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BlackWater

October 25th, 2009 23 Comments

Quando nós pensamos em Guerra, é normal que algumas imagens surjam na nossa mente. Geralmente, a idéia de guerra, pelo menos pra mim, é marcada por uma idéia de um país contra o outro, lutado por alguma coisa, seja ideologia, seja terreno, seja um ativo qualquer, como o petróleo.

O senso comum é claramente marcado pela percepção de que soldados lutam nas guerras. Matam e morrem, mas como poderíamos supor, este pensamento não é de todo preciso. A utilização de mercenários em situações de conflito não é recente. Antes mesmo da criação do conceito de um exército profissional, trabalhando a serviço de uma nação específica, era comum que grandes líderes recrutassem grupos mercenários, que lutam pelo dinheiro.

Dados recentes mostram que a guerra como nós conhecemos e imaginamos pode estar mudando mais rápido do que poderíamos supor. Durante anos as guerras foram travadas por militares profissionais, gerenciados pelas forças armadas de seus países, obedecendo ordens – algumas que nos impressionam até hoje, como a jogada das bombas atômicas de Hiroshima e Nagazaki, quase cegamente. O que me espanta é que esta tendência está mudando rapidamente. Pra se ter uma idéia do que eu estou falando, hoje o uso de massa das forças armadas mercenárias pelos EUA chega a impressionantes 30% do total de pessoas empregadas no exército de coalizão no Iraque. Para perceber est mudança, bastou uma rápida pesquisa para descobrir que o uso de mercenários na guerra do Bush pai, em 1991 foi de apenas 10%.

A guerra, meus amigos, parece estar se tornando a profissão de muitas pessoas no mundo. A exemplo dessa afirmativa, posso citar que o número de servidores particulares no Departamento  de Defesa dos EUA (180 mil cabeças, provindas de 630 empresas) é maior do que o de soldados (130 mil cabeças).

Então temos aqui um pequeno elemento de curiosidade e estranheza, suficientemente Gump para ser abordado, mesmo que nas coxas, neste blog. Existem exércitos ocultos, que faturam em torno de CEM BILHÕES DE DÓLARES anuais para matar e efetuar serviços diversos, legitimados por contratos cujo teor passa longe dos olhos e das mentes dos contribuintes que estando contra ou a favor das guerras, financiam essas operações.

Ao que parece, a farta utilização dos exércitos secretos surgiu nos anos 90, durante a primeira Guerra do Golfo, quando Dick Cheney  ocupou a secretaria de Defesa. Hoje, a empresa de maior porte – ao que se sabe oficialmente – é a Black Water.

Para quem não sabia até agora, a Blackwater é uma espécie de empresa, que cresceu fortemente em poderio e influência  na última década, e cuja atuação não se restringe ao Iraque, atuando (oficialmente) em nove países. Só no Iraque, números não oficiais apontam para 18 mil homens da organização em atividade.

Mas o que a BlackWater faz?

A BlackWater faz todo o serviço “sujo” ou excessivamente secreto/sigiloso/bizarro/estranho que os militares de carreira não podem fazer. Um exemplo da ação da BlackWater no Iraque? Preparar atentados para provocar a violência sectária xiitas X sunitas.

De acordo com um relatório do Congresso dos Estados Unidos, a BlackWater esteve envolvida em nada menos que 195 tiroteios no Iraque desde 2005.

Segundo especialistas em defesa, a Blackwater tem uma divisão para praticamente qualquer atividade. Uma divisão de aviação – Aviation Worldwide ou Presidential Airways. A Aviation Worldwide conta hoje com mais de 40 aeronaves, destinado a operações de pouso em locais de difícil acesso (recentemente, o Brasil vendeu meia dúzia de Embraer EMB-314 Super Tucanos à Blackwater)

A empresa conta com uma divisão com atividades na Colômbia e em vários países – [Greystone],  e uma divisão de “serviços de inteligência” – a Total Intelligence Solutions e tem também uma divisão responsável pelos serviços secretos que a companhia faz juntamente com a CIA, denominada Blackwater Select, segundo revelações do New York Times em 20 de agosto de 2009.

Segundo alguns conspiradores de plantão, a BlackWater seria um braço armado muito usado para operações de interceptação, retaliação e até resgate de… UFOS.

