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Minha aventura no assalto (combo)

Eu voltava da escola e estava num ônibus.
Engraçado como num lotação, os lugares com janela são os primeiros a acabar. Eu entrei e ali estava um belo lugar na janela. Quando vi, sentou um sujeito mal-encarado do meu lado.
Imediatamente o meu “sentido aranha” começou a apitar alerta vermelho.
Eu estava acuado no canto da parede. O cara já sentado ao meu lado limitava meu acesso ao corredor.
Eu comecei a me sentir como um antílope africano meio bolado, vendo algo amarelo rastejando atrás de uma moita próxima. O problema dos antílopes é que els só correm quando tem certeza absoluta de que estão fodidos. É estranho dizer isso, mas nós, os humanos, os metidos da cadeia alimentar, aqueles que julgam terem sido feitos “a imagem e semelhança de Deus” tem EXATAMENTE o comportamento do mais besta e retardado antílope do Serengetti.

O sujeito não tirava aquele olhão comprido de cima do meu relógio e eu comecei a ficar bolado.
Algo dentro do meu ser me dizia:
- Você vai ser assaltado, seu burro. Fuja!
Eu relutei. Pensei: Será que não estou sendo preconceituoso? Será que o cara não é apenas um cidadão de bem que não teve condições de se vestir direito, fazer a barba direito? E essa cicatriz medonha no meio da cara dele? Será que não foi um acidente de trabalho? Um acidente quando ele era criança?
Será que estou com preconceito pelo fato do cara ter uma cara de ladrão?

O próprio sujeito estranho interrompeu meus pensamentos com a frase que parecia dizer tudo:

- Que horas são, playboy?

- Senti um calafrio. A voz dentro da minha cabeça berrava sem parar que eu iria ser assaltado. Antes de respondê-lo, numa fração de segundos meu cérebro começou a maquinar a razão daquela pergunta. Comecei a pensar… A aquela devia ser uma pergunta retórica do bandido.

Veja a que ponto chegamos. Bandidos requintados ao ponto de gerar perguntas retóricas para que suas vítimas dessem uma última olhada no bem antes de vê-lo trocar, assim deliberadamente, de mãos.

O hiato que se seguiu à pergunta do “Escadinha” já estava ficando incômodo. Eu tinha que dizer alguma coisa.

- São cinco e dez. – Eu disse apressado. E levantei de imediato, me antecipando ao provável bote. Fingi ver um parente na rua e gritei pela janela do ônibus:
- Marquinho! Me espera!
Eu sei lá quem diabos é o tal do “Marquinho”! Deve ser amigo do Harakiri.

Mas sei que eu levantei e saí atropelando o sujeito que não fez nenhum esforço em me deixar passar. Eu meio que pulei as pernas dele e ganhei o corredor.
Levantei e corri lá pra frente. Desci do ônibus com a sensação de alívio e prazer que só um antílope que escapa das garras dos guepardos se dá ao direito de sentir.

Continuei andando para casa. A descida prematura do busum me fez andar uma caminhada gigante a pé.
Eu fui tranqüilamente, me sentindo o ás da malandragem carioca.
E então comecei a pensar se o cara não era mesmo um trabalhador que só queria saber as horas. Que garantias eu tinha de que aquilo era um assalto?
Teria eu sido uma vítima de meu próprio preconceito racial-socio-cultural? O cara naturalmente sentiu que eu amarelei. Que eu fugi. E se ele não fosse um assaltante? Como deve ser uma merda sentir-se uma ameaça social. Comecei a sofrer por ter feito o pobre trabalhador sentir-se um bandido. Fiquei ali, andando e pensando, sobre os negros e a situação escrota do preconceito racial e social do Brasil.
Senti uma coisa espetando minhas costas. E pra meu espanto, a frase que ouvi no pé do ouvido me fez tremer de cagaço:

- Passa o relógio. – Disse a voz. Por um segundo eu vi um filme na minha cabeça. O cara ia mesmo me assaltar. Ele viu que eu tentei fugir e abortou o assalto. Resolveu recuperar o elemento surpresa e desceu um ponto depois. Distraído eu nem vi que ele resolveu me pegar pelas costas.

Quando olhei para trás, de rabo de olho, vi que não era o tal cara. Era um outro. Bem mais novo. Mais novo do que eu. Mas também com a maior pinta de marginal que você pode imaginar. E o pior, estava armado.
As pessoas na rua passavam e fingiam não ver o que acontecia ali, em plena luz do dia.
O cara estava com um canivete.
Eu não tinha outra saída senão apelar mais uma vez para o “Efeito Gump”.
Efeito Gump é o que acontece comigo numa situação de forte estress emocional. Nestas situações bizarras, eu fico calmo e não raro, personifico os mais estranhos personagens. E neste dia, o cara deu o azar da vida dele. *Eu personifiquei o evangélico mais evangelista que você já viu. Nem o Edir Macêdo, Bispo Soares, Silas Malafaia se comparavam ao CAÔ que eu mandei no cara.
Foi uma coisa mais ou menos assim:

