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O bocejo é contagioso

October 1st, 2007

Você sabia que o bocejo é contagioso?

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Pois é. Você deve se lembrar que na época da escola, no silêncio sepulcral que ocorria durante as provas, se alguém tossisse, pigarreasse ou mesmo bocejasse, iniciava uma onda de repetições por toda a sala. Em alguns momentos, todos estavam bocejando.

A explicação para o bocejo ser contagioso reside em um grupo específico que neurônios chamados neurônios-espelho. Só descobertos nos anos 80 em experiências com primatas, os neurônios espelho merecem muito do crédito pela nossa evolução. Digo isso porque o conhecimento humano se estrutura a partir da observação e repetição. São os neurônios espelho que entram em ação para fazer com que aprendamos um passod e dança ao ver uma pessoa realizá-lo, ou mesmo assumirmos a postura de nosso interlocutor durante uma animada conversa sem que tomemos consciência dele.

Os neurônios espelho estão diretamente associados ao controle da empatia. Isso significa que se vemos uma pessoa que gostamos bocejar, pode ser que ocorra uma vontade incontrolável de bocejar também. Por sua vez, se a pessoa que vemos bocejar é alguém que detestamos, nosso corpo ficará impassível à aquele estímulo.

Muitas vezes só o fato de vermos uma foto de alguém bocejando ou pensar sobre isso provoca o desejo de bocejar. Esta simples constatação demonstra o poder do nosso sistema nervoso e a força dos neurônios-espelho.

Nem todas as pessoas possuem o mesmo comportamento. Em um experimento psicológico realizado na universidade de Drexel na Filadélfia, isso foi demonstrado ao exibir um video de uma pessoa falando um texto e bocejando. Enquanto as crianças assitiam ao video, um grupo de pesquisadores assistia atentamente as crianças anotando quantas e quais delas bocejaram e quanto tempo levou do estímulo à reação.

Assim, eles descobriram que algumas pessoas reagem ao estímulo mais rápido que os demais. Correlacionando escores obtidos em outros testes psicológicos aos quais o mesmo grupo foi exposto, surgiu uma forte evidência de que as crianças mais abertas aos estímulos ( que bocejaram mais rápido) tinham notas maiores na questão da empatia. Esta teoria confirmou a hipótese sobre a característica dos esquizofrênicos e autistas não bocejarem: por viverem em um mundo psíquico isolado e distante do contato com outras pessoas.



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