Seja isso realidade ou exagero, o fato real é que os homens da BlackWater  não são nem civis e nem militares e, portanto, a empresa não pode ser processada por eventuais crimes cometidos, seja na justiça comum, seja na justiça militar. Este aparente limbo legal, propicia à BlackWater atuar com contundência e poderio necessários para derrubar governos, representando uma séria ameaça à democracia, não só americana como mundial.

Evidência disso é que seguranças da Blackwater que escoltavam um comboio americano atiraram e mataram 17 civis iraquianos. A despeito dos protestos e exigências do governo do Iraque para que fossem punidos, os homens da Blackwater estão livres e em atividade até hoje.  Sequer responderam processos em Washington.

É natural que surja a questão: Se a BlackWater é tão poderosa e representa tanto perigo, por que os EUA a financia nos campos de batalha?

Basicamente, o uso dos exércitos mercenários traz consigo vantagens diversas. A maior delas é que suas baixas não são contabilizadas oficialmente. Logo, um soldado da BlackWater que for capturado e torturado nunca vai aparecer nas estatísticas, mas os homens que ele matar irão. Logo, em termos de números ( e Washington funciona com números) isso se mostra vantajoso. Já que o número de homens mortos e feridos é um dos mais fortes fatores que influencia a opinião pública norte-americana, usar soldados que morrem em silêncio, mesmo pagando caro, vale à pena, já que cada morte de mercenário poupa a vida de um soldado.

Em segundo lugar, a BlackWater participa de ações sigilosas em sua maioria. Oficialmente, 15% de todos os contratos dos EUA com a BlackWater são mantidos em segredo. São estes contratos sigilosos que estimulam a especulação e imaginação. Muitos sites conspiratórios apontam a empresa como principal detentora de contratos que visam a interceptação de Ufos, com os famosos helicópteros pretos de uso exclusivo militar sem numeração que aparecem em todo o mundo. Verdade ou não, os fatos conhecidos são que a grande maioria desses contratos são sigilosos por bons motivos. A maioria deles é que as missões ferem sumariamente às leis da Guerra e são contrárias a ética, infringindo inúmeros artigos de tratados dos quais os EUA são signatários.

Mas talvez o aspecto mais importante e que justifica a utilização da BlackWater é seu custo. Embora cada soldado da Blackwater ganhe muito mais do que um soldado normal e os contratos bilionários produzam lucros extraordinários para as empresas envolvidas, ainda assim o governo economiza muito, pois não precisa gastar nem um centavo com treinamento, aparelhamento, alimentação, transporte, alojamentos, hospitalização, remoção, assistência médica.

Ou seja, no cômputo geral, é bom negócio contar com mercenários altamente treinados. Quem chegou a esta conclusão foi a ONU que em 2007 estudou o caso em detalhes durante dois anos para então declarar que a utilização dos exércitos mercenários em questões políticas de conflitos era ilegal sob a lei internacional. Como sempre, os EUA deram de ombros e ignoraram solenemente às opiniões da ONU.

Sabe-se que a BlackWater e suas divisões continuam em ação em áreas de grande hostilidade, mas segundo às determinações internacionais, os homens da BlackWater não tem direito de serem protegidos durante ataques, e se forem capturados não terão cobertura das leis internacionais que tratam da tortura e outras determinações sobre a questão dos prisioneiros de guerra.

Analistas militares estimam que com o Governo Obama, as atividades da Blackwater irão se intensificar, na medida em que os militares de carreira vão sendo retirados do local do conflito.

Após uma série de abusos cometidos pelos homens da Blackwater e a conseqüente a perda de um contrato no Iraque, a empresa alterou seu nome para Xe. A mudança de nomes e marcas são uma estratégia comum de despiste. Atualmente existem uma série de novas empresas atuando no ramo. Algumas seriam de fachada, operando da mesma forma e com o mesmo “padrão de qualidade” da famosa BlackWater.

Em 2007, após uma controversa renovação do contrato com o governo dos EUA, a Blackwater mudou o logo. Isso não seria de se estranhar, afinal, empresas mudam suas marcas de tempos em tempos – tirando a Coca-Cola.

Mas neste caso, a mudança soa assustadora. A Blackwater USA (como era o nome original) se transformou em Blackwater Worldwide, mudança que marca o sucesso corporativo do negócio e a visão de futuro da empresa, que agora pretende agir globalmente. O que significa isso? Que esses homens fortemente armadaos e altamente treinados, superiores a praticamente qualquer exército, seja em armamento, seja em treinamento, seja em tecnologia, estarão disponíveis a quem puder pagar mais.

