Foto Gump do Dia: A Páscoa Traumática e a Tradição de Aterrorizar Crianças
Eu sei que é errado, mas não tem jeito. Toda vez que vejo aquelas fotos de Páscoa com crianças chorando desesperadas, eu começo a rir. É um sentimento de culpa instantâneo, seguido por um ataque de riso incontrolável. Meu lado humano diz “coitadinhas”, mas meu lado Gump pergunta: “mas qual é o trauma de verdade?”.
Olha só essa cena clássica aqui embaixo. A menina, toda produzida com seu vestidinho de renda, segurando o coelhinho como se fosse uma granada prestes a explodir. A expressão é de pavor absoluto. E a gente fica se perguntando: o que se passa na cabecinha dela? Será que ela acha que o bicho vai morder? Ou será que ela já entendeu, num lampejo precoce de genialidade, que aquele ser fofinho é, na verdade, um completo estranho vestindo uma fantasia suada?
Mas vou te confessar uma coisa: acho essa guriazinha aí até meio fresca. Porque antigamente, é que era bão mesmo. A fotografia de Páscoa com coelho vivo é uma tradição que vem lá do século 19, viu? Nos Estados Unidos e na Europa, era comum presentear crianças com coelhos na Páscoa, e daí pra tirar uma foto com o bichinho assustado foi um pulo. Só que antigamente ninguém ficava com esse mimimi. A foto era pra documentar o momento, fosse ele de alegria ou de terror psicológico profundo.
E os pais, claro, adoravam. A prova está nos álbuns de família, recheados de pérolas como essa aqui:

Esse menino aí já aceitou seu destino e apelou para a divina providência. É a fase da barganha. Já os próximos candidatos representam outras etapas do luto pascalineano.

O Coelho Não é um Brinquedo (E as Crianças Sabem Disso)
O que muita gente não para pra pensar é que o coelho, por mais fofinho que seja, é uma presa na natureza. Ele é um animal que se estressa fácil pra caramba. O susto dele, somado ao susto da criança que não tá entendendo nada, gera uma combinação fotográfica perfeita. É um encontro de duas criaturas completamente apavoradas, mediado por um adulto com uma câmera que só pensa no “que momento fofo pro Instagram”.
E aí a gente chega na obra-prima. O ápice da arte do trauma pascal. Essa aqui não é uma foto, é um estudo psicológico.
Quando a coisa evolui do coelho vivo para um coelho de pelúcia do tamanho de um urso pardo, a gente atinge um novo patamar de terror. Isso aqui já é cenário de filme de suspense. O bicho é maior que a criança, tem um olhar fixo e vazio, e parece que vai ganhar vida a qualquer momento. A tradição de coelhos gigantes, aliás, tem um lado bem curioso: na Alemanha, o “Osterhase” (coelho da Páscoa) era descrito como um animal que botava ovos coloridos, e a lenda se espalhou pelo mundo. Mas em nenhum momento a lenda original fala que ele seria do tamanho de um guarda-roupa e teria a expressão facial de um assassino psicopata.
No fim das contas, essas fotos são um ritual estranho de passagem. Todo mundo tem uma. São as memórias que a gente ri depois de adulto, mas que na hora deviam ser o evento mais aterrorizante do ano, perdendo só pro Papai Noel bêbado do shopping. É a confusão total entre o que é suposto ser divertido e o que é, na prática, um pesadelo peludo.
E vc, tem uma foto traumática de Páscoa no álbum de família? É isso aí, valeu.



