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O cão da beira-rio

f deaddogm dee9021 O cão da beira rio

Na beira rio tem um cão

Uma criatura da escuridão

Seu coração palpita

Seu pulmão preto apita

Sua forma é esquisita

Sem raça

Com fome

Sem graça

Sem nome

Com a boca já quase sem dente

Seu latido é um murmurar

com o olho que olha pra gente

mesmo sem conseguir enxergar

Ele é o cão da beira-rio

Aquele que treme sem sentir frio

Ele nunca teve dono

Nem fez alguém feliz

Em estado de abandono

Nunca viveu em canis

Ele come o lixo da casa da moça

E mata a fome bebendo da poça

Na porta do bar petrifica

parado, estático ele fica

espera um pedaço de caridade

e abana o rabo com agonia

morde o pedaço com vontade

tão fiel como uma vadia

foge sem humildade

sua pele rachada é coisa ruim de ver

Fica difícil até descrever

Berne, pulga, carrapato

Bicheira, moscas, podridão

Todo tipo de maltrato

Infesta aquele cão

O cão da beira-rio

está sempre no cio

Nem parece um bicho

revira as latas de lixo

porque é um cachorro

procurando socorro

Corre no mato

Sobe no morro

um triste retrato

sobre o qual eu discorro

quando a noite cai

ele está perdido

se vai

exaurido

E anda pela estrada

Sem partida, nem chegada

um cambaleio no compasso

das quatro patas mancas de cansaço

meio cego ele deita

Na faixa da direita

dorme um sono sem sonhos

sem amigo ou patrão

sem sentimentos tristonhos

porque não conhece emoção

Sem enxergar

Uma luz a iluminar

do farol do caminhão

na estrada da desolação

Quando vem a colisão

As rodas passam sobre o cão

sem piedade nem sobressalto

pedaços explodem no asfalto

Quando se vai o caminhão

sem perceber o que largou

a escuridão abraça o cão

ou o rocambole que restou

Espalhados na estrada

sangue, tripas, pele e miolo

sem choro, nem gargalhada

nem raiva ou desconsolo

Quem passa na beira da via

o olhar desvia

daquilo no meio da estrada
que assusta qualquer camarada

Com a morte na madrugada

ele encontrou sua função

morrendo sozinho na estrada

debaixo das rodas do caminhão

O cão da beira-rio

na beira do meio-fio

com a carcaça a apodrecer

finalmente vai poder

longe dos lugares hostis

fazer alguém feliz

quando o sol irromper

e a noite enfim ceder

cortando o céu com luz

em meio a claridade

ele finalmente vai fazer

a felicidade

dos urubús.

Fim

Poesia Visual

Eu achei um link muito curioso. No inicio custei para entender como a coisa funcionava. Mas depois compreendi.

A proposta deste site é permitir que através de um texto você construa uma imagem.

E então eu resolvi escrever a priemira merda, digo, coisa que me veio à cabeça e saiu isso aqui:

Quando nada mais restar senão olhar-se no espelho e contemplar o vazio que te separa do que você gostaria de ser

Não pense, sinta. O que você não é, é justamente aquilo que te faz ser o que é. Então de alguma forma triste e patética, você obtém uma certa criatividade apenas por lutar contra a correnteza de medos, desejos e virtudes que te constroem justamente quando você evita que isso aconteça.


Não há maneira de escapar ao universo triste do real senão dar-se conta de que sua existência é o que conduziu a esta reflexão.
Tudo esta na base do ser e do não ser. O não ser te faz ser tanto quando o seu ato de ser obriga milhões de outros atos de ser a não estar.

E aí

Quando mais tarde você buscar

Nos seus olhos refletidos num espelho

Algum fragmento de quem você é. Alguma pista..

Alguma dica


Algum caminho para buscar compreender o que de fato perdeu,

Tudo que verá será só uma repetição fraca e triste de um boneco que deveria ser um você idealizado, construído com sonhos e desejos comerciais.

Sua roupa não te faz ser o que é. Nem suas jóias. Muito menos seu carro esporte

Tudo que você quer que seja é aquilo que te afasta do seu verdadeiro caminho

O caminho do outro

Do encontro

Do estar real no mundo

E nos mundos
Porque o que você faz aqui repercute cósmicamente

E quando você deixa de usar aquela calça cara de marca desconhecida ou aquele sapato de pedras brilhantes que alimentaria uma família pobre nos confins áridos das planícies africanas…

… Você permite que num outro lugar num outro tempo, naquele momento que parece um pequeno estalo para nós que vivemos muito e para os animais que vivem pouco é como uma gigantesca vazão secular

Uma minúscula  molécula se prenda a outra, gerando um aminoácido.

