Língua do Pê

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Quando eu era pequeno, via que as meninas da sala falavam numa língua secreta. As mulheres tem dessas coisas. Os meninos pensam em ser o Super-homem. As meninas nesta idade, já tem uma linguagem própria e herméticamente segregadora.
Eu me sentia um completo idiota quando cercado por elas, apenas observava sem compreender absolutamente nada sobre aquela linguagem estranha que elas cantavam com indisfarsável ar de superioridade, apontando para mim.
Custei a descobrir a origem da malograda linguagem. Tive que praticamente subornar uma menina gordinha, que como eu, vivia à margem daquela mini-sociedade hostil, para que pudesse, mesmo que de maneira fugaz, compreender alguma daquelas palavras.

A garota fez um “doce” enorme e me enrolou por várias semanas sempre alegando que no dia seguinte me contaria. Quando o dia seguinte chegava, ela falava que seria no outro, e assim por diante. E desta maneira, foram passando-se os dias.
Até que percebi que o que ela realmente gostava era do fato de possuir alguma coisa que eu desejava.
Em concordância com aquela micro-sociedade pérfida, eu percebi isso e usei ao meu favor, dizendo pra ela que não precisava mais me contar o segredo. Que outra menina iria me contar.
Inicialmente a gordinha ameaçou o descrédito. Mas vendo minha (diga no oscar) expressão de impáfia e completo desdém para com seu valioso segredo, apercebeu-se diante de sua completa insignificância e tentou, mesmo que por um breve momento, recuperar minha atenção:

– Eu conto. – Disse-me sôfregamente, atrás de uma pilastra na hora do recreio.
-Me conta agora então, porque minha amiga vai me contar hoje no final da aula. -Disse eu pegando galanteadoramente na mão da cordinha. E ela, coitada. Contou.

Vendo que perdera seu trunfo, a gordinha finalmente confessou o que eu esperava ansioso para descobrir. E a resposta, vejam vocês, cabia em uma única e simples frase.
A princípio, fiquei constrangido de não perceber tamanha obviedade. Elas não falavam outra língua. Era a mesma coisa, só que cada sílaba começava com “pê”. Nada mais tolo.

Passado meu espanto, morri de satisfação ao perceber o que havia conseguido ao arrancar tão habilmente, aquela confissão. Eu finalmente havia penetrado no véu da obscuridade. Eu era agora um iniciado nas vicissitudes daquelas meninas, que embora eu odiasse declaradamente, secretamente nutria um misto de desejo e curiosidade por cada uma delas. Todas lindas. E cruéis.
Estudei com afinco tentando estabelecer uma vantagem psicológica na classe. Eu pensava frases e lia as coisas do caderno, mentalmente convertendo cada sílaba em uma sílaba começada em pê. Eu finalmente havia dominado aquela linguagem. Eu virei o único menino, talvez da classe, talvez da escola, quiçá da cidade a saber aquilo.
Não contei a ninguém minha descoberta e guardei para mim aquele segredo precioso.
Um dia, estava sentado na escada, olhando o pátio. Sozinho como sempre estive.
Duas dessas pequenas fadas surgiram ao meu redor, não sei de onde nem como surgiram e começaram a falar na língua do pê.
Com satisfação parei meus pensamentos para dar atenção ao que elas cantavam apontando para mim.
Naquele dia, descobri que a ignorância é definitivamente, uma bênção.

Este post autobiográfico era inicialmente para justificar esta história, incrívelmente escrita apenas com palavras começadas com a letra P, de autor desconhecido.

Pedro Paulo Pereira Pinto

Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor, português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos.
Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir.
Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres. Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas. Pálido,porém personalizado, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris.
Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los. Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente,pois perigosas pedras pareciam precipitar-se
principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas.
Pisando Paris, permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo precaver-se. Profundas privações passou Pedro Paulo.
Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal. Povo previdente! Pensava Pedro
Paulo…
Preciso partir para Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses.
-Paris! Paris! Proferiu Pedro Paulo. -Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir.
Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, Papai Procópio partira para Província.
Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava pedir permissão para Papai Procópio para prosseguir praticando pinturas. Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Pedindo permissão, penetrou pelo portão principal. Porém, Papai Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu:
– Pediste permissão para praticar pintura, porém, praticando, pintas pior.
Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia. Porque pintas porcarias?
– Papai, – proferiu Pedro Paulo – pinto porque permitiste, porém, preferindo,poderei procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal.
Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão perfeita: pedreiro! Passando pela ponte precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando. Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram pacus, piaparas, pirarucus.
Partindo pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro. Pisando por pedras pontudas, Papai Procópio procurou Péricles, primo próximo, pedreiro profissional perfeito. Poucas palavras proferiram, porém prometeu pagar pequena parcela para Péricles profissionalizar Pedro Paulo. Primeiramente Pedro Paulo pegava pedras, porém, Péricles pediu-lhe para pintar prédios, pois precisava pagar pintores práticos. Particularmente Pedro Paulo preferia pintar prédios. Pereceu pintando prédios para Péricles,
pois precipitou-se pelas paredes pintadas.
Pobre Pedro Paulo, pereceu pintando… Permita-me, pois, pedir perdão pela paciência, pois pretendo parar para pensar… Para parar preciso pensar. Pensei. Portanto, pronto, pararei.

