele faz isso por que? Diversão? Este é o meu trabalho. Alguns dedicam sua vida a acender velas. Outros dedica-se a apagá-las. Ambas as atividades são igualmente importantes. E você é o meu escolhido. E por isso, eu tenho um novo serviço pra você. Os dois anteriores foram fáceis. Foram para você pegar experiência. Mas este não. Este vai ser um trabalho de alto nível. Este trabalho definirá se você continuará ou não ao meu lado.

-O que eu tenho que fazer? -Perguntou Gil levantando-se da mesa.

-Gil, antes de lhe dizer o que fazer, você tem que fazer uma auto-análise. Você não está maluco. Repita isso.

-Eu não estou.

-Você não está maluco. Repita novamente!

-Eu não estou maluco!

– Você só segue a morte. Repita.

-Eu só sigo a morte.

-Isso mesmo. A morte está acima de tudo. Repita.

-A morte está acima de tudo.

-Ótimo Gil. Lindo. Agora você entendeu exatamente o que eu quero. A pessoa que você vai matar é uma mulher. Vou te dar o endereço. Anota aí: Travessa Marília Veiga 339 Casa 7, aqui mesmo, no centro. Vá agora.

-Agora?

-Agora.

Gil sai apressado da repartição. Ele leva a pistola no bolso do paletó. Pega um ônibus. Pede para o cobrador lhe informar onde fica a travessa Marília Veiga. O cobrador diz que é depois de um grande estádio de futebol ali nas imediações.

O ônibus deixa Gil perto do estádio. Ele anda apressado. Vai até um camelô que guarda sua banquinha no final de mais um dia cansativo de trabalho. O camelô indica para Gil a direção da travessa Marília Veiga.

Chegando na rua, ele procura a casa 7. É uma casinha pequena, com mureta baixa na entrada. A casa é meio antiquada em sua arquitetura. Mas bem acabada e bem conservada. Tem um belo jardim na frente.

Gil destranca sorrateiramente o portãozinho. Entra no jardim.

Ele toca a campaínha. Lá de dentro escuta uma voz berrar:

-Já vaaaai.

Quando a pessoa abre a porta, ali está Luciana. Gil segura firme a arma e seu bolso.

-Gil? -Diz Luciana sem entender a visita.

-… Oi, oi. -Diz Gil todo sem graça.

-Que foi, Gil? Viu um fantasma?

-É que… É que… É que eu, eu, eu ia trazer uma enco-encomenda pra vo-você. Mas… Fui assaltado. -Disse ele inventando uma desculpa na hora.

-Ah, Meu Deus! Entra, entra seu Gil. Vamos tomar uma água com açúcar.

Gil entra na casa de Luciana. Por dentro è uma casinha bem decorada. Gil senta-se no sofá. A moça vai até a cozinha buscar uma água. Enquanto ela vai fica a dizer coisas sobre a violência crescente na cidade. Conta um caso de uma amiga que foi assatada.

Gil está ali, sentado no sofá olhando tudo a sua volta. Fica imaginando como seria ser o namorado de Luciana, deitar com ela naquele sofá. Fazer amor na casa dela.  Ele olha as coisas em volta.

O ruído surge na sua cabeça. É ela. A Morte.

-Eu disse que não seria fácil, Gil. Faça o que tem que fazer. Agora!

Gil não sabe se faz ou não o que a morte lhe ordena. Vem Luciana da cozinha com um copo com água e açúcar na mão. Gil solta a pistola dentro do bolso.

-Você está tremendo. Veja só. Como foi, Gil?

-Hã…Foi, foi com uma, uma arma.

-Ah, coitado. Bebe, seu Gil. Beme tudo. Vai te acalmar.

Gil bebe a água extremamente doce.

-E aí? Está se sentindo melhor?

– Ah, sim. Obrigado.

Mas então, seu Gil. O senhor disse que ia trazer o que mesmo? Uma encomenda?

-Ah, não é nada. Não se preocupe. Era, era, era uma lembrança de, de na-natal.

-Ah, que pena!

Gil levanta-se para ir embora. Nisso o telefone de Luciana toca. Ela pede licença pra Gil e atende.

-Oi amoooor. Hã? Claro. Vamos sim? Que horas? Na sua ou na minha? Tudo bem. Até lá. Te amo. Outro.

Gil sente o sangue subir-lhe a cabeça. É o desgraçado do Cláudio. Aquele garanhão de meia tigela. Nunca as palavras da morte lhe pareceram tão sensatas.

-Mas então, o senhor já está se sentindo melhor, né? -Pergunta Luciana, guardando o celular no bolso.

Gil apenas sorri.

-Sabe Lu, eu, eu, eu tenho ainda um, um outro pre-presente aqui pra você.

Luciana abre um enorme sorriso. Gil fica admirando aquele sorriso por um tempo.

-O que é? -Pergunta ela.

– Isso. – Diz Gil puxando a arma.

