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Casa de isopor poderia ser solução para alocar desabrigados

Milhares de desabrigados pela chuva e por desastres naturais diversos poderiam ser rapidamente realocados através do uso de casas feitas de isopor. Estas casas são criadas usando grandes fôrmas. Seu peso leve e sua rapidez de instalação permitiria alocar milhares de sobreviventes de catástrofes naturais, como no caso das chuvas do Rio, furacões dos EUA ou do terremoto do Haiti.

dome 4 Casa de isopor poderia ser solução para alocar desabrigados
dome 2 Casa de isopor poderia ser solução para alocar desabrigados

dome 8 Casa de isopor poderia ser solução para alocar desabrigados

As casas são modulares e podem atender a diversos tamanhos de família. A ideia é oferecer um tipo de residência que seja rapidamente implantada, para atender demandas emergenciais. Elas abrigariam as pessoas e famílias com o mínimo de dignidade no menor tempo possível. Após o período emergencial, as casas podem ser desmontadas e armazenadas em depósitos governamentais, para serem usadas em situações de emergência.
O interior é incrivelmente amplo. As paredes de isopor tem espessura de 17cm. Isso garante a conservação do calor e evita que a casa esquente sob o sol inclemente ou sob frio intenso.
Uma única casa pesa apenas 79kg.
As casas de isopor podem receber uma cobertura de material especial parecido com cimento, o que aumenta muito a durabilidade delas. Cobertas, elas podem durar indefinidamente.domehomes Casa de isopor poderia ser solução para alocar desabrigados
Elas são produzidas no japão por esta empresa.
Acho que seria uma boa se o governo investisse alguma grana neste tipo de projeto, pois isso é DE FATO uma ajuda humanitária que pode servir tanto para o Brasil quanto para países em crise.

Aqui tem um video que mostra o processo de construção, com apenas três pessoas. Em apenas um dia ela está pronta para receber os moradores.

Neste video a japinha faz uma visita ao condomínio. Confira o tamanhão que é o interior da casa.

Mundo Gump em destaque do G1

Estou feliz em compartilhar com vocês a excelente matéria do G1 que conta um pouco da trajetória de sucesso do Mundo Gump. Clique na imagem para ver maior

noticiafeliz Mundo Gump em destaque do G1

noticiafeliz2 Mundo Gump em destaque do G1fonte

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Os melhores filmes da Segunda Guerra mundial

Um tipo de gênero de filme que eu curto é o de guerra. Especialmente os da Segunda Guerra. Nada contra filmes no Iraque ou no Vietnã. Eu também gostos desses aí, mas de longe, eu prefiro muito os filmes da Segunda Guerra. Como o período da segunda grande guerra durou muitos anos, envolveu muitos países, existem histórias fenomenais, tanto inventadas como reais que se passaram neste tempo. Há uma infinidade de temas e subtemas, há o genocídio, a simbologia da suástica, os campos de concentração, os heróis, os vilões, o clima, a tecnologia ainda precária, o combate corpo-a-corpo e sem falar nas figuras históricas como Churchill, General Patton e Hitler.

Eu resolvi fazer uma lista de filmes de guerra, mas esta lista não é exatamente sobre filmes de guerra, e sim filmes do período. Dessa forma, vale até Indiana Jones. Esta lista, como as outras que costumo sempre fazer aqui no blog, não está ordenada por preferência, e é certo que esquecerei de algum, certamente de muitos. (a lista não inclui documentários, pois existem centenas deles) Vamos à lista:
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Poster com 425 personagens de videogames

Se você joga videogame, certamente já terá topado com algum destes aqui na sua vida. Este super poster contém nada menos que 425 personagens, de 375 games diferentes. Maneiro para imprimir e botar na parede do seu quarto.

4ykl9 Poster com 425 personagens de videogamesclique na imagem para ver em tamanho original

Para imprimir isso na forma de poster é fácil. Pegue o arquivo e salve num pen drive. Depois vá até um bureau de impressão, e diga que quer fazer um poster. Geralmente não sai muito caro. Essas empresas imprimem em rolos de papel de tudo que é tamanho. Dá pra cobrir até uma parede se você quiser, mas como a resolução não é lá essas coisas, acho que só ficaria bom em poster mesmo.  Agora se você tá duro mas mesmo assim gostaria de ter isso na sua parede, uma dica que eu já havia falado aqui é usar um programa que converte qualquer imagem em poster. Ele divide a imagem em folhas de papel A4 que são impressas na sua impressora caseira em forma numerada. Aí é só pegar tesoura e cola e montar seguindo a numeração.

