O futuro da carne sintética

Ao logo de todos esses anos de Mundo Gump, posts que causam grande confusão nos comentários são os que falam sobre comer ou não a carne. Como sabemos, há milhares de pessoas de um lado que defendem um bom e gostoso churrascão. Do outro lado, um numero ainda pequeno, mas crescente de pessoas que abriram mão de comer bicho morto.

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Falando assim, dá uma certa repulsa, porque nós gostamos de imaginar que aquilo ali que compramos no açougue aparece magicamente lá dentro, em formatos que não podemos reconhecer como sendo essa ou aquela parte do boi.

Nem mesmo com aquele desenhozinho clássico na parede do açougue dá pra reconhecer direito onde fica a picanha, o patinho, o chã, a alcatra…Algumas partes são mais fáceis, como miolo, fígado, língua, peito, cupim…

Eu como carne porque nasci numa família de carnívoros onde tinha carne TODO SANTO DIA, e praticamente no almoço e jantar. Na casa da minha vó, tem que ter bife todo dia. Se não tiver, pode chamar o hospital, porquê tem algo errado! Minha avó sempre teve esses pendores para comidas animais. Me lembro de a gente ainda pequeno e ela chamava para ver matar a galinha. Com satisfação minha vó pisava nas asas da galinha e passava a faca, para recolher o sangue numa cuia e fazer a infeliz ao molho pardo. Era uma delícia, mas a gente tinha pena.
Ela, nem aí. Com a fleuma de um Norman Bates e a precisão do Jason, disparava facadas e cortes na galinha. Era triste porque a gente ficava vendo a galinha no quintal um dois dias antes dela ir pra panela. A gente se afeiçoava. Devia ser a sensação do carcereiro do corredor da morte.
Pra minha vó, matar um bicho não é pecado. Pecado é matar e não comer. Aliás, pecado máximo mesmo é não repetir o almoço! Ela te ama na proporção direta de quantas vezes você faz um prato de peão e repete ele. Quando eu vou lá, tenho que comer primeiro um prato fundo de feijão para “abrir os trabalhos”. Se eu não repetir o almoço três vezes seguidas ela me pergunta se eu estou doente.

Mas o fato é que matar animais para comer realmente me parece crueldade. Eu sei disso, mas como. Pode me chamar de hipócrita. Eu gosto do sabor da carne, e se tivesse que parar de comer um animal seria o porco, que acho meio sem graça. Eu amo comer peixe e carne de boi, embora esteja tentando evitar comer em grande quantidade. Aumentei a quantidade de frango, mas ainda como com uma certa pena.

 

Demanda de carne no mundo em milhões de toneladas
Demanda de carne no mundo em milhões de toneladas

Certamente não sou o único sujeito que come carne com dó do bicho que morreu para virar o meu cocô. Talvez, no futuro, inventem algum tipo de tecnologia que possa solucionar isso. Até porque o custo da criação de gado e seus prejuízos indiretos como o consumo de água que demanda, o desmatamento, a liberação de gases tornam tudo muito caro. Acho curioso que cientistas consigam fazer teletransporte de partículas, descobrem até a porra do Bóson, mas não conseguem criar uma maquina de fazer carne. Será que é tão difícil?

Bom, ao que parece, isso está cada vez mais perto de se tornar uma realidade. Pelo menos no que concerne à carne de frango.

Diariamente milhões de toneladas de frango são consumidas no mundo.
Diariamente milhões de toneladas de frango são consumidas no mundo.

Diariamente, milhões de toneladas de carne de frango são consumidas no mundo. Só os EUA matam quase oito bilhões de frangos por ano – cerca de 40% do consumo de carne é frango, em comparação com cerca 25% de carne de porco (e isso nos EUA onde eles comem bacon no café da manhã!). Os frangos dessas granjas de abate crescem numa escala industrial à base de hormônios e cruzamentos genéticos. As galinhas tem crescido tão rapidamente que existem registros veterinários mostrando que a maioria tem doenças ósseas, e muitas vivem em dor crônica. 

Segundo este artigo do The New York Times, o problema com o frango de granja é que o frango fica doente facilmente. E para evitar isso, doses maciças de antibióticos são administrados aos animais, para que eles só morram na hora certa. O problema é que a carne fica  saturada. 

