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Frente a frente com o Lobisomem
Ah, como eu gosto de lobisomens. Essas criaturas míticas e assustadoras, que falam diretamente aos medos mais profundos do ser humano. Nós não passamos de primatas de miolos grandes, e em algum lugar da profusão de sentimentos, pensamentos e instintos está gravado o medo do predador. è isso que nos faz sentir medo de escuro quando pequenos e é isso que faz um bebê chorar ao ver cães, ou qualquer outro bicho que tenha dentes grandes e garras à sua frente.
Pessoalmente, posso dizer que o mito do Lobisomem entrou na minha vida de modo sutil. Meu avô já contava suas histórias de fantasmas, como no dia em que ele deu carona a um casal que julgou ser fantasmas, ou no dia em que ouviu barulhos estranhos no quartel na época da Guerra. Meu avô sempre foi um bom contador de histórias, e seu domínio da atenção alheia foi um talento que persegui e tentei reproduzir ao longo da vida, e que de certa forma resultou neste blog. Meu avô tem uma aventura pessoal em que foi perseguido por uma espécie de cachorro gigante, preto, do tamanho entre um boi e um cavalo, que o seguiu em silêncio, na escuridão, até a porteira de uma fazenda, quando do nada, desapareceu sem emitir som. A figura daquela criatura assombrosa foi tema de muitos pesadelos em minha infância e da mesma maneira que causava espanto e repulsa, emitia um inebriante perfume de atração. No mito do lobisomem havia o mistério, havia o poder bestial e a horrenda transformação. Outro dia eu fui lá em Friburgo, onde encontrei os amigos da minha sogra. O pessoal lá mora numa localidade rural, onde plantam tomates e hortaliças diversas. É um lugar bem interessante e acho que já falei dele aqui antes. Lembra o condado dos Hobbits. As pessoas são extremamente amáveis e hospitaleiras, e sempre que vou lá tem briga entre as famílias para definir a casa em que eu vou dormir. Eu havia ido lá na casa do Dinho, onde estava rolando um churrascão. Conversa vai, conversa vem, eu e mais uns três reunidos na varanda, chegou um velhinho lá, que era amigo do Dinho. É engraçado que quando eu junto com este pessoal da roça eu viro o maior roçeiro de todos os tempos. Antes que eu possa perceber, estou falando do mesmo jeito que eles, contando causos e rindo bastante das histórias que eles contam. Um lance bem Rolando Boldrin. Pois não é que no meio do churrasco o Dinho – que acompanhou a minha saga pelo mato em busca da pele de um boi preto para usar no meu boneco do lobisomem, sabia que eu gostava do assunto. Apontou a faca de cortar carne para o coroa e disse: -Seu fulano (desculpe, não lembro o nome dele) diz aí pro Philipe do dia que o senhor lutou com o lobisomem. Então o velhinho deu um gole no refrigerante e começou a me contar uma história sensacional sobre como ele descobriu – e tentou matar – um lobisomem de verdade. Basicamente, enquanto fumava um cigarro e comia um pedaço de linguiça, o velho me contou que há muitos anos atrás, lá pelos idos de 1940, era recém casado, morando numa cidade do interior de Minas. Ele estava voltando tarde da noite para casa e estava quase chegando, quando seguindo a pé pela linha do trem, viu saltar uma “coisa preta” do mato ao lado da linha. A noite era de lua, mas as árvores do local atrapalhavam a ver o que estava ali. Era um breu fechado e não deu para determinar à distância o que era aquilo, mas ele percebeu que pelo tamanho não tinha como ser um cachorro. E nem gente. O velho, na época ainda jovem, parou e ficou ali, olhando a “coisa”, que também se manteve imóvel, a cerca de uns trinta metros. Ele gritou alguma coisa, para ver se havia resposta e não houve nada. Apenas o