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Mais novidades do filme do zumbi

screaming zombie
A galera que entra sempre aqui deve estar achando estranho que o numero de posts deu uma caída desde a última semana. Eu estava tentando manter a media perto dos três posts ao dia, mas com o lance do filme do zumbi, as coisas mudaram um pouco.

Como eu tinha comentado antes, devo fazer o curta metragem de zumbi mesmo não ganhando a parada da Lenovo. O concurso (você votou? Se não votou é só clicar nessa barra laranja ali no alto) que vai pagar R$ 5.000 por mês durante um ano ao vencedor, me permitiria fazer uma parada de qualidade Walking Dead, mas mesmo sem isso, eu acho que consigo fazer a parada do meu bolso, com um padrão de qualidade um pouco acima do risível (eu espero).

Só que os custos de fazer um curta-metragem são altos. Quer dizer, nem tanto quando você já tem praticamente tudo, o que é o caso das produtoras e tal, mas quando você não tem, a coisa se avoluma que dá vontade de jogar a toalha e ir afogar as mágoas na caipirinha.

Pra você ter uma ideia do que eu estou falando, só a câmera (o modelo de entrada, não é nada top não) que eu pretendo comprar pra fazer meu curta por aqui passa dos dois mil reais. Mais a lente necessária, com estabilização de imagem chuta este valor pra mais de 5.000. O que dá raiva é que esta câmera nos EUA custa meros 750 dólares. Fazer qualquer bosta aqui é bem mais difícil que nos EUA. Tudo é caro. E tudo que presta (de maquiagem, por exemplo) é importado pelo OLHO DA CARA, e a gente vai assim, pagando o dobro nisso aqui, naquilo ali… Quando vê, o curta que você pensava que era factível sem grana está explodindo seu orçamento.
screaming zombie Mais novidades do filme do zumbi
Eu entendo por que a ampla maioria da galera tenta fazer filmes com dinheiro do governo. Por aqui, fazer qualquer coisa tirando do bolso no estilo estúdio de Hollywood é coisa pra retardado. Todas as vezes que eu conto que estou preparando uma parada assim, meus amigos me dizem: “Por que você não pede doação no blog?”
As pessoas -talvez com razão – acham que este seria o caminho mais fácil de viabilizar o trabalho. E quando eu digo que não quero repassar custo nenhum para os leitores, eles me chamam de burro. Talvez eu seja mesmo burro ou sofra de algum tipo de utopia.

Eu não quero doação.

Primeiro porque eu acho que ninguém devia me dar seu rico dinheirinho em troca do meu trabalho de fazer um curta, que em primeiro lugar é ideia minha e de mais ninguém. Segundo porque eu acho que não vão dar mesmo, e se for para dar dinheiro, que dêem a algo que realmente seja útil para a sociedade, dê para uma ONG, uma fundação de assistência social. Eu me sentiria mal pedindo grana aos leitores que poderiam ajudar qualquer outra coisa com este dinheiro e com ele fazer filme de zumbi.

Então, se custa caro, e você não vai me pedir dinheiro, como que você vai fazer?

Como todo mundo faz para comprar carro? Casa? Viagem? Trabalhando, ué!
E é isso que explica porque eu diminuí a taxa dos posts. Estou trabalhando feito um condenado, para levantar a grana mínima e cobrir os custos maiores, que são a lente e a câmera.
Conseguindo chegar neste objetivo, eu vou recomeçar a ralação novamente, juntando mais uma grana para pagar atores, locação e técnicos. Finalmente, com tudo isso pago, eu vou dar mais uma emburacada no trampo e terei grana para custear todo o material de maquiagem (um dos maiores valores).
Eu já investi alguma grana que eu tinha aqui em material de maquiagem, peças de figurino, uma tela gigante de green screen. Também convidei um montão de amigos meus que vão colaborar, uns cedendo locação, outros emprestando sua imagem e voz, alguns doando seu trabalho, trilha musical, etc. Até uma arma de verdade eu consegui para o filme com um amigo policial que vai acompanhar as filmagens.
Ainda falta alinhavar algumas coisas. Falta conseguir muitos itens de figurino ainda. Por sorte os itens mais caros/complicados eu já consegui. O que eu ainda não consegui foi achar um ator importante da trama, que tem que ser um cara gordinho, com mais ou menos uns 25/28 anos e cara de nerd. Me impressionei, porque entrei em fóruns de atores em busca desse perfil e cadê? Tem milhares de garotas bonitas, caras fortões, muitos senhores, senhoras, mas a porra do gordinho, meu. NADA! Não achei nenhum.