“Cerca de 80 por cento dos antibióticos vendidos no país são dadas aos animais, o que aumentou o número de doenças resistentes a antibióticos, bem como a presença de arsênico no solo e na alimentação. O trabalho em unidades de processamento de carne e aves é notoriamente perigoso. Em 2005, a Human Rights Watch chamou-lhe  de “o trabalho de fábrica mais perigoso da América”, e em quase todos os testes do frango vendido no supermercado encontraram altas porcentagens – às vezes tão alto quanto em duas de cada três amostras – de estafilococo, salmonela, Campylobacter, listeria ou a doença causadas por bactérias resistentes aos antibióticos chamados MRSA.

 Bill Marler, advogado e líder de segurança alimentar, me disse que ele assume que “quase todo frango e peru produzido nos EUA está contaminada com uma bactéria que pode matar você.”

Apesar dos riscos, o frango talvez seja um dos animais mais consumidos pela sua carne branca e macia.

Pense como seria interessante uma maquina que faz carne de frango sem ter que matar o infeliz do frango.

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Não é frango de verdade! Serião!

O “frango fake” tem algumas vantagens extras além de não matar o bicho:

Ela tem a vantagem de ser um alimento sem gordura saturada, colesterol e com proteínas, além de disponibilizar preço de mercado mais baixo do que a indústria da carne convencional. As tiras de “frango” feitas com vegetais fazem sucesso em boa parte dos Estados Unidos, por meio das vendas nas lojas do Whole Foods, e devem alcançar todo o território norte-americano até meados de 2014, depois que nomes como Bill Gates anunciaram apoio ao projeto, que teve início em 2009 com pesquisadores da Universidade de Missouri. fonte

 

Bill Gates ficou tão impressionado com a qualidade do frango fake que investe periodicamente quantias não reveladas no aperfeiçoamento do sistema. Possivelmente ele faz isso por interesse humanitário. Por ser simples de produzir, o frango fake poderá ser usado para ajudar a combater a mazela da fome em países pobres assolados pela miséria, como o Haiti e outros da África.

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Por outro lado, a criação de uma carne fake de frango poderá, no futuro ser aperfeiçoada ao ponto de apresentar uma semelhança tão grande com o frango original que se tornará impossível discernir o que é frango real e o que é carne sintética. O frango fake (que não tem nome comercial ainda -uma cagada de marketing, na minha opinião) é feito com soja, proteína de ervilha, amaranto, fibra de cenoura e alguns outros ingredientes naturais e  sem antibióticos. Isso tudo é misturado com água e passa em uma extrusora especial que aplica de diferentes temperaturas e pressões para obter a consistência desejada.

O que resulta lembra peito de frango desossado. Mas sem gosto.

Empresário cria “frango falso” e aposta no mercado dos EUA e outros vídeos – TV UOL

Eu penso que talvez estejamos prestes a uma significativa era de mudanças na alimentação humana. Talvez para melhor, ou não. Pode ser que no futuro só os mais ricos possam comer carne de verdade. Ou talvez isso seja um delírio. A coisa pode continuar como está e até piorar. Imagina só se todo chinês resolver fazer churrasco no fim de semana…

 

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32 comentários em “O futuro da carne sintética”

  1. Minha dieta e vegetariana e consumo ha mais de 5 anos um tipo de proteina chamado Mycoprotein: que tem exatamente a mesma textura do frango. Quando quero carne-moida uso uma proteina exatamente igual mesmo sabor que vem da soja. Quando quero um bife ha uma outra proteina que imita bem a carne, parece um filet extremamente macio. Os Indianos por exemplo ha seculos que evitam a carne, alguns consomem frangos (mas sao considerados de casta baixa). Nao existe mais desculpa para o consumo desenfreado de carnes como acontece no Brasil. Daqui uns 15 anos as pessoas vao despertar para o horror da producao, o que a carne provoca no organismo, etc. Moro em clima frio (muito frio na verdade) que e relativamente facil de ficar doente. Desde que troquei minha dieta (sem carnes) nunca mais fiquei doente. Antes era aquela coisa de a cada 2 meses uma gripe agora nunca mais. Fora que sem carnes voce termina de almocar e sente-se leve, nao aquela sensacao que dava antes de ficar 2 semanas em digestao. Bom, eu recomendo a todos a iniciar uma dieta vegetariana mais light, saudavel e natureba.