silêncio. Nem rosnado, nem mugido, nem tosse, nada. Ele disse que inicialmente pensou que era um bezerro ou mesmo um boi. Sentiu um arrepio, mas tentou se tranquilizar de que aquilo não era nada demais. Ele já havia escutado boatos de um lobisomem na cidade, e animais apareciam mortos constantemente, mas nunca acreditou naquilo, pois nunca havia lido nada sobre Lobisomens na Bíblia… “E se não está na Bíblia, não existe.” Ocorre que ele se tranquilizou mentalmente de que se tratava apenas de um boi e continuou a andar na direção da coisa, que permanecia imóvel na escuridão. O velho conta que após dar os primeiros passos, a “coisa preta” disparou rugindo como um leão na direção dele, e só assim ele percebeu que o troço não era um boi, mas sim o lobisomem que todos haviam comentado e do qual ele nunca acreditou. Sem perder tempo para ver em detalhes a criatura, ele me contou que não pensou duas vezes em disparar em correria, direto para a casa, que ficava na subida de uma colina, perto da linha do trem. O bicho correu atrás e ele viu que a criatura iria acabar alcançando ele. Então, o sujeito saltou por entre os arames farpados que separavam a linha do trem da estrada. Nisso ele acabou se machucando e – fazendo questão de me mostrar uma cicatriz – prosseguiu dizendo que rasgou o terno dele, que era do casamento. Largou o pedaço do terno para trás, e correu às cegas na direção da casa. Ele ouviu a criatura se debater no arame farpado. Ele contou que a criatura deu uma paulada no arame farpado com toda força, caindo por cima da cerca, arrando uns moirões e tudo. E daí ela soltou um urro que encheria de medo o coração do mais valente dos homens na face da Terra. Nisso, ele havia conseguido uma preciosa vantagem e estava prestes a entrar em casa. Enquanto corria, ia gritando a plenos pulmões para a mulher abrir a porta. A esposa dele abriu a porta e viu também o bicho, chegando no encalço do marido. O velho saltou para dentro da casa e a mulher dele bateu a porta com violência. Eles colocavam a barra de ferro que funcionava como tranca quando um estampido seco atingiu a porta. Ele disse que pensou que a casa ia cair tamanha a pancada que o bicho deu na porta. Ainda ficou ali gritando e urrando desesperado. O Casal puxou a mesa da sala e colocaram calços nas portas. Trancaram-se no quarto, abraçados e com medo até que dormiram. No dia seguinte, quando as primeiras luzes do sol iluminaram as redondezas ele disse que não havia sinal do bicho além de uma bela poça de sangue na varanda e na volta da casa. Viu algumas marcas na areia, mas nada que indicasse exatamente o que era aquilo. Quem realmente viu e confirmou em detalhes que era um lobisomem preto com grandes dentes brancos foi a esposa, que viu rapidamente o monstro, subindo desajeitadamente a colina, ao correr atrás do marido. Tempos depois, ele passou a desconfiar do lobisomem. Ele e os amigos do trabalho tinham um grupo que jogavam purrinha numa venda nas proximidades e havia um sujeito lá que sempre voltava pra casa cedo. O cara era sempre o primeiro a voltar para casa e todos achavam aquilo estranho. Como se não bastasse, ele era solteiro e não tinha irmãos. Assim, não havia motivos claros para que ele voltasse para casa cedo. O tal homem era um primor de educação e se dizia viajante. Conhecia muitos lugares e citava muitas pessoas nas conversas. Mas era reservado com relação à sua vida pessoal. Este homem começou a jogar purrinha apresentado por um outro, também viajante, que o trouxera para a cidade. Depois do episódio com a criatura na estrada, meu amigo do churrasco contou que começou a desconfiar cada vez mais daquele sujeito. Um dia resolveu testar sua desconfiança, segurando-o