Recentemente, muitas pessoas ligadas a àrea da Defesa Nacional se viram às voltas com a sombra da BlackWater e da Halliburton no Brasil. Segundo o General Surval Nery, coordenador do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos, a Halliburton, companhia que originou a Blackwater, já se encontra no Brasil, fazendo a sehgurança de plataformas de petróleo pertencentes a empresas da família Bush. Curiosamente, esta informação surgiu no momento em que George Bush resolveu recriar a IV frota. A desicsão do governo dos Estados Unidos de recriar a IV Frota foi apresentada como destinada a proteger o livre fluxo do comércio nos mares da região. Obviamente, se alguém tem condições de proteger, tem condições de impedir esse fluxo comercial. A questão que fica é:  Por que proteger o comércio de uma área que não vive situação de guerra? E isso quando o Brasil dá notícia da extensão das jazidas do pré-sal como uma das maiores de todo o mundo.

Ainda mais curioso é saber que um dos diretores da ANP é ex-diretor da Halliburton. Esta empresa, que está envolvida com o apoio logístico em todo o mundo no que diz respeito ao petróleo, principalmente no Iraque,  mantém um de seus ex-diretores como diretor da ANP (Nelson Narciso Filho, indicado pelo presidente Lula e aprovado em sabatina no Senado). Esse homem tem acesso a dados secretos das jazidas de petróleo no Brasil. Lindo, não? (mais informações sobre a halliburton e a ANP aqui)

É bom lembrar que George Bush disse para a imprensa  que ele não reconhece a soberania brasileira sobre as 200 milhas. Sabendo que o pré-sal ultrapassa as 200 milhas náuticas, e que segundo a  ONU tudo que existe ali é para exploração econômica do Brasil, é suspeita a declaração do Bush.  Por que o presidente norte-americano recria a IV Frota logo após não reconhecer nossa soberania? E qual a razão para manter um caro armamento militar composto de porta-aviões nucleares com 50, 60 e 100 aviões, navegando permanentemente nos mares do sul, comandados por Joseph Kernan, contra-almirante especializado em táticas de guerra submersa para uso “humanitário” – numa região que não necessita disso?

Evidente que tudo pode não passar de uma série mórbida de coincidências e exageros com claras intenções políticas. Será?

Mas a julgar pela história que precede a Halliburton e a Blackwater, o pessoal da inteligência brasileira devia ficar de olho aberto.

Sai daí

August 20th, 2009 2 Comments

Há quem diga que eu sou um trouxa
Por meter a boca, que eu procuro briga
Que eu só meto o malho e que não tem saída
Que é assim mesmo a vida do eleitor

Há quem diga que eu não sei de nada
Que não vai dar em nada e que vai terminar em pizza
Que eu que tenho culpa, porque que eu dei bobeira
E que eu até votei nele para senador

Eu, por mim, mandava pra um asilo
Ou então fuzilo, ou dou pra um crocodilo
É disso que eu preciso ou já não tem mais jeito
De presidente a prefeito nesse bacanal…

Eu quero é matar, explodir o senado
Atacar, cumprir meu dever
Eu quero expulsar os filhos da puta
Apagar, quem sobrar vou prender,

Há quem diga que eu sou um trouxa
Por cobrar postura, que eu me contradigo
Que a memória é falha e essa é a política
que eu cheguei cedo pra briga de senador

Há quem diga que eu não posso fazer nada
Que  não vai dar em nada e que é caso de justiça
Comissão de ética, CPI de brincadeira
E que eu que me candidate pra vereador

Mas eu quero cobrar, fim do ato secreto
brigar, cumprir meu dever
Eu quero é mostrar aos ratos da pátria
Limpar, Brasil vai renascer

Mas eu quero cobrar, fim do ato secreto
brigar, cumprir meu dever
Eu quero é mostrar aos ratos da pátria
Limpar, Brasil vai renascer…

Obs: Adaptei esta letra sobre a melodia do Sérgio Sampaio, trilha sonora do filme “O Vampiro de Copacabana”:

Fazendo a diferença

August 18th, 2009 19 Comments

Fiquei feliz em saber através do sub-reitor da UFRJ que graças à nosso denúncia, e a campanha que conseguimos mover no último dia, o prazo de aceitação de sugestões na ANTT foi prorrogado.