  2. Se isso pegar mesmo, no futuro será crime criar galinha, pato pra dps comer, minha vo tinha varias galinhas, a gente comia as vezes uma ou outra pq ela esperava a galinha ter pintinhos pra gerar mais galinha/galo, nao precisavamos gastar dinheiro com frangos de 15 reais no açougue que sabe Deus como ele é limpo e posto naquele saco de plastico, tinhamos ovos em abundancia, ate davamos uns pra vizinha.O que esse pessoal quer é controlar o mundo,já controlam o q a gente faz na internet com o facebook, telefones, biometria ,agora querem controlar nossa alimentaçao? desculpa Philipe sou um leitor de muitos anos do seu blog e isso e uma opniao minha, sei que pode parecer um pensamento arcaico em nossa Era de tecnologia, mas tudo tem um limite. abs

  3. Legal a postagem!

    Vale lembrar que há cientistas que estão produzindo carne em laboratório, através do cultivo de células musculares de animais.

    http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2013/08/gra-bretanha-testa-hamburguer-feito-de-carne-cultivada-em-laboratorio.html

    Abraços

  4. Não tem gosto de nada?
    Parece saboroso.
    Talvez com um salzinho ou sazon. – Gosto dessa ideia de carne fake.

    Agora, como você falou da sua avô matando galinha, minha mãe destrancava as bichinha, acho que era uma morta mais rápida talvez não menos dolorosa, as vezes demoravam pra morrer. E sua dó da morte me fez lembrar quando meu pai matava porcos, esse era foda, mas ele não nos deixava assistir pois tinha um mito dizendo que se alguém ficasse com dó o bicho não morria e ficava sofrendo um tempão – já ouviu falar disso?
    Lembro que meu pai, no meio do ato de matar o porquinho vinha até a gente (crianças) e dizia pra gente ir pra longe porque alguém tava com dó e o porco não tava morrendo. O engraçado que me lembro de uns 3 ou 4 pesadelos que tinham porcos me perseguindo e eu tinha o maior cagaço de porco vivo por isso.

    • Eu vi uma vez na fazenda. Morri de pena e o bicho não morria nem pelo caralho. O cara da fazenda me mandou ir embora pq eu tava “segurando o porco aqui”

    • O segredo do abate doméstico rápido do porco está em dar uma “estocada” precisa com uma fica fina e comprida, bem debaixo da “axila” esquerda do bicho, atingindo o coração. O animal morre em segundos, pela queda da pressão. O Sujeito que alega que quem tem dó “segura” o animal vivo tá só procurando uma desculpa para o serviço “porco” de não conseguir matar o porco… rsssss…..

  5. Uma correção: não existem seres humanos carnívoros. Para ser classificado como carnívoro, seria necessário ter uma dieta composta por 95% por cento de carne – e nenhum ser humano chega a esse percentual, por mais que coma carne. O ser humano é um animal, por excelência, onívoro. Ou seja, tudo que se come o ser humano consegue comer – vegetal e animal, passando por insetos e outros bichos que nós achamos nojentos mas os Chineses e Coreanos traçam sem pena nenhuma. E essa é uma das vantagens biológicas que tivemos em relação a outras espécies e que nos tornou dominantes no planeta. Uma coisa que poucos veganos explicam e que deveria ser pensada é qual o destino que daríamos ao imenso rebanho que hoje vive apenas porque o ser humano o sustenta no caso de uma conversão maciça ao veganismo. Porque seria um contrasenso deixar a bicharada morrer e soltá-los na natureza seria o CAOS COMPLETO. Ao contrário do que defende a absoluta maioria dos vegetarianos existem muitas doenças associadas ao vegetarianismo: deficiencias de vitaminas como a b12, osteoporose (que é 60% mais frequentes em mulheres vegetarianas), deficiências de proteinas e problemas diversos que a galera verdinha joga habilmente para baixo do tapete, colocando a culpa de todas as mazelas da humanidade no consumo da carne. A verdade é que tudo que você come, verde ou vermelho, vai acabar te matando. O Brasil, por exemplo, não tem classificação confiável do que é orgânico, e muita gente compra tudo que tem escrito “orgânico” no rótulo achando que está comendo algo “mais saudável”, quando muitas vezes está e comendo um produto mais caro de um fornecedor espertinho. O que deveríamos pensar mesmo é em comer de forma mais racional, de acordo com aquela pirâmide nutricional famosa: na base 50% de carboidratos, a seguir vegetais e frutas, que podem ser consumidos em grande quantidade mas fornecem cerca de 15% das calorias, depois as proteínas (25% da alimentação, mais ou menos), e por fim óleos vegetais e quantidades mínimas de açúcar e outras gorduras (10% das calorias deveriam vir dessas fontes, no máximo). E eu gostaria de conhecer um vegetariano, um só, que não fosse arrogante e não achasse que a dieta dele vai salvar a humanidade.

