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Imagens faltando?

Eu estou gradualmente consertando uma série de posts antigos que estavam sem as imagens. O problema com estes posts mais antigos é que as imagens deles estavam hospedadas em servidores de imagens externos e alguns desses sites faliram. Com isso, um numero grande de posts do blog acabou ficando sem imagens.

Felizmente a boa notícia é que eu tenho todas as imagens na minha maquina, mas a má notícia é que eu tenho que alterar uma a uma no braço. E são muitos posts aqui no blog, não consigo olhar de um em um para saber o que está faltando ou não. Então eu tive a ideia de pedir aos leitores que caso encontrem um post sem as imagens, para informar isso nos comentários mesmo, que eu arrumarei.

Valeu

O coelho triste

bunny O coelho triste

Era uma vez um coelhinho triste. Ele era muito, muito triste. Um dia ele estava tão triste que resolveu se matar. Então ele viu um carro e correu para debaixo da roda. E o carro o esmagou.

…Era uma vez o fantasma de um coelho triste…

O truque da água

O truque da água
Outro dia um amigo meu me mandou a dica do video abaixo:

Legal, hein? Mas… Será que isso é possível? Bem…
(mais…)

Forum do Mundo Gump está no ar

Conheça nosso forum

Criei um fórum novo para reunir os leitores num lugar melhor que a comunidade do orkut. Muita gente está saindo do orkut, e manter nossa comunidade lá era algo bastante limitador com relação às possibilidades técnicas e de conteúdo. Então eu criei este fórum ontem. Espero que gostem.

forum banner Forum do Mundo Gump está no ar

Tem mais novidades vindo aí.

Se você não entrar lá, eu apertarei o botão!

stressfishblender Forum do Mundo Gump está no ar

O Mundo Gump não vai acabar

philipe9meses_low
Não foi pegadinha, nem primeiro de abril. Quando eu escrevi este post aqui em baixo, eu estava realmente tão puto com a situação de sumir do Google que mal podia enxergar um palmo à frente do nariz. Eu disse que pensava se valeria a pena continuar um trabalho etéreo, que pode ir por água abaixo por uma mera decisão de algum funcionário de uma empresa norte-americana.
O fato é que a hipótese da punição é apenas e tão somente uma hipótese. Como o Google não me notificou de nada, até hoje eu não sei se realmente isso é punição. Acho estranho que seja, mas enfim, alguns webmasters mais experientes que eu apostaram suas fichas nisso.

philipe9meses low O Mundo Gump não vai acabar

Eu com 9 meses. Estou guardando esta para requerer aposentadoria por tempo de serviço.

Após escrever o post de ontem, feito de madrugada, eu fui dormir certo de que aquele seria meu último post aqui no Mundo Gump. Não era somente um desabafo de autor, era meio que uma mistura de uma serie de coisas, que foram se juntando para gerar uma linda e cristalina frustração. Tem gente que acredita em inferno astral. Eu não levo muita fé nessas coisas, mas não nego que parece que existe mesmo. A véspera do meu aniversário, (o merdelhê começa sempre uma semana antes) é sempre um período conturbado.

Então ontem eu tentei ficar o dia todo como se realmente não tivesse mais um blog.

E vou te contar, que merda que é.

Me peguei na pele de um viciado que tenta cortar seu vício tarde demais e está tão impregnado da substância que por mais que busque uma cura jamais voltará a ser o mesmo de antes. E isso é um pouco assustador.
Eu fiquei boa parte do dia na piscina, e enquanto boiava, só conseguia pensar no próximo post. Fui almoçar na rua, comprar coisas no mercado e é como se meu cérebro tivesse criado um maldito slot para o blog e por mais que eu tente manter este slot vazio o vácuo que ele produz atrai ideias para posts.
Não tem jeito. O blog é a pior das amantes, pois ele está dentro da sua cabeça e não quer sair. Não dá pra simplesmente abandonar, virar as costas e partir. E assim eu começo a refletir se o cara que me chamou de “Mundo Gump” não tinha a clareza deste detalhe particular.
A sensação que me deu é que eu e o blog estamos ligados como um cavaleiro Jedi e a Força estão.
Outra coisa que me deixou muito feliz foi perceber que os leitores manifestaram claramente seu descontentamento com a ideia deste espaço acabar, mas mesmo não gostando, muitos foram extremamente legais em dizer que entenderiam se esta fosse minha decisão final.