Que vai se unir a outros fazendo uma bactéria

A bactéria
A semente da nova vida, no universo distante das possibilidades

Dará a luz a um sem fim de coisas concretas, vivas, que se multiplicarão mais e mais até que muitos milênios depois, uma outra figura possa se olhar no espelho e contemplar o vazio de sua existência fraca.

E então,

Só então

O ciclo se repetirá.

E o programa gerou isto aqui.

poesia visual Poesia Visual

Esta é a construção matematicamente gerada da minha poesia de fundo de quintal. Uma coisa bem interessante.

Quando são muitas palavras fica bem mais maneiro, olha só:

poesiavisu Poesia Visual

Este é mais um daqueles interessantes sites experimentais. O sistema foi feito usando o “Processing” que é um ambiente de programação open source que permite a interação de imagens e animação. Ele é usado por estudantes, artistas, designers, pesquisadores e hobbyistas, para estudo, protótipos e produção de conteúdo multimidia.

As forças da natureza (versão)

Pessoal, eu estava esculpindo aqui e comecei a pensar nessa letra. É uma adaptação de um belo samba de mesmo nome que o João Nogueira e o Paulo Cersar Pinheiro fizera e a Clara Nunces cantava. Mantive a estrutira e dei uma atualizada na letra para um tema mais atual. Acho que vou pedir autorização aos autores e mandar para o Green Peace para virar hino contra o aquecimento global.

Escute a versão original aqui.
AS FORÇAS DA NATUREZA

Quando o Sol
Se derramar em toda sua potência
Desafiando o poder da ciência
É o aquecimento global
E o mar
Com suas águas bravias
Varrer do mapa nossas patologias
Vai ser o nosso final
Os palácios vão desabar
Sob a força de um temporal
E os ventos vão sufocar o barulho infernal
Os homens vão se arrepender
Da poluição descomunal
E não vai dar pra segurar
A fúria natural

Vai escurecer
Uma chuva ácida do céu vai descer, la la la
Uma nuvem imedita vai se erguer
E o tempo de novo vai ser glacial
Vai regredir
Cada grande cidade o gelo vai cobrir, ô, ô
Das ruínas a vida vai banir
Será o nosso final

Os desastres ambientais
As armas e os homens de mal
Vão desaparecer com o cataclisma global

Vai Convalescer
E o sol no céu vai reaparecer
As geleiras vão retroceder
E o mundo de novo vai ser natural
Vai florir
O túmulo da humanidade a floresta vai cobrir, ô, ô
Os bichos sobreviventes vão evoluir
E vão se espalhar afinal

As baratas e as formiguinhas
Tanto o inseto quanto o animal
Vão se livrar do mundo artificial

Os protocolos ignorados
O petróleo e a emissão global
Vão ser o nosso erro fatal

Vão ser o nosso erro fatal

Vão ser o nosso erro fatal

Mundo Gump é o blog da semana no Tarja Preta

É isso aí, pessoal. É com imensa, absurda e proparoxítona satisfação que anuncio que o Mundo Gump virou o blog da semana no famoso Tarja Preta. Entrar lá e obter um link aqui pro Mundo Gump foi um desafio via orkut aberto a quem quisesse. Bastava explicar por que seu blog merecia um button no Tarja Preta.

Eu entrei lá e mandei uma singela poesia chamada “poesia da mendicância bloguística” e ganhei a cobiçada indicação.

A poesia está aqui:

(mais…)

Mensagem 2.0

Eu não gosto muito desses blogs eruditos onde você entra e só tem poesias. Na verdade mesmo, eu acho um saco. Então tenho que fazer isso pedindo clemência aos leitores. Como já comentei num outro post aí, eu gosto de ouvir qualquer merda musical enquanto trabalho. Ontem eu estava trabalhando num aquário em computação gráfica quando tocou uma antiga música da Vanusa, chamada MENSAGEM. Era uma bela história de desilusão amorosa em versinhos bem simples. E eu fiquei pensando…

Bons tempos em que amores terminavam por carta. Hoje a coisa é bem mais rápida, com chats, mensagens de orkut e scraps.

Com isso em mente, sentei-me na frente do word e fiz esta versão da música, numa roupagem mais atual. Quem sabe num dia que eu esquecer a vergonha em casa eu não faço um podcast do mundo gump e até canto ela?