Também estou tentando achar um cara que encaixe com a imagem que eu tenho na minha cabeça do David Carlyle. O roteiro está passando por reformulações continuas para deixá-lo mais redondinho. Um monte de coisa maneira eu tive que tirar fora ou adaptar, porque estouravam o orçamento. Mas está ficando legal. Pelo menos eu acho, hehehe.
Em breve mando mais novidades.

Vote na minha história

Pessoal, estou participando do concurso Mesada Lenovo, que promete dar 5.000 pratas durante um ano para o vencedor. A história que eu escrevi tem a ver com nosso querido Juquinha.

graycadeira1 Vote na minha história

CAMPANHA AJUDE O JUCA A GANHAR UM NOTEBOOK

Queria pedir seu voto. Se eu ganhar esta grana, pretendo fazer um curta baseado no Zumbi, com a participação de vários leitores!

Aqui está o link para votar na minha história.

Alice e a atual conjuntura

Alice e a atual conjuntura

ZUMBI – O LIVRO

promozumbi
Galera, tenho a satisfação de comunicar que acabo de lançar o livro do Zumbi.

O livro tem 285 paginas e saiu pelo Clube de Autores. Eu mesmo ilustrei o livro com desenhos a lápis, aquarela, fotomanipulação e pintura digital. Eu queria mesmo fazer uma história em quadrinhos na forma de livro, tipo um mangá, o problema é que pintou outros trabalhos e vi que ou seria livro normal ou não seria nada.

promozumbi ZUMBI   O LIVRO

Por R$ 41,15 a versão impressa e R$ 15,68 a versão ebook

Clique aqui para comprar

Se você leu e gostou da história do Zumbi, esta é a chance de colocar na sua estante a obra.Também é uma boa ideia para dar de presente para aquele seu amigo maluco. (não é indicado para pessoas normais)

Zumbi – O livro  também está disponível como livro digital lá no site.

Como este livro é vendido sob demanda direto do Clube dos Autores, eu não tenho como oferecê-lo autografado, ok?

As mosquinhas e o sangue não estão incluídos.

Se alguém quiser ajudar a divulgar, aqui tem um webposter do zumbi:

webposterzumbi1 ZUMBI   O LIVRO

 

 

Estou de volta!

Estou de volta das férias. Fuio muito legal a viagem à Argentina. Tão legal que mal tive tempo de aprovar comentários. Nem deu para escrever posts. Ontem na volta, quase dá uma gumpice. Na hora de voltar o aeroporto fechou por causa das cinzas. Chegamos no aeroporto e tinha um mundo de gente pelo chão, criança chorando, gete pra todo lado, câmeras de Tv, o escambau a 4.

Pensei: PQP! Agora entendi porque não teu nenhumam merda significativa na viagem.

Mas por sorte, o meu vôo iria num sentido contrário de onde estava a nuvem de cinzas, e o aeroporto abriu para vôos internacionais. Atrasou 4 horas, mas consegui chegar em casa. Fui gripado e voltei com suspeita de pneumonia, mas tá relax. Valeu assim mesmo. Não consegui esquiar lá em Bariloche, porque -assumo- me caguei de medo. A parada da montanha é uma pirambeira monstruosamente gigante, que equivale a quase oito pedras do Pão de Açúcar epilhadas. Fiquei com medo de me arriscar e não conseguir escrever mais no blog, hahaha.

Aqui estão algumas fotos. Vou colocar outras lá no meu facebook, pra quem quiser ver. (o link tá no botão lá no topo do blog)

montanha2 Estou de volta!

paisagem Estou de volta!

montanha1 Estou de volta!

Essa viagem foi realmente muito boa. Mesmo tendo que pegar um busum (non stop) de vinte e duas horas de Buenos Aires até  Bariloche, porque o aeroporto fechou por causa das cinzas do vulcão. Pior que eu tava doentaço e por conta disso, não consegui dormir e nem deixei ninguém dormir, já que eu tossia feito um cachorro com tubercoleprose a viagem inteira, meu. Mas o busum lá é bom. Servem até champanhe.