Mas a minha decisão final é que paraquedistas são um tipo de audiência e leitores fiéis, outro. E eu não escrevo para paraquedistas (se eu fizesse isso, já estaria cheio da nota) mas sim para os leitores fiéis e também para os novos leitores. Entretanto, todo mundo sabe que clica em publicidade da internet é o paraquedista. E sair do google representou uma queda, um abismo tão espetacular nas minhas estatísticas que é inegável que isso afetará os rendimentos do Mundo Gump, seja qual for o sistema de publicidade adotado aqui. Então, na pratica, o que vai acontecer é que eu terei que replanejar o meu esquema de ampliação do alcance do blog. Os planos comerciais que seriam disparados hoje terão que esperar. E o meu plano de ser 100% problogger terá que ser adiado, o que nem é tão ruim, uma vez que meu trabalho com efeitos visuais, design e 3d também é bem legal. Talvez eu pudesse dizer que esta crise é só uma pedra (uma pedra grande) no caminho, mas que se dane a dificuldade! Não sou do tipo que se acovarda. Eu vou em frente com a esperança que o maremoto se torne uma marolinha.

Eu só posso encerrar dizendo que conto com vocês. Em meio a crise, só há uma coisa que pode ser feita e é:
Post.
Eu vou postar feito doido, vou trabalhar duro aqui neste treco, e peço a cada leitor que gosta do blog que ajude, trazendo um amigo, contando algo que viu aqui na mesa do bar, no facebook, tuitando alguma coisa que achou interessante aqui no site. Isso não traz o Mundo Gump de volta ao Google, mas amplia a presença dele talvez por tempo suficiente para que eu e o time de amigos empenhados em mudar a Matrix consigamos nosso feito.

Hoje é o meu aniversário, meu décimo segundo aniversário de casamento e o aniversário do sexto ano do Mundo Gump. Sei que não é grande coisa, mas para alguns leitores de longa data, saber da continuidade deste projeto pode representar um presente, uma boa notícia.

Obrigado amigos. Contem comigo!

Reflexões sobre o destino do Mundo Gump

Ser dono de um blog é uma coisa que dá um trabalho do caramba. Exige tempo, dedicação, saco, exige estar o tempo todo ligado, procurando coisa curiosa, interessante, que acrescente alguma coisa para as pessoas. O blog suga mais do que uma amante. Suga mais que a segunda família. E eventualmente ele te dá algum prazer em troca. Poder trabalhar em casa, poder ganhar uma grana constante, (até quando você está dormindo), fazer amigos, trocar ideias, fazer o seu horário e não ter patrão. Como tudo na vida, ser blogueiro tem um lado bom e outro ruim.
Mas eu acho que as pessoas glamourizam os blogs como sendo algo mais importante do que são na verdade. Com o passar do tempo, você começa a ser identificado como a instituição, quero dizer, o blog.
Certa vez, num evento, um cara me perguntou: – Ei, você que é o Mundo Gump?
E eu disse: “não, eu sou só o dono”.
De uma certa forma, o criador acaba sendo colado na obra de tal maneira que com o tempo isso se funde de um modo que as pessoas começam a se confundir e já nem sabem mais onde que elas terminam e onde começa a obra.
Eu sinto isso com o Mundo Gump e não nego que isso me incomoda. Eu não sou o blog. Eu apenas trabalho nele.
Quando as visitas começam a aumentar, sabe-se lá porque, a gente se empolga. Pensa que está no caminho certo. Vem junto um cagaço que cresce na medida em que você começa a ver que a audiência é tamanha que já não pode mais falar qualquer merda. Que o que você escreve tem efeito na cabeça de milhões. E também surge a questão financeira. As necessidades de mais banda, mais espaço, melhor controle, mais interatividade te obrigam a correr atrás de mais investimento, mais publicidade, mais dinheiro entrando e saindo.
Quando você vê aquilo que deveria ser só prazer virou prazer, trabalho, vida, responsabilidade e muito mais.
Quando tudo dá certo, é muito bom. Quando você descobre que pessoas que não gostavam de ler passaram a não só a ler mais como a escrever por sua causa, é o máximo. Quando textos seus caem no vestibular, é a glória, quando entram em livros didáticos é o clímax da sua existência.