O que pesou foi a falta de material (volume 3).

É como eu disse, estamos dispostos a perder em uma análise econômica ou técnica, agora ficar de fora por conta de interesse é sacanagem. Este post é para agradecer a todos os leitores e amigos que colaboraram e fizeram sua parte como cidadãos, reclamando do procedimento burocrático da tal consulta pública, que se dá sem nem ao menos liberarem todos os relatórios.
Sintam-se vencedores.

Um abraço a todos

O Brasil precisa da sua ajuda!

August 16th, 2009 97 Comments

Caros amigos, eu tenho duas coisas muito importantes para dizer a vocês. A primeira é muito boa e trata-se de uma notícia que muita gente está esperando faz tempo. Nós queremos entrar na alta velocidade!

Sim, estou falando novamente do Maglev Cobra.

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Detran está descumprindo a lei?

June 25th, 2009 4 Comments

Eu passei grande parte da manhã tentado descobrir porque o Detran do Rio de Janeiro está exigindo o registro de contrato fiduciário, que havia sido proibido por uma medida provisória que pode ser lida aqui:

[...]

Art. 6o Em operação de arrendamento mercantil ou qualquer outra modalidade de crédito ou financiamento a anotação da alienação fiduciária de veículo automotor no certificado de registro a que se refere a Lei no 9.503, de 23 de setembro de 1997, produz plenos efeitos probatórios contra terceiros, dispensado qualquer outro registro público.

§ 1o Consideram-se nulos quaisquer convênios celebrados entre entidades de títulos e registros públicos e as repartições de trânsito competentes para o licenciamento de veículos, bem como portarias e outros atos normativos por elas editados, que disponham de modo contrário ao disposto no caput deste artigo.

§ 2o O descumprimento do disposto neste artigo sujeita as entidades e as pessoas de que tratam, respectivamente, as Leis nos 6.015, de 31 de dezembro de 1973, e 8.935, de 18 de novembro de 1994, ao disposto no art. 56 e seguintes da Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990, e às penalidades previstas no art. 32 da Lei no 8.935, de 18 de novembro de 1994.

Art. 7o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 23 de dezembro de 2008; 187o da Independência e 120o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Guido Mantega
Henrique de Campos Meirelles


Como temos muitos advogados que vistam o blog, eu gostaria de tirar esta dúvida. Já recorri a OAB e à Procuradoria Geral do Estado do Rio para saber se o DETRAN ao ir contra uma MP aprovada e publicada, não está errado.
A moça da concessionária me disse que o Detran teria conseguido uma decisão jurídica que lhe facultaria a exigência de registro de contrato nos cartórios, que na verdade se resume em uma cobrança alta que vai de 200 a mil reais! Mas isso tem validade? Quer dizer, uma decisão jurídica pode se sobrepor ao texto da lei?
Devo pagar ou não? Eles podem reter a documentação do meu carro caso eu me recuse a pagar por isso?
Com a palavra, os leitores advogados.

Adolescente desvenda quebra-cabeça da Matemática com 300 anos

June 1st, 2009 25 Comments

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Nossa, isso é fabuloso. Imagino que o moleque seja mesmo um cabeçudo, pois desvendar um mistério da Matemática que já dura 300 anos não é pra qualquer um. Eu que me pelo de medo de equações e fórmulas complexas sinto até arrepios só de imaginar o tanto de contas necessárias para conseguir solucionar os chamados “Números de Beunoulli”.

Segundo a  Wikipedia, na Matemática, os números de Bernoulli são seqüências de números racionais com profundas conexões na teoria dos números.

Os tais números ganharam este nome em homenagem ao gênio matemático do século 17, Jacob Bernoulli.

Pois não é que um jovem iraquiano que vive na Suécia conseguiu?  Mohamed Altoumaimi é o nome do adolescente, que chegou na Suécia há seis anos atrás, vindo do Iraque. O jovem, trabalhou durante quatro meses na formula e quando a apresentou a um professor, este mal podia acreditar no que estava vendo. Um jovem do segundo grau, usando apenas lápis e papel havia conseguido descobrir uma fórmula que especialistas e catedráticos de todo o mundo passaram anos tentando resolver, sem scesso.

