Clássicos da literatura e da maluquice

“Ler os clássicos é sempre bom”, vão dizer as pessoas que gostam de arrotar sua profunda erudição intelectualóide pra cima de você. Esta figura é muito comum em festinhas. Sobretudo as festas chatas. Festas universitárias e de trabalho. Sempre tem um cara que diz ser apreciador das obras de James Joyce, Kafka, etc. Até que quando você faz o papel do ignorante, a conversa se estingue e ele, sentindo-se o rei do pedaço vai vomitar sua pose arrogante para outro infeliz.
Pior é quando você está numa mesa em que o anfitrião te coloca e nesta mesa surge o intelectualóide que leu tudo do James Joyce. Pra piorar, o sujeito ali na sua frente sente-se compelido a disputar com o escroto a pose do mais fodão da mesa. Aí parece até aquela cena dos dois bizões retardados batendo os chifres no meio da planície africana. Você de espectador enquanto as duas criaturas escrotas degladiam-se por migalhas da sua atenção – logo a sua, o único naquela porra do casamento inteiro que não tinha o menor interesse em saber aquele final obscuro imaginado por James Joyce, ou ainda pior, as análises pseudoeruditas do Dostoiévsky.
Mas o estranho mesmo é que eu me pego pensando nisso sem ter passado por isso. Não fui a casamento e muito menos testemunhei alguém se passando por intelijumento.
Então por que diabos estou escrevendo este post? Não sei.
Mas é uma coisa que acontece, e isso você não pode negar. Pode acontecer com qualquer um.
Pior que isso só as duas coroas que querem exibir as viagens internacionais que já fizeram. E taca de Paris, museus, os melhores roteiros, os pequenos restaurantes escondidos em vilarejos quase secretos no sul da Itália… Os vinhos, as melhores hospedagens. Os castelos… Ah, e os museus. Já falei dos museus? E taca de Louvre e pintores espanhóis, modernistas americanos e exilados cubanos no norte do Nepal.
O pior é que você abre aquele seu sorriso amarelo, mesmo sabendo que poderia falar qualquer coisa sobre aqueles lugares, lugares em que você até já foi, mas vendo a disputa de egos onde cada uma arrota mais primeira classe que a outra, você mantém-se imóvel, obscurecido no meio da conversa apenas assitindo, tal qual um fotógrafo da National Geographic que testemunha duas elefantas numa poça de lama disputando um filhote.
Eventualmente é legal lançar uma lenha na fogueira. veja quem está perdendo a disputa e echa a bola dela.

– Verdade que você foi em Serra Leoa? Poxa, sempre quis ir em Serra Leoa. Conta mais sobre Serra Leoa.
Aí a outra coroa exibida vai ficar num puta recalque e vai querer contar sobre a viagem na irlanda e alguma aventura banal com os guias de viagem…
è um esporte. O cultivo da pedância é uma arte difícil que deveria competir no PAN.
Primeiro porque esses riquinhos esnobes gostam de dizer que são cultos e em seguida que são viajados.
Ora, é possível ser viajado. è possível ser culto. Mas escrotice, meu… A escrotice vem de berço. Sei lá. Vem da encarnação passada, eu acho.
Senão, seria impossível justificar os escrotos que eu me lembro ter encontrado no jardim de infância. A começar pelo Berê. Ah, o Berê era um desgraçado, um puto que sempre me mordia.

Quando um confronto de escrotos pedantes intelectualóides ocorrer, recorra aos seguintes fatos bizarros sobre as personalidades intelectuais eruditas e afogue a desinteressante conversa em um monte de risinhos amarelos, cutucões sob a mesa e posteriores sinais de pirado quando você não estiver olhando. Você sai de doido, mas evita a perda do seu precioso tempo ouvindo abobrinha.

Vamos lá:

James Joyce – Piradão, James jocyce usava um tapa olho do tipo de pirata. Ele tinha glaucoma e ficou cego. Seu último livro foi praticamente ditado para seu assistente. Mas estranho mesmo era o hábito de James Joyce de usar cinco relógios de pulso. Todos marcando a mesma hora.
Não me pergunte por quê. Ele era meio estranho. Tão estranho que pediu a sua esposa que metesse um chifre nele, dormindo com outro cara para que ele pudesse sentir na alma a dor de ser um corno – e assim dar mais veracidade aos textos. A mulher dele recusou. Cara estranho…

Baudelaire – Na verdade, Charles Pierre Baudelaire, era um poeta francês viciadaço em ópio que bebia feito um gambá. Na verdade, baudelaire bebia tanto que mandou ecsrever em sua sepultura: “mais tarde do que você imagina”. Baudelaire tinha como animal de estimação um morcego, que ele capturou numa sepultura (onde mais, né?) e resolveu criar.

Charles Dickens – Esse só dormia se a cama estivesse alinhada milimétricamente com o sentido norte-sul. E tinha a irritante mania de dar três batidinhas em tudo que via. Ele dizia que era pra dar sorte. Hoje seria chamado de TOC.

George Bernard Shaw – Esse cara teve um problema de ordem sexual tão profundo, que o marcou de tal forma que ele NUNCA MAIS NA VIDA teve qualquer relação sexual. Nem mesmo com sua mulher, com quem foi casado 45 anos. (coitada)

J.M. Barrire – É o cara que criou o Peter Pan. Barrire era um cara aparentemente normal. O único porém é que ele sempre pedia o mesmo prato no restaurante. O prato era “brussels sprouts”.
Até aí tudo bem, você deve pensar: “Mas o que que tem o maluco gostar dessa merda?”
Na verdade não tem nada demais – Se – ele gostasse.
Mas ele ODIAVA. Ele pedia o prato porque não conseguia se conter ao falar a palavra “brussels sprouts”, pelo qual era aparentemente apaixonado.