Você faz amigos às centenas e começa a pensar que talvez aquele site eventualmente suplante sua existência terrena. E então você começa a pensar como seria legal montar uma equipe, fazer um escritório, criar uma companhia edificada sobre suas ideias e textos.

Mas ninguém está livre de levar uma bala perdida.
E foi mais ou menos isso o que aconteceu com o Mundo Gump às 19:00 do dia 20. Sem que houvesse uma justificativa, o Mundo Gump sumiu das buscas orgânicas do Google.
Despencou a audiência. Despencou o faturamento. Despencou meu bom humor.
Curiosamente este fenômeno se deu na antevéspera do aniversário de seis anos do Mundo Gump, que é amanhã (junto com o meu). Não fosse nesta época, talvez eu encarasse isso como mais um mero probleminha entre as centenas que já tive aqui.
Após pesquisar em tudo que era possível afim de achar a razão do mundo gump sumir do google, comecei a me perguntar se o que ocorreu não poderia ter sido uma penalização do famoso mecanismo de buscas, aquele da empresa que defende o “don´t be evil” como lema.
Mas não houve aviso, ameaça, comunicado ou coisa similar. Muito menos respostas às minhas indagações.
Apesar de não possuir pornografia, nem pirataria, o Mundo Gump foi tratado de maneira bem pior que os milhares de sites que copiam o conteúdo daqui na íntegra e que talvez sejam os responsáveis diretos pela nossa punição.
Conversei com o Carlos Carvalho, um amigão que já hospedou o mundo gump anos atrás e que já passou por coisa pior com punições do mecanismo de busca (no caso dele, os prejuízos somaram mais de trinta mil reais) e pelo que entendi, esta é uma situação que não tem volta. (a menos que vc creia em milagres)
O interessante é o anacronismo de levar uma punição no qual você não sabe o porque. Sem uma razão clara, não dá pra consertar, e o lema “don´t be evil” se torna tão vazio quanto aqueles batidos lemas políticos de uma escória que sabemos que só querem entrar na política para se locupletarem com o nosso dinheiro.
O fato é que agora me coloco na dura situação de refletir se ainda vale a pena o meu esforço aqui. Todos os planos projetados para 2011, alguns muito legais, acabam de ir por água abaixo e não sei se tenho saco+interesse (e nem grana) para continuar com este blog.

Obrigado
Não creio que devo dizer qualquer outra coisa além disso.

EDITADO: O mundo Gump não vai acabar.

Doações para os desabrigados da chuva de Friburgo, Teresópolis e adjacências

desgraca Doações para os desabrigados da chuva de Friburgo, Teresópolis e adjacências

Como alguns já sabem, perdemos conhecidos e amigos na tragédia ambiental que se abateu sobre a região serrana.

O drama que assola a região no Rio de Janeiro já está entre os dez piores deslizamentos do mundo nos últimos 111 anos. O número de vítimas do desastre ultrapassou o de uma tragédia na China que até então ocupava a décima posição no ranking da Organização das Nações Unidas (ONU) – ainda não atualizado. Além disso, o deslizamento desta semana já é o segundo maior do mundo no último ano e o terceiro maior da década. A tragédia no Rio também é o pior deslizamento de toda a história do Brasil. Ele superou em número de vítimas o registrado em 1967, em Caraguatatuba, quando 436 pessoas morreram.

É difícil saber até o momento quem está morto e quem está vivo lá, pois nossos amigos viviam justamente na região rural de sumidouro, em Campinas.
Eu e a Nivea fomos no mercado e compramos coisas para enviar pra lá, mas como sou meio cabreiro de safadezas nas doações, (lembra que na tragédia do morro do bumba teve gente que foi pega roubando mantimentos e fazendo triagem das melhores roupas para vender. Coisa que devia ser punida com pena de morte no Brasil) e como conhecemos as pessoas diretamente afetadas pelo merdelhê, vamos mandar PESSOALMENTE nossas doações. Vamos entregar em mãos amanhã.