num jogo de poker. O Sujeito jogava bem, ele disse, mas ao badalar das nove horas (achei isso peculiar, pois a mitologia do lobisomem geralmente coloca a transformação na meia noite) , disse que o cara desatou a suar em bicas, molhando a camisa. Assim que bateu as nove horas o sujeito fez de tudo para interromper o jogo. Ele foi ficando mais e mais nervoso até abandonar a partida alegando que estava sentindo cólicas intestinais. Aquilo deixou o coroa bastante cabreiro. Desde o encontro na linha do trem com o dito cujo, ele resolveu caçar o monstro a qualquer preço. Ele estava determinado e finalmente traçou um plano em conjunto com os amigos de purrinha para testemunhar a transformação do viajante na besta mitológica. Um tempo depois, eles reuniam-se na venda para jogar quando chegou, lá pelas seis, o tal viajante cujo nome ele me disse na ocasião, mas não lembro mais. O cara chegou e desataram a jogar. Sem que o viajante soubesse, meu amigo coroa tinha um revolver na cintura, escondido sob a camisa. O tempo foi passando e eles proseando, bebendo, e fumando. Jogaram dados, purrinha e cartas até que deu as nove horas e o cara disse que ia embora. Pagou a conta ao dono da venda. Enquanto estava de costas, o velho fez um sinal para os amigos. Ele já ia saindo quando os dois amigos do velho o seguraram e o sentaram numa cadeira. O velho sacou a arma e apontou bem na cara do sujeito. -Agora você vai ficar aqui com a gente até a meia noite. – Disse ele segurando o revólver. O cara se desesperou. Ele me disse que nunca viu alguém ficar em tamanho pânico na vida. O cara começou a suar e dali a minutos estava empapado, respirando com muita dificuldade, como se tivesse asma. Era noite de lua cheia. Eles mantiveram o sujeito, mas ele foi ficando mais e mais agitado. A medida em que o tempo passava ele ia se tornando agressivo. Já não era mais o homem erudito, de aparência frágil e doente. Ele agora era um sujeito em Pânico, com os olhos amarelados, arregalados e suando muito. A voz baixa e os gestos contidos deram lugar aos gritos. Começou a gritar e se debater de modo que os homens pensaram em amarrá-lo na cadeira. Mas isso não foi possível, pois ele estava tão transtornado que lutou contra os homens da venda e tinha tamanha força que atirou um deles lá na rua. Em seguida atropelou os que estavam na frente,incluindo o velho, o único que estava armado, que temendo acertar “alguém de bem” não puxou o gatilho. O sujeito saltou para a rua e correu para um lado mais escuro, atravessando uma praça e saltando para um terreno baldio, de onde não mais saiu. Naquela mesma noite numa fazenda das proximidades, os corpos de animais foram encontrados. O sujeito nunca mais deu as caras por lá, e após meses buscando notícias, o velho descobriu que ele havia se mudado para outra cidade, nas proximidades de Araxá (este lugar eu guardei porque era lá que se passava Dona Beija). Algo que o fez ter certeza que o vajante era mesmo o lobisomem é que tão logo o cara saiu da cidade, as mortes de animais e o desaparecimento de pessoas pararam. Ele me disse que organizou uma viagem para “caçar o lobisomem”, mas chegando lá o sujeito havia sumido. De acordo com um primo dele de segundo grau, o viajante morreu. Ele teria sido baleado por um fazendeiro quando atacava suas criações. Atngido a tiros ainda no estado de monstro, correu para uma mata, onde dias depois o corpo do viajante foi encontrado, em estado putrefato. Em todo o tempo que me contou esta impressionante história, o velho pareceu totalmente sério, não dando nenhum indício de que estava inventando. O Dinho, meu amigo, também escutou e pelo que me disse a história dele era bem conhecida, pois ele contava