Hans Christian Andersen – O cara que criou “A pequena sereia”. Tinha um medo tão desesperado de ser enterrado vivo (WTF!) que uma vez levantou da cama e escreveu um bilhete e pregou-o ao peito onde podia se ler “EU NÃO MORRI! APENAS PAREÇO ESTAR MORTO. ESTOU DORMINDO.”
Ao que parece Hans Christian Andersen estava certo ao ficar ansioso antes de dormir. Numa noite de sono profundo, ele caiu da cama e morreu devido a um traumatismo craniano.

Emily Dickinson – Era uma escritora reclusa e estranha, que não falava com as pessoas e vestia-se de branco dos pés a cabeça, exclusivamente para os sete últimos anos de sua vida

Lewis Carrol – O criador de Alice no país das Maravilhas, era na verdade professor de matemática e um homem obcecado pela filha de um colega, de nome Alice que tinha apenas 13 anos. Carrol pediu a mão da menina em casamento (ele já tinha mais de 50) e foi posto para fora da casa pelo pai da menina. Desde então Laewis Carrol resolveu escrever sobre a menina e daí saiu Alice no país das Maravilhas. Tarado.

8 comentários em “Clássicos da literatura e da maluquice”

  1. Pior quando falam do último livro de auto-ajuda que é fenômeno no mercado.
    Gosto muito de literatura, mas leio muito pouco, pois acho que pouca coisa merece atenção e vai te acrescentar algo, mas não tenho como negar que é como ver um anjo quando termino de ler algo bem escrito ou ouço uma música perfeita.
    Ainda choro toda vez que leio o Pequeno Príncipe, livro que ganhou fama pejorativa. Pior para quem não o lê, é um dos maiores textos já escritos.

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  2. Ser maluco e gênio ao mesmo tempo parece que é algo assustadoramente freqüente…
    Entre os cientistas, então, há malucos memoráveis. Estou inclusive escrevendo um texto a respeito.

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  3. Ah,eu já entro em transe nessas horas, durmo de olho aberto, começo a contar as lâmpadas do teto, mas fujo dessa gente metida a besta… Mas, são fatos interessantes os que você escreveu aí, pode ser útil numa conversa sim…

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  4. não sei o que é pior: qdo um intelectualóide resolve vomitar a pseudo-erudição em cima de vc, te mtando de sono, ou qdo um ignorante metido a inteligente vem comentar sobre a genialidade de ‘código da vinci’, ou de algum lançamento useless de auto-ajuda em moda nas livrarias. no primeiro caso, o cara geralmente tbm é um idiota, mas vá lá, temos que dar crédito, o cara ao menos leu algo interessante (geralmente são estudantes de psicologia ou filosofia) – no segundo, qdo o cara diz que o dan brown é o escritor preferido dele, tenho ímpetos de me tornar homicida e praticar a má morte no cara (vc joga rpg, deve conhecer mago, a ascensão.. a má morte é uma brincadeira minha com os eutanatos).

    dickens era totalmente obsessivo compulsivo, ahahaha. e a emily dickinson era muito, muito estranha.
    do barrie eu gosto, mas normal ele nunca foi (escrever algo como peter pan é, no mínimo, bem estranho).
    e o carrol era meio pedófilo, e muito, muito bizarro.

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  5. Com certeza. Concordo com todos vocês.
    Henderson, depois me manda o link?

    Con, eu experimento a fuga para a fantasia. Viajo em idéias de posts. Acredito que as melhores idéias que tenho são em momentos chatos como estes… Eu vejo o cara falando, falando e eventualmente eu interrompo meu pensamento e comento qualquer merda só pra dar corda pra ver o cara falar, falar…

    Anônimo, cara, quem não chora lendo o pequeno príncipe, não tem coração. Eu ac4edito que o pequeno príncipe é um dos livros mais bonitos do mundo. Não tem uma única vez que eu leia aquilo sem chorar. É como ver o ET do Spielberg.

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  6. pqp, eu ri muito lendo isso, principalmente sobre J.M. Barrire e
    George Bernard Shaw.

    quanto a carrol, ele era meio taradão msm , alem de matemático e
    escritor, tambem era fotografo,
    adorava tirar foto de criancinhas,
    alice é uma delas.
    acredita-se que ele era pedofilo, apesar de não existir provas de que ele ja tenha feito “algo”.
    ele escrevia várias cartas pra
    alice, mas a mãe dela queimou
    tudo se n me engano.

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  7. Renato: “brussels sprouts” são simplesmente “couves de Bruxelas”, você não conhece? É um legume minúsculo, parece um repolho em minitura. Bonitinho, mas o gosto deixa muito a desejar. Ah, fala sério, o cara vai a um restaurante e pede couve de Bruxelas! Devia ser doente mesmo.

    Quanto ao mérito da questão: eu gosto de conversar sobre literatura – desde que o interlocutor esteja interessado. Aliás, acho que não axiste tema chato para debater, se os dois ou mais malucos envolvidos na conversa sabem do que estão falando e sentem prazer com aquilo.

    Em tempo: intelectualóides não me metem medo, mas “nerdóides” que só conseguem comentar sobre jogos de computador me deixam doente.

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