Me espantei de não conseguir comer um bife até o final pela primeira vez na minha vida. Eu que me considerava o T-Rex humano, me recolhi à própria insignificância ante ao monolito gastronômico que me foi servido. O bife dos caras é uma excrescência de quase quatro dedos de espessura.

bife Estou de volta!

Olhando assim nem parece tão gigante. Mas o bife media o tamanho das minhas duas mãos abertas. E esta era MEIA porção!

No primeiro dia, decepção! Choveu pra dedéu. Mas no dia seguinte, abriu um sol lindo, tinha nevado e foi um dia muito bacana, com uma aventura na montanha, na qual subimos em jipes 4X4 passando por dentro de riachos, subindo em troncos caídos, passando na beira de precipícios. Já no alto da montanha, andamos com raquetes para neve, porque ela tava muito fofa.

raquetes Estou de volta!

A Nivea e uns amigos fizeram um boneco de neve, e eu fiz uma caveira de neve:

 

caveiradeneve Estou de volta!

Caveira Gump de neve


Ainda assim, achei Bariloche bem cheia. E com muuuito brasileiro. Aliás, como tem Brasileiro na Argentina, né?
visu Estou de volta!

Em muitos momentos senti vergonha. Os brasileiros entram nas lojas falando alto, fazendo a maior algazarra, puxam bolões de notas e saem comprando tudo o que vêem pela frente.  Gritam nos restaurantes, comportam-se como verdadeiros macacos. O pior da vergonha é que sabendo que se trata de uma viagem internacional em alta temporada, que não é nada barata, não posso culpar a falta de dinheiro pela má educação. Nosso senso comum espera “atitudes de baixo nível” vinda dos favelados. Mas a verdade é que o nosso baixo nível não é apenas financeiro. É educacional.

Esta viagem ajudou a cristalizar na minha cabeça a percepção de que nossa cultura produziu uma deformação na educação que vem se cristalizando década após década. Mais de uma vez vi, chocado,  brasileiros agindo como completos imbecis no trato com os argentinos. Isso me dá uma revolta danada.

Bom, o fato é que estou em casa novamente, e vou voltar a postar todo dia por aqui. Acabou o jejum. Hoje começo a pintar o alien. Acho que o post da pintura entra hoje ou amanhã.

PS: Eu finalmente desvendei um dos maiores mistérios da Argentina! O Mullet!

Eu sabia que devia ter uma boa razão para que tantos carinhas da argentina deixassem aquele ridículo mullet-do- McGyver. Quando saí na rua, num frio de 1 grau, um ventinho safado entrou pela minha nuca e eu entendi a razão do mullet. Os caras usam cachecol, e se seu cabelo é curto, sempre fica um vãozinho na parte de trás da cabeça, sobre a nuca, que é  onde a friaca penetra. Foi assim que descobri que o mullet é aquela barreira capilar que imepede a penetração por trás no argentino.

 

Estou de férias e vou viajar para a Argentina

Não estou 100% feliz, mas a vida continua…

Acho que em vista do ocorrido com meu avô, não terei tempo hábil para fechar o boneco do alien, pois vou viajar para a Argentina  de férias com a primeira dama amanhã. Vou postar de lá, mas não garanto a periodicidade de sempre, já que pretendo me divertir bastante. A minha viagem está planejada desde janeiro, e quando aquele vulcão maldito resolveu sacanear Bariloche, eu comecei a me perguntar se não seriam os efeitos gumps viajando pela ionosfera. (uma vez que quando eu fui viajar para a Espanha, perdi minhas malas, levei dura no aeroporto Francês, teve suspeita de mala-bomba, quase perdi o vôo, tendo que atravessar a cidade de um aeroporto a outro, e no Chile, deu terremoto. Sem falar de quando fui passear nos EUA, os Marines americanos pensaram que eu era um terrorista e apontaram fuzis pra mim)

Nunca esquiei. Tomara que eu consiga voltar inteiro, hahaha.

Se alguém tiver boas dicas de passeios em Buenos Aires e Bariloche, é só postar aí. Como sempre faço, se algum leitor me encontrar lá, ganha uma cerveja e uma camiseta de brinde do MG.