a todo mundo do dia que enfrentou o lobisomem. Obviamente que apenas com um relato de um velho roceiro de uns 80 anos não dá pra dizer se foi um fato real ou não. Ele pode ter sido atacado por uma onça, e ameaçou de morte um sujeito doente, talvez até esquizofrênico; mas é fato concreto que histórias de lobisomens são sempre maravilhosas e deliciosas de se escutar e ler. Elas são muito antigas e os estudos que buscam a genealogia deste mito apontam para a grécia. Nos mitos gregos existe um em que Licoan, o rei da Arcádia tentou matar a Zeus, que era seu hóspede por uma noite. O Deus castigou-o dando a ele uma forma vulpina. A lenda grega pegou carona com os romanos, onde ganhou força para se difundir entre os povos dominados, estendendo-se até os confins do Império, atingindo também os bárbaros do norte. Foram os romanos que criaram os festivais dedicados aos lobos, chamados Lupercais. Nestes festivais pessoas vestiam peles de lobo e corriam seminus, sujos de sangue de animais oferecidos aos deuses. Eles corriam pelas ruas, assustando e açoitando os transeuntes. Os lupercais realizavam-se no dia 15 de fevereiro, e eram uma espécie de ritual de purificação. Como era de se esperar, isso acabava em orgia. As mulheres corriam aos lupercais em busca de pancadas (e talvez algo mais), pois acreditava-se isso afastava a esterilidade e os partos seguiam a contento. Só no ano 494 depois de Cristo que os lupercais foram batizados de “festa da Purificação” com o passar do tempo a tradição foi se perdendo até sumir. Mas a força do mito do humano que vira lobo continuou e se espalhou mais e mais pelo mundo. Falando nisso, vem aí um filme que me pareceu bom a primeira vista (trailer) que trata da lenda do lobisomem. E aproveitando o ensejo, aqui está outra dica. Esta pra quem curte ler: Meu amigão Rafael Trovão escreveu um ótimo livro sobre um garoto que é atacado por um lobisomem em plena cidade de São Paulo.
Menina arrasta cinco vans usando os dentes
Uma pessoa puxar um veículo usando os dentes já é bizarro. Imagina cinco? E por dez metros! E imagina isso feito por uma MENINA!
Pois foi isso que aconteceu na Índia. O recorde foi obtido por uma menina de 16 anos chamada Apsara durante um evento com o estranho nome de “99999 lights out”. O evento foi organizado pela escola da menina e por uma organização sem fins lucrativos que trabalha para a divulgação de dados relacionados ao aquecimento global. Durante o evento, Apsara sozinha mordeu duas cordas amarradas a um comboio de cinco vans e arrastou o conjunto por uma distância de dez metros. Eu também gostaria de saber o que isso tem a ver com o aquecimento global, mas não deixa de ser um recorde absolutamente bizarro. Com o recorde, a menina gravou seu nome no Guiness Book of records. A tal 99999 lights out é um evento que promove uma campanha para que as pessoas desliguem as luzes por 9 minutos às nove horas do nono dia no nono mês do nono ano deste século.
Lobisomem morto no Brasil? BIZARRO!
Olha o naipe da criatura hedionda. Não consegui mais dados além da notícia abaixo. Não aconselho acreditar logo de cara já que isso pode ser mais um hoax. Vou investigar.
Última forma: Eu dei uma pesquisada neste assunto ontem a noite e pelo que parece é uma papagaiada desse site Acredite se quiser.net, que tá cheio de mentiras. A única referência ao assunto vem deste site, o que indica que foi inventada lá. A foto é com quase certeza absoluta de um chimpanzé morto com a cabeça voltada para trás. Nosso leitor Julio de Manaus entrou em contato com amigos da cidade de onde o site que imita deslavadamente o Weekly Daily News afirma ter vindo o bicho e ao que parece ninguém sabe de nada bizarro ocorrido lá.