Olhando essa mutueira de personagem, dá pra ter uma ideia da quantidade absurda de jogos de videogame já produzidos. É praticamente impossível mensurar quantos jogos já foram feitos, mas pelo que eu pesquisei, o numero de consoles já criados é igualmente impressionante.

Quantos videogames existem?

Num levantamento básico, desde a criação do videogame, em 1958, na primeira geração de videogames, mais a segunda geração, o numero de consoles oficiais chegou a 23 tipos. (não contando os arcades)

Na terceira geração, na década de 80 foram lançados mais 15 consoles. A quarta geração começa com o Playstation e vai até 1998. Nesse período saem mais 19 consoles diferentes.

Em 1998, enquanto a quinta geração estava terminando e a sexta estava começando, foram produzidos 19 consoles (seria 21, mas 3 consoles que foram feitos durante a sexta geração foram feitos somente lá no Japão).

Então começa a “guerra dos consoles” quando a Micro$oft entrou na briga pelo seu lugar ao sol.

Deste período até hoje, embora a massa dotasse poucos consoles, um total de 11 aparelhos diferentes foram lançados, sendo que mais três foram sucesso antigos (ou fracassos) sendo relançados. Ao que parece, desde a primeira geração até agora foram 101 aparelhos disputando o mercado, mas este número não leva em conta os aparelhos xingling. Em sua maioria, similares segunda e terceira geração que são criados para atender a classe baixa e países pobres. Se levarmos em conta os videogames “genéricos” o numero poderia ficar entre 9000 e 3000 aparelhos diferentes.
Impressionante, né?

É isso aí. Espero que gostem desses personagens de videogame. Eu que achava que entendia de videogame, me deparei com vários que nem faço ideia de que game são.

Dica do Hugo

Em busca de um namorado

Esta simpática garota da China, Zhang Mengqian, estava em busca de um romance para sua vida.

lookingfora64001 Em busca de um namoradoEla resolveu que não adiantava ficar batendo cabeça em baladas e resolveu procurar por um namorado. Então escreveu um bilhete dizendo que estava em busca de um namorado e pregou no mural da faculdade, marcando um encontro com os possíveis pretendentes no térreo do dormitório da faculdade:

lookingfora64003 Em busca de um namorado

No dia marcado, a menina foi até a janela esperando ver se alguém havia se interessado por ela. Infelizmente…

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Equações textuais

Olha só para esta equação. Você consegue decifrar o que está escrito nela?

equao Equações textuais

A resposta está aqui em baixo:

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Ganhar prêmios tirando fotos é fácil!

Um amigo me deu uma dica legal que eu repasso a vocês:
A empresa Nagem, que é um atacado de tecnologia criou uma promoção que vai dar prêmios para as melhores fotos tiradas pelos leitores!
Esta promoção da Nagem é tradicional e está na sua quarta edição. O concurso vai selecionar as 12 fotos que vão compor seu calendário. O mote desse ano são fotos de praia e subaquáticas. Os prêmios para os vencedores são legais. Saca só:

- 1º lugar: 01 (um) NOTEBOOK COMPAQ/HP CQ40-312, 01 (uma) CÂMERA DIGITAL SAMSUNG 12MP EC-ST50Z e 01 (uma) IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL WI-FI HP C4780W.00760239 1g Ganhar prêmios tirando fotos é fácil!

108352809 1GG Ganhar prêmios tirando fotos é fácil!

hp c4780 Ganhar prêmios tirando fotos é fácil!

- 2º lugar: 1 (um) NOTEBOOK COMPAQ/HP CQ40-312 e 1 (uma) CÂMERA DIGITAL SAMSUNG 9MP PL10ZRVP

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108352809 1GG Ganhar prêmios tirando fotos é fácil!

3º lugar: 01 (uma) CÂMERA DIGITAL SAMSUNG 9MP PL10ZRVP e 01 (um) MULTIFUNCIONAL WI-FI HP C4780W

108352809 1GG Ganhar prêmios tirando fotos é fácil!

hp c4780 Ganhar prêmios tirando fotos é fácil!