      • Verdade, esse cara é carnívoro, mas é uma exceção. E, convenhamos, por mais que eu goste de carne mal passada isso deve ser muito chato. Eu costumo dizer que antigamente pobre comia melhor, porque criava bicho em casa, tinha horta enquanto os ricos se enchiam de comida gordurosa e alimentos açucarados. Agora, pelo andar da carruagem, os pobres vão ficar gordos (porque tudo que é gorduroso e super açucarado é mais barato) e os ricos vão guardar para si os alimentos frescos e naturais. A pobreza já foi famélica, hoje é obesa.

        • Imagina o bafo do infeliz. O cara só ingere proteína! Com certeza, concordo que o futuro é dos pobres obesos, e ainda assim mal nutridos. E os ricos malhando firme, e em forma. A gente pode ver isso acontecendo já, lá em Los Angeles. Vc vai nos bairros pobres, mais nas quebradas, começa a aparecer gordo pra todo lado. Já nos ambientes dos ricos, muita gente (não é todo mundo, verdade) sequinho… No style.

    • Citando: “E eu gostaria de conhecer um vegetariano, um só, que não fosse arrogante e não achasse que a dieta dele vai salvar a humanidade”.
      Desista, minha cara… isso “non ecziste”… é mais fácil achar um baixinho que não seja metido e arrogante… rssss…

  6. Citando; “Mas o fato é que matar animais para comer realmente me parece crueldade. Eu sei disso, mas como. Pode me chamar de hipócrita.” Concordo!

    Hipócrita sim, porque os “vegeta” alardeiam que não se pode sacrificar os pobres animais para alimentação humana; que é crueldade, pois são “seres vivos” como nós; que quem come carne de aves e animais tem um “cemitério” na barriga… e por ai vai.

    Só que os “vegeta” se esquecem de que comem plantas… e elas também são seres vivos. Logo, são também dignas da mesma “piedade” que dedicam aos animais.

    Então, para ser um autêntico “vegeta”, tem que parar de comer qualquer coisa que seja viva!!! Vire planta e faça fotossíntese… peraí, planta também se alimenta de outras plantas e animais mortos, em decomposição. Logo, não podem se tornar plantas também, por elas serem, inclusive, “plantropófagas”.

    Parem com tanta bobagem!!! Todo mundo que não for alienado sabe que a vida depende da morte para existir! Se querem ser autênticos, deveriam se tornar algo que não dependa de se alimentar de outro ser vivo… pedras, por exemplo!

  7. O impacto da humanidade no planeta é muito grande, e mesmo a dieta vegetariana tem suas desvantagens do ponto de vista ambiental. Se todos resolverem se alimentar apenas de vegetais e grãos, imaginem a quantidade de campos que será necessário desmatar para plantar alimentos. No fim das contas, o ideal é reduzir o consumo de uma maneira geral, e eu particularmente não quero tirar a carne da minha dieta. Há outras maneiras de sermos mais verdes no dia a dia.
    Veja que loucura: o sujeito deixa de comer carne e passa a se alimentar de soja e derivados. Cara, quase toda soja hoje no Brasil é transgênica. A carne tem antibióticos, o vegetal é transgênico e tem pesticidas. É trocar o sujo pelo mal lavado.Não tem para onde correr.
    Enfim, esse é meu ponto de vista com relação ao impacto ambiental. Tem uma coisa muito forte que se chama sentimento. Se a pessoa se sente mal em comer carne por ter que matar o animal, então não coma. Nada como ter a liberdade de poder escolher como quer viver.
    Em tempo: conheço vegetarianos que são “sussa”, mas tem outros que pelamordedeus! Vai ser chato assim na pqp, parecem fanáticos religiosos!