EDITADO: (novas notícias informam que a solução do garoto já havia sido descoberta, mas ainda assim surpreendeu os especialistas que um jovem ainda na escola conseguisse chegar ao resultado)

O jovem diz que pretende estudar Matemática avançada e Física, mas só quando terminar a escola.

“Primeiro eu preciso melhorar o meu inglês e estudar mais ciências humanas” – Diz Mohamed.

fonte

Se este menino estudasse numa escola do Brasil, é possível que estivesse ambicionando ser jogardor de futebol. Não digo isso porque eu deteste o Brasil. pelo contrário. É triste ver um país tão rico com desempenho tão sofrível em certos setores fundamentais para o futuro, como a educação.
O Brasil está em 52º lugar em uma lista de 57 países avaliados pelo Programa para Avaliação Internacional do Estudante, na sigla em inglês (Pisa). Fonte
O levantamento é realizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e avaliou, em 2006, a capacidade de estudantes de 15 anos de idade, em 57 países, que totalizam quase 90% do PIB mundial.
O Brasil é o 3º pior em matemática em ranking do Pisa e aparece atrás ainda do Chile, que está na 40º posição, e do Uruguai, que aparece como 42º colocado.

Isso é algo bastante perturbador, pois seria péssimo, mas resignador pra nós, se fôssemos apenas um bando de mentecaptos retardados. Mas não, o Brasil conquistou cinco medalhas na Olimpíada Matemática de 2007, o que prova que temos jovens excepcionais aqui. O solo é fértil, mas por mais fértil que seja, sem água ou tratamento adequado, o que resulta é uma esterilidade intelectual que se manifesta numa decadência social e grave violência urbana.
Não podemos atribuir todos os problemas edcacionais a uma questão de investimento governamental. Mas os números deixam claro a importância que o ensino tem para cada país. Vejamos:

Os 30 países da OCDE gastam, em média, US$ 7.527 (R$ 14.376 ), e no país que mais gasta em educação, Luxemburgo, este valor chega a US$ 13.458 (R$ 25.705 ). No Chile, nosso vizinho, o único outro país sul-americano incluído no estudo, o gasto total é de US$ 2.864 (R$ 5.470).
E no Brasil? Você certamente deve estar se perguntando.
O Brasil é o que apresenta o menor investimento por estudante (desde o primário até a universidade), gastando em média US$ 1.303 por ano (cerca de R$ 2.488).

O Brasil não possui problemas apenas de financiamento. Nosso país nunca buscou melhoria dos padrões educacionais. Nas últimas décadas, o enfoque da gestão da educação pública sempre foi aumentar matrículas, do maternal ao doutorado. Pouquíssimas iniciativas foram tomadas no sentido de incentivar a melhoria do desempenho acadêmico dos alunos e estas iniciativas sempre foram tomadas por secretários ou ministros isolados. O problema educacional brasileiro é sistêmico. As nossas licenciaturas são puro reflexo disso: Cursos péssimos formando professores sem mínima qualificação. Com o enfoque nas matriculas ao invés do desempenho, temos um ciclo vicioso entre gerações – Cursos ruins formam professores ruins que formarão alunos cada vez piores.

Não considero um erro a decisão de buscar aumento das vagas no âmbito do ensino. Mas é temerário que se busque quantidade em detrimento à qualidade na questão educacional no nosso país.
Enquanto isso, os políticos se locupletam com o dinheiro que deveria ser destinado a educar os jovens. As massas são cada vez mais dominadas e manipuladaspor interesses escusos, para os quais não interessa o aumento das reflexões mais profundas. O tempo vai passando, a mediocridade intelectual só aumenta. Surgem promessas e esperanças de que a informatização do país produza mais conhecimento, mais acessos. Porém, os dados práticos são que o Brasileiro passa grande parte do tempo batendo papo no MSN e futicando o orkut.
A inclusão digital é vendida para o povo como uma alternativa messiânica que vai tornar o aluno brasileiro um aluno mais intelectualizado da noite para o dia. A vergonha disso é que sabemos que na prática, o que acontece é que a mediocridade vai parar na rede.
Antigamente, para fazer um trabalho de escola, os alunos tinham que pegar livros, ler e transcrever. Hoje, basta o google, recortar e colar. pode perguntar para qualquer professor sobre suas experiências escolares e vocês verão centenas, talvez milhares de casos em que alunos entregam trabalhos referenciando figuras que não existem, linkando outros textos e coisas do tipo, que retratam claramente que os alunos nem sequer leram o que entregaram. Pra se ter uma idéia, a primeira dama do Mundo Gump é professora e já presenciou casos em que os alunos plagiaram textos DELA MESMA em trabalhos acadêmicos.
Eu entendo a educação brasileira como um produto de três grandes esferas.
Familiar, Educacional e governamental.
E nenhuma das três esferas está bem.