-Cê quer o relógio?
-Passa. Passa o relógio ou eu te furo.
-Calma. Não precisa roubar o relógio, meu irmão. eu te DOU o relógio de presente. Você quer?
- Quero. Dá aí. Dá aí.
- Então, Irmão… Sabe porque eu tenho este relógio?
- Dá logo porra.
- (fingindo não me intimidar com o canivete todo enferrujado) Eu era um ladrão.
- Tu era ladrão?
- Era. Eu era ladrão e um dia precisei sacar o “berro” e atirei num cara. Mas ele não morreu. Ele apontou a arma pra mim e…
- E o que?
- Atirou, porra. – disse eu dando aquele tapinha de amigo no braço do meliante. Ele abaixou o canivete.
- Porra ele atirou? E acertou?
- Acertou, irmão. Bem aqui ó. – Disse eu levantando a blusa e apontando um lugar qualquer onde não se via porra nenhuma, afinal, nunca levei tiro na vida. E continuei: – Tá vendo a cicatriz?
-Tô, tô… – Então a bala entrou aqui e saiu nas costas.
- Caralho.
- Pois é, irmão. E o pior não é isso.
- Tu foi pro hospital?
- Fui, mas o pior aconteceu depois.
- Aconteceu o quê?
- Meu irmão, eu vi uma luz. Era uma luz branca. Que surgiu assim, ó. Pá! Na minha frente. E então eu vi uma coisa. Não vou dizer que era santo, nem que era espírito. Mas apareceu uma forma ali na luz e eu senti que estava liberto. Que não era a hora de morrer.
Quando eu abri o olho, eu já tava num hospital. Pensei que tivesse morrido.
A enfermeira falou que tinha morrido mas voltei.
- Puta merda!
- Quando eu voltei, estava livre meu irmão. Eu olhei meu rosto no espelho e vi que Deus em pessoa tinha me libertado. Ele mandou eu voltar. E só depois que eu descobri o porque.
- Por que? – Todo curioso o moleque.
- Porque eu tinha que libertar as pessoas.
- Libertar?
- É, irmão. Quanta gente você conhece que tá na merda? Roubando, cheirando, fumando, matando? Uma porrada, né? Então. Esses.
- Tu é crente?
- Não.
- Ué. Não?
- Não. Deus não precisa dessas coisas de igreja, de culto, de bandinha, nem terno e nem Bíblia. Deus precisa sabe do quê?
- Hã?
- Do seu compromisso. Da sua alma. Não é santo, não é banda, não é construção que vai te dar isso. Conseguir isso é a coisa mais difícil. Mas não é impossível.
Veja você por exemplo. Tu já ia me assaltar. Ia pegar o relógio, né? Eu sei cara. Eu entendo. Você acha que resolveu roubar meu relógio atôa? Logo eu? No meio de tanta gente? Olha o tamanho da cidade. Olha em volta.
Você acha que isso acontece assim, do nada?
Irmão, você foi mandando pra falar comigo. O relógio, quem me mandou usar foi Deus. O relógio é só uma isca. Você veio. Se veio, é porque Deus quer ver você liberto.
Cê quer se libertar?
-… Quero. Acho que sim.
- Irmão, presta atenção. Isso que eu vou te falar é importante. Deus te dá a chance. Ele não muda você. Ele pode fazer isso. Ele fez isso comigo. Mas ele não quer impor sua mudança. Ele quer que VOCÊ (apontando no peito dele, bem no coração) mude. Ele quer que VOCÊ saia da vida que você entrou, mas saia com as suas pernas. Esta é a chance. Pode ser que não haja outra.
-… – O moleque bolado.
- Joga fora essa merda. – Eu disse. Agora num tom mais autoritário, como que revestido do poder de Deus.
E para meu espanto, o moleque jogou a porra do canivete no canteiro.
- Agora fecha os olhos. Fecha os olhos e concentra. Você vai fazer uma conexão. Uma ligação com Deus.
Sei lá o que me deu para falar aquilo, mas eu peguei no braço do cara. Ele ali, de olho fechado eu orei com ele. E quando eu vi eu já tava falando no ouvido dele.
- Aceita Jesus.
- Eu aceito.
-Aceita Jesus, porra!
- Eu aceito.
- Agora! ( eu dei um grito) Aceitaaaaa! – O moleque caiu de joelhos. Ele chorava.
Para meu mais absoluto espanto, eu havia convertido o meu primeiro fiel.
Conversamos um pouco sobre música, sobre esportes e ele foi embora, todo agradecido. Ele morava no bairro do Coelho em São Gonçalo.
Antes dele ir, eu falei que ele deveria entrar para uma igreja. Eu não ia dizer qual. Todas as igrejas são de Deus. Mas que Deus apontaria a igreja certa pra ele.
E fui embora.
Com o meu relógio.
Menos um bandido no mundo. *

Ok, ok. Eu admito. Tudo que está entre os * eu inventei. Não consegui me conter e a aventura real virou um conto.
O fato real é que o cara era mesmo mais novo que eu e realmente estava com um canivete enferrujado apontado pra mim.
Eu comecei a falar com ele que aquilo ia “dar merda” pro lado dele e tal. Falei que ele não sabia de quem eu era filho. Que ele ia se dar mal. Meio que num tom de ameaça no estilo “quem avisa amigo é”.
E ele amarelou. Foi só isso. Ele deve ter pensado que eu era filho de polícia ou pior, de bandido e desistiu do assalto. Eu acabei conversando com ele e ele me contou que era de São Gonçalo, do bairro Coelho (um bairro barra-pesada, ao que parece). Paguei uma coca-cola pro cara e batemos papo por algum tempo. Aquele era o segundo assalto dele.
Ele não me roubou e eu fui pra casa.
Mas a parte inventada é bem mais legal, né?
Gostei deste post combo aventura-conto. Parece até piada do Costinha, que no meio da piada ele contava outra.

Mensagem 2.0

Eu não gosto muito desses blogs eruditos onde você entra e só tem poesias. Na verdade mesmo, eu acho um saco. Então tenho que fazer isso pedindo clemência aos leitores. Como já comentei num outro post aí, eu gosto de ouvir qualquer merda musical enquanto trabalho. Ontem eu estava trabalhando num aquário em computação gráfica quando tocou uma antiga música da Vanusa, chamada MENSAGEM. Era uma bela história de desilusão amorosa em versinhos bem simples. E eu fiquei pensando…

Bons tempos em que amores terminavam por carta. Hoje a coisa é bem mais rápida, com chats, mensagens de orkut e scraps.

Com isso em mente, sentei-me na frente do word e fiz esta versão da música, numa roupagem mais atual. Quem sabe num dia que eu esquecer a vergonha em casa eu não faço um podcast do mundo gump e até canto ela?

Ok, ok… Brincadeira. Pode guardar o revólver.

MENSAGEM 2.0

Quando o Windows entrou

E o programa rodou

Baixei os emails então

Com tanto spam que surge

Nem sei como pude

Clicar no botão

Vendo uma linha em negrito

E o tal email escrito

Eu reconheci

A mesma covardia

Que disse-me um dia

Viagra- clique aqui.

Porém não tive coragem

de clicar na mensagem

Porque com certeza

Eu meditava e dizia

Qual será a agonia

Qual será a surpresa?

Quanta mensagem medonha

Ou tristeza bizonha

Um email nos traz

E assim pensado cliquei

A mensagem deletei

Para não me aborrecer mais

(refrão)

Porém não tive coragem

Nem de ler a mensagem

Porque com franqueza

No fundo eu já sabia

Que se clicasse eu iria

Ficar sem defesa

A mensagem sem-vergonha

Que te acha um pamonha

De um hacker sagaz

Quer com este spam

Instalar um trojan

Pra ver o que você faz

O relato de um MIB-parte 1

(english version at the end)

Caro senhor Phelipe,

O senhor não me conhece. Descobri o seu email procurando na Internet por ufólogos do Rio de Janeiro.

Estou escrevendo este email por dois motivos. Espero que o senhor me entenda e não me tome por um louco charlatão.

O primeiro é para ajudar em seu trabalho. O segundo é para trocar informações sobre ufologia. Acredito que é necessário demonstrar meu interesse e intenção e portanto, estou anexando informações que considero interessantes nesta mensagem.

Não quero publicidade em torno do que vou relatar aqui. Por isso, manterei segredo sobre minha identidade.