  8. eu parei de consumir carne vermelha, apenas, faz 2 anos.. antes o consumo em minha casa era mto alto praticamente todos os dias no almoco e jantar e por problemas de saúde e por considerar que ela traz mais males do que beneficios, ao meu entender, optei por consumir apenas peixe!! Pois carne de frango, galinha e afins eu nunca consegui consumir.. agora q é fato q esse tipo de carne fake vai ser uma realidade nas proximas decadas, nao duvido! a demanda por comida no mundo aumenta exponencialmente e se esse tipo de carne comecasse a fazer um certo sucesso e ter a devida procura aliada a uma oferta interessante que propiciasse o seu valor mais barato com certeza para regioes mais pobres ou com deficiencia em producao de alimentos de origem animal seria uma otima opcao! com a vantagem de poder manipular e deixá-la mais nutritiva e mais completa se tivessemos que direcionar o envio delas para alguma regiao mais pobre, deficitária de alimentos como um todo.. enfim..

  9. O Futuro, será comer insetos. Criados já nas fazendas Holandesas, Lembro de ter lido na época que para produzir 1kg de proteínas na base do boi, aproximadamente, são necessários 20kg de ração, para se produzir 1kg de proteínas na base da baratinha se utiliza apenas 1,5kg de ração. Claro, não serão seres assustadores que o Philipe com prazer sempre posta aqui, eles serão processados, enfeitados, industrializados, temperados. No fim, que importa é o paladar. Por isso que tem gente que come o peixe da diarréia, como já li aqui recentemente rs.

  10. Que é isso, gente, tem vegetariano sossegado sim… Tenho uma prima que nunca suportou o sabor de carne, e tudo piorou no dia que ela, criancinha, foi num restaurante e viu um daqueles porcos assados inteiros e começou a chorar, achando que fosse um bebê(!) tadinha, haha… Hoje em dia a gente faz churrasco e sempre faz um vinagrete caprichado, uns espetinhos de cebola/pimentão/tomate (churrasqueado fica bom mesmo), um queijo coalho e tal, senão ela só consegue comer arroz e salada. Chegava a dar dó às vzs porque era sempre a mesma conversa, “não quer nem uma asinha de frango?”, “mas tá uma delícia”, “não quer que eu faça um prato pra você com tal coisa, no meio da salada nem dá pra perceber o gosto”, e por aí vai. E ela nunca foi militante não, na verdade paga pra não entrar em conflito. Não tem nada de rebeldia ou de soberba nessa atitude dela, não é nenhuma “declaração contra o mundo errado” como a gente às vezes está pronto pra acreditar quando ouve de alguém que essa pessoa não gosta de carne.
    Eu meio que consigo me colocar no lugar porque não suporto baby beef ou vitela… Coisa esponjosa, molenga, parece carne de bicho doente. E ainda por cima sai de boi criança, fico me sentindo um pedófilo canibal, hahaha.

    • Realmente. Temos que reconhecer que é muito difícil para algumas pessoas aceitar alguém que opta por não comer carne. Essas pessoas sofrem preconceito, muita gente pensa que elas são “chatas” pelo simples fato de não comer carne, como se isso estivesse ligado. Se fosse assim, era fácil achar os chatos. Eu conheço uma PORRADA de chato pra caralho, do tipo que dá chulé em pé de mesa que adora um churrasco.

  11. Eu sendo um vegetariano apoio a ideia e dou os meus aplausos. Pra quê se alimentar através da dor e sofrimento de outro ser vivo? Não preciso de carne para sobreviver.

    • Acho isso uma boa solução para dois mundos. Quem gosta de carne e ao mesmo tempo sofre com a exploração animal. Graças a isso, vegetarianos poderão desfrutar da pizza de frango com catupiry!