- Do 4º ao 12º lugar: (01) um pen drive de 8GB MULTILASER.

21643418 2 26912653446 Ganhar prêmios tirando fotos é fácil!

Se amarrou? Então tenta que não custa nada. Lembre-se que eu me arrisquei na promoção da Hp e levei o notebook pra casa. Se dá certo comigo pode dar com você. Escolha aquela foto mais maneira que você tirou nas férias e mande.

Como fotos subaquáticas são mais difíceis, isso pode ser um filão. Pegue sua câmera, meta num saco plástico estanque e dê um tibum na praia com os amigos.

Aqui está o link para inscrever suas fotos. Manda bala!

DICA: As fotos que participarão do concurso deverão ser digitais, coloridas, ter no mínimo 10cmx15cm (formato horizontal), 300 dpi, e ser em formato JPG com tamanho lógico máximo de 5 Mb.

Nada de pessoas! Segundo o regulamento, “as fotos de praias e imagens subaquáticas encaminhadas para este concurso não poderão conter a presença de pessoas, sob pena de desclassificação.”

Não vale foto de outras pessoas, nem fotos escaneadas ou interpoladas ou manipuladas digitalmente, ok? Nada de cheating.

Frente a frente com o Lobisomem

Ah, como eu gosto de lobisomens. Essas criaturas míticas e assustadoras, que falam diretamente aos medos mais profundos do ser humano. Nós não passamos de primatas de miolos grandes, e em algum lugar da profusão de sentimentos, pensamentos e instintos está gravado o medo do predador. è isso que nos faz sentir medo de escuro quando pequenos e é isso que faz um bebê chorar ao ver cães, ou qualquer outro bicho que tenha dentes grandes e garras à sua frente.
Segundo Luis da Cãmara Cascudo, o mitólogo que analisou detalhadamente a origem dos mitos folcloricos brasileiros, o Lobisomem é um dos mitos importados da Europa ainda no período Colonial.
Câmara Cascudo diz que:

O lobisomem nos foi trazido pelo colono europeu. Está em todos os países e épocas, com histórias espelhadas, sob nomes vários, registrado nos livros eruditos. É um dos mitos mais complexos e escuros pela ancianidade e divisão local.

Pessoalmente, posso dizer que o mito do Lobisomem entrou na minha vida de modo sutil. Meu avô já contava suas histórias de fantasmas, como no dia em que ele deu carona a um casal que julgou ser fantasmas, ou no dia em que ouviu barulhos estranhos no quartel na época da Guerra. Meu avô sempre foi um bom contador de histórias, e seu domínio da atenção alheia foi um talento que persegui e tentei reproduzir ao longo da vida, e que de certa forma resultou neste blog. Meu avô tem uma aventura pessoal em que foi perseguido por uma espécie de cachorro gigante, preto, do tamanho entre um boi e um cavalo, que o seguiu em silêncio, na escuridão, até a porteira de uma fazenda, quando do nada, desapareceu sem emitir som.
Algo que me assutava muito nesta história, repetida milhares de vezes, sempre que havia festa ou churrasco na casa da minha avó, era o fato de que não havia tragédia. O monstro não demonstrava hostilidade, ou provocava medo. Era só uma sensação de estranhamento, de algo que não está certo, que não vai bem. Havia ali, naquela história algo novo e assustador, que era o medo potencial. A criatura não rosnou, nem mordeui, nem atacou. Apenas seguiu, mantendo uma distância fixa. Era como se a criatura estivesse no controle da situação. É como uma pessoa que apenas olha a simplicidade frágil de uma formiga, sabendo que pode esmagá-la se quiser.
E este poder, este poder acumulado, irrestrito, pronto para ser liberado a qualquer momento, isso era aterrador.

A figura daquela criatura assombrosa foi tema de muitos pesadelos em minha infância e da mesma maneira que causava espanto e repulsa, emitia um inebriante perfume de atração. No mito do lobisomem havia o mistério, havia o poder bestial e a horrenda transformação.
Mais que isso, o lobisomem era uma espécie de super-herói, mantendo uma vida dupla a todo custo, revelada apenas pelo poder da lua. Há aí também o poderoso arquétipo da máscara e o imemorial poder da lua sobre o ser humano.
Fiquei um bom tempo sem ouvir boas histórias de lobisomens, mas uma das últimas que ouvi foi bastante interessante. Curiosa o suficiente para eu contar aqui.