Meu avô morreu

Não me lembro de ter escrito um título de post do qual tivesse tanta vontade de que fosse uma brincadeira sem graça quanto este aqui.

Ontem, após uma luta de mais de dez anos contra o câncer, aos 88 anos, meu avô Hugo finalmente  venceu a batalha.  Digo isso porque a morte dele foi a vitória. Seu estado físico era combalido. Meu vô estava muito mais magro que qualquer faquir, já preso numa cadeira de rodas, sem controle de suas funções vitais, precisando de ajuda até para comer, tomava tantos remédios que faziam a casa parecer uma filial de farmácia. A maioria deles para a dor horrorosa de um câncer de próstata que se espalhou, ramificando-se para todo lado, se instalando nos ossos e no cérebro. Câncer que ele nunca imaginou que tinha e do qual nunca reclamou muito, além de dizer que estava com uma “dor chata nas juntas”. Ele sempre pensou que fosse artrite.

Quando recebi a notícia de que ele havia sido internado, eu estava preparado. Peguei meu carro e fui pra lá, sabendo que o filme da vida do meu avô chegava em fim aos créditos finais. A sensação era de tristeza, mas também de alívio.  A doença havia deixado consequências terríveis para ele.

Uma coisa curiosa sobre o meu avô é que ele havia sido diagnosticado com este câncer espalhado pra tudo que é lado há muito tempo atrás. Na época, o médico chamou minha mãe e meu tio e disse a eles que era para aproveitarem o máximo o tempo com ele, pois meu avô não teria nem seis meses de vida.

Receber uma notícia dessas de um médico, é um decreto para que você busque a felicidade de seu pai ao máximo. E foi o que nós todos fizemos. A começar por esconder dele a qualquer custo sobre o câncer. Até então, meu avô era um homem forte, que pegava sozinho saco de cimento, construía coisas, trepava em muro, pendurava-se em andaimes, consertava qualquer bagulho que aparecesse quebrado na frente dele.

O medico errou retumbantemente.

Meu avô viveu com a doença por mais de dez anos.  Nesse meio tempo, ele acabou tomando todo tipo de chá, de caldo, de gosma de ervas diversas. Tudo que alguém falava pra minha vó que curava câncer, ela tascava no meu vô. Sei lá se essas coisas ajudaram ou não. Sei que ele viveu muito além do que qualquer prognóstico médico, por mais otimista que fosse, seria capaz de prever.

E viveu forte. Andando, conversando, comendo bem. Só nos últimos anos, a doença começou a colocar suas garras nele. Os lapsos de memória começaram a ficar frequentes, a confusão mental, cada vez maior, e a magreza se instalou. Em maio de 2011 eu estive lá e ele já estava bem ruim. Havia jogado a dentadura fora e falava coisas meio desconexas, como citar obras. Toda pessoa que ia lá pra vê-lo ganhava uma certa função “na obra”. Ninguém nunca entendeu o que era ” a obra”. Mas eu era “o engenheiro”.

Havia o meu tio, que era o “encarregado”, e uma amiga da família, que era a “dona da obra”. Assim, todos os assuntos, pois mais loucos que fossem, acabavam girando em torno da tal “obra”.

Mas de vez em quando, dava uma lucidez nele. A lucidez alternava-se com os momentos em que ele pensava que estava “na obra”. E com o passar do tempo, aqueles momentos de lucidez foram ficando cada vez mais raros.  Meu avô parecia um windows com dlls danificadas. Em algumas situações a coisa era tão bizarra que chegava a ser engraçado, como na vez em que o meu primo ia trocar a fralda dele e ele cismou que era ele que ia trocar a fralda do meu primo.

Era impossível ir lá sem ficar horas escutando sobre as situações pouco convencionais causadas pela confusão mental da doença. Eu havia estado em Três Rios dois dias antes, onde tive a oportunidade de estar com ele.  Neste dia, eu o levei para passear na cadeira de rodas e passei uma manhã inteira tomando conta dele, conversando com ele sob a árvore. Embora ainda frágil e quase completamente senil, ele teimava em controlar a cadeira de rodas, dizendo o que eu devia fazer. Sua máxima era: “Devagar, devagar!”