  12. Deixando as polêmicas de lado, vamos falar da “matança”. Eu aprendi a matar galinhas muito cedo e minha mãe fez questão de me ensinar também como cortar os pedaços nos lugares certos para facilitar o corte.Aprendi direitinho.
    Agora, quanto à matar o porco, na verdade, o matador tem que ser bom. Saber bem certinho onde dar a facada, que diga-se de passagem, e a melhor forma de matar o bicho, segundo os entendido (das antigas), a carne fica mais saborosa.
    Algumas passoas usam o método da “marretada” na nuca (eu mesmo há vi essa prática e não e agradável de se ver, principalmente quando o “mané” erra, uma, duas, tres vezes a marretada), alias essa prática veio com a imigração polonesa. Na Polônia, na época da guerra, devido a escassês de alimentos, quem tinha algum animal ficou proibido de matar, porque o “governo” pretendia confiscar os animais para alimentar as tropas. Estão os aldeões ocultavam os animais dentro de cômodos apegados à casa e quando iam mata-los para comer, imobilizavam o bicho (porco nesse caso) e davam uma marretada certeira e fatal, para que o bicho não gritasse e denunciasse o ato.
    Mas voltando à soperstiçao de “ficar com dó”, na verdade tem um pouco verdade, mas na real , o fato do bicho gritar pra morrer (e olha que o bicho berra pra caralho), é indesejado, porque quando o bicho gritava acabava atraindo e avisando toda a vizinhança que alguém estava matando porco e não demorava muito pra começar a aparecer “visitas” (como quem não quer nada, mas interessados serem presenteados com algum pedaço de carne na despedida) hehe! Gente esperta é essa “da roça”!
    Agora quanto à carne artificial, não está muito longe. Artificial, mas natural, é o desenvolvimento de tecidos animal em laboratório. Se podemos produzir partes de tecidos ou órgãos para substituição humana, também podemos produzir algum tecido específico para o consumo alimentar a partir da multiplicação de tecido animal, nés pá?

    • Com certeza. Quando eu era mais novo lembro que rolou uma lenda urbana da fazenda de coisas do McDonalds. A lenda urbana dizia que o Mc Donalds não tinha fazendas de gado, mas grandes laboratorios subterrâneos, que um alto executivo descontente com a política da companhia revelava: Eram galpões enormes com criaturas sem cabeça nem pernas, alimentados dia e noite com soros e hormônios. As “coisas” pareciam almôndegas vivas gigantes. Elas não tinham cérebro e somente estranhos órgãos. As coisas seriam mutações bovinas feitas geneticamente pelo McDonalds para ter uma carne mais macia. Eram quase como gastrópodes (lesmas) gigantes, que iam crescendo, crescendo até estarem prontas para o abate. Essas coisas eram arrastadas até um triturador enorme que moía e a carne já saía pronta para ser usada em hamburguers. Claro que naquela época, todo mundo tinha o miolo meio mole e acreditava nessas merdas.
      Talvez um dia chegaremos em algo vagamente similar a isso aí.

  13. “Acho curioso que cientistas consigam fazer teletransporte de partículas, descobrem até a porra do Bóson, mas não conseguem criar uma maquina de fazer carne. Será que é tão difícil?”

    Olha… Eu acho que nem é preciso criar uma máquina. Existe a carne de soja há muitos anos já. Muitos vão dizer… “Ah, mas isso é horrível!! Não é carne!! Não gosto e não e ponto final!!”. Bom, eu também venho de uma família extremamente carnívora. Meu avô e pai faziam churrasco direto, quase todos os domingos. Minha avó também matava galinhas e minha mãe sempre preparou carne nas refeições, ou seja, cresci comendo. E esse é o grande problema. Nós somos induzidos a este consumo sem ao menos termos idéia do que estamos fazendo. Você come aquilo enquanto criança e nem imagina o que seja. Acaba então sendo algo tão natural e automático na vida da gente.