-Não. Não, por fav…

O tiro na cara silencia a moça. Ela cai sobre a mesa de centro, espatifando o vidro. Gil ainda fica uns segundos contemplando o corpo da moça no chão. Como ele amou aquela mulher. Uma lágrima escorre do canto do seu olho.  Ele guarda a arma no bolso. Ela está quente. Ele pode sentir.

Gil olha para aquele corpo caído no chão.

-Feliz natal. -Ele diz. Então vira-se e sai.

Quando gil levanta no dia seguinte, ele está cansado. Sente um enorme peso nos ombros. Sua cabeça dói. Ele nota que bebeu uma garrafa de uísque antes de dormir. Levanta-se toma um banho e sai. Passa na banca e compra o jornal. Nenhuma nota sobre o assassinato de Luciana. Gil toma seu café matinal e vai para o trabalho.

Quando chega na repartição, tudo que ele vê são pessoas tristes. O luto tomou conta do escritório. A menina gostosa da recepção havia sido assassinada.

Ele assina o livro de condolências e contribui com 50 reais para a vaquinha da compra da coroa de flores.

Gil recolhe-se para sua baia e começa a trabalhar.

Quando é quase meio dia ele vai tomar o café e a mesa de Luciana está vazia. A morte da menina começa a atormentá-lo.

O dia parece durar décadas. A hora está agarrada de uma tal maneira que nada parece capaz de desemperrar aquele relógio.

Quando finalmente chega no fim do expediente, Gil se junta aos colegas de seção para ir ao velório de Luciana.

Aquela é uma noite triste. A família da menina vela o corpo. Luciana está sendo velada com o caixão fechado. Gil nota isso e lembra-se de ter atirado na cara da moça. Ele olha um por um dos parentes aos prantos e sente a dor de cada um corroer-lhe a alma. Ele sabe que o que fez é errado. Mas Gil busca racionalizar pensando que não foi ele quem quis. Ele apenas é o instrumento da morte. Alguns acendem velas. Outros apagam.

Quando finalmente o cortejo sai para o enterro, Gil escuta as palavras do padre. Em silêncio ali estão todos os que o odeiam. Todos tristes. Todos com seus ternos pretos e óculos escuros. Gil pensa como seria seu próprio velório. Certamente ninguém ali estaria nele.

É neste momento que o zumbido recomeça.

-Gil meu menino! -Diz a morte, com sua voz de playboy carioca. -Você está ouvindo? Balança a cabeça aí.

Gil mexe com a cabeça positivamente.

– Tá na hora de apagar mais uma velinha…

CONTINUA

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30 comentários em “O despachante da morte – parte 2”

  1. [quote comment="32024"]-Tá na hora de apagar mais uma velinha
    EOAIEOA’

    aa tá mto legal,parabéns ! 😉
    Quantas partes terá a história?[/quote]

    Ou 3 ou 4. dependendo da minha paciência, hehehehe.

  2. Philipe, vc jah ouviu falar em um mangá chamado Death Note? Eu particularmente não sou muito chegado a mangá, mais curto animes (dependendo do gênero) e já assisti, essa versão. Tem muito aver com o que vc está escrevendo.

    Excelente conto, depois da saga de Varmond.:B

    Continue escrevendo [2]

  3. [quote comment="32076"]Philipe, vc jah ouviu falar em um mangá chamado Death Note? Eu particularmente não sou muito chegado a mangá, mais curto animes (dependendo do gênero) e já assisti, essa versão. Tem muito aver com o que vc está escrevendo.

    Excelente conto, depois da saga de Varmond.:B

    Continue escrevendo [2][/quote]

    Não conheço não cara.
    Valeu. Vou procurar saber mais sobre isso.

  4. [quote comment="32081"]Ótima história!

    Merece MUITO um curta ao estilo bem brasileiro

    falando em curta,

    ainda tá gravando seus projetos?
    motoboy, etc[/quote]

    Tô tocando como dá. Mas é foda, porquê faço muita coisa ao mesmo tempo e certos projetos demandam MUUUITO tempo. Aí me enrolo.

  5. Caraaaaaaaaaaaaaaaaaca… esse texto me deu ideias.. algumas O.o Ver se agora eu consigo fazer alguma delas e terminar hahahha
    E Filho, eu já disse e repito, você devia escrever um livro hahahha

  6. Sabia que mais cedo ou mais tarde o Gil ia matar a Luciana… Só achei que ele iria, digamos, fazer com ela o que sempre quis quando ela morreu (if you know what I mean). Ah, e muito boa a idéia de que foi o zumbido da morte que fez aqueles garotos atirarem no colégio inteiro.

    Abraços!!

  7. :argh: 😐 :$ :B 😎 :*( :curious: x_x :gasp: =D :happy: :/ 😀 :injured: 😆 :lol2: :love: :X :meh: O_o :ohhyeahh: D: :omg: :raisebrow: 😛 🙁 0_0 :shocked: :sly: 🙂 :] ;] :worry: :wow:

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