Outro dia eu fui lá em Friburgo, onde encontrei os amigos da minha sogra. O pessoal lá mora numa localidade rural, onde plantam tomates e hortaliças diversas. É um lugar bem interessante e acho que já falei dele aqui antes. Lembra o condado dos Hobbits. As pessoas são extremamente amáveis e hospitaleiras, e sempre que vou lá tem briga entre as famílias para definir a casa em que eu vou dormir. Eu havia ido lá na casa do Dinho, onde estava rolando um churrascão. Conversa vai, conversa vem, eu e mais uns três reunidos na varanda, chegou um velhinho lá, que era amigo do Dinho.

É engraçado que quando eu junto com este pessoal da roça eu viro o maior roçeiro de todos os tempos. Antes que eu possa perceber, estou falando do mesmo jeito que eles, contando causos e rindo bastante das histórias que eles contam. Um lance bem Rolando Boldrin. Pois não é que no meio do churrasco o Dinho – que acompanhou a minha saga pelo mato em busca da pele de um boi preto para usar no meu boneco do lobisomem, sabia que eu gostava do assunto. Apontou a faca de cortar carne para o coroa e disse:

-Seu fulano (desculpe, não lembro o nome dele) diz aí pro Philipe do dia que o senhor lutou com o lobisomem.

Então o velhinho deu um gole no refrigerante e começou a me contar uma história sensacional sobre como ele descobriu – e tentou matar – um lobisomem de verdade.

Basicamente, enquanto fumava um cigarro e comia um pedaço de linguiça, o velho me contou que há muitos anos atrás, lá pelos idos de 1940, era recém casado, morando numa cidade do interior de Minas. Ele estava voltando tarde da noite para casa e estava quase chegando, quando seguindo a pé pela linha do trem, viu saltar uma “coisa preta” do mato ao lado da linha.

A noite era de lua, mas as árvores do local atrapalhavam a ver o que estava ali. Era um breu fechado e não deu para determinar à distância o que era aquilo, mas ele percebeu que pelo tamanho não tinha como ser um cachorro. E nem gente. O velho, na época ainda jovem, parou e ficou ali, olhando a “coisa”, que também se manteve imóvel, a cerca de uns trinta metros.

Ele gritou alguma coisa, para ver se havia resposta e não houve nada. Apenas o silêncio. Nem rosnado, nem mugido, nem tosse, nada.

Ele disse que inicialmente pensou que era um bezerro ou mesmo um boi. Sentiu um arrepio, mas tentou se tranquilizar de que aquilo não era nada demais. Ele já havia escutado boatos de um lobisomem na cidade, e animais apareciam mortos constantemente, mas nunca acreditou naquilo, pois nunca havia lido nada sobre Lobisomens na Bíblia…

“E se não está na Bíblia, não existe.”

Ocorre que ele se tranquilizou mentalmente de que se tratava apenas de um boi e continuou a andar na direção da coisa, que permanecia imóvel na escuridão.

O velho conta que após dar os primeiros passos, a “coisa preta” disparou rugindo como um leão na direção dele, e só assim ele percebeu que o troço não era um boi, mas sim o lobisomem que todos haviam comentado e do qual ele nunca acreditou.
Era o lobisomem, de carne e osso.

Sem perder tempo para ver em detalhes a criatura, ele me contou que não pensou duas vezes em disparar em correria, direto para a casa, que ficava na subida de uma colina, perto da linha do trem.

O bicho correu atrás e ele viu que a criatura iria acabar alcançando ele. Então, o sujeito saltou por entre os arames farpados que separavam a linha do trem da estrada. Nisso ele acabou se machucando e – fazendo questão de me mostrar uma cicatriz – prosseguiu dizendo que rasgou o terno dele, que era do casamento.

Largou o pedaço do terno para trás, e correu às cegas na direção da casa. Ele ouviu a criatura se debater no arame farpado. Ele contou que a criatura deu uma paulada no arame farpado com toda força, caindo por cima da cerca, arrando uns moirões e tudo. E daí ela soltou um urro que encheria de medo o coração do mais valente dos homens na face da Terra. Nisso, ele havia conseguido uma preciosa vantagem e estava prestes a entrar em casa. Enquanto corria, ia gritando a plenos pulmões para a mulher abrir a porta.