O fato é que com aquela notícia bombástica mais de dez anos atrás, nós nos preparamos para uma partida iminente. Mas meu vô morreu em suaves prestações. A parada do coração se deu ontem de manhã, mas a morte do meu avô, no meu ponto de vista, já estava em curso acelerado, há pelo menos um ano. A cada dia ele morria um pouquinho. A cada esquecimento, a cada quilo perdido. É como uma roseira que vai secando. A parada do coração foi apenas a última pétala que caiu.

Ontem, sentado ao lado do caixão, onde ele estava enfiado num terninho, comecei a pensar sobre o quão repetitvo ele era.

Meu avô era extremamente repetitivo. Durante muitos anos, eu me intrigava da mania que ele tinha de me contar sempre os mesmos casos. E eu, ingenuamente, acreditava que isso fosse um defeito.

Só ali, do lado do caixão, percebi o quanto eu tinha sido burro de não entender que as coisas não são como são por mero acaso. Conforme meu avô repetiu pra mim incontáveis vezes aquelas  duas dezenas de casos, (alguns que eu até já postei aqui, como o da pistola Luger dourada e da vez que ele deu carona para dois fantasmas), ele estava deixando uma marca profunda em mim. Ele estava se tornando imortal. Porque nós somos muito mais que carne.

Cada repetição me dava mais detalhes, me dava mais visão, e eu compreendia melhor certos nuances do que ele contava. Meu avô foi sem sombra de dúvidas uma fonte inesgotável de referências, na qual bebi sem medo. A cada repetição, meu avô gerava uma espécie de backup das memórias dele na  minha mente. E por uma sabedoria que nunca descobrirei de onde que saiu, eu nunca tive coragem de dizer a ele que já sabia o que ele ia me dizer. Nunca o desmotivei nem demonstrei enfado ante sua empolgação de me contar suas aventuras. Eu apenas perguntava coisas sobre as quais ele ainda não havia contado e sempre reagia como se aquela fosse a primeira vez que eu ouvia suas histórias.  E ele sempre contava com um entusiasmo enorme.

As cinco aventuras que o meu avô mais me contou são:

