Eduardo Paes sob a lente da incoerência

Eu acho no mínimo curioso o jeitão do prefeito do Rio, o Eduardo Paes. Noutro dia, num restaurante chique aqui do Rio, depois de dar murros num cidadão que o interpelava e insultava por sua baixa qualidade enquanto servidor público, e após usar seus seguranças para segurar sujeito enquanto ele batia – escreveu à imprensa pedindo desculpas e dizendo que se “excedeu”.

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Na noite de ontem (25), o prefeito do município do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, se envolveu em uma briga, revidando o xingamento de um rapaz com um soco em um restaurante de comida japonesa, no Horto, Zona Sul da cidade.

“Eu encontrei Eduardo Paes, PREFEITO, no horto. Sentado na calçada de um restaurante caro onde eu e minha namorada estávamos gastando dinheiro pra ter prazer. Não aguentei e fui brusco, agressivo e certeiro. Falei que pra ele que [ele que] é um bosta. De repente, ele veio pra cima e agrediu fisicamente. Soco na minha CARA. Homens me segurando. Depois, minha mulher, possessa pela covardia, foi pro ataque. Está com os joelhos sangrando. A gente verbalizou, sem educação (e não me arrependo. Não é possível ser educado com um otário que [ferra] a nossa cidade toda todo dia), e em troca, o poder porrou a gente”,

contou o escritor e músico Botika pelo Facebook. Bernardo Botikay publicou o relato em seu perfil na rede social Bernardo Botikay publicou o relato em seu perfil na rede social Assim como Botika e a sua esposa, Eduardo Paes também tinha ido jantar com a mulher e um casal de amigos, quando foi abordado pelo casal, que registrou ocorrência na 15ª DP – Gávea e fez exame de corpo e delito no Instituto Médico Legal (IML).

“Fomos na polícia. Fomos no centro, IML, dar parte. Eu queria mesmo é estar em casa com a minha mulher. Não vai dar em nada. (…) A maior humilhação do mundo é levar soco na cara do homem menos homem que já ouvi falar”, critica Botika, na rede social. Em nota, o prefeito disse que jantava com a mulher quando foi “gratuita e insistentemente ofendido por um casal desconhecido”, e que a discussão “transformou-se em um princípio de desentendimento físico”, que obrigou a intervenção de sua segurança.

O prefeito disse ainda que críticas são bem-vindas, mas que agressões pessoais em momentos privados diante da esposa não são aceitáveis. Ao fim da nota, Paes se desculpa: “Apesar da agressividade do casal, eu não poderia ter reagido como o fiz. Peço desculpas à população da minha cidade pela maneira como agi”. O delegado Orlando Zaccone afirmou que ouvirá todos os envolvidos na confusão a partir desta segunda-feira (27).

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É curioso um político que parta para a porradaria no melhor estilo Mike Tyson  ao ser cobrado ou mesmo insultado publicamente. Se fosse eu o prefeito, pegaria meu carro com motorista e iria para outro lugar, mas como dizia o filósofo Tim Maia, “Cada um é cada um”.

Tem horas que me intriga como que o tal do Eduardo Paes pode se achar o fodão, sem de fato sê-lo. Tem até um video que achei outro dia que ele tirava uma onda monumental dizendo que a Dilma – a presidente do país – tinha inveja dele.  Chega a beira do incompreensível a burrice política de certas declarações desse cara, dado o grau superlativo da fanfarronice. Tem momentos que me belisco para acordar, porque esse cara só pode ser prefeito de uma cidade da Noruega, e uma que já equacionou todos os problemas urbanos municipais tal a onda que ele tira.

Outro dia, Eduardo Paes surpreendeu as pessoas com mais uma de suas frases lapidares:

Pago o que for preciso para ele [Woody Allen] vir filmar aqui. Eu banco a produção toda.

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Eduardo Paes diz que paga o que for para que Woody Allen filme no Rio

O prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes quer muito que o diretor americano Woody Allen faça um filme no Rio de Janeiro. Quer tanto que isso aconteça que, ao jornal “O Globo”, disse que paga o que for.

“Eu quero muito que ele venha! Já fiz de tudo. Falei com a irmã dele, mandei bilhete via (o arquiteto Santiago) Calatrava, que é vizinho dele em Nova York, e pago o que for para que ele venha filmar aqui. O Reage Artista vai me matar quando eu der os milhões que o Woody pedir. Mas eu pago 100% da produção”.