Boneco – Lobisomem Sinistro Parte IV
Olá pessoal. Aqui estou eu novamente com a quarta e última parte do passo-a-passo da construção do boneco “Lobisomem Sinistro”. Se você chegou agora, não se preocupe. Clique aqui e acompanhe a parte I. Para ver a parte II, clique aqui, e para ver a III clique aqui. Só lembrando que devido a alta quantidade de imagens eu vou usar o clássico “leia mais” e vou hospedar as imagens no Photobucket, o que vai obrigar quem não conseguir visualizá-las a usar nossa gambiarra: Clique aqui e depois entre com o endereço www.mundogump.com.br no campo lá e pronto. Elas deverão aparecer. Bom, conforme vimos na parte I, eu resolvi esculpir um boneco de um lobisomem. Estruturei e comecei a esculpir. Na parte II vimos a blocagem dos músculos, a cabeça, a criação do detalhamento e acabamento da pele e tal na parte III eu assei o boneco no forno e pintei. Agora na parte IV eu vou dar o acabamento no boneco já pintado. A peça está quase pronta. Só falta colocar os pêlos que recobrem o boneco. Esta parte é crucial para o projeto, porque ele foi concebido justamente para testar a técnica de aplicar pelos num boneco. Inicialmente eu planejava colocar pêlos de coelho no lobisomem. Depois de peregrinar pelo centro do Rio (saara) em busca de pêlos, eu finalmente encontrei um lugar que vendia isso. è uma loja que fica na Rua da Conceição, perto da esquina com a Senhor dos Passos. A loja chama-se “Casa da pelúcia” ou algo assim. Fica no numero 19. Lá, eu descobri que esta loja vende até cabelo humano! Se você quer fazer uma roupa de chewbacca é lá que tem que procurar. Tem pelúcia de todos os tipos, cores e tamanhos que você puder imaginar. Bem legal, apesar de ser espremida e tumultuada. Eu dei azar de ir lá na véspera do carnaval, quando a loja tem o maior movimento. Bom, eu descobri que lá tem o pelo de coelho, mas era caro pra dedéu. As conclusões que eu tirei a partir disso foram: Só tem duas peles de coelho na loja e são caras demais para o que eu quero, que é fazer teste: 39 reais cada. (por este preço eu compro três coelhos, minha vó mata eles e cozinha, eu como, ela seca a pele, me dá e ainda sobra uma grana pra comprar a sobremesa!) De qualquer forma é lá que tem. De volta ao lobisomem: Como o pelo de bicho de verdade era caro demais, resolvi dar uma chance ao destino e comprei um pedaço de pelúcia mista. Até que engana bem, saca só:
Isso tem quase um metro e me custou 8 reais. Boneco -Lobisomem Sinistro Parte III
Olá galera. Aqui estou eu novamente com a terceira parte do passo-a-passo da construção do boneco “Lobisomem Sinistro”. Se você chegou agora, não se preocupe. Clique aqui e acompanhe a parte I. Para ver a parte II, clique aqui. Só lembrando que devido a alta quantidade de imagens eu vou usar o clássico “leia mais” e vou hospedar as imagens no Photobucket, o que vai obrigar quem não conseguir visualizá-las a usar nossa gambiarra: Clique aqui e depois entre com o endereço www.mundogump.com.br no campo lá e pronto. Elas deverão aparecer. Bom, conforme vimos na parte I, eu resolvi esculpir um boneco de um lobisomem. Estruturei e comecei a esculpir. Na parte II vimos a blocagem dos músculos, a cabeça, a criação do detalhamento e acabamento da pele e tal. Agora na parte III, eu começo colocando o boneco no forno para assar. A polyclay, o material do que é feito o lobo, é um tipo de massa que parece massinha e praticamente não seca. mas quando você está satisfeito com sua peça e quer imortalizar ela, você apenas coloca o boneco no forno da sua casa e ele assa, ficando um boneco de um plástico bem duro e bastante leve. Bom, aqui está nosso amigo lobo entrando na sauna.