A esposa dele abriu a porta e viu também o bicho, chegando no encalço do marido.

O velho saltou para dentro da casa e a mulher dele bateu a porta com violência. Eles colocavam a barra de ferro que funcionava como tranca quando um estampido seco atingiu a porta. Ele disse que pensou que a casa ia cair tamanha a pancada que o bicho deu na porta.

Ainda ficou ali gritando e urrando desesperado. O Casal puxou a mesa da sala e colocaram calços nas portas. Trancaram-se no quarto, abraçados e com medo até que dormiram.

No dia seguinte, quando as primeiras luzes do sol iluminaram as redondezas ele disse que não havia sinal do bicho além de uma bela poça de sangue na varanda e na volta da casa. Viu algumas marcas na areia, mas nada que indicasse exatamente o que era aquilo. Quem realmente viu e confirmou em detalhes que era um lobisomem preto com grandes dentes brancos foi a esposa, que viu rapidamente o monstro, subindo desajeitadamente a colina, ao correr atrás do marido.

Tempos depois, ele passou a desconfiar do lobisomem. Ele e os amigos do trabalho tinham um grupo que jogavam purrinha numa venda nas proximidades e havia um sujeito lá que sempre voltava pra casa cedo. O cara era sempre o primeiro a voltar para casa e todos achavam aquilo estranho. Como se não bastasse, ele era solteiro e não tinha irmãos. Assim, não havia motivos claros para que ele voltasse para casa cedo.
O sujeito vivia sozinho, solteirão, e apesar de bastante culto e esperto, sempre aparentava estar doente. O velho me contou que começou a desconfiar desse cara bem antes de encontrar a coisa preta na estrada. Ele achava estranho que o sujeito parecia sofrer de algum tipo de tuberculose, pois vivia fraco, suando e sempre muito pálido.

O tal homem era um primor de educação e se dizia viajante. Conhecia muitos lugares e citava muitas pessoas nas conversas. Mas era reservado com relação à sua vida pessoal.

Este homem começou a jogar purrinha apresentado por um outro, também viajante, que o trouxera para a cidade.

Depois do episódio com a criatura na estrada, meu amigo do churrasco contou que começou a desconfiar cada vez mais daquele sujeito. Um dia resolveu testar sua desconfiança, segurando-o num jogo de poker. O Sujeito jogava bem, ele disse, mas ao badalar das nove horas (achei isso peculiar, pois a mitologia do lobisomem geralmente coloca a transformação na meia noite) ,  disse que o cara desatou a suar em bicas, molhando a camisa.

Assim que bateu as nove horas o sujeito fez de tudo para interromper o jogo. Ele foi ficando mais e mais nervoso até abandonar a partida alegando que estava sentindo cólicas intestinais.

Aquilo deixou o coroa bastante cabreiro. Desde o encontro na linha do trem com o dito cujo, ele resolveu caçar o monstro a qualquer preço. Ele estava determinado e finalmente traçou um plano em conjunto com os amigos de purrinha para testemunhar a transformação do viajante na besta mitológica.

Um tempo depois, eles reuniam-se na venda para jogar quando chegou, lá pelas seis, o tal viajante cujo nome ele me disse na ocasião, mas não lembro mais.

O cara chegou e desataram a jogar. Sem que o viajante soubesse, meu amigo coroa tinha um revolver na cintura, escondido sob a camisa. O tempo foi passando e eles proseando, bebendo, e fumando. Jogaram dados, purrinha e cartas até que deu as nove horas e o cara disse que ia embora. Pagou a conta ao dono da venda. Enquanto estava de costas, o velho fez um sinal para os amigos. Ele já ia saindo quando os dois amigos do velho o seguraram e o sentaram numa cadeira. O velho sacou a arma e apontou bem na cara do sujeito.

-Agora você vai ficar aqui com a gente até a meia noite. – Disse ele segurando o revólver.

O cara se desesperou. Ele me disse que nunca viu alguém ficar em tamanho pânico na vida. O cara começou a suar e dali a minutos estava empapado, respirando com muita dificuldade, como se tivesse asma.

Era noite de lua cheia.