Só o que me limitarei a dizer é que trabalho há mais de dez anos em uma unidade secreta das Forças Armadas que investiga o fenômeno dos Discos Voadores e seus tripulantes em parceria com grupos similares de outras nações, principalmente da Rússia, Israel, Canadá e Estados Unidos.
O Brasil mantém tratados secretos com estes grupos. Infelizmente, eu não sei coisas suficientes para relatar sobre as relações de pesquisa entre estes grupos, porque eu faço parte de uma equipe pequena, de quatro pessoas, todos ex-militares que apenas faz trabalho de campo. Nós chamamos este trabalho de “serviço sujo”. O que posso dizer é que nós obtemos material biológico e artefatos para pesquisa. Os artefatos são os objetos não biológicos.

Cada grupo ligado ao tratado (o tratado não envolve apenas os países que eu citei. São vários, com muitos grupos no mundo) faz uma parte do serviço, para que nenhum país ligado através do tratado fique em desvantagem tecnológica na análise deste material rico.

Cada país possui empresas privadas que operam em um sistema de fachada ou em um tipo de parceria secreta com os grupos de pesquisa, trocando informações e gerando várias patentes a partir do material obtido.
Recentemente eu comecei a me interessar mais pela origem destes seres. Ao longo dos dez anos em que eu mexo com isso, tive a oportunidade de ver pelo menos quatro tipos de criaturas diferentes. Algumas ainda vivas. Outras eu só vi carbonizadas ou mortas.

O trabalho de campo envolve partes que eu não posso revelar sob risco de colocar em xeque minha identidade.

O que eu posso lhe dizer é que o meu grupo atua no norte do Brasil. Mas existem outros que cobrem todo o território nacional, e partes do Paraguai, Uruguai e na região de fronteira com a Argentina. São todos grupos pequenos de no máximo quatro pessoas.

No meu grupo estão dois militares da reserva, um médico e um ex-policial civil.

Nós recebemos informes periódicos vindos de um grupo de monitoramento dos EUA, que cobre todas as Américas. Este relatório é atualizado apontando com coordenadas específicas de GPS as áreas de extensa atividade extraterrestre no Brasil. Sabemos que os Objetos vem aumentando sua presença desde o final da década de 70. Eles estão colocando em risco o tráfego aéreo nacional. Eles entram pelo norte e também pelo Sul do país, em uma velocidade acima de 20g.

Os objetos descem seguindo uma trajetória marcada por jazidas minerais, sobretudo urânio. Alguns dos objetos fazem trajetos derivados desta trilha principal.

Nós temos autorização de investir de modo hostil contra esta atividade. O que fundamenta nossa ação, é que só através da pesquisa do que se tratam estas criaturas e quais seus interesses, poderemos apontar um caminho seguro para todos nós. E para saber o que são, precisamos pegá-los e estudá-los.

Eu não sei nada sobre área 51 e essas coisas que se diz em filmes. Reporto as atividades do meu grupo em relatórios que são enviados a um comando central. Procedemos de acordo com parâmetros rígidos de conduta. Qualquer pisada fora da linha significa ser cortado do projeto. E isso não é bom. Entende o que eu digo?

As pessoas não sabem a realidade. Alguns acreditam que estas criaturas são seres angelicais.

Seres angelicais eu nunca vi. Mas já vi coisas realmente estranhas.

Poucos foram hostis conosco. Mas sabemos que a tecnologia deles pode ser muito perigosa. Muito mais do que você pode imaginar.

Eles parecem ser de outro planeta como todos dizem. Não posso afirmar, porque não sou cientista. Mas isso é minha opinião. Sou um ex-militar da reserva operando em atividade secreta para meu país. Minha missão é obter os espécimes, entregá-los e sair em busca de outros.

Para isso utilizamos helicópteros e equipamentos cedidos por nossos parceiros dos EUA e de Israel.
Eu não sei muito sobre a estrutura dos grupos. Tudo que sei foi o que ouvi em uma conversa informal com parceiros que já estavam lá antes de mim.

Eles me disseram que como o nosso, cada país tem um grupo de resgate e interceptação, ligados a quatro centros de monitoramento mundial. Um deles é nos EUA, o outro na Rússia, um na Austrália e um outro que não sei onde fica. Suponho que fique na África, em algum lugar. Mas isso é só o que eu imagino. Em cada país, existe um grupo de análise, separação e investigação de material. O grupo de investigação faz uma triagem, e separa o material para enviar para centros específicos. Estes centros são espalhados em vários países. Lá dentro, as pessoas desmontam os artefatos e estudam as criaturas. No Brasil nós nunca conseguimos enviar um único ser ainda vivo. Todos morreram em menos de três dias. E pelo que eu soube, isso inclui os quatro bichinhos lá de Varginha.

Recentemente, logramos êxito em abater um artefato em situação de pouso. Ficamos monitorando a atividade de uma pequena cápsula durante nove dias, onde ela fez exatamente o mesmo trajeto, nas mesmas horas e minutos. Fomos enviados para uma operação de cerco lento. A cada dia, durante o amanhecer, nós nos aproximávamos de modo camuflado. Fomos chegando cada vez mais perto do ponto onde a nave descia. Fomos repetindo isso até estarmos em posição de abatê-la. Era necessário desligar toda e qualquer atividade elétrica em nosso acampamento a partir das cinco horas da tarde. Só religávamos os equipamentos às cinco horas da manhã, quando a atividade da cápsula havia cessado. Isso incluía lanternas, veículos, rádios, celulares e até relógios. Nós estamos preparados para ficar semanas de tocaia completamente ocultos, desde que não tenhamos nenhuma atividade elétrica de grande porte além da atividade elétrica corporal. Para evitar que esta atividade elétrica nos denuncie, temos que vestir roupas especiais bastante incômodas de um tipo de plástico grosso de cor marrom que encobre os rastros elétricos. Assim ficamos invisíveis para eles. É o mesmo procedimento usado em captura de seres em todo o mundo. Pelo menos, isso é o que me disseram. Eles nos detectam pelas ondas elétricas.

Finalmente conseguimos inutilizar o artefato, impedindo que o objeto decolasse na noite de 15/03/2007. A ação ocorreu num pasto não muito distante da cidade de Tasso Fragoso, no Maranhão. Nas proximidades da BR330.

Duas criaturas saíram do objeto e resistiram ao cerco, recorrendo à violência e tentando evadir-se. Ambas foram abatidas a tiros. Levamos o artefato num caminhão e as duas criaturas foram embaladas e enviadas para um depósito provisório onde armazenamos em gelo até que o encarregado de transportar o material para o centro de triagem chegasse.

Durante o tempo em que nós descarregamos os seres no galpão, eu fiquei sozinho com elas e fiz algumas fotos usando meu celular.

Eu não tive muito tempo e não pude fazer muitas fotos em função de estar com o celular com pouca bateria e devido ao nervoso de fotografar a criatura em segredo.