    Mas comigo foi acontecendo o seguinte… Quando cheguei à fase adulta, em um certo grau de maturidade, compreensão e capacidade de reflexão sobre as coisas, comecei a me questionar a esse respeito. Muito em função do meu afeto por animais. Que hoje é ainda muito maior do que antes. Sou formado em Direito e lembro em que uma aula de Bioética e Biodireito, o professor nos mostrou um vídeo sobre as barbaridades feitas com animais unicamente para o consumo humano. Foi realmente de passar mal. Aquela aula até hoje não me sai da cabeça. Acho que foi o princípio do fogo que fez com que hoje eu esteja há quase dois anos sem comer carne vermelha. Hoje como apenas peixe!! Aqueles que são predadores de peixes menores. Isso foi um ponto até muito importante na minha decisão. Que bicho comer! Talvez não teria problemas em comer vacas se estas fossem predadores também. Mas pô!!!! O bicho só come “grama”!!! É uma baita sacanagem!!! Com certeza maioria vai achar isso ridículo, mas estabeleci uma política pessoal. E resolvi deixar de ser hipócrita. Se eu jamais seria capaz de matar um bicho pra comer, não faz sentido eu concordar que outro faça isso por mim. Acho que além de hipócrita eu era covarde. Mas enfim, tenho 32 anos e parei com carne há quase dois. E meus últimos anos antes de parar foram regados a churrasco todos os fins de semana na casa da gurizada! Pois é, sou gaúcho ainda! Aqui a tarefa é ainda mais complicada.

    Mas resolvi que aos 30 anos já era mais do que a hora de assumir minha personalidade, agir de acordo com os meus princípios e ignorar todo e qualquer comentário que se faça a esse respeito. Tenho minhas convicções a respeito do assunto e acho que o consumo de carne é algo totalmente nocivo ao mundo, à saúde e principalmente aos animais, que são seres vivos assim como todos nós. São apenas formas diferentes, mas com tanto ou mais sentimentos que os humanos.

    Parar com o consumo é extremamente complicado no início, nos primeiros dois meses. Você chega num restaurante e parece que não tem nada pra comer. Você olha, olha, olha e olha um pouco mais, e parece que você precisa pegar o tal do bife. Parece que seu prato está vazio. Bom, ao menos parecia! Hoje, não conseguiria comer um prato de comida se houvesse um bife dentro. Minhas refeições ficaram mais leves, melhores e mais saudáveis. Reduzi meu colesterol em 40 pontos desde que parei de comer carne. Outra amiga já havia me dito que a única coisa que reduziu o colesterol dela foi cortar a carne também.

    Bom, não quero dar lição de moral, até porquê comi carne durante 30 anos. Mas hoje criei uma consciência a respeito do assunto, me sinto menos pesado, menos hipócrita e mais saudável. E incentivo a todos a pararem de comer carne. Acreditem, não é fácil a família fazer churrasco nos fins de semana e você ser o único a não comer carne. Mas enfim, o que eu quero dizer mesmo é que eu me sinto muito mal por ter ingerido carne durante tanto tempo e feito animais sofrerem horrores por causa de um luxo completamente desnecessário. Ah, desnecessário sim. Fui operado semana passada no meu nariz, pra corrigir o desvio de septo. Meu hemograma perfeito. Tudo dentro da normalidade. Muito melhor do que quando ingeria carne. Então essa idéia falsa de que precisamos comer carne deve ser esquecida. Precisamos é nos alimentar bem, ingerir proteínas sim. Mas carne não é a única fonte de proteína que existe.

    Então, acho que escrevi demais até… Mas é que esse assunto realmente faz parte da minha vida hoje. Mas a carne não mais!!!

    Abraços!!

    • porra, vc resumiu justamente meu pensamento e minha atitude! tenho a msm idade q vc praticamente, indo pra 30 anos, tb formado em direito (hahah, coincidencia), e pra falar a verdade tinha decidido parar de comer carne bem antes, com meus 20 anos.. infelizmente quando vc assume uma postura assim, as pessoas que deviam lhe apoiar simplesmente lhe criticam e lhe ironizam, eu até passei um tempo sem consumir mas como falei na minha casa antes, o consumo era diario e quase 3x ao dia.. so nao se comia pela manha, mas de resto…

