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Zumbi – Parte 8

Só restava um monte de ossos numa poça de sangue escuro no meio daquele lugar que mais parecia uma arena. Alguns zumbis andavam pelo meio do pátio, com o olhar perdido. Outros ainda mastigavam seus últimos nacos de tripas nos cantos. Alguns estavam parados.

Os zumbis haviam comido o Joe até não restar nada além de pedaços de ossos e manchas de sangue no chão.

-Como eles são rápidos, né? – Perguntou o oriental com visível satisfação.
-Diga-me, doutor Mayong, eles ficam quanto tempo a partir de agora sem conseguir comer? -Questionou Clarck, olhando para a arena.
-Como assim? Eles comem enquanto a gente mandar carne lá pra baixo! – Riu o cientista.
- Não é possível. – Disse David. Em seguida, continuou: – Tem que ter um limite. Até porque o bucho deles é limitado fisicamente.
Mayong limpou a lente dos óculos. E Explicou:
-No inicio pensamos que haveria um momento em que um zumbi perderia o desejo pela carne. Mas isso nunca aconteceu. Eles comem, comem, comem…
-E se a gente continuar metendo carne neles?
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Zumbi- Parte 7

Quando David Carlyle abriu os olhos, estava num outro lugar. Sua cabeça estava zonza e ele não conseguiu ficar em pé. Tudo parecia rodar.
Notou que estava vestindo um macacão branco. E vestia sapatilhas brancas de feltro. Não tinha nada escrito na roupa.
Levou a mão até o peito, abriu o macacão e viu que ali estava a marca do dardo tranqüilizante que o nocauteou.

Era um quarto branco, sem janelas. Havia apenas aquela cama junto a parede e bem à frente dela, a porta.
Levou um tempo para que ele conseguisse finalmente firmar o corpo sem cair. David andou até a porta, mas ela estava trancada.
Ele olhou ao redor em busca de uma saída daquele lugar. Notou que aquele ambiente era iluminado por energia elétrica. David não via a eletricidade operando desde que as coisas ainda estavam no lugar.

A única luz que iluminava o quarto vinha de uma luminária na parede.
O lugar parecia uma cadeia. O quarto era bem pequeno, talvez três por três metros.
David sentou-se na cama.
Agora ele estava lembrando o que havia acontecido. A última coisa que se lembrava era daquele astronauta branco surgindo com uma arma e atirando nele.
Sua mente era marcada por pensamentos angustiantes. Teria ele sido o único? Seriam os tais homens brancos? Teriam matado alguém?

David Carlyle estava em silêncio, tentando escutar qualquer coisa ao redor, mas não havia nenhum som.
Então bateram na porta. David retesou seus músculos a espera que algo acontecesse. Ele escutou o barulho de uma chave penetrando na fechadura e a maçaneta lentamente girou.
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Zumbi – Parte 6

- O que? Ela é a filha daquele desgraçado?
-Shhh! – Clarck tampou a boca de David Carlyle. Ele parecia nervoso.
O velho médico olhava insistentemente para o relógio e eventualmente sobre o ombro, como se estivesse sendo vigiado. David percebeu o nervosismo da Clarck. Acenou com a cabeça e o medico destampou seus lábios.
David fez sinal com as mãos e moveu a cabeça em um tom questionador. Certamente havia algo de errado.
Clarck pareceu não querer contar. Baixou a cabeça.

-Você precisa descansar. E colocar gelo nesse joelho aí. Eu vou sair agora. Logo mais eu volto para ver como você está.

-Calmaí, Clarck. Eu vou ficar aqui nesta cabana? Esta não é sua barraca?
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Zumbi – Parte 5

Passo após passo, aquela coisa cambaleou na direção de David Carlyle.
Ele tentou se mover, se soltar das correntes, de modo que o zumbi não percebesse, mas elas estavam muito apertadas. David contemplou sua morte como um copo prestes a transbordar sendo enchido com conta-gotas. Tudo que ele queria é que aquilo acabasse logo. Que aquele morto infecto avançasse sobre ele e que o espetáculo grotesco da carnificina se iniciasse. Mas o desgraçado era lento demais.
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Zumbi – Parte 4

David ficou parado, não ousou olhar para trás. Ficou ali, olhando a barra de chocolate na mão.Então escutou uma voz vindo das costas, que disse:

- Quem é você, ladrão filho da puta?

David fez menção de olhar para trás, mas a pessoa socou o cano da arma na nuca dele, machucando-o. Antes que David ousasse dizer qualquer coisa, a pessoa tornou a falar.

- O gato comeu sua língua, seu rato? Coloque as mãos onde eu possa ver.

David jogou o chocolate no chão e abriu os braços para cima. A pessoa puxou pela gola do sobretudo, tirando-o da mesa e empurrou contra a parede.

Nisso, ele ouviu a voz de mais duas pessoas. Uma era de uma pessoa mais jovem, e a outra de um senhor.

“Quem é ele, Sam?”

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Zumbi – parte 3

David Carlyle correu cautelosamente por entre os destroços da rua. Os olhos sempre fixos na fraca luz âmbar que surgia e bruxulheava dentro daquele apartamento ao longe.
Sabia que eram velas. E se havia velas, certamente havia gente normal escondida lá dentro, em algum lugar.

David correu pela rua, pois a chance de enxergar alguma coisa na escuridão era maior. Se ao menos ele tivesse um isqueiro ou algo assim, tudo seria mais facil. Mas ele não tinha. O odor fétido da cidade se espalhava por todo lado, deixando difícil de respirar. Era como um gás de amoníaco. David sabia que o cheiro era pior no lugar em que os mortos se acumulavam.

Subitamente ele tropeçou um pedaço de lata sem querer e a lata bateu em alguma coisa, fazendo um barulhão danado. O barulho ecoou nas ruas vazias.
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Zumbi – Parte 2

David Carlyle estava sozinho naquela cidade escura e inóspita. Sua mente tentava processar e compreender o que havia acontecido.

“Talvez tenham jogado uma bomba nuclear” – Pensou.

Andou por uma longa avenida, desviando de carros engavetados, ônibus enfiados em lojas e restos de corpos humanos ressecados pelo sol.

David olhou os arredores e como ninguém respondia aso seus gritos, começou a se perguntar por quanto tempo ele ficara dentro daquele armário.

Ele andava sem destino, os olhos prescrutando as lojas, os bares, etc. A maior parte deles estava fechada. Mas alguns estavam vazios. O sol já tingia de cor de rosa o firmamento.

Enquanto andava, teve a sensação de que vira algo passar correndo entre os carros.

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Zumbi – Parte 1

Textos
No meio da escuridão, só resta o silêncio.
Ao longe, gritos ecoam entre os carros capotados e os pedaços de carne repletos de moscas varejeiras. Parado ao lado de um alambrado enferrujado, nos fundos de um estacionamento, está um zumbi. Como todo zumbi, ele tem os olhos revirados e parece fitar o vazio, com sua mente sem pensamentos. Aquele zumbi foi alguém importante. Eu não sei o nome dele, nem o que ele fazia, mas sei que era importante, porque é o único zumbi com colar de ouro e diamantes naquela região. A julgar pelo estilo de colar, daria para apostar que foi um rapper ou gangster urbano dos subúrbios. O casaco chique deve ter-lhe custado uma pequena fortuna, e agora está rasgado e manchado de sangue e lama.
E é apenas isso. Um zumbi parado, como uma estátua, ao lado do alambrado.

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