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Balada

Ela só queria amar
Sair pra dançar
Talvez até beber
Saiu pelo portão
Em busca de emoção
Sede de viver

Mas, com pressa de chegar
Foi se arriscar
Num beco qualquer
Surgiu na escuridão
Um ladrão com um tresoitão
“A grana ou vai morrer”

Desesperada e aflita
Com medo de ser agredida
Ela clamou por Jesus
E o bandido indigente
Com seu poder inclemente
Alimentou os urubus

E num estalo de terror
Despencou sentindo dor
Um trapo de mulher.
Pois pra todo perdedor,
Tem um vencedor
Que sabe o que quer.

Bailou nesta noite bandida
Que chega e te deixa perdida
Olhando pra um túnel de luz
É como uma picada ardente
Que fere mais uma inocente
Que vai terminar sob a cruz.

Mas o atirador
Que era de menor
Eles não vão prender.
É só mais um predador
Na selva da dor
Que já deu no pé.

Deixou a moça estendida
desvalida, torta, sem vida
Num beco sujo sem luz
Morreu mais uma penitente
Que saiu pra balada contente
Balada que o destino conduz.

Ela só queria amar
Sair pra dançar
Talvez até beber
Acabou bem na contra-mão
Fez o ganho do ladrão
Balada ao anoitecer

Tá aí. Se alguém quiser fazer uma musica com esta letra, eu gostaria de ouvir.

Soneto da mulher ilustrada

Sozinho com meu giz pastel
Desenhei seus lábios no papel
Marquei seus olhos cor de céu
Acariciei seu corpo a pincel

E nas voltas que o mundo gira
Pensava que tu eras mentira
Doce mistério de vampira
Delírio carnal que me inspira

Mas vi que tu eras verdade
desenhava com facilidade
toda tua sensualidade

Por medo matei meu amor clandestino
Rasguei o papel genuíno
Ser só era meu destino

O Cartão Negro – Parte 7

Paulo agarrou Clóvis pelo braço. Ele não disse nada. Apenas apontou para o monitor.

Foi Clóvis que leu o diálogo entre ele e a amiga na Suécia e em seguida olhou para Paulo com os olhos arregalados.

-Fudeu! – Disse Clóvis com terror.- Mas cadê o nome dela?

-Não sei, cara. Não sei explicar. Não apareceu pra mim.

-Ué. Que estranho. Você tem certeza que essa dona aí não tá te zoando?

-Não não, ela nem conhece a Michelle. Lê aqui ó. – Falou Paulo apontando para a tela.

-Véio, isso é muito bizarro mesmo. Mas a teoria em que o nome surge na sua mente acaba de ir para o saco, já se ligou disso?

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O cartão negro parte 6

Paulo tenta desesperadamente anotar os nomes, mas são muitos.

Ele anota apressado os que vê:

Sandra Rocha de Oliveira

Cássio Linhares Rosa

Rafael de Oliveira Trovão

Genivaldo da Silva

Maria Auxiliadora do Prado

Então a tela fica preta. Paulo dá reload na tela, mas ela está preta. No total devia ser uns 30 nomes ou mais. Certamente mais, porém, no susto, Paulo só conseguiu anotar os cinco primeiros.

Paulo gritou Malucão que acordou com uma leve ressaca. Malucão cambaleou até o computador.

-Ah, não! Você me chama pra ver a porra da tela preta?

-Não, cara. Apareceram mais nomes. Vários. Muitos nomes. Devia ter mais de vinte, mais de trinta, sei lá. Mas eu consegui anotar só os cinco primeiros, pois aí a tela ficou preta.

-Cadê?

Paulo estendeu ao amigo o bloco com os cinco nomes

-Caralho, deve ser algum desastre.

-Se todo mundo da tela morrer, vai ser um problemão mesmo.  -Concordou Paulo.

-E aí? O que a gente faz?

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O cartão negro – parte 5

Paulo e Clóvis voltaram para a empresa. No percurso que levou do local do acidente até a companhia, os dois não trocaram uma única palavra, mas o cérebro deles estava a mil.

Quando Paulo e o amigo chegaram na empresa, o expediente já estava terminando. Assim que entraram no setor, a recepcionista os olhou com uma cara estranha.

-Que foi? – Questionou Clóvis. A mulher não disse nada. Apenas contraiu a boca de um jeito bizarro e apontou para a baia dele.

Paulo foi andando na frente. Logo atrás, vinha Clóvis. Ao chegarem nas baias, viram que Cardoso estava na porta, tal qual um leão de chácara. Os braços cruzados. A tradicional cara de poucos amigos. O olhar traiçoeiro de sempre.