(mais…)

Estou de volta ao Brasil

Cheguei ontem de noite. A nossa volta ao Brasil foi tumultuada. Após embarcar 13:00 da tarde no Chile, chegamos em SP ás 4 da tarde. Como eu fui com minhas milhas, não deu pra escolher vôo muito bom, e a merda é que eu tive que esperar até às nove da noite quando seria minha escala para o Rio.
Em Sp começaram os problemas. A primeira constatação foi a mais óbvia. O Brasil tem que fazer grandes mudanças logo. Do jeito que está parece piada.
O aeroporto de Guarulhos está abarrotado de avião, e com isso, abarrotado de gente, saindo pelo ladrão. Não tem nem lugar pra sentar. O sistema de som é pior que de igrejinha de periferia, não se entende nada, muito barulho, muita bagunça. Pessoas jogadas dormindo pelos cantos.
Eu gosto do Brasil, mas tenho que reconhecer que a sensação de chegar aqui é parecida com a que o cara tem quando desembarca no Congo ou Somália. O avião para no meio do pátio e a galera desce por uma escadinha, todo mundo se aperta num busum que anda tanto, mas tanto, que parece que vai vir pro Rio pela Dutra.
Aí todo mundo é liberado numa portinha muito da safada onde em meio a agitação aglomeração, pessoas com malas imensas e um monte de brasileiro cara de pau – que no exterior não age assim mas no Brasil fica querendo furar fila, temos que prestar atenção num funcionário mais desmunhecado que o Paínho gritar como um feirante apontando caminhos diferentes para quem deve pegar conexão e quem vai fazer alfândega.
Guarulhos é um labirinto criado por uma mente maligna. Parece que o arquiteto daquela merda fez de sacanagem um monte de pegadinha pra enrolar o turista.
A começar pelos lugares onde você pode comer. Tudo lotado, comida ruim, mal servida, e cara como se fosse de ouro. Aí vem o atraso no seu vôo. Aliás, no seu e no da torcida do flamengo toda. Em pouco tempo, não resta o que fazer senão contemplar sua existência.
Justo no lugar onde o sujeito vai sentir sua vida desperdiçando-se como um eterno conta-gotas de sangue hemofílico, a internet sem fio é paga. Você sente um nó na garganta de lembrar o monte de internet gratuitas que tem em tudo que é birosca no exterior e num ato supremo de resignação, aceita o cruel destino de pagar uns cobres pelo acesso, já que não há mais coisa melhor para fazer.
Para sua surpresa, é necessário comprar um cartão, mas só vende do outro lado do vidro, que te separa dos que efetivamente estão na terra (do lado dos que fizeram o embarque, você mesmo no chão, está considerado “no ar”). Ou seja, internet tem, mas na verdade não tem.

Dormir é impossível. Um chinês fala aquele monte de coisa ininteligível na desconfortável cadeira atrás da sua, e você só realmente presta atenção nele depois que o cara dá uma tosse de ogro no qual você pode jurar que foi atingido na nuca por um perdigoto verde, desses que vem rodando no ar como uma boleadeira gaúcha.

Em meio a balburdia que se tornou o maior aeroporto do Brasil, o colapso social somado ao colapso operacional produzem um colapso de paciência no passageiro que fica tentando entender por que diabos é tão difícil colocar uma porra duma televisãozinha, (nem precisa ser de plasma, pode ser até de tubo) passando um filme ou outra merda qualquer. Ou que tipo de miserável tem a ideia sacana de cobrar pelo acesso à internet no aeroporto enquanto os políticos acham bonito colocar internet gratuita na favela e na praia.
Eu fico imaginando a merda de imagem que a gente está oferecendo ao turista mundial. E nisso eu acho graça, porque nós somos um país que sempre se preocupou mais com a imagem do que com o conteúdo. O Brasil, olhando de fora, parece muito com uma “socialaite” dessas estilo “new richie”, que quer saber qual o mais caro vestido do Valentino e as festas mais badaladas, mas tão logo abre a boca, só sai merda. E a merda, é suprema. A merda vai grudar na testa do Brasil de forma tão indelével, que não tem vestido bonito e caro que dê jeito. Não tem colar de brilhante, jóia ou acessório que desfaça a impressão grotesca que é a falta de conteúdo. E a constatação mais dramática é que estamos esvaziados envoltos em papel de presente. Fomos vendidos no exterior como um diamante do BRIC.
Até no conflito do Irã X EUA, palestinos e israelenses a gente se meteu. Tentamos fazer bonito no Haiti, bancamos mais do que podíamos para pegar de uma só bocada a copa e a olimpíada, baixamos as calças para entrar no conselho de segurança da ONU.
Tudo isso para que? Para melhorar a sua vida? A minha? Não. Você acredita em discurso? Em “legado?”