  • O CAVALO DO BEBUM - O tio dele, que era um alemão lá de Petrópolis, que bebia muito. Ele tinha um cavalo que era ensinado. O cara enchia a cara e o cavalo dele o levava pra casa sozinho no fim da noite. Só que certa vez, morreu um cara lá e ele foi seguindo o cortejo. Mas o cavalo, sem saber do que se tratava, parava de bar em bar e “estacionava”, esperando que o tio dele descesse para beber um goró. Todo mundo do enterro percebeu e foi uma piada só.
  •  OS FANTASMAS QUE PEDIRAM CARONA – Essa é um clássico. Meu avô e meu bisavô estavam descendo de Petrópolis num caminhãozinho, quando viram um casal vestido de branco, na beira da estrada pedindo carona. O meu bisavô deu carona para os dois. E chegando no destino deles, mandou meu avô avisar pros dois que estava chegando. Quando meu avô se virou, cadê? Não tinha ninguém da caçamba.
  •  SEGUIDO PELO LOBISOMEM – Meu avô certa vez vinha pela beira da linha do trem do bairro do Triângulo. Naquele tempo era um lugar ermo, em meio a fazendas e só tinha mato. Ele disse que notou que tinha uma coisa preta enorme seguindo ele. Meu vô olhou para trás e me disse que era um cachorro, mas do tamanho de um boi. O bicho andava cerca de uns três metros dele. Em completo silêncio. Meu avô apertou o passo, e a coisa apertou junto. Então ele andou devagar e o cachorrão também. Não latiu, não rosnou, não cheirou e nem mugiu. Era apenas uma forma escura, enorme, que o seguiu por um longo trecho. Vendo que o animal reagia conforme o que ele fazia, meu avô disparou numa corrida só sem olhar para trás e quando finalmente tomou coragem, a coisa já havia sumido. Esta história era sempre acompanhada de outra na qual ele ia chegando numa fazenda e na porteira, equilibrando-se no ar de forma macabra, havia um caixão. Ele nunca contou o caso do lobisomem sem contar do caixão na porteira, embora fossem casos distintos.
  • OS FANTASMAS DO QUARTEL – No quartel em que o meu avô serviu exército, no tempo da Segunda Guerra, era normal ocorrerem certas situações insólitas. Uma que assustava todo mundo da companhia dele era um barulho que repetia exatamente o som das pedras do pátio inferior sendo lavadas. Eles estavam no alojamento e no meio da madrugada, ouviam os baldes de água sendo jogados. As pedras sendo esfregadas. E não ficava nisso. Depois do som dos muitos baldes d´água sendo jogados nas pedras, o fantasma tacava o balde, que batia nas pedras, e ia rolando, fazendo o maior fuzuê. Meu vô contou que isso ocorreu várias vezes. Algumas dessas “lavagens” eram tão assustadoras que ele, o sargento responsável pela fiscalização da unidade, foi verificar. E chegando no patio inferior do quartel, as pedras estavam todas secas. Não tinha balde nenhum. Ele então levou o caso ao conhecimento do oficial superior, que disse pra ele que aquilo era “sempre assim”, porque o quartel havia sido erguido pelos escravos, que eram açoitados para lavar o pátio. E mesmo após tantos anos, as almas penadas dos escravos ainda continuavam a fazer aquilo.
  • O FESTIVAL - Meu avô sempre gostou muito de fazer poesia. Ganhou vários concursos de trovas e uma de suas maiores alegrias foi quando meus pais pegaram seu caderno lotado de poesias e trovas dele e editaram um livro. Inclusive ele foi enterrado com um dos livros. Mas de todos os prêmios que meu avô recebeu na vida, um dos mais marcantes foi graças a uma musica, cuja letra ele criou e um amigo fez a melodia depois. Chamava-se “Thereza da praia” (existe outra musica da MPB com o mesmo nome). Com esta música, ele venceu o festival da canção de Paraíba do Sul. No júri do festival estava o dono do Canecão, que disse a ele que iria levar a musica para que a Clara Nunes cantasse. No dia marcado, meu avô e convidados saíram diretamente de Três Rios e foram ao Canecão, no Rio de Janeiro.  Aqueles foram os 15 minutos de fama da vida do meu avô. Naquela noite, a Clara Nunes cantou a música dele. Ao fim do espetáculo ela disse a ele que achou a musica linda e que gostaria muito de colocá-la no disco dela. (coisa que nunca aconteceu)

 

Eu reconheço que tive um privilégio ímpar de ter um avô como ele. Além de escrever poesias, pescar e ser genial nas coisas de obras, reformas, construção e etc, ele tinha grande habilidade com marcenaria e me ensinava muita coisa. A primeira espada que eu fiz foi com ele do lado, me orientando, mostrando como usar plaina, como serrar… Mas como professor ele era bem severo. A gente chamava esta faceta dele de “Sargento Hugo”.

Era admirável a forma como meu avô era dedicado à minha avó, após mais de 60 anos de casados. Eu tenho a sensação que ele se agarrava à vida porque não queria deixar minha vó sozinha. Quando ela teve um problema grave de saúde e foi internada às pressas para operar, ele ficava perguntando “cadê ela?” pra todo mundo que ia lá. Dava pena.

Meu avô tinha dado uma súbita melhorada naquele dia eu eu fui lá. A pressão dele estava ótima e ele estava se alimentando bem. Passeamos na calçada, fomos ver as flores do jardim. Quando o Monsenhor foi até lá pela manhã, levar a comunhão dele (meu avô era muito religioso e quando ele não pôde mais ir na Igreja, a Igreja passou a ir até ele)  eu,  minha mãe e ele rezamos juntos. Me surpreendi que ele, por pior que estivesse de cabeça, lembrava do Pai-Nosso com perfeição.

Quando eu estava lá, meu avô desatou a perguntar onde estava o seu Joaquim. Ficamos perguntando a ele que Joaquim, mas ele só perguntava a mesma coisa. Eu concluí que ele estava perguntando do avô do meu primo, que era amigo dele. Eles viajavam juntos para Cabo Frio e ficavam naquele apartamento que eu citei no post sobre fliperamas. Seu Joaquim já havia morrido há muito tempo.