-Onde vocês estavam?

-Bom, doutor Cardoso… Sabe o que é? – Começou a se explicar Malucão.

-Não. Não precisa começar com desculpa esfarrapada não. Estou de saco cheio de vocês. Sair no meio do expediente, sem avisar, nem pedir. Que porra é essa? Vocês tão pensando o que?

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O cartão negro – Parte 4

Paulo colocava o cartão do Inspetor Farias na pasta de cartões profissionais enquanto respondia as perguntas do investigador.
Farias quer saber quem ele é, o que faz da vida, etc. O jovem estranha o súbito interesse do policial. Reluta, mas continua a dar detalhes sobre sua vida.
-Trabalha onde?
-Na SegCorp.
-Faz o que?
-Redijo e analiso contratos.
-Trabalha lá a quanto tempo?
-Quatro anos.
-Sempre morou aqui na cidade?
-Sim.
-Estudou onde?
-Me desculpe perguntar, inspetor, mas qual o sentido dessas perguntas todas?
O policial diz que tem uma coisa a mostrar. Saca um gravador do bolso e toca a mensagem que ele gravou na secretaria eletrônica da construtora. O jovem se espanta.
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O cartão negro – Parte 3

Paulo fez uma expressão estranha.

Clovis também continuava sem entender o que o amigo disse.

-Quer dizer então que você achou o cartão no cemitério? E o site falava do cara que morreu?

Paulo explicou pela quarta vez toda a história ao amigo. O cartão misterioso, o site preto, o primeiro nome e a morte do empresário de cinema Stanslay Sardenberg Goldman. Contou sobre o outro nome, que agora estampava a noticia de sua morte num jornal trazido pelo vento.

-Mas tava no mesmo site cara?

-Tava.

-Cara, tem certeza que é o mesmo endereço?

-Tenho, pô.

-Não pode ser, Paulo. Tipo como que o site ia saber que os caras iam morrer, meu?

-Não sei, ué.Mas que é estranho, é.

-Pode ser só uma coincidência também, né?

-Será?

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O cartão negro – Parte 2

Paulo estava no velório. À medida em que os parentes iam saindo, se despedindo, ele ia ficando para trás. No fim daquela noite, restava apenas Malucão, Paulo e dona Mara, a defunta. Ela estava deitada no caixão de madeira escura. Apenas o rosto de fora. Estava muito maquiada, como costumava ir em casamentos. Paulo lembrou-se de bons momentos que vivera com a mãe.

-Eles fizeram um bom trabalho lá na funerária, cara. – Foi tudo que Malucão conseguiu dizer ao olhar a mãe do amigo.

Paulo olhou para Clóvis e viu no fundo dos olhos vermelhos do amigo que havia uma dor tão profunda que ele era incapaz de consolá-lo. Dizer algo sobre a funerária era a forma que ele encontrava de não chorar, não dar o braço a torcer, afinal, na cabeça dele ele estava ali para ajudar Paulo a superar a perda.

Paulo olhou para o amigo, apoiou o braço no ombro do cara e disse apenas:

-Valeu cara.

-É nóis! -Ele disse Malucão, disfarçando uma lágrima que ameaçava se jogar do olho esquerdo.

Ela era uma guerreira. Dona Mara criara o filho com dificuldades após a morte do pai, atropelado quando andava de lambreta.  Era uma mulher cheia de energia e vê-la ali, naque estado dava uma estranha impressão de que havia algo errado.

-Véio, vou nessa, beleza?

-Tranquilo.

-Precisa de alguma coisa?

-Não, não. Valeu mesmo, Brother.

-Que isso. Ela era uma mãe pra mim também. Tu sabe. Amanhã nós tamos aí pro enterro.

-Falô. – Disse Paulo, despedindo-se do amigo.

Quando Malucão saiu, ele ficou sozinho com o corpo da mãe.

Ficou ali, olhando pra ela. Em silêncio. Tentou gravar a imagem da mãe no caixão na memória. Aquela era a última vez que ele via a mãe.

O tempo pareceu passar mais rápido do que de costume. Antes que pudesse se dar conta as primeiras pessoas começaram a chegar para o enterro. Tia Glória veio do interior para acompanhar o enterro da irmã. Foi ela que disse a Paulo que ele podia ir pra casa, tomar um banho e se preparar para o enterro.

Paulo saiu da capela e foi de táxi pra casa. Parou na padaria em frente e tomou um café. Lembrou que nunca mais tomar o café que a mãe fazia desde que ele se entendia por gente… Horas depois estava de volta, com o terno preto e óculos escuros.

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