Eu não.

Eu acredito em: Amigos do rei, lei de Gerson e empreiteiros felizes.
O fato é que tudo aqui é pra fazer bonito. Pra sair bem na foto.
O Brasil é o típico esfarrapado que quer de qualquer forma entrar na festa dos bacanas. Somos o “Beto Rockfeller” da geopolítica internacional.
O Brasil carta pra todo lado que é o foda, que é a bola da vez, mas a bola da vez, o país “dos caras”, é uma merda dum paiseco de mentalidade colonial metido a grande, só que nem sequer tem um aeroporto que preste.

Embora eu me preocupe com a imagem terrível que estamos oferecendo aos turistas que aqui desembarcam, muitos deles vindos de países desenvolvidos em que os contrastes de desigualdade são inexistentes ou em tons pastéis, o que me deixa mais estarrecido é saber – como brasileiro que sou – que nós estamos pagando uma fábula para esta porra avançar na velocidade de um fórmula um, mas nos dão a “velocidade de cruzeiro” digna de um carrinho de rolimã. E ainda dizem que devemos botar as mãos para o céu e agradecer, já que podia ser pior.

Após ouvir  que meu voo ia sair duas horas atrasado, senti o alívio de ter alguma informação. Mesmo que seja uma má notícia, é melhor que zero notícia.
Quando finalmente o tempo parou de se arrastar, pude entrar no cata-corno lotado de gente que ia pegar o voo pra Paris com escala no Rio.
Descobri no momento que entrei naquela aeronave que eu estava premiado a sentar-me no cu do aeroplano. Esta é aquela dupla de poltronas que fica tão no rabo da aeronave, que você viaja ouvindo os pensamentos das comissárias de bordo.
O chato é que no avião você entra pela frente. Dá de cara com as mega gigantes poltronas da primeira classe, com suas telas de LCD que mais parecem cinemas portáteis.
Não nego que eu sempre tive inveja dos bacanas que vão na primeira classe. Viajar de avião faz você contemplar seu lugar no universo. A aeronave, como a escola, o trabalho e até o condomínio, representa a sociedade. Uns poucos no controle. Uma meia-duzia de bacanas em poltronas largas, com edredons, tomando champanhe e escolhendo se vão comer vitela, bobó de camarão, ou cordeiro com ervas finas, e após uma divisória, a massa. A senzala, onde vão os pés-rapados como você, todos apertados, todos espremidos, todos tentando ver um filme repetido numa telinha do tamanho do meu relógio.
Ao passar pela casa grande, eu, legítimo membro da senzala, notei que ali estava um careca com cara igual a esta:
austinpowersmikemyersas Estou de volta ao Brasil

O careca milionariamente escroto, olhava pra mim, com ar de desdém similar ao da foto. Engraçado isso dos caras da primeira classe entrarem no avião primeiro que o “resto”, porque parece que a empresa faz isso só para dar a eles o gostinho de olhar bem dentro dos olhos dos demais e pensar: “Seu fodido! Veja como eu sou melhor que você, seu merda!”

Resignado, ou melhor, humilhado, entrei pela senzala adentro até me instalar do lado do último banheiro. Era a senzala da senzala.

Pelo menos eu tinha uma janela para poder ver nuvem de uma ponta a outra da viagem e esquecer minha pobreza.
Tão logo o bagulho decolou, eu vi pela janelinha que a asa do avião estava batendo. Parecia um grande passarinho.
Então eu falei com a primeira dama: “Segura aí que eu acho que esta porra vai balançar!”
Mal eu falei isso, o vôo se tornou um remake do primeiro episódio de Lost. Aquela joça sacudiu com tamanha violência que um monte de coisas atrás da gente despencou. Ouvi as comissárias gritando. O refrigerante espatifou no chão e molhou tudo. A comida espalhou pelo corredor. Foi sinistro.
Quando as comissárias começam a gritar, chorar ou rezar, pode ter certeza que você está tecnicamente fodido, meu camarada.
Não deu outra. O avião começou uma sucessão de gravidade zero que me fez sentir um astronauta. Todo mundo em siçêncio sepulcral. Engraçado essa coisa de neguinho morrer quieto. Eu sempre pensei que quando um avião vai cair, surge uma louca histérica que começa a gritar e chorar. Mas no mundo real, nego fica mudo, meio que agindo com uma naturalidade forçada que parece servir para se iludir de que nada está acontecendo.