Nós somos proibidos de efetuar qualquer registro fora dos especificados em nossos relatórios de campo. Os riscos são altos. Eu tirei estas fotos para mostrar para um parente meu que não acredita. Mas acho que elas podem ajudar mais quem entende.

Eu sei que muitas pessoas não acreditam em discos voadores, que nem sempre são discos, e muito menos em extraterrestres. Eu gostaria de poder ter o privilégio de escolher entre acreditar ou não. Mas sou forçado apenas a admitir sua existência, e caçá-los.

Ultimamente comecei a me perguntar se agimos corretamente. Isso começou em 1998 quando tive que abater uma criatura pequena que parecia uma criança. A nave estava voando em baixa altitude e derrubamos o pequeno disco, que tinha o tamanho de um fusca. O disco caiu de uma altura de seis metros, se ameaçando todo. Do objeto, abriu uma escotilha e uma pequena pessoa saiu. Ela olhou para nós e tentou cobrir o rosto para se proteger dos holofotes. Neste momento eu descia armado do helicóptero para efetuar o procedimento de captura usando redes. A pequena menina, que era como ela parecia, olhou pra mim e eu vi que estava com medo. Tremia. Então ela tentou fugir e meu colega acertou quatro tiros nela pelas costas. Comecei a refletir sobre o destino daquela criatura. Ela não foi hostil. Será que temos este direito? Será que fazendo isso não estamos prestes a provocar uma guerra onde poderemos sair perdendo?

Estou anexando as fotos dos seres de Tasso Fragoso. Desculpe pelo texto longo.

Espero que possa ajudar em seu trabalho.

Manterei contato.

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Imagem010 O relato de um MIB parte 1

Continua na parte 2

ESTE MATERIAL É UMA OBRA FICCIONAL

TRANSLATION (Due the automation of this process, some words and expresions cab be unclear. I hope can fix this mistakes soon.)

Dear Mr Phelipe,

You do not know me. I found your email on the Internet looking for ufólogos fom Rio de Janeiro.

I am writing this email for two reasons. I hope you understand me and I do not consider me a crazy charlatan.

The first is to help in their work. The second is to exchange information on ufology. I believe it is necessary to show my interest and intention and therefore, I am attaching information which I consider interesting in this message.

I do not want publicity surrounding the report that I am here. Hence, keep secret about my identity.

Only what I say is only going to work for more than ten years in a secret unit of the Armed Forces which investigates the phenomenon of discs Voadores and its crew in partnership with similar groups from other nations, mainly from Russia, Israel, Canada and the U.S..
The United States maintains secret treaties with these groups. Unfortunately, I do not know enough things to report on relations between these groups of search, because I do part of a small team of four people, all ex-soldiers who only does the fieldwork. We call this work of “dirty service.” What I can say is that we obtain biological material and artifacts for research. The artifacts are not biological objects.

Each group linked to the treaty (the treaty involves not only the countries that I mentioned. Many, many groups in the world) is a part of the service, so that no country is bound by treaty at a disadvantage in technological analysis of this rich material.

Each country has private companies operating in a system of front or in a kind of secret partnership with research groups, exchanging information and generating several patents from the material obtained.
Recently I started to interest me more for the origin of these beings. Over the ten years that I mexo with that, I had the opportunity to see at least four different types of creatures. Some still live. Also I only saw carbonized or killed.

The work involves field of parties that I can not prove a risk to put in check my identity.

What I can tell you is that my group operates in northern Brazil. But there are others who cover the entire national territory, and parts of Paraguay, Uruguay and the region of border with Argentina. All are small groups of no more than four people.

In my group are two of the military reserve, a doctor and a former civilian police.

We receive regular reports from a monitoring group of U.S., which covers all the Americas. This report is updated pointing to the GPS coordinates of specific areas of extensive alien activity in Brazil. We know that the objects has been increasing its presence since the end of the 70. They are putting at risk the national air traffic. They come from the north and the south of the country, with a speed of above 20.

The objects fall following a path marked by mineral deposits, especially uranium. Some of the objects are derived from such paths main track.

We have authorization to invest so hostile against this activity. What justifies our action, is that only through the search process than if these creatures and what their interests, we can point out a safe way for us all. And to know what they are, we pick them and study them.

I do not know anything about Area 51 and those things they say in movies. Reporto the activities of my group of reports that are sent to a central command. We agree with rigid parameters of conduct. Any bruised outside the line means being cut off the project. And that is not good. Believes what I say?

People do not know the reality. Some believe that these beings are creatures angelical.

Seres angelical I have not seen. But I have seen things really strange.

Few were hostile to us. But we know that technology them can be very dangerous. Much more than you can imagine.

They seem to be from another planet as everyone says. I can not say because I am not a scientist. But this is my opinion. I am a former military reserve of operating in secret activity for my country. My mission is to obtain the specimens, deliver them and leave in search of others.

For that use helicopters and equipment sold by our partners from the U.S. and Israel.
I do not know much about the structure of the groups. All I know is what I heard in an informal conversation with partners who were already there before me.

They told me that as ours, each country has a group of rescue and interception, connected to four centres of global tracking. One is in the U.S., the other in Russia, one in Australia and another that I do not know where he is. I suppose it is in Africa, somewhere. But that’s just what I imagine. In each country, there is a group of analysis, research and separation of material. The research group is a sorting and separating the material to send to specific centres. These centres are scattered in several countries. Inside, people dismantled the artifacts and study the creatures. In Brazil we never managed to send only one is still alive. All died in less than three days. And by that I knew, this includes the four worms there, Varginha.

Recently, success in logramos killed an artifact to a landing. We are monitoring the activity of a small capsule during nine days, where she did exactly the same path, the same hours and minutes. We were sent to an operation of encircling slow. Every day, during the morning, we aproximávamos so hidden. We were getting ever closer to the point where the ship down. We have been repeating this until we are able to slaughter it. It was necessary to disconnect any and all electrical activity in our camp from five o’clock in the afternoon. Only religávamos the equipment at five o’clock in the morning, when the capsule’s activity had ceased. This included torches, vehicles, radios, mobile phones and even watches. We are prepared to stay for weeks tocaia completely hidden, since we do not have any electrical activity of large electrical activity than the body. To prevent this electrical activity in the report, we have to wear special clothes rather incômodas a type of plastic bulk of brown color that masks the footsteps electric. So we are invisible to them. It is the same procedure used in capture of beings throughout the world. At least, that’s what I said. They detect in the electric waves.

Finally we become unusable the artifact, preventing the object decolasse the night of 15/03/2007. The action occurred in a pasture not far from the town of Tasso Fragoso, in Maranhao. In the vicinity of BR330.

Two creatures left the object and resisted the siege, resorting to violence and trying to circumvent it. Both were killed by gunfire. We take the artifact in a truck and the two creatures were packaged and sent to a temporary storage where store on ice until the charge of transporting the material to reach the sorting center.