Eles mantiveram o sujeito, mas ele foi ficando mais e mais agitado. A medida em que o tempo passava ele ia se tornando agressivo. Já não era mais o homem erudito, de aparência frágil e doente. Ele agora era um sujeito em Pânico, com os olhos amarelados, arregalados e suando muito. A voz baixa e os gestos contidos deram lugar aos gritos. Começou a gritar e se debater de modo que os homens pensaram em amarrá-lo na cadeira. Mas isso não foi possível, pois ele estava tão transtornado que lutou contra os homens da venda e tinha tamanha força que atirou um deles lá na rua.

Em seguida atropelou os que estavam na frente,incluindo o velho, o único que estava armado, que temendo acertar “alguém de bem” não puxou o gatilho. O sujeito saltou para a rua e correu para um lado mais escuro, atravessando uma praça e saltando para um terreno baldio, de onde não mais saiu.

Naquela mesma noite numa fazenda das proximidades, os corpos de animais foram encontrados. O sujeito nunca mais deu as caras por lá, e após meses buscando notícias, o velho descobriu que ele havia se mudado para outra cidade, nas proximidades de Araxá (este lugar eu guardei porque era lá que se passava Dona Beija). Algo que o fez ter certeza que o vajante era mesmo o lobisomem é que tão logo o cara saiu da cidade, as mortes de animais e o desaparecimento de pessoas pararam.

Ele me disse que organizou uma viagem para “caçar o lobisomem”, mas chegando lá o sujeito havia sumido. De acordo com um primo dele de segundo grau, o viajante morreu. Ele teria sido baleado por um fazendeiro quando atacava suas criações. Atngido a tiros ainda no estado de monstro, correu para uma mata, onde dias depois o corpo do viajante foi encontrado, em estado putrefato.

Em todo o tempo que me contou esta impressionante história, o velho pareceu totalmente sério, não dando nenhum indício de que estava inventando. O Dinho, meu amigo, também escutou e pelo que me disse a história dele era bem conhecida, pois ele contava a todo mundo do dia que enfrentou o lobisomem.

Obviamente que apenas com um relato de um velho roceiro de uns 80 anos não dá pra dizer se foi um fato real ou não. Ele pode ter sido atacado por uma onça, e ameaçou de morte um sujeito doente, talvez até esquizofrênico; mas é fato concreto que histórias de lobisomens são sempre maravilhosas e deliciosas de se escutar e ler.

Elas são muito antigas e os estudos que buscam a genealogia deste mito apontam para a grécia. Nos mitos gregos existe um em que Licoan, o rei da Arcádia tentou matar a Zeus, que era seu hóspede por uma noite. O Deus castigou-o dando a ele uma forma vulpina. A lenda grega pegou carona com os romanos, onde ganhou força para se difundir entre os povos dominados, estendendo-se até os confins do Império, atingindo também os bárbaros do norte.

Foram os romanos que criaram os festivais dedicados aos lobos, chamados Lupercais. Nestes festivais pessoas vestiam peles de lobo e corriam seminus, sujos de sangue de animais oferecidos aos deuses. Eles corriam pelas ruas, assustando e açoitando os transeuntes. Os lupercais realizavam-se no dia 15 de fevereiro, e eram uma espécie de ritual de purificação. Como era de se esperar, isso acabava em orgia. As mulheres corriam aos lupercais em busca de pancadas (e talvez algo mais), pois acreditava-se isso afastava a esterilidade e os partos seguiam a contento.

Só no ano 494 depois de Cristo que os lupercais foram batizados de “festa da Purificação” com o passar do tempo a tradição foi se perdendo até sumir. Mas a força do mito do humano que vira lobo continuou e se espalhou mais e mais pelo mundo.

Falando nisso, vem aí um filme que me pareceu bom a primeira vista (trailer) que trata da lenda do lobisomem.
A Obra é do Benício del Toro e isso me parece uma chancela de que o troço promete. Pelo menos nos efeitos especiais.

E aproveitando o ensejo, aqui está outra dica. Esta pra quem curte ler: Meu amigão Rafael Trovão escreveu um ótimo livro sobre um garoto que é atacado por um lobisomem em plena cidade de São Paulo.

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O livro chama “O amuleto de Lupês” e foi publicado pelo Clube de Autores. Ele está vendendo a obra on line, e pra quem estiver curioso, recomendo uma lida.

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