A sensação do balanço, eu confesso, é até gostosinha, quando você se desprende do aterrador medo de morrer. O duro é que esse desprendimento dura meio segundo entre um vácuo e outro.

É nessas horas que você constata que não devia ter aceitado ver aquelas malditas fotos do acidente dos mamonas nem do vôo da Gol. Eu olhava as pessoas em volta e em meio ao barulhão sacolejante do avião, eu tinha uma visão privilegiada da cauda. Todo mundo em silêncio. Alguns não disfarçavam o pânico e se agarravam tão forte na poltrona que não dava pra saber onde começava a pessoa e onde acabava a cadeira.
A Nivea por sua vez, efetuou uma “operação dentista”.
A “operação dentista” é o típico ato inconsciente da mulher de esmagar sua mão, modulando a força de acordo com o grau de perrengue que a situação propõe. Descobri este efeito na infância, quando esmigalhei a mão da minha mãe numa ida ao dentista.
A cada balançada, a Nivea esmigalhava minha mão com tanta força que eu pensei que ia quebrar. Como uma turbulência é algo variável, ela comprimiu minha mão como se fosse um coração de atleta.
No meio do bagulho, eu me surpreendi ao perceber que eu estava ficando enjoado. Foi uma grande surpresa, na medida em que eu sempre andei de montanha russa, rotor, twister e todo aquele monte de coisa de pirado que tem nos parques temáticos sem grandes problemas. Mas naquele avião, cinco mil e tantos metros de altura, eu comecei a sentir um “Aretuza feelings” tomar conta do meu ser.
O pior de vomitar no meio da tremedeira é que você nunca sabe quando deve chamar o Raul. Chamar o Raul no momento errado significará emporcalhar toda a maldita aeronave com os restos de coxinha com agenesia de requeijão lá do Havana.
Então fechei os olhos e concentrei-me em não vomitar. Os piores balanços começaram a diminuir e o piloto falou pelo radio que iria começar o pouso. Quando o avião tocou o solo, um carinha lá do meio aplaudiu. Sozinho.

Ficou no vácuo de mais de duzentas pessoas que estavam em choque e não conseguiam largar as poltronas para bater palmas. Minha mão estava moída. A Nivea olhou pra mim e só disse um eloquente:
“Puuuuta quiu paríííu, hein?”
Acenei positivamente com a cabeça e ela disse que eu estava amarelo.
Quando descemos do avião, eu dei uma última olhada para a massa de pessoas que deviam estar felizes como pinto no lixo, afinal, iam para Paris.
Mas depois do Guarulhos-Galeão com escala na ilha de LOST, nenhum daqueles pobres coitados inspirava sequer uma ponta de inveja. Todos eles tinham os olhos arregalados e uma expressão de desespero como as dos cristãos à espera de serem jogados aos leões.
Eu passei e olhei bem na cara do careca metido da primeira classe. Ele e sua impávida riqueza parisiense. Então me virei e falei alto com a Nivea:

Porra, se aqui foi assim, não quero nem imaginar a merda que vai ser sobre o Atlântico!
E então, eu fui pra casa, deixando atrás de mim uma alma atormentada de primeira classe.

FIM

Obs: Na verdade tem uma parte que eu não contei. Custamos a pegar nossas malas que chegaram molhadas. Ao desembarcar, encontramos a minha família que estava com meu primo, que viajaria no mesmo dia. O voo dele foi cancelado com algumas pessoas já embarcadas. Isso significou HORAS de espera para a empresa devolver as malas dele. Segundo a companhia os hoteis do Rio, Niterói e adjacências estavam todos lotados e por isso, eles hospedaram todos os passageiros (não é piada) em ITAIPAVA. E mandaram os caras pra lá de taxi!

O fato é que eu só cheguei em casa duas e paulada da manhã.

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