Depois de um tempo que não sei dizer quanto foi, porque estava distraído ( eu fico assistindo o boneco assar. Geralmente sei que ele está bom porque certas extremidades como as pontas dos dedos e orelha começam a escurecer) e não marquei o tempo. Boneco – Lobisomem Sinistro parte II
Olá pessoal, aqui estamos nós dando continuidade ao lobisomem sinistro. Se você não viu a primeira parte, clique aqui e veja na ordem que é bem mais legal. Mas se você já acompanhou aqui o processo de construção do modelo na parte I, espero que goste da parte II, já que me deu um trabalho do cacete, hehehe. Antes de começar quero lembrar os leitores que posts com muitas imagens como este, me obrigam a usar o recurso do “leia mais”, para não ferrar de vez com o download da pagina pra quem tem conexão mais lenta (que é um problema que vem se reduzindo rapidamente no Brasil). Outra coisa, o alto volume de imagens me impede de hospedá-las manualmente, o que me obriga a enviá-las em lote para o photobucket. Isso implica no fato de que alguns leitores em sistemas corporativos podem não conseguir ver todas as imagens porque o firewall bloqueia as mesmas (por algum motivo besta, já que imagem não pode estragar sua maquina) a menos que usem um recurso de tunnel. Se for este seu caso, clique aqui e preencha o campo de busca com www.mundogump.com.br e então as imagens deverão abrir. Bom, na parte um eu fiz o crânio, os dentes, a estrutura metálica que suporta a massa e cobri com durepoxi. Nesta etapa agora eu começo a construir de fato o lobisomem. Esculpir é meio que uma caixinha de surpresas. Eu nunca sei se vai dar certo ou não e a sombra do fracasso sempre ronda meu processo de trabalho. Isso é natural, até porque com pouco tempo, e por afobação, eu acabo correndo e “colocando o carro na frente dos bois”. Músculos Digo isso porque logo que comecei a fazer a peça, pensei em reproduzir o mais fielmente possível o modelo do conceito, mas a medida em que coloquei massa e mais massa para fazer aquele físico do Hulk, comecei a achar a peça meio falsa. O que estava funcionando bem no concept mostrou a não dar muito certo na minha criação 3d. O tórax do monstro tava gigante. Ele tava batatudo demais para pernas finas. Quase que como o Faustão. Resolvi dar um passo atrás e retirei um montão de massa daquele tórax. Fiz isso porque entre seguir fielmente o concept e a peça ficar feia e deixar rolar e ela ficar melhor, eu optei pela segunda opção. O meu objetivo passou a ser “um lobisomem sinistro” e não “aquele” lobisomem sinistro em específico, que parecia o incrível hulk com cinturinha de pilão. O primeiro passo foi usar super sculpey para ir blocando a estrutura muscular básica.
Clique ali no leia mais para continuar a carregar as quase 50 imagens desse passo-a-passo.
Boneco – Lobisomem sinistro – Parte I
O Fabio Sousa me perguntou cadê os posts de modelagem. Só então eu caí na real de que tinha abandonado esse segmento do Mundo Gump desde o fim da promoção do boneco do John Locke. Pois bem, aqui está um post de boneco. eu vou colocando os updates a medida em que for terminando as fases, já que não sei quanto tempo vai levar até este ficar pronto. Estou fazendo ele nas poucas – na verdade, ridículamente escassas – horas livres que já estão ocupadas com o livro do Mundo Gump e a finalização de um outro boneco comissionado que eu ainda não posso mostrar. Eu ia fazer o Forrest no Banquinho, mas por falta de “investidores” para apoiar ($!) a idéia, desisti e resolvi optar por um boneco que propuzesse algum desafio em termos de novas técnicas de produção. Foi quando me ocorreu a idéia do Lobisomem sinistro. Basicamente, este aqui:
Maneirão, né? Esta vai ser uma peça única. Não é pensada para ser duplicada. É apenas um boneco para testar idéias e consolidar algumas técnicas novas sobre a construção de bonecos conceituais. Bom, como sempre, tudo começa com a base. Sem a base, a gente não tem onde fazer a peça, certo? Não dá pra esculpir “no ar”. A escultura é um processo em etapas que começa na escolha do material. Como este boneco em específico é um experimento, eu não estou absolutamente certo do material final, que poderá ser polyclay mesmo ou epoxi. Provavelmente, será uma solução mista. Então a base eu compro numa loja que vende peças de MDF e caixinhas de artesanato lá no Saara. Fica na rua Senhor dos Passos. Não lembro o número.