During the time that we descarregamos beings in the shed, I was alone with them and made some photos using my phone.

I have not had much time and I could not do many photos to be in line with the battery cell with little nervous, and due to photograph the creature in secret.

We are forbidden to make any record outside those specified in our reports from the field. The risks are high. I took these photos to show to a relative that I do not believe. But I think it can help more people understand.

I know that many people do not believe in flying saucers, which are not always discs, and even less in aliens. I wish I could have the privilege to choose between believing or not. But I am forced to admit its existence only, and caçá them.

Recently I began to ask me if we act correctly. It started in 1998 when I had to kill a creature that seemed a small child. The ship was flying at low altitude and derrubamos the small disc, which was the size of a Beetle car. The disc fell from a height of 19ft, is threatening whole. The object, opened a hatch and a small person has left. She looked at us and tried to cover his face to protect the scenes. At this moment I descended the helicopter armed with performing the procedure for arrest using networks. The little girl, that was how it seemed, looked for me and I saw that he was afraid. Seemed to be in fear, shaking a lot. Then she tried to flee and my colleague hit it by four shots back. I started to reflect on the fate that creature. She was not hostile. Will we have this right? Does doing this we are not about to provoke a war where we lose out?

I am attaching pictures of the beings of Tasso Fragoso. Sorry for the long text.

I hope we can help in their work.

I will be in contact.

(To be continued in part II)

Arnaldo, o homem que queria demais

Arnaldo, o homem que queria demais

Arnaldo era um velho professor de Geografia aposentado. Vivia sozinho. Bem, não exatamente sozinho, uma vez que estava sempre acompanhado de um gato, vulgo Mimi e um papagaio de estimação mudo, cujo nome ridículo era Bozó.
Tenho pena dos papagaios. Nomes ridículos sempre lhes caem bem. Ainda mais quando são mudos.
Arnaldo tinha uma bela biblioteca.
Na falta de uma mulher, um homem não deve deixar de possuir uma bela e vistosa biblioteca, com volumes clássicos e obscuros. Leitura amena, densa, e mesmo eventualmente, uma ou outra enciclopédia. E ali, espremida milimétricamente entre dois livros de Geologia pré-cambriana, uma revistinha de sacanagem.
Na escrivaninha, Arnaldo mantinha com extremo capricho uma velha máquina de escrever do princípio do século XX, onde escrevia seus poemas. Sim, Arnaldo era um poeta.
Poeta dos bons. Só lido por si mesmo.
Omisso, humilde, Arnaldo assinava Alfredo.
Quando um homem chega ao ponto de inventar um pseudônimo para si mesmo, ainda mais quando se é todo e absoluto público de suas próprias peças, ele é um solitário.
Por natureza o escritor é um só. Mesmo que na companhia dos outros, observa o mundo com os olhos de quem narra os fatos. Narra para si mesmo e com isso rouba de si parte da experiência vivida. Isso pode soar estranho, mas quem escreve, entenderá.
Arnaldo via o mundo com os melancólicos olhos da poesia. Mas secretamennte, desejava ser conhecido, embora o medo lhe impedisse de mostrar seus textos ao mundo.
Não era medo de não ser compreendido. No início até era. Porém, conforme o tempo varreu a vida de Arnaldo, ele acabou sozinho. Por dentro e por fora.
O medo maior era da certeza de se descobrir em meio ao inexorável fato de que agora ele era um solitário total.
Certas pessoas sofrem da falta de complacência da vida. Arnaldo era um deles.
Certa noite, acordou e ficou a olhar para o teto, pensando na vida. Resolveu se matar.
Eu nunca entendi porque Arnaldo decidiu dar cabo de sua própria vida apenas olhando para uma sanca no teto de um apartamento pequeno em Copacabana.
A vida é cheia de mistérios, mas o tempo se encarrega de revelá-los ou enterrá-los no esquecimento da eternidade.
Arnaldo pegou o jornal e arrumou cuidadosamente sobre a mesa da cozinha. Escreveu uma meia dúzia de versos metrificados, como convinha a uma solene decisão de colocar um ponto final na própria vida. Queimou seus escritos no banheiro. Todos. Menos o que deixou na máquina. Nele, Alfredo dedicou sua morte a um amigo desconhecido. O vizinho. Arnaldo queria ser um poeta famoso. Queria ter um apartamento novo. Queria sair com belas mulheres. Queria ser reconhecido pela sua arte. Queria ser imortalizado na poesia, e desejo supremo, na música.
Ele queria ser amigo de um sujeito do apartamento do lado. Era um outro velho, muito esperto, que quando não estava viajando cercado de mulheres lindas, estava cheio de birita na TV. O vizinho era um gênio. Também poeta. Porém, famoso.
Várias vezes Arnaldo desejou bater naquela porta escura do apartamento ao lado e mostrar os versos que escrevia. Mas não tinha peito para tal, visto que sentia-se muito aquém do vizinho. Arnaldo colocou um remédio na água de Mimi. Trancou as janelas, pegou Bozó na área e colocou delicadamente sobre a pia.
Caminhou pesadamente até o antiquado fogão e ligou o gás.
Sentou-se na cadeira da cozinha, abriu o jornal e dentro dele havia uma página arrancada de um livro.
Era uma poesia. Do vizinho. Leu e releu. Leu novamente.
O gás tomou conta da cozinha. Arnaldo respirou fundo o gás e viu as letras dançarem.
Morreu sobre o soneto da felicidade.
Arnaldo era um homem chamado Alfredo. Um homem que queria demais.

Fim

A viagem de Uk

ah9302 A viagem de Uk
A viagem de Uk

Uk ergueu-se e olhou para a frente. Do alto da colina onde olhava, Uk via o deserto púrpura que parecia mágico com os últimos raios do sol. Uk apreciou por alguns instantes o milagre do sol. Até que os raios foram ficando fracos e começaram a sumir atrás de um monte rochoso que cortava o horizonte.
Então o pequeno rapaz sentiu o peso de sua lâmina de bronze. Este era o primeiro sinal do medo.
O medo é desta maneira. Ele surge aos poucos. Cada raio de luz que não cruza o firmamento adiciona um punhado do mais profundo medo na alma do homem. É assim desde o princípio dos tempos.