A entrevista de Paes, publicada neste domingo (18), repercutiu internacionalmente em veículos como o jornal britânico “The Guardian”, o site americano especializado em cinema Deadline e no MSN americano. O presidente da RioFilme, Sérgio Sá Leitão, afirmou que os últimos filmes de Allen têm custado uma média de US$ 20 milhões.

Questionado se o valor não é excessivo para um único projeto da RioFilme – que recebeu, segundo o próprio Paes, R$ 50 milhões neste ano –, Leitão disse que não poderia comentar uma decisão do prefeito. “Se o prefeito apontou que ele quer fazer isso, ele é o mandatário, ele foi eleito, ele tem legitimidade para fazer isso”, afirmou.

Ainda de acordo com Leitão, as filmagens mostrariam que o Rio está preparado para receber uma produção internacional e o Rio seria “retratado por um grande artista, o que é uma coisa benéfica”.

Além disso, diz, o dinheiro seria investido na própria cidade. “Com exceção do Woody Allen e das pessoas mais próximas que trabalham com ele, os gastos de produção vão ser feitos na cidade, para injetar recursos no audiovisual da cidade”, completa. Em 2012, o diretor havia dito que filmar na cidade era uma possibilidade real e que seus produtores já haviam visitado a cidade em 2009.

“Filmes demoram para sair do papel, mas os produtores, inclusive minha irmã, ficaram muito bem impressionados com a cidade”, disse o diretor, acrescentando que em sua lista de possibilidades, o Rio “está no posto mais alto do pódio”.

A entrevista de Paes ao “Globo” se concentrou nos investimentos que a prefeitura do Rio está fazendo na cultura da cidade. O prefeito também afirmou que pretende construir salas de cinema na Zona Norte e Oeste da cidade e falou sobre o Teatro Glória, demolido pelo empresário Eike Batista. Quando o tradicional Hotel Glória foi reformado pelo grupo EBX, de Eike Batista, o Teatro Glória, que funcionava desde a década de 1970 no anexo do edifício, deixou de existir. Em nota, a EBX informou que estava analisando a possibilidade de construir um novo espaço cultural em outro ponto da cidade. “O que teve foi o seguinte: o teatro estava parado, e o Eike recebeu uma autorização dos órgãos de patrimônio e urbanismo da cidade para demolir. Eu só descobri depois e fiz um decreto determinando que só o prefeito pode autorizar a destruição de teatros. Mas aí a imprensa foi em cima, e o (ex-secretário municipal de Cultura, hoje presidente da Fundação Cidade das Artes, Emilio) Kalil procurou o Eike, e ele se comprometeu a fazer outro teatro”.

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Gente, vamos entender duas coisas: Uma é que realmente, um filme do Woody Allen feito no Rio, daria destaque à cidade. Isso é inegável.
Mas quando um prefeito se arvora a dizer que banca o que for para que o famoso cidadão de Nova York venha fazer seu filme aqui, ele está pegando o cara que é um talentoso artista e tornando o cara um MARKETEIRO DE GRIFE.
O mais engraçado é que Woody Allen é um cara que justamente despreza esse tipo de coisa, já tendo inclusive deixado de ir receber o Oscar, a premiação máxima do cinema Norte Americano para tocar seu sax num pub.
Então, esses arroubos de prepotência do prefeito, eu acredito que são o “factóide 2.0” no melhor estilão César Maia de ser. Mas por outro lado, isso reflete um claro descompromisso com o que se espera da função de um prefeito de uma Cidade do porte do Rio de Janeiro, de projeção mundial.

Sem falar que isso reforça na mente do povo que somente o olhar gringo pode nos elevar a um status melhor, atrapalhando justamente o que deveria ser a tônica mais lógica que é: “Trabalhe duro, invista na qualidade de vida e na cultura, e a Cidade crescerá por seus próprios méritos”.

O político parece buscar a complacência internacional em momentos em que a paciência dos seus próprios eleitores chega ao limite do fim.
Eu não estranho um político dizer que “faz qualquer coisa, custe o que custar” para a celebridade X,Y,Z fazer qualquer presepada que dê dois minutos (ou duas horas) de atenção à cidade, na esperança que aquilo sirva como um cartão de visitas.
O Rio é pródigo nesse tipo de coisa. Quem não lembra do Mercenários, onde o Stallone veio aqui, fez uma presepada do caralho, explodiu coisas, gastou uma nota, deu calote num monte de empresa e ainda falou mal do Brasil? Refrescando sua memória:

Sylvester Stallone fala mal do Brasil e ganha a ira dos tuiteiros

Na Comic Con 2010, o ator debochou do país em que filmou ‘Os Mercenários’, em abril de 2009

Parece que Sylvester Stallone acaba de estragar o que tinha de boa fama aqui pelo Brasil. Ele deu uma declaração infeliz na Comic Con 2010, que está acontecendo em San Diego.