“Eu quero ver o seu Joaquim” – Meu avô disse, com o fio de voz fina que caracterizou seus últimos dias. Quando entendi quem era, comecei a rir:

-Você vai ver ele, vô. Não é agora, mas em breve você vai ver! – Eu disse.

Inesperadamente, eu estava certo. Meu avô venceu a doença.  E agora suas pétalas dançam livres, ao sabor do vento.

 

Azul linhas aéreas comete uma idiotice épica

De vez em quando eu me deparo com certas coisas que chega a dar pena das pessoas que se julgam espertas e não o são. Como já dizia meu pai, “nada é tão perigoso quanto um esperto se fingindo de bobo; mas nada é tão patético quanto um bobo que tenta dar uma de esperto”. E foi justamente esta a postura da companhia Azul Linhas Aéreas ao inventar um concurso chamado “sua arte lá em cima”.

Eu resolvi falar sobre este assunto, não apenas para os meus milhares de leitores, mas  também para deixar registrado o caso, afinal temos muitos designers, ilustradores e artistas em geral que visitam este site. Fica como um caso clássico e bem documentado de como pode ser obtusa a visão de certas pessoas jurídicas no trato de sua própria imagem corporativa. Dessa forma, espero que os leitores hajam como disseminadores desta impressão de que algumas pessoas e empresas agem de uma forma estúpida, achando que em termos de imagem, “qualquer coisa serve”.

Tudo começa com uma ideia que se resume a criar um “concurso cultural”, chamado Sua arte lá em cima.

O concurso acontece de 15 a 30 de junho de 2011. Basta ler e aceitar o regulamento e fazer o download do desenho do Embraer 195, que faz parte da frota da companhia. Utilize o programa que desejar para fazer os desenhos (Photoshop e afins). Uma comissão julgadora analisará todos os projetos de acordo com a originalidade, criatividade, beleza, coerência e adequação ao regulamento.

aeronave Azul linhas aéreas comete uma idiotice épica

Aqui está o regulamento do concurso cultural

Trocando em miúdos, o que nós vemos aqui é uma empresa oferecer um espaço em suas próprias aeronaves, ou seja, um espaço dedicado ao branding para um concurso que oferece aos participantes a possibilidade de ter uma ilustração usada pela empresa como bem entender. E o prêmio? O prêmio está descrito no regulamento. Segure o riso se puder:

O autor do melhor trabalho receberá como prêmio uma maquete com a pintura escolhida e a empresa promotora fará uma aeronave verdadeira, pintada com o motivo enviado pelo vencedor, reservando-se a promotora o direito a ajustes necessários para adequar à comunicação da empresa.

É isso mesmo. Você fará uma arte para uma companhia milionária, doará gratuitamente seu trabalho para a empresa, que é dona de uma frota de aeronaves que custam caríssimo, que tem uma folha de pagamentos gigantescas, fez um investimento da ordem de R$ 2,9 bilhões na compra de 39 aeronaves,  é apontada como um líder no segmento dela, e ela vai te pagar com… Um aviãozinho de maquete.

Na minha terra, isso chama “proposta caracu”, onde a Azul entra com a cara, obviamente. Aliás, se você é ilustrador, não perca este post sobre as dez mentiras mais comuns usadas para iludir ilustradores e designers inexperientes.

Evidentemente que se olharmos pelo viés da empresa, não hpá nada demais. Ela faz o concurso cultural de “bom coração”.

Não precisa ser muito inteligente para perceber que “de boas intenções o inferno está cheio”. É cristalino que a Azul Linhas aéreas não está preocupada com o resultado da obra em si, e sim em economizar a grana em uma ação promocional, e em troca disso, almeja obter um status corporativo de empresa que  apoia a cultura. Para obter os trouxas, digo, os participantes do concurso cultural, a empresa acena com uma ilusão de visibilidade e numa cláusula questionável sob todos os princípios normativos da ética, obriga a quem participar de efetuar uma doação compulsória dos direitos sobre a própria criação.

Pode parecer um bom negócio para um executivo que não conhece bem o mercado, não entende que toda ação tem resultado, bom ou mau para a marca da empresa. O problema é que os prejuízos na reputação de uma companhia que tenta colocar um chapéu de burro nas pessoas custa bem mais caro que toda e qualquer economia que ela poderia fazer com um “concurso cultural” desse naipe.