Eu compro esta base (que não é muito cara, mas também não é muito barata) e tem que escolher bem. O segredo da escolha da base está em ser leve e clara. Esqueça as bases pesadas e escuras. Elas contém um tipo de seiva de pinho que quando você assa começa a “minar” da peça, gerando um fedor medonho de resina. Se pingar no fogão, meu chapa… Joga ele fora, porque não tem mais jeito. Bem, como de costume (vide tutoriais do Yoda, do Goblin e do robô) eu perfuro a base em dois pontos escolhidos “no olhômetro”, uma tecnologia altamente desenvolvida aqui por essas nossas bandas. Após perfurar, eu uso o disco de corte da minha mini-retífica para ligar um buraco ao outro. Isso é bom, pq quando eu passar o arame, ele vai encaixar neste corte, não deixando a base bamba ou em desnível. Em seguida, pego o arame de aço zincado 1,66mm e corto um pedação grande de 1,5m. Enfio uma ponta por baixo da base e a outra ponta no outro buraco, de modo que ambas saiam em cima. Na parte debaixo da base eu pego um discreto porrete (um martelo) e dou umas boas batidas para encaixar o arame certinho no corte que eu fiz. Depois disso eu uno os arames mais ou menos na altura que acho que dá pra ser a pélvis do boneco. (note que eu não sou muito cientificista na questão da modelagem. Salvo as vezes em que o cliente determina tamanho e etc, eu meço meio de olho e raramente dá errado.) dobro os arames em um pequeno “bololô” (nossa, termo altamente profissional!) para fazer a bacia e dali eu subo com eles entrelaçando para fazer a coluna vertebral.
Uma vez um aluno me perguntou por que eu não uso o método do John Brown de esculpir, colocando um cano e uma estrutura de sustentação por fora da peça, aparafusada na base. A explicação para isso não existe. Eu poderia fazer assim, caso fosse necessário. Porém, aquele trambolho atrás atrapalha um pouco. E pega mal o boneco lá todo fortão, todo ignorante e um solene cano de ferro entrando pelo fiofó dele. Por mais másculo que o boneco seja, não tem como não passar desapercebido aquele canão. Além do mais, isso é anti-natural, já que se eu estruturo meu boneco de dentro para fora, eu estou seguindo o processo natural de sustentação da peça. Isso implica numa questão básica que é a Física. O boneco está sujeito às leis da gravidade como no mundo real. Se ele não estiver corretamente estruturado, ele despenca. Porém, eu sei que o boneco depois de assado vai ficar ali firme e forte. Já pelo método da estruturação externa, ele pode estar numa pose que provoque uma sobrecarga de peso sobre uma determinada área, que por não saber do efeito da gravidade durante a construção, eu ignoro. Assim, o meu boneco ficará mais sujeito a problemas como quebrar e rachar do que se eu fizer ele já estruturado por dentro. Agoram lógico que é mais fácil. Depende também o material. Se for usar clay, que é um material pesado pra desgraçar, aí não tem muito jeito. Ou você começa a soldar vergalhão de aço ou arruma um santo muito bom pra fazer o “milagre da sustentação” pra você. Fazer a peça assim, sustentada por “ossos metálicos” me dá muito mais trabalho que apenas enfiar o cano no rabo dele, ligando na coluna, mas para peças médias e pequenas de polyclay (que é ultra-leve) eu acho melhor. É mais uma questão de gosto pessoal. Bom, feito o esqueleto, o segundo passo é colocar massa epoxi sobre ele para ajudar a firmar e dar volume, já que o durepoxi é mais barato que a polyclay. Outra coisa que eu uso eventualmente para dar volume, reduzir peso e ajudar a assar a peça de dentro pra fora é papel alumínio amassado. Neste caso eu coloquei mais para ter uma idéia dos volumes. Mas depois eu tirei e fiz a estrutura base toda em epoxi mesmo.
Enquanto a peça secava eu me dediquei a trabalhar na parte da cabeça. Para construir este lobisomem, eu resolvi fazer o esqueleto do crânio dele e ir colocando os músculos depois, camada a camada, como numa reconstituição forense. Então o primeiro passo é construir o crânio. Usei referências de fotos de crânios de lobo para me guiar no processo.