Eu poderia contar aqui a história de Uk. Contar que ele era um dos dois irmãos Barat que sobreviveram a tomada de Uadi Abbad. Mas não falarei sobre isso. Não há tempo para contar tamanha aventura, que seguramente tomaria alguns dias.
O que eu posso dizer sobre este pobre garoto de vinte e dois anos, que trêmulo desce com cuidado o monte de pedra de onde estava em direção a uma planície rochosa ainda quente, é que ele foi enviado pelo faraó Netjerkhet em pessoa.
O ano é 2630 A.C. e Uk partiu de Thebas na manhã de dois dias atrás. Ele caminhou a passos largos seguido por dois escravos carregando respectivamente: dois camelos, água, comida e algumas armas.
Na noite do primeiro dia, um dos escravos fugiu. Foi durante a noite, e quando o outro escravo deu pela falta, o infeliz havia sumido e carregado consigo uma cabaça de água.
Uk sentiu raiva de si mesmo, pois ainda no início da jornada percebeu que aquele pobre diabo iria fraquejar. Pensou que devia tê-lo matado para poupar a água. A água naquela região é um bem escasso e precioso. No sol inclemente, a morte espreita a cada minuto.
O segundo escravo morreu no dia seguinte. Caiu ao subir um rochedo e bateu a cabeça. Uma morte estúpida, sem dúvida.
Dali em diante, Uk seguiu sozinho orientando-se pela lua e pelo sol. Ele carregava consigo desenhos e esquemas dos sacerdotes para saber em que direção seguir.
Após descer o monte, os pés de Uk doíam. Ele olhou em volta, tentando encontrar algum vestígio de movimento, mas não havia nada. Apenas o vento e seu silvo triste.
Uk sentou-se no chão. Pensou que faltava pouco para alcançar seu objetivo.
O rapaz olhou para o céu e viu as estrelas. Então ele ajoelhou-se e rezou para Knhum, para Satis e para Anukis. Pediu piedade para consigo.
Do alto do céu, as estrelas apenas olhavam, no silêncio da eternidade.
Uk abriu a sacola que carregava amarrada às costas e dali retirou um pouco de palha. Com as mãos, cavou um pequeno buraco no chão.
Do fundo da sacola, Uk pegou as pedras de fazer fogo e pôs-se a bater uma contra a outra com violência. A cada batida uma minúscula fagulha brilhante emergia. Uk repetiu isso até que uma das pequenas fagulhas queimou a palha e uma fraca chama laranja surgiu.
Ele pegou então a tocha que carregava apagada e acendeu com o fogo. O vento ajudou e a tocha incendiou-se, iluminando a escuridão.
Ele continuou a caminhar usando a tocha como lanterna. Esperto que era, Uk decidiu só dormir na luz do dia para não ser pego de surpresa na noite.
Andou algumas horas e já tinha os pensamentos perdidos em músicas e lembranças de Thebas quando um ruído chamou-lhe a atenção.
Não era bem um gemido. Era como um ar saindo de uma abertura. Uk virou-se e nada mais ouviu. Apenas o silêncio.
Levantou a tocha o mais alto que pôde para melhorar sua visão na direção do som, mas nada via além das pedras. Grandes, médias e pequenas. Mas só pedras.
Uk permaneceu imóvel em completo silêncio por vários e intermináveis minutos. E só o que ouviu foi o crepitar do fogo da tocha alimentada pelo alcatrão.
Começou a pensar se o som não era uma ilusão, um sonho, um delírio auditivo. Talvez fosse.

Uk estava sozinho já havia algum tempo e nessas situações, um deslizamento de terra ou pedrinha que rola pode assumir proporções titânicas.
Mas Uk resolveu prosseguir.
Ao virar-se, deu de cara com a criatura. Ela estava na frente dele. Meio abaixada. A cabeça virada para baixo. Os olhos brilhavam como se fossem faíscas de puro fogo.
Ela era enorme. Bem maior do que haviam lhe falado. Pelo menos uma vez e meia o tamanho dele em pé. E ela estava de quatro.
A criatura não se movia. Uk também não. Ele lentamente deu um passo para trás.
A criatura levantou-se e deu um passo em absoluto silêncio para a frente. Na direção dele. Era o balé da morte. A situação ficou tensa. E uma gota de suor desceu o rosto de Uk com velocidade. A luz da tocha iluminava o corpanzil peludo da fera.
Era um corpo gigante de leão coberto com uma densa pelagem grossa que parecia uma ovelha. As garras eram de leão. Na fraca luz que ainda iluminava a criatura, ele viu as enormes asas que os sacerdotes haviam lhe falado.
Iluminada pela luz estava o rosto da mulher. Lindo. Perfeito. Os cabelos longos a cair sobre o colo, onde uns pêlos começavam a aparecer ainda fracos e juntavam-se nos tufos que recobriam o corpo do monstro. Ela ficou ali, olhando fixamente para ele.
Uk não ousou recusar o olhar e não desviou o os olhos da esfinge. Esfinge era como eles a chamavam. Uk tateou lentamente até o cabo da espada. O bronze gelado tocou-lhe os dedos.
Uk estava retesado, não aguentando mais a dor nos músculos.
Então ele saltou para trás.
A Esfinge arregalou a boca. Ninguém acreditaria se eu dissesse o monte de dentes pontiagudos que surgiram daquela boca de mulher. Ela saltou por cima dele, mirando-lhe na cabeça e batendo as asas pretas. Uk jogou-se para trás o quanto pôde e sentiu o hálito de carne pútrida da fera, e num rápido movimento, acertou-lhe uma espadada no ventre.
Ele tentou uma estocada, mas a julgar pelo jeito desajeitado com que manejou a arma, apenas conseguiu obter um corte. A cabeça de mulher deu um urro. O enorme bicho caiu três metros adiante. Uk estava ainda no chão quando viu a esfinge levantar-se e se sentar. Parecia um grande cão sentado e olhando pra ele. A mulher olhou-o nos olhos como sempre fazia.
Era uma besta do inferno enviada por Hades como haviam lhe dito. Uk deveria matá-la e retornaria a Tebas como um herói.
E numa voz de trovão que ressoou por vários e vários metros dali, a mulher com asas e corpo de leão finalmente falou:
- – Ela disse em um dialeto antigo, que Uk se lembrava fracamente. Era o dialeto do povo do leste. Seus avós eram sacerdotes e Uk aprendeu com seu avô a língua dos antigos.
- Besta do inferno. Volte para teu criador e liberte os campos, o povo e os animais desta terra. – Disse ele, seguindo o ensinamento dos sacerdotes do faraó.
E então a esfinge não disse mais nada. Ela apenas riu.
Um riso grosso, que fez Uk sentir um medo maior do que tudo que havia sentido antes.
O enorme animal avançou novamente para cima do pobre Uk, que tentou desviar, mas foi atingido no peito por uma patada do pesado animal. Uk voou no ar e acertou uma rocha. Caiu estatelado no chão. Meio tonto, ele tentava entender o que havia acontecido. Notou que o animal puxava da perna traseira esquerda.
Tentou levantar-se e sentiu uma enorme dor nas costelas. devia ter quebrado algum osso na batida contra a rocha.
O animal tornou a investir contra Uk. A boca escancarada cheia daqueles dentes e as garras cruzaram o ar como lâminas.
Uk pulou de lado, desta vez para o lado certo. O animal mordeu apenas o ar.
Uk aproveitou a oportunidade e vendo-se sem a espada abaixou-se e pegou uma pedra. Não era grande, mas tinha algum peso, e acertou uma pedrada na cara do bicho.
O animal virou a cabeça sangrando e ficou realmente irritado.
Uk correu como pôde para alcançar a tocha. Ele ouviu novamente o silvo de ar atrás de si e então o pesado animal desceu do céu sobre ele como fosse uma águia gigante. As asas abertas eram enormes e o vento que produziam levantou um monte de areia. Uk abaixou-se de olhos fechados e tateou até encontrar a tocha. Ele pegou a tocha e saiu girando o fogo no ar sem poder abrir os olhos.
O pesado animal evitava o fogo como podia, saltando de banda e batendo as asas freneticamente.
Uk afastou-se um pouco da criatura. Ele pisou em alguma coisa dura e quando a besta investiu novamente sobre ele, Uk abaixou-se para pegar.
O animal caiu em cheio sobre Uk. A bocarra pronta para o bote. Uk pegou aquilo que estava ali no chão e enfiou-lhe na boca. Era um fêmur de alguém ou algum bicho. Bem, tenho que ser sincero e contar que era fêmur de gente mesmo.
Uk não era o primeiro, e ao que parecia, não seria o último a enfrentar a esfinge de Hades.
Mas o caso é que ele atochou aquele ossão guela abaixo do monstro. A criatura recuou. Virou-se de costas pra Uk, tossindo um tossido gutural e tentando em vão retirar o osso da garganta.
Foi a chance de ouro que Uk procurava. Ele correu até a espada e empunhou-a.
Virou-se para procurar a esfinge e ela não estava mais lá.
Havia desaparecido. Ele olhou em volta e não havia sinal da monstruosa mulher gigante de asas e corpo de leão.
Uk pegou a tocha e logo após levantar-se Já sentindo-se o herói vitorioso de Thebas, sentiu uma coisa fria tocar-lhe os ombros. Um arrepio percorreu seu corpo de alto a baixo. Uk olhou para cima e o que viu foi a cara da esfinge, toda babada de sangue. Os olhos de pássaro amarelos injetados de ódio.
A boca grande do monstro se abriu e foi a vez de Uk se juntar à pilha de ossos carcomidos que se acumulariam nos cantos daquele deserto esquecido. Os ossos de Uk ficaram ali por mil cento e treze anos anos. Até que um dia, surgiu um rapaz chamado Édipo no alto daquelas montanhas e apreciou os últimos raios de sol púrpura banhando a planície rochosa.