Obviamente que quando as pessoas param para pensar sobre o assunto, ainda mais aqui no Brasil, conta-se nos dedos de uma mão sem dedos os que acreditam que uma empresa poderia querer fazer um concurso cultural sem fins lucrativos. Amigos, isso como já dizia o Padre Quevedo:

padre quevedo Azul linhas aéreas comete uma idiotice épica

Este concurso TEM FINS LUCRATIVOS para a companhia aérea Azul. E a empresa disfarça isso com um verniz esferrapado de  “concurso cultural, que objetiva promover jovens talentos”.

Tudo que as pessoas que gastam dinheiro com a empresa desejam é: Profissionalismo.

Mas como a saída pelo amadorismo é mais fácil, ela faz como o Santander, a Revista Piaui e muitas outras marcas, que  já se utilizaram dessa técnica de engambelamento dos participantes, todos com resultados negativos pra as marcas.

O que a Azul quer? Propaganda barata, repercussão, e de quebra um desenho bem bacana para colocar nos caríssimos aviões dela sem pagar NADA. Ou melhor, pagando um aviãozinho de brinquedo.

É óbvio que qualquer pessoa mais racional vai olhar e pensar: Mas e daí? Participa quem quer.

Óbvio que participa quem quer. Mas isso não atenua a hipocrisia da companhia de selecionar artes e mais artes (porque sempre vai ter um inocente desesperado para aparecer) se tornar dona de tudo, usar a que achar mais adequada, e não pagar por elas. Participa quem quer e mete o malho quem se acha ultrajado de ser considerado idiota com o papo furado da empresa, que é o meu caso. Como empresário do ramo de design, dono de uma empresa que também vende ilustração, eu acho muito cretina esta postura da empresa.

Esta postura, já vista e discutida em inúmeros “Cases” de repercussão negativa, o vulgo “queimação de filme” é bastante comum e conhecido dos artistas e ilustradores em geral. Os empresários quando confrontados agarram-se ao discurso hipócrita de querer ajudar a divulgar os nomes de jovens talentos ou então metem os pés pelas mãos de uma só vez, alegando ” mas é só um desenho”

Dizer este tipo de coisa é o pior de todos os argumentos, pois não apenas agrava a discussão, como também dixa claro a todos que a imagem da empresa pode ser feita por qualquer um com qualquer coisa.

Está muito claro que a logica por trás deste tipo de artimanha marketeira é conseguir algum bobo o suficiente para oferecer de graça um bom trabalho, preferencialmente de qualidade profissional gratuitamente.Como disse, o ilustrador Montalvo Machado:

A atitude da Azul, ao promover uma concorrência comercial travestida de concurso fere diretamente aos profissionais da área, não pelo temor que algum moleque mal saído das fraldas venha a fazer algo que possa ser comparável ao trabalho de um escritório de design, com pessoas qualificadas, com estudos e projetos fundamentados no histórico da empresa e de seus clientes, com sustentação acadêmica, adequação ao público alvo, gestalt, consistência em relação a imagem corporativa e ao design prévio da empresa, uma estética adequada aos planos de curto, médio e longo prazo ao projeto de design da Azul, e todas as questões que envolvem um projeto de design como a decoração de uma aeronave.   Estamos falando de trabalho, meu caro. Trabalho especializado, expertise caro, planejamento e execução de um serviço de gente grande, não de crianças talentosas, ou será que a Azul agora vai se tornar uma grande creche?

 

Ao usar amadores para fazer gratuitamente o trabalho de um profissional qualificado, a Azul abre o espaço para que pensemos se a empresa também não está fazendo este tipo de economia na manutenção das aeronaves, na limpeza, na contratação de pessoal… Você voaria numa companhia aérea que faz “economia a qualquer preço”? Nem eu.

Enfim, é triste ver que um dos grandes problemas do Brasil continua a ser o amadorismo. A Azul vai dar um aviãozinho de plastico em troca de um trabalho certamente de qualidade profissional, o golpe vai repercutir mal para a empresa, manchando a reputação dela a longo prazo. Tudo isso por amadorismo da própria empresa que não sabe criar um concurso minimamente decente.

“Ao vencedor, as batatas!”

Machado de Assis

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