31 comentários em “Língua do Pê”

  1. Interessante como são as coisas, na minha cidade, a língua do P era apenas mais um divertimento, nada de sercreto nem coisa do gênro, claro, haviam pessoas que dominavam a técnica melhor que outra, porém não passava disso, uma brincadeira e todos conheciam como funcionava.

    agora… você me deixou curioso, o que ela disseram?

  2. bom, essa linguagem é o que mulheres usam na infância para q os homens não entendam o q elas estão falando….. depois de adultas elas utilizam apenas o olhar p se comunicar….

    por exemplo; esuqeça o aniversário de namoro (ou casamento)para ver o que ela vai te dizer c um simples olhar. ou então, dê aquela “secada” na gostosona q passar perto de vcs, e veja o que a maioria diz com um simples olhar….

    Obs. não se faz esse tipo de coisa c a gordinha! aposto que ela só te contou o segredo da malfadada lingua do P pq ela estava apaixonada! vc a usou e descartou!!!! (gordinhos sempre se fodem….)

  3. hahahahahahahahahahahaha…
    cara.. sem zueira.. se te visse na rua pediria um autografo.. ausehhs..
    é a primeira vez que comento mas tô aqui todo santo dia, pelo – 4x por dia esperando atualizações..
    muito bons os posts.. sem noção msm! shsh..

    abraço

  4. Hehehe, valeu.
    Thiago, realmente eu fui sacana com a gordinha. Crianças não são perfeitas, hehehe.

    Pendragon, eu deixo o que elas disseram a critério da imaginação do leitor. É uma maneira de escrever em parceria com quem lê.

    Leomello, valeu mesmo, cara. Fico feliz que goste tanto.

    Pirata, muito obrigado.

  5. Porquê paraste, pois, poderias prosseguir ponderando palavras; pôr parábolas portuguesas, porém, par’isso precisarias, por-vezes, pensar, prensar, procriar palavras. Pré-requisitos precisos, porém pobres para pejorativos palavreadores.

    Por Perez.

  6. :] Cara muito legal seu post, achei por acaso depois de digitar no Google “Como aprender a língua do P”, depois que uma amiga me perguntou se eu sabia a língua do P, disse-lhe que na época da escola, as meninas falavam isso, mas, nunca me interessei em aprender! Após isso, ela me disse: “Que pena! Queria te contar um desejo que passou em minha mente louca agora, mas, já que você não conhece, deixa quieto!!!” Fiquei louco, e depois de muita insistência, ela só deixou escapar que não tinha coragem de dizer seu desejo, estava com vergonha, mas, se eu soubesse a língua do P… ele teria dito, até porque um homem que sabe a língua do P, valeria a pena arriscar…
    Moral da história. Vou morrer sem saber qual sua vontade? vai saber… Mas Philipe, depois desse “conto” que descrevi, mesmo achando interessante sua colocação de enfatizar nossa criatividade ao imaginar o que falaram a você na lingua do P, da uma colherinha de chá e fala brw… =]
    P.S.: Tudo isso ocorreu durante um filme romântico (e picante) que assistíamos! 😛

  7. isso não é nada quando eu estudadva em um colégio publico em Laranjeiras penei pra aprender a GUALIN TETECA ,q. nada mais é do q a lingua do catete um bairro próximo,em q a maioria dos jovens q moravam naquele lugar usavam para se comunicar .E os dialogos era asssim com tudo dito de trás pra frente.Bem mais dificil q a lingua do Pê

  8. Pesua peoperipegem perrepemonpeta pea Pessepegunpeda Pegueperra Pemunpedipeal, pequanpedo pessolpedapedos peapelipeapedos, peprepecipesanpedo pede peupema peforpema pede pesse pecopemupenipecar pecom pesseus pecompepapenheiperos pessem pesseperem peenpetenpedipedos pepepelos peipenipemipegos, pecripeaperam peupema pelínpegua peque pesseperia peepexapetapemenpete peipegual pea pelínpegua penapetipeva pedepeles, pepoperém peapecrespecenpetanpedo pea pessípelapeba pepe peanpetes pede pecapeda pessípelapeba pede pecapeda pepapelapevra pea pesser pedipeta.

  9. A lingua do P é o seguinte.
    Antes de todas as palavras, voce fala com a letra p

    EXEMPLO:

    PSPOPU PLPIPNPDPO
    corte os P acima e voce verá o nome !”Sou lindo”!

    PELA MINHA NAMORADA????…

    Yslane x_x

  10. Essa linguá do P é simplesmente irritante as meninas da minha classe faziam isso e eu até entendia o que elas estavam falando(sempre besteiras inuteis) no final eu resolvi ignorar as Pêfoqueiras, e percebi que se voce tentar não entender fica parecendo o som de uma galinha ou algum animal que faça esse tipo de barulho irritante.

    Agora na minha nova classe a moda é a linguagem dos mudos. a coisa de sinais é otima pra colar em provas…

  11. meu pai usava a lingua do pe e eu ate aprendi algumas frases:                                                                      vopocepe estavapa fumandopo

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