      Enfim, depois dessa tentativa abafada pelo preconceito e pelas criticas voltei a consumir desenfreadamente até que ao completar 28 anos e com colesterol na casa de chapeu de tao alto fora outras taxas desreguladas acabei descobrindo que estava com algumas arterias já em processo de entupimento completo, por muito pouco eu nao tive uma morte subita!!.. passei por tratamento médico e apesar de nenhum medico restringir nenhum tipo de alimento, daquele ponto em diante eu decidi que carne vermelha eu nao consumiria mais!!!.. novamente senti na pele as criticas e a ironia de outrora mas dessa vez eu impus minha vontade! afinal, ironicamente, eu em casa sempre fui um dos q condenava o consumo excessivo por justamente ler em jornais, materias na internet, artigos cientificos e afins que carne vermelha seria bom até certo ponto e no pesar da balanca acaba trazendo mais maleficios que beneficios, um deles esses niveis elevadissimos de colesterol, algo que eu jamais poderei ter acima de 90 pelo resto da minha vida, se nao quiser passar pelo inferno que passei com os problemas cardiacos q sofri!! e eu que antes alertava tanto sobre esses problemas fui justamente o escolhido para desenvolver eles e “servir” de exemplo pros demais

      No comeco, realmente, de fato é dificil.. vc tá acostumado, tá enraizado em voce.. a vontade aflora sempre e quando voce sente o cheiro do preparo, seja cozida, assada e etc, a agua volta a bater na boca.. mas resisti.. quando chegava em restaurantes onde nao havia nada saudável pra consumir, comia o almoco puro, sem nada!! nao tinha vergonha e nao sentia nada.. com o tempo a vontade foi cessando, diminuindo e hj em dia eu posso ver a receita mais suculenta de carne na minha frente que eu nao terei o menor interesse.. evito ao maximo e nao consumo de forma alguma! sao 2 anos de uma vida mto melhor, seu trato gastrointestinal inclusive melhora bastante, eu nao sinto aquela sensacao de peso no estomago apos as refeicoes, etc… as taxas no sangue se regulam de uma forma espetacular, eu tinha colesterol de 220, 240, o LDL, o pior q tinha e no ultimo exame nesse mes q fiz, mantenho uma media de 65!!… o colesterol bom aumenta, enfim.. eu tenho qualidade de vida.. consumo apenas peixe e frutos do mar, que sao mto mais saudáveis, leves, e alimentam de forma completa!! e realmente, esse lance de que a carne É A UNICA FONTE DE PROTEINA tem q ser desmistificada!!.. como mtos paradigmas que viram verdadeiras lendas passadas de geracao a geracao e que nao tem embasamento algum, seja cientifico ou na prática!!

  14. Com a engenharia genética e as células troncos não estamos longe de criar pedaços de carne industrialmente. É só uma questão de tempo para termos uma bela picanha fruto de células multiplicadas em uma indústria qualquer.

  15. Sou um carnívoro que gosta muito de comer carne. Outro dia, no trabalho, iniciei uma discussão sobre o assunto e expus minha opinião de que o futuro da humanidade era em comer MUITO menos carne, pois é algo insustentável com o crescimento da população (hoje já é, na verdade). Falei que no futuro teremos evoluído o suficiente para não depender de carne de maneira alguma (algo discutível ainda hoje, pelo que sei). Acrescentei ainda que via os vegetarianos com uma pessoa “evoluída” em comparação aos que não comem carne.

    O mais curioso foi a forma como conseguir “prever” as defesas do pessoal.

    Muitos começaram falando, nas entre-linhas, que eu estava me “achando” por ser vegetariano. E, reforcei, eu como MUITA carne e nem sonho em ser vegetariano.

    Me chamaram então de hipócrita. Eu falei que admiro quem não come carne e que eu me sinto sim uma pessoa menos evoluída por isto. Eu reconheço isto.

    Disseram então que existia um estudo “X” que falava que crianças alimentadas por carne tinham melhor desempenho que as vegetarianas. Eu disse que não duvido do estudo, mas como disse anteriormente, espero que a ciência evoluirá para não dependermos de forma alguma de carne na alimentação das crianças. E, ainda que isto demorasse, os adultos já estariam na sua maioria não precisando de carne na alimentação, algo que ocorre hoje.

    Achei curioso como as pessoas defendem seu gosto por carne com unhas e dentes, sem reconhecer que seria mais benéfico se não dependêssemos de carne. É possível fazer isto e comer carne.

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