Fim

-

O caçador

Já estou de saco cheio de esperar.
Um mosquito desgraçado teima em me aporrinhar os ouvidos tentando me morder…

Nós resolvemos usar uma cabra velha morta doada pelo vilarejo do qual nem mesmo me lembro o nome, que fica a uns cem quilômetros rio abaixo.
Custou a escurecer hoje, depois dessa maldita chuva tropical. Pelo que vejo a única coisa pontual neste lado do país. Ela vem, dia após dia, com o abafamento que se dá sempre que chove aqui. Talvez por isso eu me incomode tanto em ficar molhado, como um macaco escondido aqui nesta moita falsa com o rifle pesando nas mãos esperando nosso convidado aparecer…
Tentamos a mesma coisa já fazem três malditos dias, e nada.
Parece que ele sabe de nós, de nossas intenções, de minhas esperanças…

Pelo menos os inseto irritantes se foram e os animais idiotas do mato sossegaram finalmente, deixando um silêncio para que eu pudesse pensar um pouco; se é que é possível com este cheiro de podre que sai do defunto de cabra dependurado no alto da árvore aqui bem na minha frente.
Realmente, eu sei que parece idiota ficar pensando isso agora, mas quando eu falei com o pessoal do grupo ninguém acreditou em mim. Diziam que eu estava sendo alvo de uma piadinha de mal gosto feita por um pajé qualquer. Mas quem se importa realmente com isso?

Ora… A quem estou tentando enganar? Eu me importo!

Se o bicho maldito não aparecer logo, eu vou acabar desistindo de ficar aqui no mato, com os insetos, esperando e esperando…

-Um ruído ecoou no súbito silêncio da floresta Amazônica.
-Ops! Será que é ele? Será que é o bicho? Existe mesmo? – Era um som gutural, abafado e pesado de algo grande movimentando-se por dentro do mato. Galhos quebrando, poças da chuva explodindo à todos os lados. Animais em disparada rompiam o silêncio. Estes, pobres animais, dominados pelo pânico eram os que haviam ficado para trás na discreta fuga em massa minutos atrás.
O som continuava, aumentando sua trajetória indicando a proximidade do gigante.
-Lá vem ele. Só pode ser…O pajé estava certo mesmo. Ele não era maluco como eu já começava a pensar.

Meu Deus! Não estou conseguindo me controlar…Não existem elefantes na floresta do Brasil. Eles sobreviveram mesmo.
Está vindo! Está vindo! Pegar a arma, Baixar a isca, preparar mira telescópica, apontar…

- A imensa cabeça escura surgiu por entre os galhos grossos do alto da mata. Parou. Parecia saber da presença do caçador ali, grudado na árvore. Petrificado de medo o suficiente para não esboçar nenhum movimento.
O dinossauro soltou um grunhido estranho, meio oco. Parecia um trompete tocado num velho disco em baixa rotação. Os diminutos olhos moviam-se com dificuldade tentando enxergar algo.

-Aimeudeus! Ele me viu..- Pensou.

O animal lentamente iniciou um avanço em direção a ele. Os olhos fixos nele.
- Fugir!!!! Tenho que fugir!- Mas não conseguia. Estava todo urinado… Em alguns segundos ele seria o primeiro homem da história a morrer comido por um dinossauro.

Foi quando, de trás dele, pulou um outro daqueles, que ele nem mesmo sabia o nome certo. Era da mesma espécie. Um pouco menor, porém.