Roubaram até as favelas!

April 30th, 2009 24 Comments

O complexo do Alemão e seu esplendor

Deu na Folha de São Paulo hoje:

Favelas do Rio somem em filme para o COI

Omissão não foi proposital, diz comitê para Jogos-2016

SERGIO TORRES
DA SUCURSAL DO RIO

O comitê organizador da candidatura carioca à Olimpíada de 2016 apresentou à Comissão de Avaliação do COI um filmete de cinco minutos e fotografias aéreas que mostram um Rio de Janeiro sem favelas nas áreas vizinhas aos locais em que as competições serão disputadas, caso a cidade seja escolhida.

A apresentação aconteceu ontem de manhã para os 13 especialistas e esportistas estrangeiros enviados pelo Comitê Olímpico Internacional para avaliar se o Rio de Janeiro tem condições de sediar os Jogos.

Do encontro participaram o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) e o prefeito Eduardo Paes (PMDB).
Nenhum dos representantes do COI falou com jornalistas. No discurso das autoridades brasileiras -prefeito, governador e ministro-, o encontro foi extremamente positivo.

“Nós nos saímos muito bem. Não é um autoelogio. (…) Foi uma manhã nota 10. Estamos no rumo certo. (…) A chance é muito grande”, afirmou Cabral. O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, concordou com o governador. “O Rio está pronto. O COI vai tomar uma decisão histórica”, afirmou.

Preparado pelo Rio-2016 -comitê formado por COB e governos federal, estadual e municipal-, o filme mostra como deverá estar o Rio no ano da disputa dos Jogos, se for mesmo escolhido sede olímpica.

A capital fluminense foi dividida em quatro áreas: Copacabana (zona sul), Barra da Tijuca (zona oeste), Deodoro (zona oeste) e Maracanã (zona norte). Em cada uma delas foram mostrados estádios, vilas esportivas, locais de disputas. Não havia favela em nenhuma.

De acordo com o diretor de marketing do comitê brasileiro, Leonardo Gryner, a omissão não foi deliberada.

Um exemplo da ausência de favelas pode ser notado no Maracanã, estádio ladeado pelo morro da Mangueira. A favela não aparece no filme. O estádio, com todas as modificações planejadas para o ano da Olimpíada, é mostrado de um ângulo que a mantém oculta.

Da mesma forma, na região da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá, onde ficarão a Vila Olímpica e diversos prédios e unidades relacionados aos Jogos, não foram mostradas as favelas de Cidade de Deus, Rio das Pedras e Gardênia Azul.

Também o estádio João Havelange (o Engenhão, na zona norte) aparece no filme em ângulo no qual não são mostradas as favelas ao redor.

Até as imagens panorâmicas, quase em círculo, do Corcovado, não exibem os morros povoados que existem nas vizinhanças, como Dona Marta e Cerro Corá.

Responsável pela apresentação dos futuros pontos de competição, o diretor de esportes do comitê, o ex-atleta Agberto Guimarães, repetiu em sua palestra e em uma entrevista que uma das metas da equipe é chamar a atenção dos avaliadores do COI para a natureza privilegiada do Rio de Janeiro.

“A gente tem que explorar as belezas do Rio, as praias”, declarou Agberto, que mostrou aos emissários do comitê olímpico uma foto da praia de Copacabana em que, à distância, a favela do Cantagalo é quase que obscurecida pelos raios solares.

Olha só. Francamente? Acho babaquice isso.

Pensar que seria possível esconder favelas num video para o COI é muita, muita ingenuidade. O que ocorre é que se você quer vender um produto, vai mostrar os defeitos? Lógico que não. O restaurante mostra comida bonita no cardápio, não pão mofado com baratas. As lojas mostram modelos bonitos com suas roupas, não o Amaral. As construtoras mostram prédios em lindos espaços vazios e arborizados, e quem compra sabe que vai ficar espremido entre dois espigões.
O mundo é assim, minha gente. Querer o contrário é utopia banal.
As favelas estão aí e são fruto de quase meio século de descaso das autoridades públicas, falta de educação do povo e clima de “topa tudo pelo voto”. Não é problema fácil de resolver e nem vai ser jogo olímpico que vai mudar alguma coisa para esta galera, que só cresce.