Não é importante que fique exatamente -ultra-mega-power igual ao crânio de osso, mas é importante que tenha as formas globais corretas, como a dimensão do fucinho, da maxila, etc.Eu modelei a peça da cabeça rápido e depois comecei a pesquisar – o que eu realmente queria fazer com o lobisomem – um jeito de fazer os dentes o mais realista possível. Ok, dá pra fazer os dentes de massa e pintar eles de branco. Mas algo nisso me incomoda. Não fica realista. O dente tem uma característica de transmissão da luz. Um efeito que o pessoal que mexe com 3d mais profundamente chama de subsurface scattering, que é a capacidade da luz atravessar o objeto. Um dente de massa pintado de branco perde isso e degrada o senso de realismo. Então, já que eu queria dente realista, eu fui atrás de um jeito de fazer isso. E o melhor jeito de fazer dentes realistas é fazer como fazem os dentistas. Usando material de protético. Eu fui numa dental (dental é o tipo de loja que vende produtos para dentistas trabalharem) e comprei o seguinte: Resina auto- polimerizável nas cores branco dente -62, incolor e rosa gengiva. Vamos entender o que é a resina auto-polimerizável:
Basicamente é um pó muito fino ( o pó mais fino que eu já vi. Ele é tão fino que se comporta como um líquido. Parece toner.) que é composto de Polímero de metil-metacrilato, ou resina acrílica. O pó é proveniente do “líquido acrílico” que por um processo de polimerização por suspensão se transforma em “pó”.Essa transformação se faz com auxílio de reatores em que é colocado o “líquido acrílico” previamente preparado, e por meio de agitação e calor se polimeriza. Separado por uma centrífuga do meio auxiliar, o “pó” é secado em estufas e peneirado em granulações apropriadas para as diversas aplicações a que se destina.
Há também um líquido de odor muito desagradável, que é a parte líquida da combinação. O nome do líquido é Monômero de metil metacrilato, que nada mais é que um produto composto de acetona, ácido cianídrico e álcool metílico. Parece simples, não?! Existe desde antes da guerra de 39, mas sua produção só se iniciou no Brasil após 1973, em Aratú (Bahia), no complexo petroquímico da Metacríl. O líquido acrílico exposto ao calor e à luz tende a endurecer (polimerizar). Para evitar isto e poder estocá-lo, adiciona-se um inibidor, que pode ser Hidroquinona, Metil Éter de Hidroquinona ou Topanol. Para evitar o efeito da luz e do calor eles devem ser embalados em frascos âmbar e guardados em lugares frescos. Ele é muito inflamável, portanto longe das chamas! Em seguida peguei um disco de corte diamantado e usei na retífica para corrigir as imperfeições dos dentes. Depois usei um disco emborrachado para polimento e finalizei com uma escova de nylon com pasta de dente (muito engraçado eu escovando os dentes do bicho) em rotação máxima. A sensação de realismo da gengiva e dentes de resina autopolimerizável me surpreendeu. eu sabia que ia ficar legal, mas ficou bem melhor que eu esperava. Parece dente mesmo. Ao vivo é mais maneiro.
Repare na minha unha de pedreiro! (durepoxi é foda!) O próximo passo envolvia a segunda experiência dessa peça, que era obter um “olho” de melhor qualidade, já que os olhos modelados e pintados em massa estavam bem abaixo da qualidade de realismo que eu queria. Com este olho eu criei este mapa:
Com este mapa de textura eu imprimi na escala 1:1, ou seja, 4mm cada iris usando resolução fotografica. Cortei cuidadosamente com uma tesourinha de unha e colei na área planificada da esfera.
O verniz vidro da Acrilex é na verdade uma resina. Não é verniz. eles colocam a palavra verniz para ludibrirar os trouxas. Aquilo na verdade é uma resina epoxi cristal bi-componente de altíssimo brilho. Imagina vidro deretido? POis é. Esse material é igualzinho. Custa caro, quase 20 reais a caixinha com os componentes, mas vale cada centavo.
Vai pingar uma gota cremosa deles e vai ficar escorrendo um pouco, mas mantendo eles de cabeça para baixo, em breve se formará uma espécie de lente – igualzinho o cristalino do olho.
Tem que esperar secar completamente para poder colocar o olho no boneco. O material tem que secar na sombra. Não pode pegar luz UV , senão amarela. Leva 72horas para os olhinhos secarem completamente. Nesse meio tempo, eles vão ficar aqui.Por enquanto é isso. |
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