- Puts! Tô no meio da briga! Existe mais de um…dinoss…- Não deu tempo para continuar o pensamento. A briga tinha se iniciado. Os dois gigantes animais se degladiavam com mordidas numa gritaria selvagem. As caudas imensas batiam em árvores derrubando folhas para todos os lados. O som era altíssimo. Gritos e urros podiam ser ouvidos a quilômetros, o que não adiantava nada, uma vez que ele estava no meio da maior floresta do planeta, mais de oito dias de distância do afluente que o levou até aquele vale.
Ele havia chegado até lá seguindo cegamente a localização imprecisa e mal desenhada numa folha de caderno por um índio garimpeiro que conhecera na zona do baixo meretrício, entre um peitinho e uma garrafa de pinga…

Claro, que, a princípio, ele como qualquer pessoa normal, havia achado que tudo não passava de mentira daquela figura desdentada e enrugada. Mas quando ele me olhou firme no único olho do índio que além de velho, desdentado e enrugado, era caolho, usando olho de vidro de cor diferente do outro, provavelmente fruto de uma troca generosa de meio quilo de ouro com contrabandistas de cocaína que tinham um barracão na sua aldeia. Ele viu a verdade. Viu o medo e compreendeu que aquele era mesmo o último lugar selvagem do planeta Terra.
Os índios passavam cocaína por dentro da mata, nas trilhas que o povo daquele velho e enrugado garimpeiro haviam construído até Manaus.
Realmente ainda haviam dinossauros no Brasil.
O primeiro deles parecia estar ganhando a posse sobre o defunto da cabrita pendurada na árvore. Os dentões haviam manchado de sangue tudo à volta. Os bichos brigavam no chão espalhando uma poeirada danada no ar.
Subitamente, um deles parou. Estava morto. O outro, mais escuro, provavelmente um macho, mais forte, levantava-se nas duas patas traseiras com certa dificuldade. Estava todo arranhado e mordido, com feridas profundas por todos os lados do corpo. Uma fileira de buracos minava um sangue grosso da coxa dele. Uma artéria rompida fazia daqueles buracos uma pequena cascata de sangue escuro. Mas o animal parecia não se importar. Virou-se para a cabra cadavérica e esticou o pescoço em seua direção.

Era a chance que ele estava esperando. Preparou o rifle de matar elefante, mirou no meio da cabeça do bicho e mandou ver no gatilho.
O eco do tiro em explosão ecoou na floresta. Ao longe, papagaios coloridos levantaram vôos gritando. E fez-se um interminável silêncio.
O animal retesou todo o corpo e ficou parado. Aquela imensa estátua negra no interior da floresta Amazônica petrificou como se fosse de pedra.

O caçador havia errado o tiro. O animal virou a cabeça na direção dele e abriu a boca de dois metros. Iniciando com ela um movimento de todo o gigantesco corpo em uma marcha assassina para cima do caçador, que desesperado tropeçava em galhos e catava “cavacos” na tentativa de fugir.
Toda a floresta à sua volta tremia com a corrida do dinossauro atrás dele. Parecia a selvagem caçada de uma galinha a uma barata. O animal alcançava-o a cada enorme passada.
O caçador sentiu o bafo quente do animal no seu cangote. Os dentes fecharam-se à sua volta. Perfuraram sua barriga e ele não mais sentiu as pernas. Tudo escureceu.
O dinossauro sacudia o que restava do corpo do caçador par os lados até que se arrebentou no meio e jogando a enorme cabeça de lado ele abocanhou todo o tronco superior e enfim pôde engolir. Girou com habilidade seu corpanzil pelo meio das àrvores e voltou-se para a floresta passo a passo. Ia sumindo no meio da mata, tragado aos poucos pela imensidão verde. O som dos pesados passos do dinossauro sumia lentamente enquanto um ou outro passarinho se atrevia a cantar. As cigarras do anoitecer reiniciaram seu canto e a floresta voltou a sua paz atribulada.
Os dinossauros não mais foram vistos e assim, estão até hoje no interior da floresta amazônica do mesmo jeito que o índio.
E por falar no índio, ele está bem, com seus descombinados olhos vesgos e pele enrugada, ainda na zona, entre um peitinho e uma garrafa de pinga, convencendo outro aventureiro estrangeiro a capturar a maior criatura de todos os tempos.

Foi tempo – minha poesia para a Playboy

Ok, Hoje eu passei na banca de jornal e estupefato vi uma das mais escrotolhentamente feias capas da revista Playboy de todos os tempos. Lembrando dessas e de outras, resolvi escrever uma poesia para relaxar.
Espero que goste.

FOI TEMPO

Foi tempo em que eu pensei
Que a playboy era a solução
Na capa todo mês
Saía um mulherão,

Até que um trágico dia
Paguei minha penitência
Fui comprar a playboy
E na capa estava a Hortência

No desespero juvenil
Levei mesmo assim
Na falta de uma anna kournikova
Nada que a imaginação não resolva

Num outro mês, que decepção
Outra capa rampeira
No pôster e no miolo
A Rosenery Fogueteira

Mais uma vez, eu apostei
Fechei os olhos e comprei a revista
Na falta de mulher boa
Valia mais pela entrevista

Daí veio a Yoná Magalhães
DEu vergonha de comprar
Parecia playboy de dia das mães
Só cego pra levar

Teve também a Débora
Dirigindo caminhão ou deitada na grama
Peladona a musa dos sem terra
Parecia filha do Zé Serra
E tome mais uma balzaquiana!

Vanessa Campos por sua vez
Não causou comoção
Sua revista não vendeu
Afinal tinha a Celene na mesma edição

Se fosse só isso já tava ruim
Mas podia piorar
Cissa na capa foi duro de aguentar
Some-se a isso outra desilusão
no aniversário da revista
deu ela de novo na publicação.

Reny de Oliveira em 84
Era a Emília peladona
Quem comprou pagou o pato
Nada de gostosona

Elba Ramalho com quase 40
Cheguei a passar mal
O trauma piorou
Quando vi o matagal
Mas mesmo assim a gente tenta
ignorar a “esfusiante nudez tropical”

Daí veio a aporrinhação
Nem doido de Skol
Desceu redonda aquela capa
Com tema de voleyball
mais uma enganação

Vera Mossa recusou
Venturini também
A playboy apelou
E a Ida colocou
Era melhor deixar sem ninguém!

Você acha que acabou?
Outra coisa horrorosa
Não poderia ser mais trágico
Inaugurando a maturidade
Veio a garota do balão mágico

Mas ao menos não era mais uma da 3a. idade
Simony se achando gostosa
Ora, tenha piedade!

Em seguida veio a Mara
Que se intitulava maravilha
Pensei que era gostosa
Fiquei na pilha
Liguei para o procon
Pra reclamar da propaganda enganosa

O prêmio da barangagem
Foi a edição da Hortência
Quem comprou aquela sacangem
Sofria de demência

Nem Photoshop resolvia
Tamanha monstruosidade
Mas tudo poderia
onde até Regian Duarte
escreveu umas putarias

Hoje lá na banca
exibindo uma bunda branca
Tem uma surfista feia de se ver
Andréia Lopes é o nome dela
Dá pena de descrever
aquela criatura magrela
Achando que vai vender

O editor parece que fuma
Um matinho do capeta
Com tanta mulher bonita
Vai acabar colocando o Vampeta

Eu juro que não compro
Se continuar assim
Nem sequer pela entrevista
Ou pelas piadinhas
que fecham a revista
Afinal Pra piada
prefiro o Pasquim
O que eu quero é mulher pelada!
E Bonita!

Fim
Termino assim.

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