Mas não é porque tem uma miséria enorme que o Brasil tem que abrir mão de brigar pelos Jogos Olímpicos. Todo país tem problemas. Nós, ao contrario da ampla maioria, temos uma forte indústria da propaganda que mais se dedica a mostrar os problemas do que as soluções, porque há, acima de tudo, uma percepção generalizada no Brasil de que falar bem de alguma coisa é propaganda, mas falar mal não é. Falar mal é ser chique, é ter postura crítica, é ter opinião.

A maior prova disso foi que quando eu criei um post para falar bem de um tênis que eu comprei e gostei, muita gente achou que eu tava ganhando para falar do tênis. O Brasileiro não está preparado culturalmente para ver alguém falar bem de uma coisa qualquer sem que hajam objetivos escusos por trás da suposta “manobra”. É a cultura da escusidade que atinge a todos.

Então dá pra entender que alguém possa pensar que os caras do comitê Rio 2016  tenham planejado cuidadosamente um video para tentar iludir os membros do COI que não existe favela no Rio. E isso até parece piada. Nem David Blaine é capaz de fazer isso.

O fato óbvio e inegável é que não tem como esconder a miséria desses caras. Pensar o contrário é achar que eles são umas mulas. Qualquer um sabe que temos favelas gigantes que se perdem de vista. Até mesmo para sair do aeroporto internacional, os caras cruzam uma zona que é tão aprazível que o povão apelidou de “faixa de gaza”. Até o Incrível Hulk já morou em favela aqui, poxa.
Nossas favelas e tiroteios entre bandidos e suas condições miseráveis de existência já quase ganharam Oscar com “Cidade de Deus”.
Na Rocinha tem até um hotel que é famoso por atrair turistas em busca de “emoções”. – Os caras dão uns tiros no meio da madruga por lá para manter o clima de “aventura”.
Outra coisa é que cada um dos demais países na disputa pelo seu lugar ao sol olímpico vai fazer A MESMÍSSIMA COISA. Sempre foi assim. Só um boçal da Folha de São Paulo para achar que o Rio tinha que mostrar as favelas. Não quer o sequestro relâmpago também não? Que tal o Microondas? Ou crianças sendo arrastadas pelo cinto de segurança pelas ruas?
Certamente, o jornalista, quando apresenta a mulher para alguém diz:

– Essa é minha patroa. Ela tem chulé, mau hálito e é fria feito uma tábua na cama. Ela até parece bonita, mas você tem que ver pelada, depois que ela tira essa argamassa da cara…

É isso aí. Para os caras da Folha de São Paulo, o que vale é a sinceridade.

No céu com o pé de fora.

March 31st, 2009 38 Comments

Eu queria compartilhar com vocês algumas informações sobre o governo Brasileiro. Vamos aos dados:

SALÁRIOS – Com benefícios e jeitinhos, 20% dos funcionários concursados do Senado, cerca de 700 pessoas recebem salários que ultrapassam os 25.000 reais mensais, ultrapassando os salários dos parlamentares, que é de 16.000 reais e ministros do governo, que ganham 10.000 reais, além do próprio Lula que ganha 11.000 e os ministros do Supremo, que abiscoitam 24.500 pratas todo mês.

Usando a simplória calculadora do windows chegamos ao valor anual (considerando que esses caras ganhem só o salário, coisa que não acontece) de 262.500.000 – DUZENTOS E SESSENTA E DOIS MILHÕES E QUINHENTOS MIL REAIS!

Essa galera tem algumas prerrogativas (o nome bonito do “faz-me rir”) confira:

REEMBOLSO MÉDICO - Não, meu chapa. Esquece o SUS, esquece hospital público. Essa galera trata tudo com particular e quem paga é você. O Senado mantém um serviço médico com TODAS (eu disse TODAS) as especialidades, mas quem PREFERE pode se tratar com médicos particulares e neste caso tem REEMBOLSO TOTAL das despesas. Em 2008 foram gastos com reembolso destas atividades nada menos que 59 milhões de reais!