No painel sobre o filme Os Mercenários, filmado no Brasil em abril de 2009, o ator ouviu a pergunta: “por que rodar no Brasil?“. Respondeu em tom de piada:

“Lá você pode atirar nas pessoas, explodir coisas e eles dizem ‘obrigado! E aqui está um macaco para você levar para casa’. Não poderíamos ter feito o que fizemos (em outro lugar). Explodimos muita terra. Parecia assim: ‘todo mundo traz o cachorro quente. Vamos fazer um churrasco. Vamos explodir essa cidade”.

Resultado: o nome Sylvester Stallone está no topo da lista dos assuntos mais comentados no Twitter. A maioria das mensagens tem tom irado; há até uma certa tentativa de organizar um boicote ao filme. Mas há também os menos inflamados – e mais bem humorados: “A declaração do Sylvester Stallone foi no mínimo genial. Ele tem toda razão, no Brasil os estrangeiros fazem o que querem”.

A Comic Con é uma convenção de quadrinhos que acontece de 22 a 25 de julho. O evento vem ficando cada vez mais famoso nos Estados Unidos – seu público cresce de forma estrondosa anualmente, o que tem levado produtores a incentivar que estrelas de cinema e televisão, que tenham trabalhos relacionados ao tema, compareçam aos paineis ou a seções de foto. Angelina Jolie e Bruce Willis já passaram por ali nesta edição.

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Stallone está errado? Não! Quer dizer, dar calote de 3,8 milhões em brasileiros é sacanagem mesmo, mas quando ele zoa descaradamente essa subserviência ridícula do Brasil, ele está zoando esse tipo de atitude do Eduardo Paes: “Pago o que for para ele vir filmar aqui!”

Eu só não faria o mesmo por uma questão básica de educação e cortesia.

É no mínimo intrigante que o Prefeito do Rio creia que possa dispor de como bem entender do dinheiro destinado a projetos cinematográficos da RioFilme. Quer dizer que é assim? Tem dinheiro à vontade?
O que espanta no Rio é a sensação que há mesmo dinheiro à vontade para certas estripulias, mas para o basico, para o arroz com feijão, nunca tem. Isso é crônico do país. Somos desde tempos imemoriais, os mestres da presepada como já falei num post anterior, mas soam tão surreais essas bravatas quando se está sendo processado por usar verbas da educação para beneficiar empresas de ônibus…

Olha aí:

Justiça e Cidadania: Prefeito do Rio na mira do MPF

Caso será apurado pela Procuradoria Regional da República – 2ª Região

ADRIANA CRUZ

Rio – O Ministério Público Federal (MPF) vai investigar se houve os crimes de responsabilidade e de abuso de poder econômico no repasse da Prefeitura do Rio de R$ 50 milhões do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais de Educação (Fundeb) para compensar empresas de ônibus pela gratuidade para alunos da rede municipal.

No pelotão da frente está o prefeito Eduardo Paes, responsável pela execução do orçamento. Por isso, o caso será apurado pela Procuradoria Regional da República – 2ª Região.

Na Mira da PF
O prefeito na mira do MPF

SECRETARIADO

O ponto de partida do procedimento criminal será a atuação do prefeito Eduardo Paes, mas não está descartada a possibilidade de outros secretários serem investigados. As denúncias foram feitas por vereadores aos procuradores regionais Jaime Arnoldo Walter e Cristina Schwansee Romanó, do MPF.

PEDIDOS AO TCM

O MPF vai pedir pela segunda vez ao Tribunal de Contas do Município (TCM) cópias dos dois processos relativos ao convênio a Prefeitura do Rio e o Sindicato das Empresas de Ônibus do Rio de Janeiro (Rio Ônibus). Já estão sob análise documentos relativos à contabilidade municipal.

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Acho que antes de sair batendo no peito e se achando o foda, é importante fazer “o dever de casa”. E isso, o prefeito, que já chegou a cometer a barbaridade de dizer que seu verdadeiro desejo era “Ser prefeito vitalício do Rio”, não parece ter fôlego para fazer.