Ok, ok… Brincadeira. Pode guardar o revólver.

MENSAGEM 2.0

Quando o Windows entrou

E o programa rodou

Baixei os emails então

Com tanto spam que surge

Nem sei como pude

Clicar no botão

Vendo uma linha em negrito

E o tal email escrito

Eu reconheci

A mesma covardia

Que disse-me um dia

Viagra- clique aqui.

Porém não tive coragem

de clicar na mensagem

Porque com certeza

Eu meditava e dizia

Qual será a agonia

Qual será a surpresa?

Quanta mensagem medonha

Ou tristeza bizonha

Um email nos traz

E assim pensado cliquei

A mensagem deletei

Para não me aborrecer mais

(refrão)

Porém não tive coragem

Nem de ler a mensagem

Porque com franqueza

No fundo eu já sabia

Que se clicasse eu iria

Ficar sem defesa

A mensagem sem-vergonha

Que te acha um pamonha

De um hacker sagaz

Quer com este spam

Instalar um trojan

Pra ver o que você faz

Foi tempo – minha poesia para a Playboy

Ok, Hoje eu passei na banca de jornal e estupefato vi uma das mais escrotolhentamente feias capas da revista Playboy de todos os tempos. Lembrando dessas e de outras, resolvi escrever uma poesia para relaxar.
Espero que goste.

FOI TEMPO

Foi tempo em que eu pensei
Que a playboy era a solução
Na capa todo mês
Saía um mulherão,

Até que um trágico dia
Paguei minha penitência
Fui comprar a playboy
E na capa estava a Hortência

No desespero juvenil
Levei mesmo assim
Na falta de uma anna kournikova
Nada que a imaginação não resolva

Num outro mês, que decepção
Outra capa rampeira
No pôster e no miolo
A Rosenery Fogueteira

Mais uma vez, eu apostei
Fechei os olhos e comprei a revista
Na falta de mulher boa
Valia mais pela entrevista

Daí veio a Yoná Magalhães
DEu vergonha de comprar
Parecia playboy de dia das mães
Só cego pra levar

Teve também a Débora
Dirigindo caminhão ou deitada na grama
Peladona a musa dos sem terra
Parecia filha do Zé Serra
E tome mais uma balzaquiana!

Vanessa Campos por sua vez
Não causou comoção
Sua revista não vendeu
Afinal tinha a Celene na mesma edição

Se fosse só isso já tava ruim
Mas podia piorar
Cissa na capa foi duro de aguentar
Some-se a isso outra desilusão
no aniversário da revista
deu ela de novo na publicação.

Reny de Oliveira em 84
Era a Emília peladona
Quem comprou pagou o pato
Nada de gostosona

Elba Ramalho com quase 40
Cheguei a passar mal
O trauma piorou
Quando vi o matagal
Mas mesmo assim a gente tenta
ignorar a “esfusiante nudez tropical”

Daí veio a aporrinhação
Nem doido de Skol
Desceu redonda aquela capa
Com tema de voleyball
mais uma enganação

Vera Mossa recusou
Venturini também
A playboy apelou
E a Ida colocou
Era melhor deixar sem ninguém!

Você acha que acabou?
Outra coisa horrorosa
Não poderia ser mais trágico
Inaugurando a maturidade
Veio a garota do balão mágico

Mas ao menos não era mais uma da 3a. idade
Simony se achando gostosa
Ora, tenha piedade!

Em seguida veio a Mara
Que se intitulava maravilha
Pensei que era gostosa
Fiquei na pilha
Liguei para o procon
Pra reclamar da propaganda enganosa

O prêmio da barangagem
Foi a edição da Hortência
Quem comprou aquela sacangem
Sofria de demência

Nem Photoshop resolvia
Tamanha monstruosidade
Mas tudo poderia
onde até Regian Duarte
escreveu umas putarias

Hoje lá na banca
exibindo uma bunda branca
Tem uma surfista feia de se ver
Andréia Lopes é o nome dela
Dá pena de descrever
aquela criatura magrela
Achando que vai vender

O editor parece que fuma
Um matinho do capeta
Com tanta mulher bonita
Vai acabar colocando o Vampeta

Eu juro que não compro
Se continuar assim
Nem sequer pela entrevista
Ou pelas piadinhas
que fecham a revista
Afinal Pra piada
prefiro o Pasquim
O que eu quero é mulher pelada!
E Bonita!

Fim
Termino assim.

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