Com este valor é possível construir quase 30 escolas* e beneficiar 53.358 crianças, mas este valor foi para o ralo porque funcionários do senado preferiram ir a médicos particulares a usar os especialistas já pagos pela “casa”.

*fonte

HORAS EXTRAS – Enquanto o pobre sofre na mão de patrão para ganhar as horas extras que lhes são de direito, o senado paga com idiossincrável prazer aos “amigos do rei”. O fato é que cada funcionário pode ganhar até 2.641,93 reais mensais em horas extras. Lógico que você sabe que ele vai receber isso até mesmo sem trabalhar, como foi em janeiro durante o recesso do Congresso, onde foram pagos 6,2 milhões de reais em horas extras a 3.883 fuincionários. Com o SEU dinheiro!

GRATIFICAÇÕES - A vida não estava boa o suficiente e alguém surgiu com a brilhante idéia de criar gratificações. Deste modo, o servidor que exerce função mais importante do que aquela para o qual foi contratado recebe gratificação que varia de 1600 a 4800 reais. A estimativa da direção da casa é que 90% dos concursados recebam alguma gratificação. Não precisa ser muito esperto para sacar que a massa dos apadrinhados entra pela janela através de concursos para cargos considerados “de nível baixo”, e logo que entram são deslocados de função via canetadas paternalistas e ainda mordem esta fatia aí. Todo mundo sabe como é que funciona, mas ninguém faz nada.

COMISSÕES E CONSELHOS – Você não acha que a galera vai parar por aí, acha? Pois é. Eles se embrenham em comissões e conselhos de tudo que é inutilidade. Amor à Pátria? Honra, justica e lealdade? Thundercats hoooo? Nada disso! Eles querem é o saco de dinheiro que podem ganhar com isso. Cerca de 400 funcionários ganham 2000 a 3000 reais por mês só para participar de comissões e conselhos internos, como os de reestruturação de cargos e salários (chamamos isso de botar o cachorro para vigiar a linguiça) além das comissções de preparação de concursos e de catalogação de obras de arte.

SALÁRIOS 2, a missão - O ano tem 12 meses. Mas as pessoas contratadas em regime CLT (cada vez menos) ganham também o décimo terceiro salário, que garante um caraminguázinho extra no fim do ano e é usado para aquecer a economia para o período de natal e festas, pintar o barraco, inteirar aquela estante das Casas Bahia, bem como juntar algum para a facada absurda que são as contas de janeiro e fevereiro. Com os ilustres senadores, não podia deixar de ser, né? Eles tem o décimo terceiro, afinal eles são filhos de Deus também. Até aí, nada de errado. O problema é que só 13 salários num ano de 12 meses não basta pra eles e por isso, eles tem também o 14 e 15 salários. É isso aí mesmo que você leu.  Os malucos ganham quinze saários ao ano, e o pior nem é isso. O pior é que como as gratificações são calculadas sobre o valor bruto do salário, por três meses eles recebem a gratificação em dobro.

QUINTOS – Pensava que acabou? Nada disso. Os caras não cansam e por isso surgiu o “quinto”. O Quinto acontece para funcionários do Senado que entraram até 2001 e incorporaram definitivamente ao salário-base (aquela dinheirama)  um quinto do valor das funções comissionadas que exerceram em cada ano. Isso só acontece após cinco anos de trabalho e dura uma década.

FESTA DA PRESENÇA - Não existe controle de presença dos funcionários. Isso possibilita uma verdadeira “ilha da fantasia” para os funcionários, que podem ir passear de jet ski na lagoa bem na hora do expediente se o sol estiver bom. E ninguém fica sabendo.

TRANSPARÊNCIA ZERO – Os holerites dos servidores só mostram o salário-base e as funções comissionadas. As Horas extras e gratificações não são incluídas (convenientemente) para que os furos no teto do funcionalismo não seja revelados.

Trocando em miúdos, cada um dos 81 senadores (só contabilizando os estrelões) consome TRINTA E TRÊS MILHÕES E OITOCENTOS MIL REAIS POR ANO.

Questionado sobre o que pensa do seu trabalho, um funcionário do senado disse:

“Aqui é igual ao céu, com a diferença que aqui a gente chega vivo.”

É… Cuspiram na nossa cara. De novo!

Fonte: Revista Veja edição 2.106 de 1 de abril de 2009 página 56

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