Olha só a burrada: Com uma canetada torta do secretário de governo Rodrigo Betlhem, o ingressos para o trenzinho do Corcovado só pode ser comprado pela internet ou num posto da RIOTUR que, pasme, fica na Rua da Candelária. Como o site a toda a hora sai do ar, os turistas não conseguiam visitar o monumento, além de se queixarem que a página só tinha versão em português.
Olha só a burrada: Com uma canetada torta do secretário de governo Rodrigo Betlhem, sob a concordância do prefeito, o ingressos para o trenzinho do Corcovado só poderia ser comprado pela internet ou num posto da RIOTUR que, pasme, fica na Rua da Candelária. Como o site a toda a hora saía do ar, os turistas não conseguiam visitar o monumento, além de se queixarem que a página só tinha versão em português. O nome disso é falta de planejamento, que se resume a incompetência admnistrativa.

O volume de cagadas envolvendo decisões polêmicas do prefeito se acumula em montanhas. Dois bons exemplos disso são aquela burrada épica de proibir a venda de bilhetes do trem do corcovado e também aquela cagada magistral de usar quase um milhão de reais de dinheiro que deveria ser para a educação para a Estrela fabricar um Banco imobiliário da Cidade do Rio, enfatizando somente os aspectos positivos (o que a qualifica como propaganda com dinheiro da Educação)Aliás, a parada ainda está sob exame do Ministério Público. Paes reconheceu que não foi uma boa “jogada” e cancelou o repasse, recolhendo o jogo, mas isso não inviabilizou os dois inquéritos civis públicos que correm sobre o polêmico joguinho.

Eu não moro no Rio, não tenho nada com isso, mas acho detestável a forma como os governantes, de um modo geral lidam com o dinheiro público, como se fosse deles, ao arrepio da Lei e na maioria das vezes fazendo pouco caso das reais necessidades da Cidade e sua população.

 

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7 comentários em “Eduardo Paes sob a lente da incoerência”

  1. É muito fácil pra qualquer político falar que paga o que for preciso pra qualquer coisa, pois o dinheiro não sai do bolso dele. Assim até eu.

    E essa tal de Rio filmes deveria ser extinta, não é função do estado promover cinema e nem cultura.
    Mas eu entendo que vai continuar existindo, pois é um meio dos políticos atocharem um dinheiro robusto no bolso de artistas aproveitadores que depois irão fazer propaganda à favor do governo, lembrando que o governo fica com uma parte, sempre.
    Mas isso ainda é normal (é normal que os BENEFICIADOS queiram isso) o pior de tudo é ver as pessoas que não são nem artistas e nem políticos apoiando que o governo TORRE o dinheiro DELAS com cultura, isso sim é algo bem idiota.

    É como se alguém estivesse sendo roubado e dissesse pro ladrão:

    “Ah, tem mais 50 reais escondidos na minha meia que eu guardo pro caso de ser assaltado,
    mas é melhor você levar pra ir assistir um filme brasileiro no cinema, assim você vai promover a cultura nacional.”

  2. Também esperar o que de uma cidade, onde tem um povo que só se preocupa em vadiar, se preocupa apenas em “curtir” carnaval, praia, sacanagem, futebol(lixo). O rio tem o prefeito que merece!

  3. Burro mesmo e o povo que elege uma morsa dessas. Acho justo a máxima que diz que o governo e reflexo do seu povo. Cariocas e paulistas em especial não sabem votar. Vide tipifica, maluf etc…

  4. Moro no Rio, carioca da “gema” eu sei muito bem oque é isso.

    Meu estado não tem face, nossa cultura é imunda e permanece como um mendigo na porta de um museu, onde tudo que recebe de esmola são indecifráveis guias de exposição surrealista que não compreende porém sabe fingir muito bem que tudo é bom, bonito e maravilhoso!

    Não vejo solução para as favelas (depósito de votos vencidos), não vejo solução para os artistas (gangue de esquerda “esquisitofrenica”), não vejo solução para a política (“garbage in garbage out”)

    O jeito é mandar todo esse sistema pra casa do caralho.
    E rir…

  5. “É curioso um político que parta para a porradaria no melhor estilo Mike Tyson”

    Hah, que comparação infeliz. O Mike Tyson pelo menos não mandaria os seguranças dele imobilizarem o ‘agressor’ antes de bater.

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